A chave para as Trevas

33 Cap 33:Um doce presente...


–Como é bom voltar!!- exclamou Natsu assim que saiu do trem... rapidamente, devo dizer.

Lucy saiu ainda olhando a chave de bronze em sua mão. Suspirou. Quando estavam saindo do castelo do Rei, Mirian apareceu juntamente com Aragon e lhe entregou essa chave de bronze que, por ironia, possuía em seu cume o símbolo de uma chave, porem esta era negra. Ela tinha lhe dito para usá-la quando tivesse duvidas. Não compreendeu, mas suspirou.

–Neee Luce, -chamou Natsu olhando para a chave em suas mãos, curioso.- Eu nunca vi uma chave de cobre. Que tipo de espírito ela tem?- questionou com os olhos brilhantes esperando que fosse um que pudesse lutar.

Lucy guardou a chave dentro de sua bolsinha de couro, junto com as de ouro e olhou para o amigo.

–Chaves de cobre são chaves criadas pelos próprios magos celestiais para guardar informações.- explicou Lucy embora estivesse confusa.- O mago cria a chave para guardar algum tipo de informação valiosa com um espírito guardião, que é criado junto com a chave e terá como único objetivo proteger a informação, até que outra pessoa, estipulada pelo seu criador, invoque-o e ele diga o que guarda. Mas eu nunca vi uma. Só ouvi falar delas. – murmurou.

–Então invoque-o e vamos ver que segredo cabeludo ele esconde!!- exclamou Natsu com os olhos brilhantes.

Lucy lhe deu um tapa na nuca. Natsu tinha que aprender que nem sempre poderia ficar indo atrás dos segredos dos outros. Como era curioso!

–Não posso invocá-lo quando quiser. É necessário primeiro ter uma pergunta para fazer, ou então dar ao espírito algo em troca pela informação.- explicou.- Magos Celestiais não criam chaves de bronze a não ser que seja algo de extrema importância, afinal não é fácil criar uma chave.

Gray, Erza, Narsu e Juvia se reuniram em um circulo. Erza pos a mão no queixo e fechou os olhos pensando.

–O que podemos dar em troca para esse espírito?- perguntou Erza aos demais.

– Um bolo? Um vestido? Quem sabe um cachorrinho?- sugeriu Gray.

Uma veia se ressaltou na testa de Lucy.

–É UMA INFORMAÇÃO, NÃO UMA FOFOCA!!!- Berrou indignada com os amigos.

–Aye, Aye.- responderam em conjunto ainda pensando em alguns planos.

Lucy bufou e pegou a mochila que havia levado dessa vez. Zeref a observou caminhar na frente e sorriu. Hoje seria o dia de uma bela surpresa.Bem, ao menos Lucy teria. Logo se adiantou para caminhar ao seu lado no caminho para a guilda. Iriam lá primeiro para entregar o relatório para o mestre alem de comerem algo por lá.

Assim que chegaram a porta da guilda ouviram um alvoroço lá dentro, do tipo que acontece todos os dias por causa dos dois magos mais brigões da guilda, mas...

–Que estranho.- murmurou Lucy.- Natsu e Gray estão aqui, por tanto só tem gente civilizada na guilda. Quem está arrumando essa bagunça...?

–ESTÁ NOS CHAMANDO DE MACACOS?- Questionaram os dois ao mesmo tempo a fuzilando com os olhos.

–Não.- respondeu fazendo-os pararem com a carranca.- Estou chamando vocês de selvagens.- murmurou risonha.

–O QUE?- Exclamaram de novo.

–Juvia gosta de Gray- sama selvagem.- falou a azulada com corações enormes nos olhos.

–Oe, Oe.- Murmurou Jellal.

Erza chutou a porta encerrando a conversa a parte. Quando ela se abriu todos ergueram as sobrancelhas surpresos com o que encontraram.

–Sabertooh? – murmurou Wendy.

–YOOOO, Blonde!- exclamou Sting passando o braço por seus ombros.

Uma mão negra enorme vinda do chão, o agarrou e o arremessou contra uma mesa, o deixando desacordado. Lucy fuzilou Zeref com os olhos, que continuou com a feição impassível como se não tivesse feito nada.” Ahhh, então só ele podia sentir ciúmes e fazer algo a respeito? Maldito!”

–Ore, ore. Já voltaram? Pensei que demorariam mais tempo. – falou Mira servindo as mesas enquanto os observava entrar.

Depois de tanto tempo trabalhando na guilda já tinha pego o jeito de equilibrar a bandeja sem nem precisar se concentrar.

