A chave para as Trevas

32 Cap 32: Talvez segredos movam o mundo...


Depois de terem saído da casa de Mirian, o grupo retornou ao hotel para pegar algumas coisas, caso fosse necessário acampar, e.... DAN DAN DAN DAN: Tiveram que voltar para floresta e, literalmente, Desbravar a selva.

Lucy mandou Lino vasculhar a área em busca de qualquer cheiro humano que pudesse encontrar, Natsu fazia o mesmo, mas, infelizmente, não acharam nada. Lucy estava, a cada minuto, com mais raiva. Estava cansada de ser picada, suja e cortada. Não era manha, mas realmente todos estavam de saco cheio disso.

De todos os terrenos do mundo, existia um que todos, policiais, soldados, pessoas, exploradores de sobrevivência, campistas, etc, concordavam: O pior terreno do mundo para se andar era o mangue. Era tão ruim que é considerado ótimo se você conseguir andar um quilômetro a cada 6 horas.

Zeref respirou fundo, olhando para os lados sem conseguir ver mais de 10 meros a sua frente devido a aquela vegetação fechada. Estava cansado e irritado. Não queria fazer isso antes, pois poderia denunciar a posição do grupo aos seqüestradores, mas todos já estavam gritando, berrando e reclamando de todas as formas possíveis. Foda-se!

Iria atravessar logo o manguezal para chegar a algum lugar de terra firme.

Quando Lucy estava prestes a soltar mais um palavrão e dar outro passo no terreno lamacento, seu braço foi agarrado e ela foi jogada nas costas do Mago Negro.

–Zeref!? O que está fazendo?- Questionou agarrando nele para não cair.

–Saindo daqui!- respondeu impaciente.

Aquele lugar era um inferno!

Concentrou magia negra bruta nos pés para o impedir de afundar na lama e deixou que sua magia da morte saísse como uma nevoa negra concentrada, matando as raízes e plantas a sua frente, até que virassem pó. Sem demora, disparou correndo para o norte enquanto sua magia ia abrindo caminho.

–Oe, maldito, espera a gente!- Berrou Natsu segurando Wendy mais firme em suas costas e concentrado fogo nos pés com a mesma finalidade do Mago, e disparou em seu encalço.

–Filho da mãe!- exclamou Gray.- Por que não fez isso antes!!!

Congelou uma parte do caminho e disparou atrás do mesmo, patinando.

–Desgraçados, voltem aqui!- berrou Erza indignada por ter sido deixada para trás.

Reequipou com a Armadura do Cavaleiro e saiu voando atrás deles. Agora que Zeref havia aberto um túnel na vegetação era possível passar em meio a esta voando baixo.

Jellal suspirou.

–Bando de malucos!- murmurou.

Logo usou sua magia, Meteor, para acompanhá-los.

...

Minutos depois, todos saíram do mangue e pararam em terra firme, uma área rochosa por ser corroída diretamente pela água, sem dar chance para a acomodação de sentimentos. Zeref –naturalmente- foi o primeiro a chegar, colocando Lucy no chão. Não demorou muito para avistarem um ponto flamejante vindo em sua direção, com Wendy gritando desesperadamente em suas costas.

–MAAAAALLLLLDDDIIIIITTTOOOO!- Gritava Natsu à medida que se aproximava como um touro dos dois. Ele deu um pulo, saindo definitivamente do túnel e do manguezal, e parou derrapando nas rochas. – Não saiam correndo por ai do nada!!!- esbravejou.

Gray e Erza apareceram logo atrás. A ruiva aterrissou com suavidade no chão, voltando às vestimentas normais, mas o moreno parou derrapando assim como Natsu.

–Oe, por que não fez isso antes, maldito?- questionou-o.

Zeref coçou os cabelos negros tentando não se irritar. Esses dois tinham a mania de dar o sufixo “Maldito” a todas as pessoas que encontram.

–Não lhe devo satisfações!- murmurou.

Os dois quase caíram de cara no chão.

–Como é?- falaram os dois juntos.

–Já chaga!- mandou Jellal chegando.- Não temos tempo para picuinhas. Estou cansado desse lugar e de vocês dois discutindo a cada segundo. Vamos achar logo a princesa!- exclamou.

Lucy ergueu as sobrancelhas. Julgava Jellal alguém paciente.

–ME ESPEREEEMMMM!- Gritou uma voz feminina.

Todos olharam para o túnel recém aberto. Juvia veio em um tornado de água. A azulada saiu do manguezal, parou em frente ao grupo e colocou as mãos nos joelhos respirando forte.

–Juvia ficou para trás.- disse ofegante.

Lucy deu um tapa na nuca de Gray.

–Ai!- murmurou.- Por que fez isso?

Lucy deu de ombros.

–Estava a fim!- murmurou.

Na verdade era por que ele deveria prestar assistência e atenção para a maga.

–Tudo bem, alguém tem alguma idéia de onde podemos começar a procurar?- questionou a ruiva depois de terem encerrado a discutição.

–Não!- responderam quase todos.

–Que tal seguirmos aquelas estátuas esquisitas e ver onde dá?- perguntou Natsu.

Todos se viraram para onde Natsu apontou. Pouco depois da parte mais rochosa, tinha se iniciado uma floresta, e em meio a esta havia algumas estátuas grandes, algumas já praticamente destruídas, sendo cobertas pelas arvores e trepadeiras que existiam em todo o local. Elas eram postas em intervalos de quase 100 metros uma da outra. Apontavam um caminho.

