Notas iniciais
e a historia esta se desenvolvendo....

Todos acordam assustados, e imediatamente, descem para ver o que aconteceu.

Agora estão todos ali no primeiro andar, em volta de Vitor, todos estão assustados. O baque causado pela queda foi enorme.

O professor, está desesperado. Ele simplesmente não sabe o que fazer.

–Ai meu Deus, você está bem? – pergunta o professor, desesperado.

–Não...- diz Vitor com uma voz baixa e cheia de dor.

Uma lagrima escorre sobre seu rosto. Depois de pouco tempo depois, ele simplesmente chora como uma criança.

A dor está insuportável.

–O que dói? – pergunta o professor

–Minha perna.... Minhas costas…. Minha mão....

O professor aperta de leve sua perna, e em certo ponto ele grita de dor. Ele olha sua mão, seu dedo mindinho esquerdo está torto para o lado.

–Pelo jeito ele quebrou o tornozelo, um dedo, e algumas costelas – conclui o professor — cuidem dele, já volto. E Vitor... Não se mexa.

O professor então conclui que deve fazer uma tala na perna de Vitor. Ele se dirige ao quarto pega sua lanterna, pega uma cadeira da cozinha e sobe ao segundo andar para pegar o machado.

Ele entra no sótão e vai diretamente para o canto onde o velho machado enferrujado estava.

–Ei onde está? – pergunta ele a si mesmo — tenho certeza de que estava aqui ontem.

Ele olha nos outros cantos do porão mas não acha.

Irritado, ele desce do sótão, e se dirige a cozinha onde todos estão.

–Quem entrou no sótão e pegou o machado que estava la?

Todos o olham com uma cara estranha.

–Vamos respondam – exige ele

–Professor, nós nem sabíamos que tinha um machado no sótão – diz Eduardo

Ele vira as costas, acende sua lanterna e sai irritado, o frio da madrugada é muito pior do que aquele dentro da casa. O fogão a lenha estranhamente ainda está aceso dentro da casa.

O professor passa pela lateral da casa e vai até os fundos.

–Talvez eu encontre um graveto bom o suficiente para fazer a tala – diz ele a si mesmo na escuridão e no silencio.

Ao chegar na parte de traz da casa ele se surpreende.

Com a luz da lanterna ele avista um tambor de agua vazio e o machado. O machado esta cravado em uma tora de lenha. Porém esta não é a parte mais estranha.

Ele se aproxima do machado, prende a lanterna ao cinto e o puxa pelo cabo. Com um pouco de força o machado se desprende.

Ele volta a pegar a lanterna, desta vez a mão esquerda, e mantendo o machado com a direita.

Ele volta a observar, e desta vez se espanta. Ele se lembra de ter pego em média de dez toras de lenha, e levado para queimar no fogão a lenha.

Porém, agora parece que há mais toras do que ontem. E ele constata. Sim há mais lenha do que ontem, e ele pode perceber que a lenha foi recém cortada, pois algumas ainda estão meio verdes.

–É impossível algum aluno meu ter levantado esta noite e ter cortado esta quantidade de lenha.

Assustado o professor se afasta. Ele cogita a hipótese de voltar para dentro, porém ele não pode deixar Vitor daquela forma.

Ele então vai se afastando da casa, com o machado e a lanterna em mãos.

***

Depois de alguns minutos de caminhada lenta e cuidadosa para dentro da mata ele encontra um galho ideal para fazer uma tala.

São necessárias várias machadadas para conseguir retirar o galho, mas ele consegue corta-lo.

Em passos lentos ele volta para casa, tomando cuidado para que não trombe com nenhum bicho.

***

Ele chega a casa cerca de meia hora depois. E a sensação de entrar naquele calor causado pelo fogão a lenha é ótimo para ele.

Da porta ele pode ver que muitos ainda estão em pé, outros agachados, alguns até sentados perto de Vitor.