– O aumento do grupo trouxe vantagens.- falou Erza se sentando em uma das mesas.- Por que estão aqui?- perguntou se virando para o grupo da Sabertooh.

Rufus, Rogue, Sting (recém acordado), os exceeds e Ogra.

–Reunião de guildas.- falou Rufus.- Se não me falha a memória, Erza-san, é para todas as guildas se reunirem na sede da Fairy Tail. Ordens do conselho. Bom dia Miss Lucy.- falou cordial com uma reverencia.

–É mesmo!- exclamou Lucy batendo a mão fechada na outra aberta.- tinha me esquecido disso.- murmurou.- Ah, bom dia.- falou de volta.

–E do que você não esquece?- murmurou Zeref com um meio sorriso, sentando-se na cadeira ao lado de Lucy.

–Cale-se!- ralhou ela

–LUCY-SANNNN!!- Gritou uma voz conhecida que a fez arrepiar.

“Essa não.”- Pensou.- “Tudo menos eles”

Se virou, e lá estava ele. Hibiki Lates, membro da Blue Pegasus, correndo em sua direção de braços abertos junto com o resto do Trio- Nada –Agradável.

Outra mão negra apareceu, agarrando os quatro- incluindo Ichiya- e os pensando contra a parede. Olhou para o lado e viu Zeref com a mão esquerda estendida para frente, e a alguns centímetros dos seus dedos havia um circulo mágico negro e era dele que aquela mão enorme e sinistra saia.

–Zeref!- repreendeu.

–ISSO!- Brandiu Erza fazendo uma dancinha comemorativa pelo fato de Ichiya estar preso e inconsciente.

Lucy revirou os olhos e se dirigiu ao balcão se sentando perto de Mira, Levy , Wendy e Cana. Voltou a analisar as guildas recém chegadas notando uma coisa... ou melhor, a falta de uma.

–Onde esta Minerva?- perguntou cochichando para a albina.

Não que quisesse saber onde ela estava realmente ou algo do gênero, mas saber se a pessoa que lhe dava calafrios estava na guilda era de seu interesse. Não era de seu feitio odiar, mas com certeza a tigresa não estava na sua lista de melhores amigas.

–A velha senhora não vem Blonde. –falou Sting sentando-se na mesa grande de madeira ao lado do balcão. Lucy puxou uma cadeira e se sentou na mesa também, sendo acompanhada pelas meninas. –Ela está em Magnólia mas esta esquisita e agindo diferente. Ela não quis vir a guilda ainda.

Logo Rogue se aproximou junto com Lector e Froch, os colocando na mesa e se sentou também. Estava começando a ser formada uma rodinha para se compartilhar assuntos. Rufus também veio para acompanhar o alvoroço, sentando-se ao lado de Cana.

–Fada-san.- chamou o exceed com sua fofura habitual. Lucy virou a cabeça encarando o rostinho fofo e felpudo do gatinho em cima da mesa. –Rogue –kun disse que fada-san está junto com o assustador-san.

Lucy fez uma careta. Assustador-san? Eles estavam exagerando. Todo bem que ele era assustador às vezes e acabou de deixar a Blue Pegasus inconsciente, MAS ele era um fofo.

–Ele não é assustador.- resmungou emburrada ao notar os olhares concordantes com o gato.

Não é possível que todos ali achavam isso!

Erza e Jellal chegaram também. Viram o alvoroço de pessoas e ficaram curiosos. A ruiva ouviu o protesto da maga, mas..

–Sinto muito Lucy, mas Zeref...- falou com receio de completar e magoar a amiga.

–Ele é assustador.- completou Levy na maior cara de pau.

Não é que tivessem medo, por que não tinham. De alguma forma ele era bem comportado sobre a presença de Lucy; mas ele tinha uma espécie de olhar assustador do tipo: Se fizerem algo de ruim para a loirinha eu lhe mostrarei um lugar pior que o inferno. Era mais uma aversão a irritá-lo.

–Não é não. –resmungou em um muxoxo.

Por que as pessoas não viam o quanto ele era carinhoso? A resposta era óbvia: Ele só era assim com ela. Mas, mesmo assim... nunca sentiu medo dele. Para si era estranho os outros terem essa reação, e para os outros era estranho ela ter essa reação. Contraditório, admitia.

Baixou o rosto fitando e cutucando a madeira da mesa com a unha, enquanto um bico permanecia em seus lábios.

–Sinto muito Blonde, mas às vezes ele me da calafrios.- concluiu Sting aquilo que todos pensavam.

–Se eu fosse você ficava quieto. Ele não vai gostar de ver você falando assim.- murmurou rogue para o irmão de consideração.

