A caminhada da sobrevivência
5 Sem encontros normais
–Acho que não, que tal...- ele olhou maliciosamente Alana da cabeça aos pés- Nos divertimos um pouquinho?- o homem disse para os outros que concordaram rindo.
Uma onda de raiva me atingiu.
–É melhor você solta-la...
–Se não o que?- ele me interrompeu- Você vai me matar?
–Ele não- Ouvi um barulho de arma sendo destravada- Mas eu vou.
Pov´s Alana.
Só de pensar o que esses homens iriam fazer me deu mais nojo do que qualquer zumbi podre.
–Solta a garota.- era a voz de Rick.
O homem que estava me segurando se virou em direção ao Rick me levando junto.
A visão que eu tive me fez abrir um leve sorriso.
Carol, Glen, Darl, Maggie e todos os integrantes do grupo estavam com armas apontadas para os invasores.
–Vamos com calma, cara- o homem que estava me segurando disse.
–Solte-a e deixe as coisas que vocês pegaram e saíram vivos.- Rick respondeu.
Os homens começaram a andar em direção a saída, e até que eles tivessem ido embora ninguém abaixou as armas.
–Vocês estão bem?- Rick perguntou. Eu e os garotos apenas assentimos.- E Judith?
–Está dormindo lá em cima.- respondi .
Todos começaram a se espalhar pela casa.
Fui até o sofá e deitei de barriga pra cima tentando empurrar meus pensamentos para fora de minha cabeça.
–Você está bem?
Olhei para o lado e Carl estava agachado ao lado do sofá me encarando com seus céu...ops...olhos.
Desviei o olhar rapidamente e me sentei no sofá.
–Sim, sim estou bem.
Ele se sentou ao meu lado no sofá e ficou mordendo a parte de dentro da bochecha.
–...
–E Judith? Está bem?- puxei assunto.
–Está.
–Ainda bem que...
Antes de eu terminar a frase Carl me puxou para um beijo.
Ai caramba! o que eu faço? Retribuo? Dou um tapa na cara dele?
Acabei cedendo e retribuindo o beijo, coloquei a mão em seus cabelos e o puxei para mais perto. Eu já nem ligava para o que tinha acontecido ou o que vai acontecer, eu só estava apreciando o momento.
Ouvi um pigarro e me separei de Carl rapidamente sentando-me reta no sofá.
Olhei e era Rick, ele tinha um leve sorriso no qual ele tentava controlar. Se eu estivesse tão vermelha quanto eu achava, eu estaria fazendo o cosplay de pimenta.
–Desculpa atrapalhar. Eu só queria saber como vocês estavam, mas parece que está tudo bem. Ah! Alana, vimos seu recado no asfalto, graças a ele conseguimos chegar aqui. Agora vou deixar vocês a sós.- Rick deu as costas e foi embora deixando eu e Carl em uma clima constrangedor.
–Vou ver Judith.- ele disse.
–Eu vou limpar minha arma.
Cada um deu sua desculpa e saímos.
Fiquei limpando minha arma e o beijo não saia da minha cabeça. Será que ele gosta de mim? Mas se ele gostasse de mim não sairia daquele jeito. Eu odiava filmes adolescentes porque as mocinhas ficavam se fazendo essas perguntas idiotas. Terminei de limpar minha arma sem pensar em nada só me concentrando no que eu estava fazendo.
...
Depois que almoçamos entramos em nossos carros e continuamos a nossa viajem.
Michonne, Judith, Carl, Darl e eu estávamos em um só carro. Michonne e Darl estavam no banco da frente, e o resto de nós nos bancos de trás.
Fiquei olhando a paisagem que uma vez foi bonita. Senti algo na minha mão, quando olhei Carl estava com os dedos entrelaçados nos meus, dei um leve sorriso.
...
Nosso carro começou a diminuir a velocidade.
–Por que estamos parando?- perguntei para Michonne que estava dirigindo.
–A gasolina- Ela teu um murro no volante.- Acabou.
Descemos do carro e o outro grupo parou o seu.
–O que aconteceu?- Perguntou Carol da janela do outro carro.
–A gasolina acabou.- respondeu Michonne.
–Nosso carro está na reserva, não temos para empresta, pra falar a verdade não temos gasolina para andar nem cinco quilômetros.
Tivemos que continuar a pé, o dia estava bonito, se encarássemos apenas o céu, podíamos fingir que nada disso está acontecendo.
Acho que tínhamos andado no mínimo dez quilômetros, meus pés doíam, meus pulmões ardiam e minha garganta estava seca.
Quando chegamos ao uma pequena vila, tinha uma praça linda parecia até uma miragem, estava tudo muito quieto o que me fez ficar apreensiva.
Entramos em uma casa, tinha muita comida enlatada, todos foram para um canto da casa para descansar da longa caminhada.
Eu estava na sala sozinha até que Carl chegou.