Entra no quarto onde dormiu, ele acredita ter visto uma corda naquele guarda roupa caindo aos pedaços. Rapidamente ele abre o guarda roupa... bem na verdade a porta saiu na sua mão mas tudo bem. A corda está bem ali; é uma corda fina e não muito comprida mas ele acredita que o tamanho vá dar.

Ele sai rapidamente do quarto, seu modo de andar transmite o desespero dele.

–Com licença — pede o professor

Ele se aproxima de Vitor e diz:

–Olha, isto ira doer...

O professor se agacha, e com as duas mãos estica a perna do garoto a modo que fique totalmente reta. Ele coloca o galho rente sua perna e das várias voltas com a corda e a amarra; enquanto Vitor grita de dor.

–Ei Bruno venha aqui — chama o professor- me ajude a leva-lo para o quarto ali na frente.

Eles com muito cuidado levantam Vitor e o levam até o quarto; as lagrimas escorrem em seu rosto, sua cara está horrível.

***

O dia amanhece, uma chuva torrencial iniciou-se a duas horas atrás. Alguns acabaram dormindo nessas 3 horas que se passaram depois do “acidente”.

–Professor, não é melhor tentarmos chegar a tal acampamento? Já andamos tanto ontem... devemos estar pertos. – sugere Eduardo

–Eu estava olhando a estrada um pouco mais a frente. Não estamos no caminho.

–E agora o que faremos?

–Vamos voltar ao ônibus, e voltar para casa. Não quero mais problemas....

–E quando vamos?

–Assim que a chuva parar.

***

Já são nove horas da manhã; a chuva parou a uns 15 minutos, porem o tempo continua fechado.

–Alunos arrumem suas coisas, partiremos em vinte minutos – diz o professor

Vitor ainda está deitado no quarto, agonizando de dor. Os outros alunos se agitam, todos sobem e vão arrumar suas coisas; eles percebem que a terra da estrada onde andarão, virou lama, e isso tornara a chegada até o ônibus muito pior.

***

Os alunos depois de terem arrumados suas coisas descem, e sentam- se na sala.

–Esperem um pouco, vou apenas apagar o fogo e já vamos.

As conversas aumentam, alguns ansiosos para sair dali, andam de um lado para outro com bolsas nas costas.

–Pronto. Vamos! – diz Claudio colocando a bolsa em suas costas – Ei! João, me ajude com o Vitor

João e o professor vão até o quarto, e levantam Vitor

–AAHHHH minhas costas – grita o garoto

Eles o apoiam em seus ombros e saem para fora da casa; os outros alunos vão seguindo-os. A cada passo seus pés afundam mais e mais na lama.

Todos descem a trilha, alguns cochichando, outros expressam o cansaço nos olhos, e muitos apenas andam de cabeça baixa, porem ninguém ali expressa o mínimo de felicidade.

Eduardo anda ao lado de Rafaela, desde o ocorrido ela não tem falado muito; ela foi uma das primeiras a descer a escada, e ver o garoto contorcido aos pés da escada a deixou em estado de choque.

***

Algumas horas depois eles se aproximam do local onde o ônibus tinha parado. Quando percebem que estão chegando, alguns aceleram o passo.

Ao avistar de longe a arvore na curva Eduardo e alguns outros correm, eles estão ansiosos em sair daquele lugar. O professor ao longe observa todos correrem, porem assim que ele observa eles se aproximarem, a parada brusca e a reação deles assusta-o.

***

–Oh meu Deus!! – exclama Eduardo

Rafaela coloca a mão sobre seu rosto e lagrimas começam a escorrer; Julia coloca suas mãos sobre a boca, e Pedro coloca as mãos na sua cabeça, todos expressam desespero, e isso assusta o professor que acelera seus passos.

–Oh não, não, não, NÃÃÃO – grita o professor desesperado

A visão que eles têm, não agrada a ninguém.

O ônibus não está mais ali, na verdade, a estrada não está mais ali. A chuva desta manhã foi tão forte que este pedaço do morro deslizou barranco a baixo.