–Falar o que?- perguntou aparecendo atrás de Lucy fazendo todos da mesa darem um pulo de susto... todos menos a maga, é claro.

–Quer nos matar do coração??-exclamou Levy com a mão no peito, como muitos ali.

Todos olharam em direção a loura perguntando como ela não se assustou. A maga deu de ombros e respondeu a pergunta não dita.

–Vocês se acostumam...daqui um ou dois anos.- murmurou. Levou muito tempo para se acostumar com isso, mas ainda assim ele lhe dava sustos enormes.

Zeref se sentou ao lado de Lucy e enlaçou a cintura dela, a puxando para seu colo, abraçando-a e apoiando o queixo em seu ombro com os olhos fechados. A maga bagunçou um pouco os cabelos negros e se voltou para frente outra vez.

–Muito bem, quais são as novidades daqui?- perguntou Ogra.

–Não sei. Acabamos de chegar de missão.- respondeu Gray.

–Juvia foi em uma missão com Gray –sama, Juvia está tão feliz. – falou a azulada com corações nos olhos.

Conversa vai, conversa vem e o tempo foi passando. Começaram perguntando as novidades ocorridas com as outras guildas nos últimos tempos; aventuras vividas, problemas, etc. Começaram então a fazer perguntas uns aos outros; às vezes elas despontavam a rivalidade nos mais brigões presentes, como Natsu e Sting. Mas chegou uma hora que o assunto chegou em uma pergunta inusitada de alguém inusitado....

–Nee, me sinto tão sozinha.- resmungou Cana.- Até a Lucy está namorando e eu to aqui.- disse afogando as magoas na cerveja.

–O que você quis dizer com “até a Lucy”, hãn?- perguntou a loura com uma veia pulsando em sua testa.

Parecia que todas as pessoas do mundo acreditavam piamente que ela ficaria solteira pelo resto da vida.

–Neee, Rogue-kun.- chamou o exceed cosplay com a voz inocente fazendo com que todas as cabeças se virassem em direção ao mesmo. –O que é reprodução humana?- perguntou com os olhos brilhando.

Neste mesmo instante chamas negras envolveram Zeref e Lucy deixando para traz um simples banco vazio. Laxus se transformou em um raio e sumiu. Mira entrou para a cozinha rapidamente, enquanto o mestre subiu as escadas mais veloz que de costume. Natsu, Gray e Juvia pularam a janela. Sting, Ogra, Wendy e os exceeds saíram voando pela porta. Resumindo: Em questão de segundos a guilda estava completamente vazia, restando apenas um gatinho e um moreno absurdamente corado.

–Bem... ehh...- Por deus como queria sumir em uma sombra.

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–Zeref, onde está me levando?- questionou a loura olhando para todos os lados.

Não se teleportou para casa como pensara, mas sim para a floresta ao norte de magnólia. Sabia disso por que se fosse para o Oeste, encontraria a casa de Natsu; mas não, eles estavam indo para norte. Olhava em volta, vendo as arvores majestosas e enormes que se erguiam do chão enquanto subiam a colina. Eram grossas, antigas, com suas cascas repletas de musgo e ninhos de pássaros e as faziam de casa e elas aceitavam de bom grado. Podia ver o mar lá de cima, pela frestas das arvores na colina; O por do sol se fazia presente, lhe dando uma visão maravilhosa, em conjunto com o céu manchado pelas cores alaranjadas e vermelhas. Podia ouvir o som de um rio pequeno bem próximo.Realmente era um belo lugar; pacífico, diria.

–É uma surpresa.- respondeu.- E sendo uma surpresa não posso dizer.- falou como se ela fosse uma criança.

Ignorou a vontade de estapeá-lo por isso. Inflou as bochechas.

–Não poderia ter nos teleportado direto para a surpresa.- resmungou manhosa. Odiava andar, principalmente em morros, por mais que a visão lhe agradasse.

Um vento gostoso passou por eles. Zeref revirou os olhos.

–Deixe de ser manhosa. Já estamos chegando.

Ele pegou sua mão a puxando consigo. Caminharam mais alguns minutos, até que Zeref, em um movimento rápido, utiliza sua magia para fazer uma venda nos olhos de Lucy.

–O que está fazendo?- perguntou ela enquanto tentava tirar aquilo de seus olhos, mas não conseguia tocá-la para retirar.

–É uma surpresa, por tanto não vou deixá-la ver de longe.- explicou pegando sua mão outra vez.- Irei guiá-la. Confia em mim?

Lucy parou de tentar tirar a venda e sorriu.