O grupo voltou os olhos para Natsu.

–O que foi?- perguntou.

–Nada...- responderam em coro.

Natsu tendo uma idéia descente? Isso era novidade.

Sem mais comentários, todos seguiram em direção as estatuas e, claro, da floresta. Provavelmente um dia houve um caminho entre as estátuas, mas agora não passava de um terreno desregular cheio de pedras e raízes. Caminharam por quase meia hora, estava começando a ficar difícil encontrar as estátuas deterioradas, mas antes que elas sumissem de vez encontraram um templo velho e antigo, também feito de pedra, deteriorado, se projetando pouco acima da copa das arvores.

Encontraram uma pequena escadaria de pedra fosca e encardida, que levou o grupo ao interior da edificação. Parte da porta estava derrubada, facilitando a entrada. O chão era de pedra, agora barrenta, havia estatuas e espadas de pedra, já desfigurada pelo tempo, mas uma coisa era identificada em todas as partes daquele lugar: Símbolos que representavam o Sol.

Lucy, Gray e Natsu estremeceram.

–Ninguém merece! Outro templo macumbado? – Murmurou Lucy.

–Pois é.- concordou Gray- Vamos dar o fora!

–O que está acontecendo?- perguntou Jellal para si mesmo.

Zeref ergueu as sobrancelhas em confusão.

–Oe, minna, pelo menos o chão daqui é mais resistente que o do outro templo!- Exclamou Natsu pulando forte no chão.

–Natsu, pare com isso, seu idiota!!!- berrou Lucy.- Vai acontecer como da ultima vez!

–O que aconteceu? E que ultima vez?- perguntou Erza igualmente confusa.

Ela só havia chegado quando Deliora estava próximo de seu despertar na ilha de Galuna, não tinha entrado no templo com eles.

–Luce, um raio não cai duas vezes no mesmo lugar...

*CRACK*

O barulho de algo sendo rachado ecoou sobre o salão centenário.

–Eu te odeio...- murmurou Lucy para Natsu com uma expressão impassível.

Todos despencaram para os níveis subterrâneos, levando pedras, madeira e tudo que é tipo de cascalho. Todos aterrissaram de maneira um pouco... dolorida no chão cavernoso.

–Itai...- murmurou Natsu com uma mão na coluna. Tinha aterrissado direto em uma pedra.

Algumas pedras voaram, e debaixo delas surgiu uma Lucy furiosa.

–Eu vou te matar!!!- brandiu voando no pescoço de Natsu e o enforcando enquanto ele ficava se debatendo.

Jellal se levantou esfregando a nuca dolorida.

–Quem não morreu, faça uma forcinha!- pediu.

O resto do grupo deu um gemido de dor ou respondeu um “aqui”.

Gray ergueu algumas pedras que estavam em cima de si, se levantando e torcendo a coluna. Seus ossos estralaram, ele suspirou e coçou os cabelos negros. Os outros também se retiraram dos escombros.

–Agora só falta encontrarmos um Demônio do seu namorado pronto para ser vendido como picolé!- ironizou.

Gray não estava mais abalado com seu passado. Claro, sentia falta de Ur, mas não se importava muito. Alem do mais, fazer piada com a própria desgraça é a melhor forma de esquecê-las.

Zeref ergueu as sobrancelhas e olhou em direção a Lucy, em busca de explicações.

–Longa história. Nem queira saber!- falou.

A alma de Natsu começou a sair voando pela boca. Lucy a agarrou e enfiou de volta.

–Ainda não acabei!- falou voltando a enforcá-lo.

–Pessoal.- falou Jellal chamando a atenção. – temos uma possível saída!- disse apontando para um túnel.

Lucy parou de tentar matar Natsu, e todos adentraram em uma das cavernas escolhida a dedo. Caminharam, caminharam e caminharam. Aquilo não chegava a lugar algum. Os túneis possuíam túneis em todas as direções. Era como estar em um formigueiro, ou dentro de uma bucha de lavar vasilha.

Pararam de andar. A sua frente e em cima do grupo havia um túnel. Natsu, Lucy e Jellal usavam magias para tentar iluminar o caminho. Mas, nada.

–Desse jeito nunca vamos sair daqui ou achar a princesa!- disse Lucy indignada.

–Concordo.- murmurou Gray.

–Ora.- murmurou Jellal. Mesmo que estivesse irritado tentaria por ordem.- Não é como se a princesa caísse do céu!- reclamou.

–Kyahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!- exclamou um grito desconhecido e feminino.

Por instinto, como o de segurar uma bola de queimada ou algo arremessado em sua direção por acidente, Zeref pegou a mulher que quase caiu em cima de si, através do túnel localizado encima dos mesmos, nos braços. Arregalou os olhos vendo a mulher que, quase literalmente, caiu do céu.

–Oi.- a mulher murmurou insinuante.

Sua cara se fechou após o susto e ele a soltou, fazendo-a cair no chão com um gritinho agudo. Lucy cerrou os olhos, enraivecida, em direção a mulher. Vadia– esse foi o primeiro pensamento em sua mente. Seus olhos arregalaram surpresos consigo mesma, a fazendo balançar a cabeça. Vamos, Lucy, não tenha uma crise de ciúmes ridícula. Ninguém iria prever que uma mulher realmente cairia do céu!– pensou.