–Professor o que faremos agora? — pergunta Vitória

–Eu não sei, eu não sei de mais nada – diz o professor

–Talvez o motorista tenha dado ré, não custa nada tentar – sugere João tentando ser positivo

–Ele não deu ré... olhem lá embaixo... – responde Pedro

Todos então se aproximam da beira da estrada e olham morro abaixo. A carcaça do ônibus esta la, toda amassada, e parcialmente coberta de terra.

–Droga!!! – exclama o professor

–Nós não vamos embora daqui? – Pergunta Rafaela a Eduardo, com lagrimas nos olhos

– Acho que não...

–Professor, já que não vamos embora, o que acha de descermos e pegar nossas malas? Tem bastante comida lá – sugere Eduardo

–É acho que teremos de descer mesmo – diz o professor – e Ana, fique aqui com Vitor até nós voltarmos.

Sofrendo com a dor das costelas e da perna, o garoto machucado é colocado sentado sobre a lama fria. O ato de sentar causa uma dor insuportável em suas costas.

Com cuidado eles descem o íngreme morro, o professor já pode perceber que terão de achar outro caminho para subir, pois eles não conseguirão subir tal inclinação, e mais um aluno machucado seria extremamente pior para o professor.

Eduardo ao descer pode ver Vitor e Ana (sua ex-melhor amiga), sentados na lama, ela conversa com ele, enquanto a cara de dor dele se mantem.

Alguns metros à frente Eduardo vê Rafaela se desequilibrar logo em sua frente e a segura puxando sua mão. Para ter certeza de que ela continuará descer em segurança ele resolve ir segurando sua mão e a ajudando até chegar ao ônibus destruído.

Eduardo olha em volta, ele vê o grupo de garotos descendo quietos, como pessoas normais e ele considera isto estranho; ele pode ver também, Pedro e Julia a frente da turma, conversando com o professor, algumas garotas descem conversando e reclamando que o mato está incomodando suas pernas, Jackelyne, Sandy e Andressa descem em muitos momentos rindo, talvez elas tenham conseguido levar os últimos acontecimentos de forma diferente da sala.

***

Depois de uma longa descida eles chegam ao ônibus retorcido. O grande veículo está tombado e parcialmente coberto de terra, o professor se aproxima da frente do ônibus e diz:

–Fiquem todos ai, vou checar o interior do ônibus

Ele se pendura na roda dianteira, e puxa seu corpo para cima, de modo a escalar a parte de baixo do ônibus tombado.

O professor tenta se preparar para ver cenas fortes ali dentro, porque o motorista estava dentro do ônibus. Ele tenta mas não está preparado para ver tal coisa; porém é algo que ele tem que fazer, ele não pode voltar atrás numa hora dessas.

O professor sobe e se equilibra na lateral do ônibus que está virada para o céu, a porta está aberta, uma sensação de náusea toma seu corpo; com certo temor ele olha dentro do ônibus, e a náusea some. Não há nada de errado ali dentro, se é que pode se dizer isso de um ônibus retorcido, tombado e parcialmente soterrado.

Aparentemente o motorista conseguiu evacuar o ônibus antes de tudo vir morro abaixo. Isso é reconfortante até certo momento; o conforto vai embora assim que ele percebe que o motorista pode estar perdido no meio da mata, ou até mesmo soterrado porem fora do ônibus.

Com cuidado ele desce para dentro do ônibus; ali dentro tudo está uma bagunça, todas as janelas quebradas, as malas jogadas para todos os cantos, aquilo que um dia foi o teto está todo retorcido, e há bastante terra dentro do ônibus.

O professor então se aproxima do para-brisa, que incrivelmente não foi arrancado fora, mas está inteiramente rachado, a maior parte está soterrada pela terra que se acumula pelo lado de fora, porem há uma pequena parte que esta desobstruída. Ele então pega um pedaço de ferro que está jogado no interior do ônibus e grita:

– SE AFASTEM DA FRENTE DO ONIBUS

Com força ele golpeia o para-brisa; estilhaços do vidro voam para longe. O espaço é suficiente para passar as bagagens para o lado de fora do ônibus.

