Notas iniciais
Ai está o segundo capitulo como prometido e espero que gostem.

Chega enfim o dia do passeio e todos estão ansiosos. No pensamento de todos será um dia ótimo e para alguns uma oportunidade única de conhecer a natureza, dias que eles nunca mais irão se esquecer, pois conhecerão um lado da natureza que não passa nem na TV e nem em documentários. Eles conhecerão a natureza da forma que ela realmente é.

Eduardo sai de seu banho e arruma seu cabelo com o mesmo penteado de sempre. Passa perfume e come um lanche reforçado, já que o professor avisou que a viagem será demorada.

Como sua mala está pronta, ele pega sua mochila e começa a encher com comida, doces, sucos, refrigerantes, garrafas de água, etc.

Como o uniforme não será necessário, ele está com uma camisa polo listrada, calça jeans, tênis branco e seus óculos.

Naquela manhã ele pede que seu pai o leve até a escola, pois ele está com a mala e a mochila pesada.

Eduardo não só tem interesse na natureza, como também em Rafaela. Ele vem criando uma grande amizade com ela há certo tempo, e de vez em quando lança umas indiretas. Ele acha que conseguirá encontrar um lugar para ficar a sós com ela na reserva.

O dia está bom, pois não há nuvens no céu. Está quente, enfim, tudo propício a um belo passeio.

***

Como de costume, Eduardo entra na escola e cumprimenta os seguranças e as funcionárias. Vai até sua sala, senta-se em sua cadeira, coloca a mala no chão e a mochila na mesa. Ele checa sua carteira para ter certeza que a autorização está lá e também confere os documentos. Pega seu fone, seu livro e começa a ler até que desse o horário.

Cerca de vinte minutos após sua chegada, seus colegas também começam a chegar.

***

O sinal toca. Eduardo tira seus fones de ouvido e olha ao redor. Todos já chegaram. Algumas garotas trazem malas rosas. Outras trazem até duas malas. Já os garotos, oitenta per cento deles trazem malas pretas, e o restante deles são avistados por Eduardo com malas cinza e algumas vermelhas e azuis.

Ele percebe o barulho baixo de um ônibus aumentando. Em seguida o bip da ré do ônibus também é ouvido.

Claudio, o novo professor de biologia, é avistado adentrando a sala, e poucos percebem sua chegada.

O professor é um homem de estatura mediana, magro com cabelos crespos e olhos castanhos.

–Bom dia alunos!

–Bom dia! – responde a sala.

As conversas cessam, e o professor diz:

–Em cerca de vinte minutos iremos em direção ao ônibus. A viagem será de aproximadamente três horas e meia, sendo duas horas numa estrada de terra. Por favor, mantenham o silencio enquanto terminamos de organizar as coisas.

***

Vinte minutos se passam e uma sala inteira é conduzida através do corredor para a saída. O ônibus está parado um pouco depois da escola e no momento que Eduardo vê o professor na porta do ônibus começa a rir. Na verdade todos começaram rir, e o motivo era mais que obvio para eles. O ônibus alugado pela escola pertence a uma dupla sertaneja: um ônibus colorido com os nomes Joyce & Fabiano com a imagem de uma loira gigantesca na lateral.

Eles entram no ônibus e Eduardo escolhe um banco próximo ao fundo. Rafaela vem logo em seguida e senta-se ao seu lado.

Eles conversam por um bom tempo, até que Rafaela adormece em seus ombros. Ele a ajeita de maneira que fique confortável e acaricia os cabelos da garota que logo acaba parando com a cabeça sobre seu peito e dorme como um bebê.

***

Contradizendo os dizeres do professor, a viagem na rodovia demora bem mais do que o esperado, pelo fato do trânsito estar um verdadeiro caos.

Eduardo fica em pé no corredor fazendo brincadeiras com os colegas. Até que o ônibus recebe ordem de parada por parte da policia rodoviária. Ele tenta voltar a seu banco, porém este está ocupado. Resta apenas um banco vago atrás do professor, na parte da frente do ônibus, mas como Eduardo não o vê, corre e se tranca no banheiro.

Minutos depois o ônibus volta a andar e o que se especula sobre o motivo da parada, é que o policial queria apenas um CD da dupla sertaneja.