–Ai! Isso doeu!- reclamou passando a mão nas costas e na bunda tentando amenizar a dor de ter sido jogada no chão.

Bom, poderia ter sido uma queda beeeemm pior.

Todos começaram a analisar a “caída”. Olhos Negros, assim como os cabelos. Vestia uma roupa simples, mas ainda assim cara, composta por um vestido longo e apertado com as mangas longas. Havia vários detalhes na costura. A idade era por volta dos 25 anos. Lucy por um momento reconheceu o tipo de vestimenta; parecia uma roupa feita para a criadagem nos castelos.

–Quem é você?- perguntou Erza.

Lucy aproveitou e se postou ao lado de Zeref.

–Te,os que tomar mais cuidado com nossas palavras...- sussurrou baixinho para o moreno.

Ele deu um breve aceno positivo.

–Meu nome é Ana.- murmurou enquanto se levantava ainda dolorida. Fez uma careta quando sentiu suas vértebras doerem.- Sou a ajudante pessoal da princesa Liza!

–Onde está a princesa?- perguntou a ruiva novamente a encarando.

–Por que querem saber?- perguntou de volta.

Erza resmungou impaciente.

–Por que somos os magos contratados pelo pai dela para encontrá-la!- rebateu irritada.

Ana a olhou, desconfiada, para os olhos da ruiva, mas não encontrou mentiras. Suspirou. Já não era sem tempo.

–Está lá em cima.- murmurou apontando para o túnel que acabara de cair.- LIZA!- Gritou olhando para cima.

–Ana?- respondeu.- Está tudo bem com você?!!!!- a voz era mais doce e parecia ter dificuldades em falar alto.

Dês de pequenas as princesas foram treinadas a nunca usar um timbre alto.

–SIM!- Em compensação a outra berrava para dois.- ENCONTREI OS MAGOS MANDADOS POR SEU PAI. PULE!- Ordenou.

–T-Tem certeza?

–SIM!

Ouviram-se alguns passos ecoando no chão cavernoso e em seguida um pequeno gritinho. Segundos depois um ponto bege apareceu no meio da penumbra do túnel, dessa vez caindo em cima de Gray.

–RIVAL DO AMOR!- Berrou Juvia quase pulando em cima da princesa, mas Erza a segurou pelo gorro da blusa azul.

O mago colocou a princesa no chão, que abaixou a cabeça envergonhada e murmurou um:’me desculpe” baixinho, comprovando seu constrangimento.

Todos se propuseram a avaliar a princesa. Ele ara pequena, pouco menor que Lucy, vestia um vestido bege decorado com entalhes em dourado; toda a costura era feita a mão, o vestido possuía mangas longas e finas, mas também tinha um decote discreto para os seios medianos. Usava uma breve sapatilha de um dourado mais claro. Seu cabelo era loiro, porem bem claro, quase branco, ao contrario do da maga celeste; estava presa em uma trança francesa embutida. Os olhos eram verdes claros, mas não possuíam muito brilho.

–Como chegaram aqui? Vocês não tinham sido seqüestradas?- perguntou Erza direta e delicada como sempre.

–M-mas nos fomos.- respondeu baixinho.- O guarda que nos vigiava em algum lugar dessas catacumbas, não possuía magia. Em um momento de distração, Ana o desacordou e nós fugimos. Acabamos perdidas e como não tínhamos luz, acabamos caindo nesse túnel.- disse abaixando a cabeça com as bochechas rosadas.

–Entendo.- murmurou Jellal.- Os magos ainda devem estar te procurado. Precisamos encontrá-los, mas antes temos que sair desse labirinto!

Zeref fez uma esfera negra nas mãos e a jogou para frente em direção a alguma parede. Ela flutuou lentamente no ar e se expandiu até ficar enorme; ao tocar a parede, ao invés de explodir ela desintegrou a parede de rochas vulcânicas, e assim foi abrindo um novo túnel.

–O que está fazendo?- perguntou Jellal.

–Abrindo meu próprio caminho.- respondeu calmo e puxou Lucy consigo entrando no mais recente túnel.

–Por que esse maldito sempre faz as coisas legais e úteis quando praticamente não estamos precisando mais?- ralhou Gray e se pós a segui-los.

Lucy fez um sol pequeno em sua mão e o fez flutuar em frente aos dois para iluminar o caminho. O grupo foi atrás: Natsu como tocha intermediária junto com Gray, Wendy, os gatinhos e Juvia, mais atrás estavam Erza, Jellal a princesa e sua amiga. Tudo estava em silencio, mas a cabeça de Lucy estava um caos. Por mais que compreendesse o mero acidente há minutos atrás, não conseguia parar de sentir ciúmes. Era como se uma chama estivesse acesa dentro de si e ela não conseguia apagá-la.

“Sabe, esse seu ciúme bobo está começando a me incomodar também!”– murmurou Zeref mentalmente, se referindo ao fato de poder senti-la.

Lucy levou um susto. Há muito tempo não tinham uma conversa mental, até por que ela quase não era mais necessária.

“Não me assuste assim, sua praga.”– esbravejou irritada e se virando para ele com uma feição raivosa.” Se está tão incomodado então pare de sentir!!” exclamou mentalmente e virou o rosto fazendo um bico e cruzando os braços.