–Sempre.- falou convicta.

O mago sorriu também.

A puxou por mais alguns metros e depois parou, fazendo-a parar também. Ficou ao seu lado ainda segurando a pequena mão.

–Pronto, agora pode olhar.- disse estalando os dedos da mão livre e fazendo a venda sumir enquanto olhava fixamente para suas feições.

Feições estas que não tardaram a mudar. Os olhos de Lucy se arregalaram e sua boca de abriu de leve. Alguém me belisque!- pensou.

A sua frente-quase ao seu lado – havia 2 grandes estátuas, uma de cada lado, demarcando a entrada de um caminho. A estátua a direita era um anjo com uma lança, as asas majestosas levemente abertas, enquanto ele estava ajoelhado com apenas um joelho no chão em posição de respeito, com a lança servindo de apoio e uma espada em sua cintura. A do lado direito era algo semelhante a um demônio; Asas longas e meio medonhas,semelhantes as de morcegos, empunhando um tridente repleto de adornos; não possuía espada e estava ajoelhado assim como o anjo. Ambas eram feitas de mármore, possuíam pouco mais de 2 metros e aparentavam ser bem antigas. Algumas plantas até começava a subir nelas.

Atrás das estátuas estava um lindo jardim. Ele não era modelado e decorado como o jardim das mansões e palácios, não, longe disso. O jardim era completamente natural feito pela própria mãe natureza. A grama não era nem alta nem baixa, aparentando nunca ter sido cuidada pelo homem, formando um verde perfeito e amistoso com o ambiente enquanto algumas folhas acobreadas e secas caiam por cima dela. Havia várias arvores e trepadeiras subindo nelas, que ficavam a onde queriam, mas isso só o deixava mais belo. Diversos tipos de flores se faziam presentes, até mesmo Sakuras. Mas atrás do jardim era o que realmente a tinha deixado pasma.

Uma casa... uma linda casa de vidro e madeira, com poucas partes em cimento. Não era grande nem pequena; média.Havia uma porta de madeira, estranhamente sem maçaneta, cheia de desenhos e inscrições de adornos talhados, lhe dando uma beleza rústica. O lado direito da porta era completamente de vidro; ele possuía uns 6 ou 7 metros de altura, formando uma linda parede de vidro, que refletia lindamente o reflexo das arvores, dando mais beleza a floresta e a casa. A parte esquerda era feita de madeira e cimento, deixando-a combinar com as outras árvores. Dava para ver uma arvore saindo de dentro da casa e servindo para ajudar a sustentar a parede do outro lado da residencia. Por incrível que pareça não dava para ver o interior da casa do lado de fora, o vidro refletia, impossibilitando possíveis olhares curiosos. Ela estava em perfeita combinação com a floresta ao redor.

–O... que....- buliçou de olhos arregalados.

Zeref sorriu, contemplando sua feição surpresa e maravilhada.

–Vou assumir que isso quer dizer que você gostou. Venha.- Disse a puxando pela mão, a guiando para a porta. Assim que pisou entre o Anjo e o Demônio, os dois moveram a cabeça em sua direção, fazendo um barulho de pedra raspando em pedra. Isso a fez dar um pulo e olhar para os dois receosa. Segundos depois eles voltaram a posição original. Olhou para Zeref erguendo uma sobrancelha.- São guardas.-explicou.- Estavam apenas te reconhecendo. Só vão se mover para reconhecer os visitantes e em caso de perigo.- logo voltou a puxá-la, animado, até a porta, passando pelo caminho de pedra. Assim que Lucy pisou na soleira da porta, um desenho oval de madeira se móvel e a porta abriu sozinha. Olhou para o mago outra vez.- Ela só se abre quando reconhece a magia do morador ou de seus convidados.- falou de novo não se atendo a isso e a puxando para dentro.

Assim que entrou, os olhos de Lucy se arregalaram ainda mais. Havia outra vidraça enorme que dava em direção aos fundos da casa- que ela podia ver perfeitamente do lado de dentro, ao contrario de quem estivesse no lado exterior, que não enxergava nada além de seu reflexo no vidro. Lá possuíam várias arvores diferentes, dessa vez não feitos pela natureza mas sim por mando de Zeref na época. Uma arvore frutífera para cada mês do ano, fazendo assim com que todos os meses tivessem um novo fruto a mesa, bastava abrir a porta de vidro e pegar. Podia ver também, pelo menos um pouco, que um rio pequeno cortava os fundos da propriedade fazendo um barulho gostoso.

