A cabana da morte - Trilogia Viagem mortal
3 A primeira Noite
Notas iniciais
O barulho é alto e todos ouvem.
–Afastem-se! – exclama o professor.
Ele anda dois passos para trás e num movimento rápido chuta com força a porta que apenas se mexe.
–Com licença, professor. – diz Eduardo.
Em um gesto simples e calmo Eduardo puxa a porta de madeira e ela abre. O professor vira o rosto de vergonha.
–Alunos, por favor, esperem aqui fora enquanto vejo se a casa é segura.
O professor pega sua lanterna na bolsa e a liga.
Ainda assustado com os barulhos que vinham de dentro da casa o professor entra com calma e certo medo, já que a casa está escura.
O facho de luz produzido pela lanterna aponta para uma mesa de jantar ao lado direito da casa. Apontando para perto da mesa, é possível ver uma pia e um fogão a lenha.
O professor dá mais alguns poucos passos à frente e seu andar levanta milhares de partículas de poeira visíveis a luz da lanterna de led.
Ele aponta para a outra extremidade da pequena casa de madeira, onde se encontra um banco e uma mesa de centro, ambos de madeira e corroídos pelos cupins.
O chão da casa é inteiramente feito de madeira, e o som que o chão emite aos passos do professor é alto e de certa forma incomodante.
A casa tem dois andares: o primeiro com uma cozinha, sala e dois quartos.
O professor se aproxima da porta de um dos quartos quando novamente ouvem um barulho alto: um som de talher caindo no chão. Ele se vira quase que instantaneamente na direção do barulho. Nesse movimento vê o vulto de algo pequeno e com pelo escuro passando perto da mesa.
Claudio sente um arrepio em sua nuca. O vulto o apavora e o medo o paralisa. Tudo isto parece uma eternidade, porém não passa de meros segundos.
Ele procura assustado, porém não avista nada.
Uma pequena e fraca batida é sentida em sua perna direita.
O professor pula para trás com tamanho susto.
Ele aponta a lanterna para baixo e desta vez vê o motivo de tais barulhos.
Um sagui está ali no chão olhando para ele.
Ele ri, puxa o ar, e volta a explorar a casa.
O professor se dirige novamente a porta de um dos quartos, e com um devagar e leve empurrão, a porta se abre. Ao entrar, o pó levantado é tanto que Claudio chega a tossir.
A luz da lanterna mostra um quarto pequeno, com uma estrutura corroída daquilo que um dia foi uma cama, um guarda roupa com as portas prestes a cair também é avistado neste cômodo da casa.
Ele sai do quarto e se dirige ao outro.
Ao adentrar no outro ele percebe se tratar de um quarto semelhante.
–Nossa. Que sujeira está isto aqui!
Os quartos ficam um ao lado do outro. Uma escada ao lado do segundo quarto explorado pelo professor também é vista. A escada fica na parede lateral esquerda, acima do banco da sala. O professor decide subir e averiguar o segundo andar da casa.
A escada faz um barulho alto e de certa forma medonho, principalmente naquele escuro.
O professor para e presta atenção nas conversas ao lado de fora da casa. Aparentemente tudo normal.
Ao terminar de subir ele dá uma olhada rápida, e pode observar com o auxílio da lanterna que o segundo andar da casa possui cinco cômodos cortado por um corredor. Ao final do corredor também é possível observar um pequeno alçapão no teto que ele supõe ser uma passagem para o sótão.
Em certo momento ele ouve passos pesados de alguém adentrando a casa.
–Eu disse para ninguém entrar enquanto verifico se a casa é segura. – diz com voz alta.
***
Fora da casa, os alunos esperam que o professor volte e os diga se é seguro ficar ali. Alguns alunos ainda estão em pé com as mochilas nas costas, já que o chão está molhado. Outros encontraram pedaços de lenha que utilizam como banco.
Ali fora tudo está calmo e normal, tirando o grito que o professor deu, ordenando que saíssem da casa e o aguardassem, cujo ato todos os alunos estranharam, já que ninguém ali havia entrado na casa. Alguns nem querem adentrar essa casa.
***
O professor anda pelo corredor e resolve entrar no primeiro quarto a esquerda. O quarto em questão é bem semelhante aos do primeiro andar, com a diferença de ser um pouco maior.
O quarto em frente a esse, também é extremamente semelhante.
Já o segundo cômodo do lado esquerdo do corredor é um banheiro, sujo e fétido, com uma pequena janela de vidro embaçado de tanta sujeira.