“Você sabe muito bem que não é assim que funciona.” – respondeu calmo. Achava graça da postura infantil e ciumenta dela, o divertia. Não podia negar que no fundo também gostava que ela sentisse ciúmes. Se sentia mais importante, mais amado e também inflava um pouco seu ego.” Pare com esse ciuminho bobo. Isso só lhe faz parecer fofa e infantil”– ela corou. Ele lhe deu um beijo na bochecha.

Ela não deu o braço a torcer e continuou com a discussão mental infantil.

Mais atrás, a princesa olhava para os dois mais a frente, e para todos ao seu redor. Estava envergonhada e curiosa. Queria perguntar seus nomes e puxar assunto. Por fim sua curiosidade venceu.

–Me perdoem se estiver sendo muito curiosa, mas quais são seus nomes? E a que guilda pertencem?- perguntou se virando para os dois magos classe S que eram os mais próximos.

–A, desculpe. Esquecemos disso.- murmurou Jellal.- É Liza, não é?- perguntou. Ela confirmou.- Meu nome é Jellal.- se apresentou mudando a esfera de luz de uma mão para a outra.- Essa é Erza.- a ruiva acenou positivamente e murmurou um ‘prazer’.- O tacha humana ali na frente é o Natsu, o de cabelos pretos ao lado dele é Gray, a pequena é Wendy e a azulada é Juvia. Os dois na frente são Lucy e Z...

–Por que eles não param de fazer caretas como se estivessem discutindo?- interrompeu Ana sem conseguir conter a curiosidade.

Erza olhou o casal e logo entendeu a situação.

–Ah, ela e Zeref devem estar tendo uma discussão mental infantil!- murmurou quase não conseguindo conter o riso.

Eles ficavam tão bem juntos.

–Espera ai. Para tudo!- exclamou Ana.- Você está me dizendo que o abridor de caminho que me impediu de quebrar a coluna é O Zeref?? Tipo, mago negro, assassino, super temido e tudo mais??- questionou incrédula. Tinha o achado bonitinho.

–É!- respondeu simplesmente, vendo que os dois continuavam se falando mentalmente.

Ana ficou pálida, e a princesa um pouco repreensiva. Também conhecia a fama do mago.

–Estamos seguros?- perguntou outra vez.

–Sim.- respondeu a Titânia.- Ele fica bem calminho e adestrado quando está perto da Lucy.- murmurou. Mas logo sua feição ficou séria.- Mas nem sonhe em repetir o que acabou de dizer aqui perto da Lucy. Ela te mataria!- alertou.

Ana engoliu o seco, mas logo outra curiosidade veio a sua mente.

–Espera, eles são... tipo, namorados?

–Não é tipo. Eles são. Inseparáveis também aliás! – respondeu. – Nós somos da Fairy Tail.- terminou com orgulho.

Ao caminharem mais alguns minutos, a esfera negra desapareceu, revelando o fim do túnel em um lugar que havia claridade. Apagaram as tochas e saíram de lá, chegando em uma cratera na qual todos estacam no meio. Era um abismo, um buraco rochoso em meio a uma floresta. Havia cipós descendo pelas paredes irregulares daquele buraco enorme. O chão e as paredes eram de formações geológicas antigas e irregulares, nas quais era possível ver as cores diferentes distribuídas em faixas, indicando qual sedimento era mais antigo e qual era mais novo. A cratera devia ter uma parede de quase 20 metros. Havia mais túneis e cavernas que desembocavam ali. Provavelmente foi corrompida e alargada pelas chuvas.

–Muito bem, vamos subir!- ordenou Erza.

Ela voltou a se reequipar com a armadura do cavaleiro e voou para a borda do buraco. Natsu pos fogo nos pés e saltou para lá, Gray fez uma torre de gelo em seus pés e a fez crescer até estar nivelada com a borda; Juvia virou um furacão de água humano e se impulsionou para o lado de Gray, Jellal virou um meteoro outra vez e se postou ao lado de Erza, Charlie levou Wendy para lá e Happy levou a princesa. Ana viu um circulo mágico negro embaixo de Zeref e Lucy que os envolveu em chamas negras. Ela levou um susto, e, não intencionalmente, olhou para seus pés vendo o mesmo circulo e as chamas a consumirem. Ela gritou fechando os olhos, mas um minuto depois voltou a abri-los vendo que estava do lado de fora e inteira. Comemorou.

–Eu te disse para avisar antes.- ralhou Lucy para o moreno.- Não é como se todos soubessem qual chama queima e qual teleporta.

Ele deu de ombros.

–E agora? O que faremos?- questionou Gray a Erza.

–Vamos nos dividir.- murmurou.- Jellal, Wendy,Juvia e os Exceeds ficam com a princesa e com Ana. Encontrem um lugar seguro e acampem esperando a gente. O resto vem comigo. Vamos achar os seqüestradores!- ninguém questionou a voz autoritária e decisiva.

Por um instante a princesa pensou em alertá-los sobre o poder dos seqüestradores, mas fechou a boca. Eles tinham Zeref e aqueles eram alguns dos magos mais famosos da guilda. Não precisavam de cautela.

O primeiro grupo sumiu em meio a floresta em busca de um bom lugar, já o segundo começou a buscar algo que indicasse a localização dos seqüestradores. Caminharam algumas horas em busca de pistas, mas nada. Em algumas horas iria ficar escuro, e andar no escuro é algo terrível de se fazer em uma floresta. Quando estavam perto de desistir, ouviram uma explosão.