–Sabe aquela praça a algumas casas daqui?- assenti.- Me encontre lá em uma hora.
Depois disso ele deu as costas e saiu.
Ouvi pequenas risadinhas e quando olhei para o lado todas as mulheres do grupo estavam me olhando de modo estranho.
–O que foi?- perguntei meio assustada com os sorrisos delas.
–Você vai ter um encontro!- Maggie disse.
–Não vou não.
–É claro que vai, vimos Carl te convidado.- Carol disse.
–Sabia que é feio ouvir conversa alheia?- perguntei emburrada.
–Não interessa, é o seu primeiro encontro você tem que estar bonita- Sasha disse.
–Concordo com ela.- Michonne concordou.
–Até você?- Perguntei incrédula para Michonne- Olha garotas, eu não vou ter um encontro, Carl e eu só vamos conversar, apenas isso.
–Se eu não me engano a casa ao lado tem um quarto feminino.- Maggie começou a dizer me ignorando.
–Então vamos lá.
Depois delas praticamente me arrastarem até a casa ao lado, chegamos ao tal quarto que Maggie tinha falado.
–Carol, procure maquiagens, Sasha procure roupas e sapatos...- Maggie ditou as ordens.
–Acredita que eles tinham caixa d’água?- Michonne interrompeu.
–Ótimo- Maggie olhou para mim – Agora vá tomar banho.
Tirei a tala do meu pé, eu já não sentia nenhuma dor e foi um verdadeiro alivio tirar aquilo do pé.
Depois de tomar um banho, com sabonete acredita?! Meu Deus, estou feliz por ter tomado banho de sabonete.
Depois de ter tomado um banho (de sabonete) Fui vestir as roupas que as meninas me trouxeram. Uma jardineira short preta, um vans preto, e uma blusa branca.
Enquanto Michonne penteava meu cabelo Maggie passava maquiagem em mim.
–Pronto!
Elas me colocaram na frente do espelho e eu quase não me reconheci, eu estava realmente linda, eu não me lembrava da ultima vez que meu cachos ficaram tão definidos, a maquiagem que ela me passaram me deixou com cara de barbie.
–Meu Deus.- eu disse incrédula.
–O mundo está acabando mas mesmo assim você precisa de momentos “menininha”- Carol disse segurando meus ombros.- Agora vá, você tem dez minutos para encontrar Carl.
–O-Obrigado.- eu já estava indo embora quando lembrei.- Minhas armas.- pedi.
Elas franziram o cenho, mas mesmo assim me deram um de meus revolves. Coloquei-o no bolso e fui para o meu “encontro”.
Chegando à praça Carl estava sentado em uma toalha de costas para mim tirando as pétalas de uma flor. Ao seu lado tinha uma cesta.
–Carl.- chamei e ele deu um pequeno pulo de susto.
–Nossa você é bem pontu...-Ele olhou para mim de baixo para cima com cara de surpresa.- O que fizeram com você?
–Por que? Você não gostou?- Olhei para mim procurando algum defeito.
–Não, não, você está realmente...linda.
Sorri e senti minhas bochechas queimarem.
Sentei ao lado dele na toalha.
–Peguei almas coisas pra nós comermos.
–Ótimo.
Eu estava morrendo de fome, então comecei a tirar as coisas das cestas.
–Oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus! Brigadeiro! Eu não acredito!
Eu não me lembrava mais como era ficar entusiasmada ao ver brigadeiro, isso só acontecia quando eu tinha 3 anos.
–Eu também fiz essa cara quando achei essa lata no supermercado.- Carl disse.
Dei um riso pelo nariz.
–Se a dois anos atrás alguém me desse uma lata de brigadeiro eu iria agradecer e dar no máximo três colheradas, mas hoje... Cheira meu braço.- Coloquei meu braço perto de seu rosto.
–Hum, você tem cheiro de sabonete.
–Exatamente, quando eu tomei banho eu só faltei explodi de alegria por ter sabonete.
–Eu sei como se sente, se a dois anos minha mãe me mandasse tomar banho eu faria um escândalo, hoje eu faria de tudo por um banho de água quente e roupas com cheiro de amaciante.
–Eu também. Melhor mudarmos de assunto, por que... acho que não falam dessas coisas em encontros normais.- eu disse.
–Verdade, acho que eles faziam coisas desse tipo em encontros normais.
Ele se inclinou para cima de mim e me beijou. O puxei mais para perto de mim, não queria ter distancia entre nós.
Ouvi um grunhido e abri um dos olhos, um dos cadáveres ambulantes estava vindo em nossa direção. Não parei o beijo, puxei meu revolver e atirei, um bala pegou no ombro, outra no queixo e a ultima na cabeça.
–Nós nunca teremos um encontro normal.- Carl disse se afastando e sorrindo.
–Encontros normais são chatos.- eu disse e o puxei novamente para um beijo.
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