***

Enfim chegam à estrada de terra. Todos percebem que uma recente chuva ocorreu naquela região, pois a terra estava molhada.

***

Já estão a cerca de quarenta minutos andando na estrada de terra e Eduardo começa notar cochichos entre o professor e o motorista. O professor sinaliza para que o motorista continue em frente. O ônibus dá uma pequena acelerada, e por causa dos buracos, todos se remexem dentro dele.

Trinta minutos depois, a estrada havia se transformado em uma paisagem de filme com grandes árvores à sua volta, formando uma espécie de túnel cobrindo-a de um lado ao outro. A luz do sol passa entre as árvores e forma diversos feixes de luz.

De repente, a estrada começa a estreitar-se, e seu tamanho é suficiente apenas para o ônibus passar e nada mais. As folhas e os galhos das árvores encostam e batem na lateral do ônibus e então o motorista diminuiu a velocidade. Naquele momento as conversas param e apenas cochichos são ouvidos.

Em certo ponto eles se viram à beira de um barranco. O motorista e o professor pareciam impacientes.

O ônibus faz uma curva à esquerda e o motorista avista uma árvore caída bloqueando a estrada.

O motorista e o professor se agitam, e ambos parecem alterados.

O ônibus para.

A porta se abre. O motorista desce e o professor se levanta, e em voz alta diz:

–Atenção! Peço que vocês fiquem aqui dentro, enquanto tomamos alguma providência em relação a arvore caída.

Os alunos então se agitam e as conversas aumentam.

***

O ônibus fica parado à beira de um barranco por meia hora, enquanto o motorista e o professor conversam do lado de fora.

Então, os dois entram no ônibus e o bip da marcha ré é ligado. O ônibus tenta ir para trás, porém mesmo com o motorista acelerando, o veículo não se move. Está atolado.

O motorista então faz algo errado. Ao invés dele descer do ônibus e procurar algo para colocar debaixo das rodas, acelera ainda mais.

Os alunos recebem a ordem de descer do ônibus e não acreditam no que veem: as grandes rodas afundadas cerca de vinte centímetros na lama. O celular de ninguém tem sinal.

Algumas vozes expressam desespero. Todos estão assustados.

O professor resolve afastar os alunos do ônibus.

Então o motorista resolve avançar com o ônibus, sem obter resultado.

Graças ao desespero, e as grandes árvores, eles não percebem o tempo se fechar, até que sentem as primeiras gotas de chuva.

Todos correram rapidamente para dentro do ônibus, enquanto a chuva engrossa.

***

Uma hora depois, eles ainda estão dentro do ônibus e a chuva diminui de intensidade.

O motorista e o professor conversam discutindo alternativas.

O Professor se levanta e anuncia:

–Atenção! Peço que desçam do ônibus em fila e com calma. Quem ai tiver algum tipo de bota ou algo semelhante, aconselho que o vistam, pois a terra está molhada e fofa.

–Professor?

–O que?

–Devemos levar nossas bolsas e malas?

–Tentem colocar na mochila apenas coisas que serão necessárias nas próximas seis horas, por precaução. Porém procurem não carregar tanto peso.

–Professor, aonde vamos agora?

–Eu estava conversando com o motorista, e acredito que não estamos muito longe da central da reserva. — disse o professor.

Então eles saem aos poucos. Alguns ficam por último, colocando botas e tênis.

***

–Passem por aqui, mas tomem muito cuidado, por favor. – pede Claudio.

Eles passam por um espaço estreito entre a borda do penhasco e árvore.

Depois de conferir se todos os alunos tinham atravessado, ele pede para que cautelosamente sigam em frente. Ele pede também ao motorista que fique ali, pois eles voltarão até o entardecer, após encontrarem as instalações. Aliás, aquela era a única coisa que o motorista pode fazer, já que o ônibus está completamente preso.

Eles seguem pela pequena estrada de terra. Alguns tiram fotos da bela paisagem que veem ao fundo, mas muitos deles acabam tirando essas fotos em vão, pois simplesmente não terão ao menos a chance de ver aquelas fotos.

***

Eles continuam na estrada de terra por cerca de mais uma hora. O dia agora está nublado, porém abafado.

–Professor, o que acha de pararmos ali debaixo daquela árvore por alguns minutos para descansarmos um pouco? – perguntou Mariana.