Erza sorriu. Não havia nada melhor para dar a localização que uma explosão. O grupo desatou a correr. Lucy pos a mão em sua argola de chaves, pronta para escolher uma e atacar; porem sentiu um de seus espíritos pedindo para ser invocado, uma de suas chaves estava cintilando; a chave de Shinuky.

Sem delongas a pegou, girando-a no ar. O som de uma campainha soou e, em meio a fumaça, ela surgiu em sua forma humana. Estava descalça e com um pijama parecido com aquele de antes, mas dessa vez era cheio de coraçõezinhos.

–Estava um tédio lá em casa.- justificou se pondo a correr ao lado deles.

Lucy deu de ombros.

Continuaram correndo até chegarem no lugar onde houve a explosão: uma clareira pequena em meio a mata. Havia homens, aparentemente de uma guarda real, lutando contra alguns magos seqüestradores e alguns humanos normais. Ergueram as sobrancelhas. O que a guarda real fazia ali?

... Ahhh, o príncipe do reino aliado estava “caçando”...

Bom, a caça não ia bem. Estavam empatados. Nada que um grupo de magos não pudesse resolver.

Gray congelou o chão, enquanto Erza arremessava espadas em direção aos seqüestradores. Shinuky foi mandada por Lucy, não usou magia; ela estava se divertindo usando artes marciais, dando voadoras e quase quebrando o pescoço deles... reles coitados. Zeref fez uma esfera negra, a jogou algumas vezes para cima a fazendo voltar a cair em sua mão. Olhou para um grupo mais concentrado e atirou. Lucy não poderia invocar outro espírito enquanto Shinuky estivesse ali; viu as esferas sendo arremessadas da mão do mago e lhe fez uma pergunta bastante inusitada:

–Posso tentar?- perguntou inocente.

Ele olhou para a esfera em sua mão e deu de ombros. Estendeu uma em direção a mesma. A loura a segurou em mãos, achando interessante ter uma esfera de magia tão densa em suas mãos, mas não se ateu a isso. Logo encontrou um grupo de magos que ainda tentavam lutar. Sorriu maleficamente e arremessou a esfera. A viu explodir, jogando pessoas para todos os lados imagináveis e abrindo uma cratera. Ela deu um pulinho em comemoração. Zeref revirou os olhos.

Minutos depois, tudo tinha acabado. A guarda real se recolhia e cuidava dos feridos. Ouviram um barulho de galope, um cavalo. Não demorou para que um corcel branco aparecesse em meio ao ex-campo de batalha. Em cima dele estava uma pessoa já conhecida, tanto por Lucy quando por Shinuky. Apertou a esfera de magia, que lhe fora concedida a minutos atrás, em suas mãos; ganhando uma expressão séria e realmente enojada. Shinuky não estava diferente.

Por instinto, Zeref estalou os dedos fazendo a esfera na mão da maga sumir. Por um instante teve a impressão de que ela o jogaria nele.

–Vejo que a batalha já acabou.- murmurou o homem ainda montado no cavalo.

–Tivemos ajuda dos magos contratados pelo rei, senhor.- respondeu-lhe um de seus soldados de guarda.

Só então o homem se virou para o time, os analisando e deixando as duas mais apreensivas.

–Deveria descer do cavalo.- falou Shinuky.

O homem se virou para ela.

–Oh, Shinuky.- exclamou com surpresa e desdém.- Não se preocupe, eu estou bem.

–Não estou preocupada com você.- ralhou agressiva.- Estou preocupada com o cavalo!- terminou, desaparecendo em uma nuvem de fumaça.

Iria matá-lo se continuasse ali.

O grupo não esperava que Shinuky ralhasse com um desconhecido. Bom, desconhecido para eles, mas preferiram não julgar. O homem voltou a analisar o grupo, até que seus olhos pararam em uma figura um tanto peculiar.

–Sra. Heartphilia.- murmurou calmamente.- Que prazer em revê-la.

–O prazer e todo seu.- ralhou também, não tardando a responde-lo.

Todos se viraram para ela de olhos arregalados e sobrancelhas erguidas. Sabiam que Lucy tinha um lado mal, só não pensavam que esse lado mal um dia teria sido libertado por alguém, no caso aquele homem. Ela parecia realmente desgostar de sua presença.

–Ora, deixe disso.- murmurou descendo do cavalo sem se intimidar.- Quando poderemos ter uma boa conversa?

–Quando o inferno congelar, Principe Willian!- ralhou de volta, já querendo ir embora.

Essa foi à vez de Zeref sentir ciúmes. Por que ele estaria tão interessado nela? Estreitou os olhos. Estava começando a desgostar da presença dele também.

–Vamos. A princesa deve estar esperando.- disse chamando o grupo, já se virando e caminhando para as arvores.

O fato era: O príncipe era um homem mesquinho de aproximadamente 30 anos, porte atlético pelos esportes caros que praticava, cabelos loiros, olhos verdes. Um verdadeiro “ariano” por assim dizer. Lucy o odiava.

–Estão com a princesa?- indagou Willan, vendo a oportunidade.- Então permita-me ir com vocês para...

–Se for conosco, alteza,- interrompeu Lucy em um tom mais elevado, e se virando para ele.- eu vou matá-lo.- disse se virando novamente para a floresta e andando a passos firmes, indicando que não mentia.