Voltando os olhares para o interior, pode ver uma bela sala. Os 2 sofás eram beges, eles estavam dispostos formando um ângulo de 90° graus um com o outro, fazendo com que ambos ficassem de frente a pequena mesa de vidro ao centro e combinavam perfeitamente com o tapete felpudo negro em baixo deles. Tinha certeza que iria adorar andar descalça em cima dele.

Não imaginou coisas quando viu uma árvore saindo da casa. Na parede lateral esquerda havia uma arvore antiga, de tronco grosso e galhos fortes que ajudava a sustentar a casa e que tinha inicio no canto da sala, fazendo um jardim e um contraste interno belíssimo com seu interior. Havia também alguns jarros vermelhos e livros, postos em lugares estratégicos da sala, lhe dando um ar simples, mas belo.

Do lado direito, mais no canto, havia um balcão de pedra negra, com 4 banquinhos brancos e elegantes enfileirados ao seu lado. O balcão servia de divisória para a cozinha. Os armários eram de madeira branca e as bancadas eram de pedra negra. Havia uma mesa de ilha no centro da cozinha, com mais armários embaixo.

Olhou para cima, e viu pendurado no teto, um lustre também de vidro, porem bastante simples, com algumas lacrimas pequenas que iluminavam a casa e que faziam a ilusão de que eram pequenas bolas de fogo. Fogo falso. Mas ainda sim maravilhoso. O chão era feito de granito branco polido. Uma cortina escura estava recolhida no canto esquerdo da vidraça, tanto na da parte de trás quanto na vidraça da frente. A cortina era de duas camadas, sendo a interior de um pano semelhante à seda, bem fino na cor branca e um segundo de cor mais escura e mais grosso, permitindo assim controlar a entrada de luz no ambiente.

Ao seu lado -próximo a porta- tinha uma escada de pedra, sem corrimão. Os degraus não eram ligados uns aos outros, eles estavam fixados na parede com frestas entre eles, dando um pouco mais de charme a casa.

–Venha.- chamou Zeref puxando sua mão que ainda era segurada pelo mesmo.

Adorou vê-la admirando tudo, mas tinha mais a mostrar. Puxou-a escada a cima. Estava tão feliz em ver aquele brilho surpreso nos olhos dela. Adorava isso. Mas ainda tinha muito a lhe mostrar, e estava tão ansioso que ela visse e desse sua opinião que seu estomago se revirava ao mesmo tempo que congelava.

Assim que o lance único de escadas terminou, eles entraram em um corredor pequeno, onde havia uma janela ao fundo e uma mesinha com um jarro de flores em cima. Havia três portas dispostas no corredor. A primeira a direita estava aberta e pode ver que era o banheiro. Havia outras duas portas logo em seguida, de madeira e estavam fechadas. Supôs que deveriam ser quartos, mas Zeref continuou a puxando sem nem olhá-los. Chegando ao fim do corredor, percebeu que havia outro na virada, oculto a não ser que se aproximasse da mesinha, só então veria a virada de 90°.

Esse corredor era menor, com alguns quadros com figuras abstratas o enfeitando e no final dele, havia uma porta de madeira branca. Pararam em frente a ela e o mago abriu a porta, a puxando delicadamente para o interior.

Assim Lucy pode concluir: aquele era o quarto principal da casa. Seus olhos quase saíram do crânio. No centro havia uma cama de casal magnífica,recostada na parede; os lençóis e o edredom estavam devidamente colocados e arrumados; quatro travesseiros se faziam presentes, um em cima do outro decorados um uma fronha branca bordada. A colcha era preta de um lado e vermelha do outro, a deixando bela quando dobrada na cabeceira.

No canto tinha um armários de madeira com entalhes esculpidos. O chão era de madeira, e ,embaixo da cama, um tapete felpudo, dessa vez branco, se fazia presente no formato semicircular. O teto em cima da cama tinha uma clarabóia de vidro, a permitindo ver as estrelas enquanto dormia. Simples porem lindo.

No canto tinha outra porta de madeira. Andou até lá vendo o que guardava. Era um banheiro, porem muito mais belo do que o do corredor. Havia uma banheira redonda mediana, porem espaçosa, de pedra polida embutida no chão, e uma escadaria de três degraus que permitiam acesso a ela. No canto da banheira, tinha um chuveiro de metal para banhos mais rápidos. No entorno uma prateleira de vidro se fazia presente com seus Shampoos e sais de banho. Alguns pequenos vasos de planta também estavam lá, nas bordas de pedra.

O vaso ficava no canto direito da banheira, e oposta aos dois de encontrava a pia e o espelho. No teto acima da banheira tinha outra clarabóia redonda para ver as estrelas. Lucy estava absurdamente admirada.