Mariana é uma garota alta. Tem os cabelos loiros, olhos azulados e corpo esbelto. É uma das garotas quietas da sala.

–Ok. – concorda o professor, e levantando o tom de voz anuncia a todos — Parem debaixo daquela árvore para podermos descansar um pouco.

Eles então param.

Eduardo então se dirige a um galho de nogueira que está caído no chão, onde Jack, Andressa e Sandy estão sentadas.

–E aí, estão gostando do passeio? — pergunta ele em tom de ironia.

Andressa e Sandy o olham bravas.

–Sim. – responde Jack.

Eles a olham assustados.

–Está louca? – pergunta Sandy.

–Não. Pensem que esta pode ser a única chance de muitos aqui entrar em contato com a natureza na forma que ela é de verdade!

–Bem, isso é verdade. – concorda Eduardo.

–Nossa, estou exausto. – diz Vitor do outro lado da estrada com os outros garotos.

–Grande jogador... anda um pouquinho e já está cansado. – cochicha Eduardo.

***

–Alunos! Espero chegar às instalações o mais breve possível, então vamos prosseguir nossa caminhada.

Eduardo olha ao redor, e em sua visão panorâmica ele pode perceber Pedro e sua namorada Júlia. Ela está chorando em seus ombros, e isso é totalmente compreensível nesta situação. Ele também vê alguns dos garotos da sala jogando pedras em uma grande poça d’água. Olhando mais à esquerda Eduardo vê algumas das garotas conversando. Em alguns momentos riem e em outros elas demonstram desespero.

Pedro é um dos amigos de Eduardo. O rapaz tem cerca de 1,75m de altura, cabelos castanhos um pouco enrolados, quase no mesmo tom de seus olhos. Ele geralmente está com um fone de ouvido, e sempre que pode fala sobre Avicii, um DJ que ele e muitos outros gostam.

Júlia é a namorada de Pedro e os dois já namoram há aproximadamente três meses. Ela é loira, com cabelos levemente cacheados, olhos verdes, mede com cerca de 1,70m de altura e tem a pele clara. Eduardo e Júlia não tem muito contato.

Eles continuam andando e ao longe Eduardo vê uma grande e escura nuvem, porém ele não sabe dizer se ela está se afastando ou se aproximando deles.

***

Mais meia hora de caminhada se passa, porém a paisagem começa a se transformar. Eles estão andando em uma estrada que corta duas colinas. As plantas e árvores predominantes começam a se alterar de árvores variadas para ipês amarelos.

Já se passa das cinco horas da tarde e o crepúsculo está prestes a aparecer. A vegetação muda totalmente para uma floresta de ipês amarelos, com muito poucas plantas rasteiras, outra paisagem de filme.

Eles andam mais um pouco até que Beatriz diz com certa alegria:

–Olhem uma casa no topo daquela colina!

Beatriz é outra amiga de Eduardo. Tem cabelos castanhos lisos e escuros e olhos também castanhos. Mede cerca de 1,65m de altura, sempre está com seus óculos e é considerada por muitos como nerd. É uma das mais inteligentes da sala, graças a suas notas altas.

Os cochichos voltam a aparecer. Alguns quase se emocionam de tanta felicidade, outros, porém se mantêm sérios.

Pelo canto dos olhos ele acredita ter visto Larissa saltitar trilha acima, talvez pela felicidade do momento.

Larissa também é amiga de Eduardo. Ela tem cabelos escuros, curtos e lisos. De altura é um pouco menor que Eduardo, magra e tem pele clara. Larissa é uma garota muito inteligente, e sempre animada, gosta de tirar sarro da cara de todo mundo.

–Vamos seguir em frente, por aquela trilha. Talvez tenhamos que passar esta noite nesta cabana, tendo em mente que não conseguiremos voltar ao ônibus até o anoitecer.

Eles seguem uma trilha bem íngreme em direção a casa. Depois, chegam à cabana escura, mas quando o professor tenta empurrar a porta, um barulho vindo de dentro os assusta.

Notas finais
Espero que tenham gostado. em breve o terceiro capitulo (a primeira noite). Se possível comentem, isso ajuda a muitos de nós autores a darmos seguimentos as historias.