A cara dos membros do grupo estava impagável. Suas bocas estavam no chão. Nunca, mas NUNCA, em toda a vida deles esperavam ouvir essas palavras saírem da boca da gentil, bela e amigável maga celeste. Zeref era o mais atônito. Piscou varias vezes para ver se sonhava ou algo do gênero. O que diabos ele tinha feito a ela? Ah, iria descobrir.

O príncipe sorriu. Adorava garotas difíceis.

–Arrumem as coisas. –ordenou ao batalhão e subindo no cavalo.- Vamos voltar ao castelo!- informou partindo na frente.

Os soldados obedeceram.

–O que... diabos aconteceu aqui?- perguntou Gray ainda sem acreditar.

–Aye...- murmurou Natsu em concordância sem conseguir processar.

Zeref chacoalhou a cabeça e se pos a andar. Iria perguntá-la.

Minutos depois, todos encontraram o acampamento da princesa, junto com o resto do grupo e dois magos desacordados que vieram atrás da princesa. Não demorou para recolherem seus pertences e se puserem a caminhar para o castelo do rei. Zeref fez questão de caminhar atrás, ao lado de Lucy, era a hora de perguntar.

“Será que pode me dizer o que aconteceu lá?”– perguntou mentalmente e de maneira calma.

Não estava ali para abusá-la ou brigar. Lucy o olhou e suspirou abaixando a cabeça. Nunca teve a intenção de esconder isso dele de qualquer maneira.

“Eu conheci o Willian quando tinha 15 anos... acho. Foi antes de eu fugir de casa. Ele tentou convencer meu pai a me casar com ele.”– respondeu sem rodeios. Zeref cerrou os olhos, agora realmente não gostava do sujeito. -” Papai nunca gostou dele e nem eu. Ele era ridículo e Jude recusou o acordo.”

As sobrancelhas negras se uniram em curiosidade.

“E o que ele fez para odiá-lo tanto?”

Lucy sorriu.

“Sabe aqueles príncipes mesquinhos e podres de ricos que as pessoas imaginam nas histórias de vez em quando?”– perguntou retoricamente. – “Pois é, é ele. Ele ficou dias no meu pé tentando me dar coisas caras e me fazer gostar dele, e eu odeio isso.”

Foi à vez de o mago sorrir. Sabia bem disso. Apesar de ter vindo de família rica ela era bem humilde. A única coisa na qual fazia questão era de ter uns bons sais de banho e uma tinta boa que não borrasse no papel quando escrevia suas novelas. Mas não considerava isso mesquinho, era apenas um fetiche. Da mesma forma que tem pessoas que gostam de um bom chocolate ou de uma boa panela de cozinha. Algo um pouco mais caro, mas não mesquinho. Apenas gosto.

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Chegaram ao castelo sem demora. A princesa agradeceu inúmeras vezes antes de se recolher para seus aposentos, e Ana não tentou mais nada dês de que descobriu que o moreno era Zeref — o que por sua vez deixou Lucy satisfeita.

O rei chamou o time para agradecer e lhes dar a devida recompensa, e era isso que estavam indo fazer agora. Entraram no salão real, dotado de grandes lustres e velas para iluminar o local. A tapeçaria felpuda vermelha e branca estava sobe seus pés. Onde não tinha tapeçaria, estava uma pedra, desconhecida aos olhos do grupo, de cor bege e textura semelhante a mármore. Já as inúmeras e grandiosas pilastras do local com certeza eram de mármore puro. A medida que seguiam o tapete um altar se erguia, e nele haviam dois tronos. O Rei, sentado no mas formoso dos dois, se levantou e desceu os três pequenos degraus para saudá-los e cumprimentá-los.

Ele era velho. Possuía uma barba curta e bem feita, branca assim como seus cabelos. Suas feições aparentavam sabedoria. Uma coroa simples de ouro repousava em sua cabeça e um manto vermelho e felpudo lhe cobria as costas. Em seu dedo havia o anel portador do selo real. As feições enrugadas se retorceram em um sorriso caloroso. Erza apresentou os membros do time formalmente, e este por sua vez se apresentou.

–Sejam bem vindos.- Murmurou verdadeiro. A voz grossa e firme.- Meu nome é Eric. Obrigada por encontrarem a minha filha.

–Só fizemos o que nos foi pedido majestade.- disse Erza servindo de interlocutora. Alguns do time não saberiam se portar.

E na realidade a princesa os tinha achado.

O rei passou os olhos cinzentos pelo grupo, os analisando. Olhou para seus gestos e estilos, deduzido seus poderes, até que chegou em um rosto familiar. A analisou vendo o molho de chaves douradas.

–Ah.- exclamou surpreso.- Uma maga celestial.- murmurou encantado e apenas curioso, sem demonstrar intenções.- E vejo que não é qualquer uma. Lucy Heartphilia, não é?

A maga piscou surpresa, assim como o resto do grupo. Quantas pessoas a conheciam?

–H-hai.- respondeu.- Como...

–Sou velho mais tenho boa memória.- respondeu-lhe prevendo a pergunta.- Conheci seu pai, assim como sua mãe, Layla. Você é a replica dela, principalmente nos olhos.- elogiou simplório e simpático.

A maga abaixou o rosto corado. Sabia que era parecida com a mãe, mas ninguém nunca lhe firmou isso.

–Soube que os magos celestiais estão quase extintos.- murmurou curioso.- Se não for ousadia de minha parte, poderia me deixar ver suas chaves?- questionou educado.

–N-não.- respondeu prontamente.