–Devo admitir que pensei em tirá-la.- Disse o mago se referindo a clarabóia.- Agora assim você nunca vai querer sair da banheira.- brincou.

Ela o olhou, ainda totalmente perplexa e surpresa, mas pode ver um pequeno brilho de fúria em seus olhos. Zeref sorriu.

–Venha.- puxou-a novamente.- Ainda tem uma ultima coisa para ver.

A guiou para fora do quarto, passando pelo corredor e descendo as escadas, se virando e parando em uma porta que ficava quase exatamente embaixo dos degraus, fazendo Lucy notar pela primeira vez uma porta lá. A puxou para dentro dando de cara com a escuridão. Piscou várias vezes tentando ver algo mas não enxergava nada.

Zeref soltou sua mão e bateu palma duas vezes. As lacrimas posicionadas em castiçais se acenderam, fazendo ela escancarar a boca mais uma vez. A sua frente estava uma enorme biblioteca, com prateleiras e mais prateleiras de livros que iam do chão ao teto. Várias e várias estantes de madeira até onde seus olhos podiam ver.

Ao lado da porta, antes de começarem os labirintos de estantes, havia uma salinha composta por duas poltronas, ambas com apoios para os pés, feitas de veludo cor de vinho e alguns bordados, uma ao lado da outra, viradas para uma lareira de pedra antiga, cujo o fogo agora crepitava dando um ar harmônico ao local. Entre as duas poltronas tinha uma mesa circular de madeira. Um tapete velho e rústico terminava de decorar o local. Era uma sala de leitura. Silencioso, agradável... lindo.

Não compreendia como um lugar tão grande cabia lá dentro. A casa não era tão grande vista de fora. A resposta veio a si com um beque. Da mesma forma que as estátuas vigiavam a moradia, da mesma forma que a porta só se abria a pessoas especificas; da forma que nada podia ser enxergado através do vidro do lado de fora, e apenas pelo lado de dentro; da forma como as luzes se acendiam quando passava e à medida que escurecia: ele tinha posto magia na casa. Maldito gênio!

–Diga o nome de um livro ou autor.- pediu.

–O que?- perguntou confusa, parando de admirar e se virando para ele.

–Diga o nome de algum livro ou autor aleatório.

Piscou algumas vezes sem entender. Engoliu o seco franzindo a testa e disse o primeiro nome que lhe veio à cabeça.

–William Shakespear?!- falou meio duvidosa.

Um barulho se fez presente em meio às prateleiras, fazendo Lucy tirar os olhos do rosto risonho e procurar a origem do barulho. Olhou entre as estantes e de repente quase gritou de susto.

Alguns livros de poemas e histórias, todos produzidos por Shakespear, batiam as capas como se batessem asas, voando como borboletas em sua direção. Pousaram suavemente na mesa redonda, um em cima do outro, esperando para serem lidos. Lucy olhava com espanto para os livros, como se fossem um bicho morto prestes a se mover. Zeref riu.

–Não se preocupe.- disse assim que parou as risadas e, claro, ela mandou-lhe um olhar repreensor .- Estão enfeitiçados. Viram até você quando pedir, e, quando quiser que voltem, basta ordenar. –explicou.

Lucy piscou outras varias inúmeras vezes. Abriu a boca e fechou tentando formular algo, mas não achava a voz nem as palavras. Era como se fosse analfabeta e muda. Sua mente tinha travado.

–O... que.... como...??- tentou formular sem nexo.

Zeref sorriu e se aproximou dela. Esticou a mão pegando uma mecha rebelde de fios loiros e colocou atrás das orelhas.

–É uma surpresa para você. –respondeu.- Não vai ter que pagar aluguel.- brincou para complementar.

Estava nervoso. Queria muito saber se ela havia gostado. Nesse momento a mente de Lucy destravou, ao perceber que ele estava lhe dando a casa.

–Mas essa casa deve ser uma fortuna.- murmurou encabulada, sem crer que ele tinha dinheiro para pagá-la, ou que ele tenha pago ela só para lhe dar de presente.

–Na verdade não.- respondeu-lhe sincero.- Essa casa era minha antes de me tornar um foragido do conselho. Claro que os conselheiros nunca souberam de sua existência.- murmurou olhando em seus olhos. Agora Lucy pode entender o porquê de das estátuas antigas e do leve estilo rústico. Perfeito, em sua opinião.- A única coisa que tive que fazer, basicamente, foi tirar a poeira e mexer um pouco aqui e ali. Shinuky me ajudou.