– Preciso de alguém que fique ai passando as bagagens para o lado de fora – diz o professor com voz alta.

Bruno então aparece, e o professor diz:

– Bruno vou passando e com calma você pergunta de quem é entrega para o dono ok?

– Tudo bem professor

O professor com calma vai pegando as bagagens e aos poucos passando para bruno que vai distribuindo pelo lado de fora.

***

O professor agora se dirige ao fundo do ônibus; ele está cansado, o suar é evidente em seu rosto. Ele chega a última mala, olha para ela respira fundo e a levanta.

Enquanto ele chega a parte da frente do ônibus ele pensa... agora ele se toca de que tem que tomar uma atitude para serem encontrados, ele sabe que a equipe da reserva florestal deve ter avisado as autoridades e logo enviarão equipes de buscas, porem a parte mais complicada é que eles não fazem a menor ideia de onde estão e nem sequer sabem se estão perto da reserva. O professor então resolve que tomara uma atitude, e é uma atitude bem louca para falar a verdade. Ele resolve que colocara fogo no ônibus, isso talvez chame a atenção.

O professor chega até Bruno e o passa a mala. Depois de ter certeza que não há mais nada ali o professor volta a escalar pela porta direcionada ao céu, e sai do ônibus. Com cuidado ele pula para a terra fofa do chão.

–Todos estão com suas bolsas?

–SIM – responde a turma

– Peço que se afastem do ônibus, estava pensando, e um jeito de chamar as autoridades é.... bem, um jeito de chamar a atenção das autoridades é incendiar o ônibus, isso criaria uma fumaça que poderia ser vista a quilômetros de distância, então vão para longe enquanto preparo tudo.

O professor se aproxima do tanque de combustível do ônibus, pega o isqueiro... porem ele para. Ele começa a pensar; se ele incendiar o ônibus, ele certamente explodira, e a explosão pode lançar os destroços a centenas de metros. Além disso, ele pode usar o combustível para fazer fogueiras ou até mesmo para acender o fogão a lenha mais rápido; outra coisa que ele pode reutilizar é a espuma dos bancos. Com certeza colocar espuma no chão na hora de dormir será mais confortável.

Ele então guarda o isqueiro e corre até a turma que se afasta.

–Você não ia botar fogo no ônibus professor? – pergunta um dos alunos

–Sim porem percebi que ele pode ser útil para nós – responde o professor

Eles resolvem seguir por uma parte não tão inclinada do morro, mas que ainda sim levava a estrada e depois voltar para encontrar com Vitor e Ana.

Todos sobem a passos lentos, carregando suas bolsas nas costas e malas nas mãos.

***

A turma leva cerca de uma hora para subir o morro e chegar até os dois que ficaram na estrada aguardando.

Ambos estão ali quietos, Vitor ainda continua com a cara de dor, e pode ser notada a marca de lagrimas que se secaram em seu rosto.

João e o professor aproximam-se de Vitor e o ajudam a levantar. Desta vez Vitor vai apoiado em João e Ana, pois o professor está a carregar suas malas e a do garoto acidentado.

Ao ser levantado Vitor volta a gritar de tamanha dor ele sente em suas costas.

***

Já são quase quatro horas da tarde e eles se aproximam do pequeno morro onde a casa está, todos estão exaustos, porem estão conversando muito mais do que quando foram.

Eles estão com as calças cheias de lama, os tênis então nem se falam, e isso acaba preocupando o professor, por que eles não têm água para higiene, eles na verdade nem tem muita água potável e ele acaba percebendo que terá de racionar a água e a comida.

Eles chegam a casa, o professor abre a porta e ele simplesmente trava no que avista.

Notas finais
espero que tenham gostado. em breve o quinto capitulo ( a segunda noite)