Pegou a argola carregada de chaves douradas e de outras diversas cores de sua cintura, e estendeu, hesitante, ao rei. Nunca tinha permitido que um desconhecido pegasse em suas chaves, mas ele realmente aparentava ser boa pessoa.O rei pegou a argola com delicadeza de suas mãos, e se pós a analisá-las, admirado.

–São lindas. – elogiou olhando uma a uma. Quando chegou em uma em especial, sua feição mudou de admirada para quase penosa. Suspirou com nostalgia e pesar. Pegou a chave negra e branca com a rosa dos ventos, Doda decorada e pouco brilhosa, e levou para mais perto dos olhos. – Os ventos do equilíbrio...- murmurou mais para si mesmo. Suspirou novamente e lhe entregou o molho de chaves outra vez.- Há quantos anos não vejo esse símbolo.

–O conhece?- perguntou Lucy com as sobrancelhas vincadas colocando o molho de chaves no lugar.

–A rosa dos ventos significa todos os lugares... todo o universo; o Ying Yang equilíbrio e poder. Juntos, são a dominação universal.- murmurou enquanto subia no altar em direção a uma mesinha com um jarro de água e copos. Fez menção de oferecer ao grupo mais eles recusaram. Encheu um copo e levou aos lábios bebendo um gole.- Se Shinuky confiou em você, significa que também posso confiar, cegamente.- completou.

Lucy ergueu as sobrancelhas. Nunca havia pensado no significado do símbolo.

Erza piscou.

–Reis não deveriam sempre estar de olhos nas pessoas que confiam, e nunca confiar cegamente?- perguntou.

O rei riu.

–Shinuky não é uma pessoa que faz muita questão, Sra. Scarlet. – respondeu educado.- Quando ela... ‘vai com a sua cara’, por assim dizer, você pode confiar cegamente nela e em quem mais ela confiar. Agora se não for de confiança e ela não gostar de você, ela lhe matará, antes que possa piscar. Uma filosofia de vida bem simples, devo admitir.- murmurou risonho, mas logo suspirou com pesar outra vez, coçando os cabelos da nuca abaixo da coroa.- Mas também depois de tudo que ela passou não é para menos.

–Você sabe o passado dela?- questionou.

O rei sorriu para a maga, ao ver a curiosidade fervendo em sua voz.

–Não me apetece contar uma história que não seja minha, Lucy, ainda mais uma a qual sei tão pouco. Sei apenas filamentos de seu passado, e só o que sei me deu pesadelo por anos.- confessou, balançando ligeiramente o restante da água no copo de vidro enquanto andava.- Shinuky pode confiar nas pessoas, mas nunca o bastante para lhe contar sua história. Acredito que de para contar nos dedos de apenas uma mão o numero de pessoas que sabem sua história.- ele parou e se virou para Zeref.- Você deve saber, ou pelo menos desconfiar, que ela possui mais segredos que qualquer um nesta sala, e, talvez, do reino inteiro.

Ele não respondeu. Confiava em Shinuky, mas sabia que ela escondia muitas coisas; afinal durante muito tempo ele escondeu também. É como dizem: “Um trapaceiro reconhece o outro.”

Atualmente Lucy sabia de todos os seus segredos, mas isso não significa que perdeu a habilidade de distinguir as pessoas.

–Apenas aconselho que nunca duvide de seus motivos.- falou, e logo mudou de assunto.- Gostaria que passassem a noite aqui como agradecimento. Mandarei meus homens buscarem o restante de seus pertences no hotel que ficariam hospedados. – falou gentil.

–Obrigado.- agradeceu Erza m nome do grupo, fazendo uma ligeira reverencia.

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Era noite, todos já estavam dormindo profundamente em seus quartos. Em um quarto em especial Lucy despertou, bocejando e piscando várias vezes para se acostumar com a ausência de luz. Saiu de cima do peito do amado, se espreguiçando e coçando os olhos. Acordou com sede. Tomando cuidado para não acordar Zeref saiu do quarto e da cama de fininho, sem movimentos bruscos ou barulho.

Depois de sair do quarto lhe veio o desafio: Encontrar a cozinha. Começou a andar em direções aleatórias até achar uma escada que levava ao andar de baixo do castelo, onde a cozinha provavelmente devia estar.

Passou vários minutos –que mais lhe pareciam horas- procurando a bendita cozinha. Outra razão para odiar casas grandes. Eram absurdamente desnecessárias e irritantes. Depois de algum tempo a encontrou, mas também achou outro problema: Ela também era enorme. Vasculhou vários armários atrás de copos, e finalmente encontrou o certo. Bebeu logo a água de uma vez, já irritada com tamanha demora para conseguir um misero copo d’água.

Saiu da cozinha, outro problema: Onde era seu quarto? Praguejou em todas as línguas que conhecia por seu descuido. Andou mais um pouco e conseguiu encontrar uma escada que a levava ao segundo andar, embora a mesma fosse diferente da que usou para descer.

Andou, andou, andou e, por fim, encontrou uma porta parecida com a que se lembrava de seu quarto temporário. Abriu devagar e com cuidado. Caso não fosse, não queria acordar ninguém. Ao abri-la percebeu que não era um quarto, e sim um pequeno salão, talvez para comemorações mais simples, no qual havia um pequeno piano de calda negro que combinava perfeitamente com o resto da mobília da sala, a qual nem se deu ao trabalho de olhar.