Outro estalo veio a sua mente. A casa era exatamente igual à Zeref em estilo. Gostava de cores menos chamativas e preto lhe caia muito bem. A casa possuía as cores que combinavam com ele, mas a disposição dos móveis e parte da decoração eram parecidas com ela. Shinuky era outra filha da mãe.

–Eu...- tentou falar mas ele lhe interrompeu, pegando sua mão.

–Ainda tenho uma ultima coisa para mostrar. – falou puxando-a em direção a sala.

Os castiçais e a lareira se apagaram; os livros voltaram para o lugar.

Assim que chegou lá, ele a puxou em direção ao pé da arvore, parando alguns metros próximo a interseção do vidro com a parede. Estalou os dedos e um piano de calda negro apareceu. Lindo, todo polido, combinando perfeitamente com o chão de pedra branca e o vidro de contraste. A arvore lhe dava ainda mais charme, sendo refletida na madeira lustrosa.

Em cima dele havia uma lacrima que o tornou invisível para a pequena surpresa, e logo ela desapareceu. Pela bilionésima vez Lucy arregalou os olhos.

–Fiquei tentado a te ouvir tocar quando me disse que sabia.

Lucy piscou saindo do transe e se virou para ele. Suas bochechas queimaram de vergonha. Não, não, não. Estava enferrujada demais para isso. Nem conseguia tocar direito com sua mãe lhe assistindo, quem dirá ele. E se errasse alguma nota? Não. Negativo.

–Não.- exclamou.- Faz muito tempo que não toco. Acho que nem sei mais.- falou cruzado os braços e virando o rosto.

Estava tentada a descobrir se realmente tinha perdido a pratica. Zeref sorriu a encarando com carinho.

–Está mentindo.- afirmou.- Apenas toque.- pediu.

–Não, não, não.- respondeu .- Toque você. Aposto que sabe tocar.

Ele ergueu uma sobrancelha. Teimosa.

–Eu não sei tocar piano.- respondeu.

Lucy piscou.

–Que milagre!!- exclamou.- encontrei algo que você não sabe fazer.- falou como se fosse a descoberta do ano.

O mago revirou os olhos e sorriu. Enlaçou sua cintura e levou uma das mãos as bochechas rubras.

–O que achou?- perguntou desviando um pouco do assunto.

Iria fazê-la tocar. Poderia não ser agora, mas faria. Iria ouvir inúmeros insultos e reclamações de Shinuky por te-la mandado comprar um piano de madrugada. Com certeza ela ficou uma fera com seu bilhete.

Os olhos de Lucy brilharam como os de uma criança; ela levou as mãos ao rosto masculino o segurando. A casa era perfeita. Simples, fazia um contraste perfeito com a natureza, possuía claridade pelas vidraças, não era grande demais, alem de ficar em um lugar calmo.

–É perfeita.- falou olhando nos obres vermelhos e em expectativa.- Eu nunca conseguiria descrevê-la em simples palavras. –falou com um sorriso largo e o beijando.

Zeref sorriu em meio ao beijo. Isso era tudo que precisava para entender que ela havia amado. Isso o deixou feliz, muito feliz. Retribuiu o beijo até que o ar lhe faltasse. Quebrou o beijo descendo os lábios pela linha do maxilar até chegar ao lobo de sua orelha.

–Toque algo.-insistiu outra vez.

Lucy ficou rubra.

–N-não. Não vejo um piano dês de os 12 anos.- murmurou com pavor de não se lembrar e errar as notas.

Ele se afastou para olhá-la nos olhos. Ela abaixou a cabeça, e ele levou sua mão ao seu queixo, o erguendo.

–Por favor.- pediu inocente.

Lucy suspirou. Que terrível. Agora pagaria o maior mico na sua frente. Por que tinha que ser incapaz de resistir a aquela carinha fofinha com olhinhos brilhantes? Inferno!

–Tudo bem.- respondeu.- mas se eu errar e você rir, eu arrebento você!- ameaçou.

Zeref sorriu. Não iria rir de toda forma. Puxou-a para o pequeno banquinho de veludo branco em frente ao piano, a fazendo se sentar em seu colo.Lucy soltou um muxoxo.

–Ninguém merece. –resmungou.- Alem de ter que tocar você vai fungar no meu cangote. – não que realmente se importasse, mas estava tão nervosa. Há quantos anos não tocava? Sabia a resposta. Dês de o enterro de sua mãe.

Colocou os dedos sobre as teclas e as testou, mais por estar nervosa de mais para começar do que realmente para ver se a afinação estava boa. Depois de testar meticulosamente todas as teclas, respirou fundo, fechando os olhos pensando no que tocar. A musica logo lhe veio à mente.