Os últimos dois quartos são semelhantes aos outros, porém com a diferença de que cada um tem uma janela, ainda com os vidros, na direção da entrada da casa.
–Acho que dá para passar esta noite. — conclui o professor.
Ele sai do último quarto, encosta a porta, e segue pelo corredor até as escadas. O barulho causado pela madeira do assoalho é sinistro, principalmente naquele escuro.
Ao descer ele sente um vento em sua nuca. Se vira para trás, mas não vê nada e pensa: “Acho que é coisa da minha cabeça, pois não tem nenhum lugar para o vento passar. Pelo menos não que eu tenha visto”.
***
Ali fora as coisas estão calmas, sem levar em conta é claro, o desespero de alguns em terem de dormir numa casa como aquela: abandonada, suja e sabe-se lá o que tem dentro dela.
Em um galho úmido, caído ao chão, podemos ver Eduardo enxugado lágrimas que caem do rosto de Rafaela.
No outro extremo da casa vemos alguns garotos sentados em pedaços de lenha que acharam nos fundos da cabana.
Algumas garotas, formando uma rodinha de amigas, coversam e discutem o que poderiam estar fazendo se não estivessem naquele lugar.
A verdade é que muitos desejavam estar em suas casas, deitados no sofá, assistindo filme, etc.
O professor aparece a porta da casa, e logo diz:
–Esta noite passaremos a noite na casa. Infelizmente não há nenhuma cama ou sofá, então peço que compreendam, pois teremos que dormir no chão. Se quiserem, tentem achar folhas de árvores grandes para fazer uma espécie de cama no chão.
A casa é feita inteiramente de madeira, no topo de um pequeno morro. Qualquer um que tenha um olhar mais crítico percebe que ela é de certa forma “torta”.
Eles entram. Alguns se espremem para ser os primeiros a entrarem.
–Aqueles que tiverem lanternas, usem-nas, de forma a manter os cômodos da casa claros. – pede Claudio.
Depois que todos entram, os alunos decidem explorar a casa, cada um com seus amigos.
Enquanto isso o professor sai da casa em busca de lenha, para poder mantê-los aquecidos devido ao frio intenso que faz no interior da casa.
Ele percorre a clareira na entrada, passa pela lateral, e vê alguns pedaços de lenha já cortados.
Claudio pega o máximo que consegue e os leva para dentro da casa. Coloca-os ao lado do fogão inserindo cinco pedaços de lenha no vão do forno.
O professor encontra uma faca na cozinha e começa a tirar alguns pequenos pedaços de madeira, para dar início ao fogo.
Quando ele vai acender o fogo, ocorre um pequeno problema. Ele não tem nenhum tipo de fósforo ou isqueiro consigo. Então vai até os armários e pega alguns recipientes, que obviamente estão estragados, olhando um por um até encontrar um que lhe agrade. Na parte de trás da lata, um aviso de inflamável está colado.
Ele derrama o líquido sobre a madeira, porém ainda não é suficiente para acender e iniciar a combustão.
O professor considera sua atitude tosca, porém é a única coisa que pode fazer. Ele se dirige aos fundos da casa, onde lembra de ter visto algumas pedras. Pega duas pedras do tamanho de sua mão e volta para casa.
O movimento de bater as pedras umas às outras parece inútil. Depois de quase dez minutos de tentativas, quando pensa em desistir, vê uma faísca voando, porém ela vai para o outro lado e ele se cansa.
–Alguém ai tem um isqueiro, ou algo assim? — pergunta ele com uma voz um tanto alta.
–Não tenho. — é o que muitos dizem.
Em meio a vários nãos, eis que alguém diz:
–Eu tenho um isqueiro. – diz Eduardo.
–Ótimo. Então me empreste, por favor.
Eduardo tira sua bolsa das costas e em um pequeno bolso lateral tira seu pequeno isqueiro branco.
Um brilho se acende nos olhos do professor, que pega o isqueiro como se fosse a última vez que acenderia uma chama.
Claudio acende o fogão e gradualmente o frio da sala e da cozinha se dissipam.
–Decidam onde vão dormir e depois de meia hora venham todos à cozinha!
O professor se aproxima de Vitor e diz:
– O que acha de irmos explorar o sótão?
–Por mim tudo bem.
–Ok. Venha! – chama o professor.
Eles se dirigem ao segundo andar e o professor trás uma cadeira para que possam entrar pela entrada no teto.
O professor sobe na cadeira, abre a pequena porta, pega sua lanterna, e dá uma olhada geral no lugar. Tudo parece tranquilo.