Estava hipnotizada. A quanto tempo não via um piano de calda? Muitos anos com certeza. Não resistiu; entrou no salão na ponta dos pés até chegar no piano negro e majestoso. Mordeu o lábio ao mesmo tempo que passava de leve as pontas dos dedos sobre as teclas brancas e pretas. Aquilo lhe trazia tanta nostalgia. Seus olhos estavam brilhando e suas mãos coçando na vontade de tocá-lo, testar seus acordes e afinação, se deliciar com a melodia.

Decidiu fazer apenas uma nota simples, daquelas que lhe ensinam como primeira lição nas escolas de musica, apenas para matar saudade e ir embora. Levou seus dedos as teclas para fazer apenas isso.

–Não devia sair pela casa dos outros mexendo em tudo.

Levou a mão à boca para impedir o grito de susto de sair. Se virou, reconhecendo mais do que rapidamente a figura com os cabelos amarrotados, blusa negra simples – sem o habitual sobretudo – calça de algodão, descalço, escorado na soleira da porta com os braços cruzados.

Soltou um palavrão antes de responder.

– E você deveria parar de me assustar assim, praga fantasmagórica.- resmungou para o namorado.- Deveria estar dormindo.

–Acordei e você não estava lá.- respondeu dando de ombros, descruzando os braços e entrando no salão.- O que está fazendo aqui?

–Acordei com sede.- respondeu sem delongas.- Tive dificuldades para encontrar a bendita cozinha. Acabei confundindo a porta do nosso quarto.- murmurou observando-o se escorar no piano lustroso.

–Sabe tocar?- perguntou curioso.

Lucy sorriu de canto, nostálgica.

–Sim... quer dizer, acho que ainda sei. Minha mãe tocava. Ela me ensinou há muito tempo.

Zeref observou com fascínio os olhos achocolatados brilharem lindamente com a nostalgia de se lembrar da mãe.

–Toque.- sugeriu.

Ela arregalou os olhos surpresa.

–N-não.- respondeu corada. –O piano não é meu, alem do mais temos que dormir ou Erza vai nos matar amanhã.- disse andando em direção a porta.

Mentira. Estava prestes a tocar uma melodia simples ali, na esperança de ninguém perceber. Estava com vergonha. Nunca teve uma platéia para isso. Sempre tocou de acordo com seus sentimentos, e com Zeref ali eles estavam bem acentuados. Iria acabar tocando algo longo, acordando os moradores, e também tinha receio de estar muito enferrujada.

Zeref sorriu, percebendo isso em sua resposta. Teve uma idéia.

Lucy saiu do salão se virando e andando pelo corredor.

–É para o outro lado.- informou em um tom mais alto para que ouvisse, ainda escorado no piano.

Ela retornou, parou em frente a porta o olhando.

–Eu já sabia.- resmungou voltando a andar.

O mago revirou os olhos. Claro que sabia.

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Aproveitando que Lucy tinha dormido o mago levantou-se da cama, silenciosamente. Pegou um pedaço de papel e uma caneta e foi em direção a janela. Escreveu um bilhete curto com a canela nanquim, usando o parapeito de apoio. Colocou a caneta de lado e dobrou o papel três vezes. Olhou para o céu estrelado. Segundos depois, um pequeno demônio, com uma calda pontiaguda e uma coroa de folhas, apareceu subindo no parapeito e se colocando ao seu lado. Estendeu o pedaço de papel em sua direção, sem olhá-lo. O demônio prontamente o pegou.

–Leve a Shinuky ainda hoje.- ordenou.

O demônio fez um aceno positivo e pulou do parapeito.

Suspirou, pegou a caneta e a colocou no lugar antes de voltar para a cama e abraçar a maga celeste, fechando os olhos.

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–Finalmente acabei!!!- exclamou a Dragonesa contemplando seu trabalho.

Desviou sua atenção para um movimento captado a sua esquerda. Um pequeno demônio se aproximou de si, parando perto de seus pés e lhe estendeu um papel branco, devidamente dobrado. Abaixou pegando em mãos e ficando ereta novamente. O demônio se virou e foi embora. Piscou duas vezes e abriu o pequeno bilhete. Leu a única linha, formada por poucas palavras com uma caligrafia já conhecida por si. Uma vaia protelou em sua testa.

–Filho da mãe.- praguejou.

“O conhecimento não trás o caos, a ignorância trás.”

Notas finais
#Pessoal, me desculpem realmente pela demora, mas uma amiga minha morreu de Câncer e eu realmente estava bolada para escrever. Eu ja tinha parte do cap pronto e até pensei em postá-lo e dividir em dois, mas esse cap era realmente importante (não pela missão, mas pela Shinuky). Pelo menos compensei a demora com 6000 palavras. # Espero que tenham gostado. #Tenho lido umas fics de Inuyasha ( faz tempo que não assisto XD) do Sesshoumaru com a Kagome, e, como eu sou uma pessoa que gosta de casais super provaveis, eu achei interessante, comecei a ler, e estou trabalhando em uma one deles juntos. Quando eu tiver paciência para transcrever do caderno eu posto. Me recomendem fics desse casal e de Ulquiorra e Inoue tambem. Estou tentada com eles utimamente. #Novamente peço um apelo de que se alguem conhece a Amanda (autora da fic Backstage Pass), por favor me passe o contato dela ou diga a ela para repostá-la. Se tiverem caps salvos no pc peço que me digam e me falem, pois gostaria de te-los tambem para ler e matar a saudade. #Bjs XD.