Não era um clássico, muito pelo contrario, era uma melodia simples, mas linda. Foi uma das primeiras que sua mãe lhe ensinou a tocar depois de ter aprendido o básico.

Deslizou os dedos pelas teclas brancas dando inicio a sinfonia. Fechou os olhos deixando os dedos agirem sozinhos, tocando como se nunca tivessem parado. A sinfonia não era alegre e nem triste; apenas calma, que combinava com o ambiente. Curta e sem pressa. Simples.

Zeref sorriu fechando os olhos e colocando seu queixo no ombro de Lucy, ouvindo a musica com carinho; sentindo a nostalgia que atingia Lucy; Deixando as barreiras cederem, aproveitando o momento único que não teriam de novo. Se deixando levar pela sensação de calma e harmonia, como se o mundo inteiro, apenas por um instante, ficasse em total harmonia. Os problemas sumindo, as pessoas felizes, a vida em plena paz. Um mundo que só existia em poucos momentos.

Em uma risada com os amigos...

Em um cheiro suave da brisa do mar...

Em um ato de amor...

Em uma musica!

Coisas pequenas, rápidas, porem absurdamente únicas. Absurdamente encantadoras.

A melodia terminou com um ultimo soar perfeito. Lucy se virou para Zeref com um sorriso e os olhos brilhantes e marejados. Não havia esquecido. Claro que talvez tivesse um pouco de dificuldade ao se lembrar as musicas mais complexas, mas isso não importava agora.

Se beijaram outra vez, substituído as palavras pelas ações; fazendo revelações não ditas e decididos a fazer dessa noite outro momento único.

Lucy sentiu o edredom da nova cama em suas costas, notando que agora estavam no quarto; se amando... fervorosamente. Esqueceu de tudo por um momento, aproveitando o novo presente e ambos sentindo o amor um do outro.

Apenas as estrelas, e a densa floresta eram testemunhas...

Testemunhas fieis e sorridentes.

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Ao longe em uma cabana no meio da floresta, uma senhora com um lobo branco olhavam para as estrelas. A bengala com um lobo em seu cume, lhe servia de apoio em meio a aquela clareira.

Respirou fundo sentindo a brisa chegar, fechou os olhos. Um breve sorriso surgiu em sua face.

–Parece que os dois opostos estão em maior sintonia do que pensei. Não tinha notado que o amor de vocês era tanto quando os vi, pequena Lucy...

O lobo emitiu um grunhido preocupante, que fez a velhinha suspirar, perdendo o sorriso.

–Eu sei Aragon... Espero que isso seja o bastante...- murmurou para o lobo passando brevemente a mão sobre sua cabeça.

Subiu os olhos para o céu contemplando as estrelas. O olhar era pesado, agoniado e quase sem esperança.

–Oh, Shinuky... Espero que me perdoe. Mesmo que isso signifique outro erro na lista de coisas que já fiz contra você... Espero que dessa vez eu tenha feito algo certo. Lhe devo muito...

Desceu os olhos novamente fitando o nada, absolta em pensamentos e lembranças passadas.

–Está na hora das estrelas revelarem seus segredos. Não se preocupe, Lucy e Zeref cuidaram bem deles. –suspirou outra vez deixando uma ultima fala ao vento.- Está na hora de parar de sofrer pelo que lhe fizeram, Shinuky... Você é a pessoa que mais merece ser banhada com um pouco de felicidade...

“Homens não temem espadas ou armas. Eles temem monstros!”

Notas finais
#Desculpem a demora, tive uns probleminhas de ultima ora e uma merda chamada ENEM. Desculpem tambem os erros ortográficos. #Para quem quiser a musica é esta: https://www.youtube.com/watch?v=ocvgocSbHwo #Me inspirei no filme. #Quem quiser me dar uma recomendação, seja muito bem vindo, ficarei muito feliz e estou carente. #Amei todos os comentários na outra fic, e vou respondê-los hoje, incluindo os deste cap. #Alguém ai é Baiano? #Vocês pediram piano e eu fiz XD #Não narrei o Hentai por: Preguiça, falta de inspiração, cap grande e mais importante: Iria ficar uma merda por que eu não estou motivada a escreve-lo hoje. Se contentem com o que eu fiz na outra fic. #Esta fic está chegando em sua reta final (até por que ja está bem grandinha né?) E pretendo finalizá-la em torno dos 40 a 15 capitulos. #Para aqueles que estão chorando não se preocupem, ja estou trabalhando em uma nova ZerLu. #Bjs XD