Com os braços já dentro do porão ele os força para levanta-lo e entra. Vitor sobe em seguida, com a ajuda do professor.
Eles olham o local. Ali há um baú, uma prateleira de livros, e algumas peças de madeira que um dia foram móveis da casa.
Em um canto, eles encontram algumas ferramentas: um machado, um martelo, uma pá, e uma escopeta calibre doze.
–Nem pense em tocar nesta arma!
–Ok. — responde Vitor — O que será que tem naquele baú?
–Não sei, vamos ver. — responde Claudio.
Eles vão em direção ao baú. Há um cadeado, mas não está trancado.
Eles o abrem. Ali há algumas cartas, um livro, e outros pequenos objetos, entre eles algumas joias.
Vitor pega uma joia e a guarda no bolso.
Eles veem que não há nada que os prejudique ali e então descem. O telhado está cheio de buraquinhos, onde alguns insetos entram.
***
Como pedido pelo professor, cerca de meia hora se passa, e todos descem à cozinha. Já são quase oito horas da noite e muitos andam para lá e para cá naquele tédio.
–Bom, espero que já tenham escolhido seus quartos, pois passaremos a noite aqui. Peço desculpa por tudo isto que está acontecendo. Amanhã iremos voltar ao ônibus. Caso não consigamos atravessar aquele bloqueio causado pela árvore, voltaremos à escola e o passeio será cancelado. Peço a todos que se comportem, pois estou responsável por todos vocês. Novamente peço desculpas. Bem, agora aproveitem que estão aqui e comam. Depois subam para seus devidos quartos e durmam para amanhã irmos embora daqui.
Alguns resmungam e outros simplesmente sobem para pegar seus salgadinhos, bolachas, etc.
Segundo o relógio do professor, já são nove horas da noite. Ele ordena que todos vão para seus quartos e durmam.
Claudio se dirige ao se quarto, e em sua bolsa pega uma blusa. Ele a enrola e deita sobre ela. O chão está frio e o quarto está escuro. Ele agradece por aquela grande quantidade de poeira não ter atacado sua renite alérgica.
Naquele quarto dormem o professor, Rodrigo, Bruno, Thiago e Alexandre. No quarto ao lado dormem Carla, Júlia, Pedro, e Mario.
Já no segundo andar, o resto dos alunos se dividem nos outros quatro quartos. No primeiro estão Larissa, Paula, Thais, Isabela e Beatriz. No segundo quarto Eduardo, Rafaela, Jack, Sandy e Andressa.
Nos quartos com janela, os dois maiores da casa ao fundo do corredor, se instalam Lucas, Vitor, Gustavo, João, Gabriel e Ricardo.
No quarto da frente dormem Ana, Vitória, Caroline, Jeniffer e Pamela.
Todos dormem no frio chão da casa, enquanto o primeiro andar da casa está quente, graças a lenha que queima no fogão. Já o segundo andar está frio e escuro, com exceção do quarto onde Jeniffer e as outras garotas dormem, cujo permanece quente, pelo fato de ficar acima da cozinha.
***
Segundo o relógio de pulso do professor, que dorme com esperança de que não tenham que passar por aquilo na próxima note, são três horas da manhã em ponto.
No segundo andar alguns passos são ouvidos graças ao barulho feito pela madeira. A porta do quarto onde Vitor e os garotos dormem é aberta com um rangido sinistro. Vitor sai andando devagar no escuro. Ele está com sede e vai em direção ao primeiro andar onde lembra que o professor deixou algumas garrafas de água.
Seus passos são ouvidos pela casa inteira.
Ele se dirige até a escada e para no meio do corredor. Depois olha para trás e sente que havia alguém o observando. Porém não há nenhuma pessoa acordada ali.
Vitor volta a andar e novamente tem a sensação de estar sendo observado. Desta vez ele não para, pois pensa que deve ser coisa de sua cabeça.
Ele chega a escada e sente um vento suave na parte de trás de seu pescoço, enquanto pisa no primeiro degrau da escada.
O garoto sente duas mãos em suas costas fazendo força sobre ele e o empurrando.
Durante a queda Vitor vira sua cabeça para trás e não vê nada além de uma silhueta, que mesmo sendo escura, se destaca naquele lugar. É a silhueta de um homem adulto.
Vitor o vê virando e voltando ao corredor enquanto cai.
***
A queda pareceu eterna, porém não levou mais do que pouquíssimos segundos.
Ele agora está caído ao chão, à beira da escada no primeiro andar, enquanto urrando de dor tenta se colocar de pé.
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