A busca pela Estrela Gelada
10 10. Seguindo o Caminho, ou não
Notas iniciais
10. Seguindo o Caminho, ou não
–Então você está me dizendo que só existem sete caminhos para a Terra? – perguntou Rose observando sua mestra enquanto iam rumo a Floresta Primordial
–Sim, basicamente todos os planos são interligados em algum local, esses pontos chamamos de vértices, entre Arcádia e a Terra existem sete, claro que podemos criar portais que agilizam o processo, mas nada é mais certeza do que um vértice – falou Lia não gostando do seu destino, mas ela havia pedido por aquilo, ela havia jogado as peças e pedido pelo futuro
–E qual o problema com essa floresta?
–Prefere que eu simplesmente responda ou lhe conte uma história? – a elfa nem esperou a resposta da pupila, ela sabia que a ruiva preferiria a história – No mundo feérico um dia existiram sete bestas conhecidas como os sete reis, criaturas de poder tão inimaginável que não havia guerreiro capaz de vencê-los tornando-as onipotentes no mundo, até mesmo reis se curvavam perante eles, todos prestavam seus sacrifícios e as serviam como se fossem deuses
–E.... – sete caminhos, sete reis, até Rose percebia que logo viria a ligação
–Um dia sete guerreiros dos mais diversos povos se uniram e derrotaram os sete reis, aqueles que viriam a ser conhecidos como os sete pecados capitais
–Eles mataram as bestas e ficaram conhecidos como pecadores?
–Sim, entenda que as bestas eram onipotentes, nenhum mal de nenhum mundo afetava Arcádia enquanto elas existiam, mas quando os sete pecados as mataram eles não eram animais, eles não protegiam seus reinos e seus habitantes, eles apenas queriam mais e mais poder, não demorou para que transformassem cada uma de suas sete terras natais em terras de pecado baseados em seus desejos sombrios....
–E então um grupo de poderosos guerreiros arcanos se uniram e selaram os sete – falou Ulf cortando a fala de Lia e ainda odiando o caminho que tomavam – Aqueles que fizeram isso ficaram conhecidos apenas como A Ordem, a mesma que protegia a estrela mais cedo
Logo o grupo parou para uma refeição sob uma árvore e Ulf continuou a história:
–Onde antes viviam os sete reis existiam sete vértices que ligavam exatamente ao mundo humano, ninguém até hoje sabe o porquê, os únicos existentes também, e agora sem os reis lá os feéricos finalmente podiam ir ao mundo humano e descobriram os maus dos homens
–Hoje alguns acreditam que os sete reis não nos protegiam apenas das feras dos outros planos, mas também dos homens e por isso criaram seus reinos onde haviam os vértices – falou Lia comendo um pedaço de queijo
–Também acredito nisso, só para constar – falou Ulf bebendo um pouco – Mas não é isso que importa, o que importa é que então vieram os sete vértices, nossos sete caminhos, o topo da montanha mais alta do mundo feérico que converge com o pico do Everest, reino do senhor dos céus, pai de todas as aves, Roca...... O deserto de ferro que converge com o deserto do Saara, reino da senhora da areia, pai de todas as serpentes, Jormungand..... A pradaria dourada que converge com as pradarias do Sul, reino do senhor das colinas, pai de todos os cavalos, Balius..... A savana negra que converge com as savanas do sul da áfrica, reino do senhor das savanas, pai de todos os felinos, Kopa..... E então vem os outros três......
–Aqueles que não se deve pegar se quiser chegar vivo na Terra – falou Rose olhando nos olhos de Ulf e ele confirmou com a cabeça
–O mar fantasma que converge com o triangulo das bermudas, reino do senhor dos mares, pai de todos os moluscos, Kraken..... A cachoeira que corre para cima que converge com a cachoeira de Rozan, reino do senhor das águas fluviais, pai de todos os repteis que andam, Dohko..... E o terceiro e último, a Floresta Primordial que converge com a floresta negra escondida no fundo da Austrália, reino do senhor das florestas, pai de todos os wargs, lupinos e caninos, Fenrir.....
Por um momento a respiração de Rose falhou ao ouvir aquele nome quase como quando ouviu o nome de Kopa, algo dentro dela dizia para ficar longe daqueles três locais sem nem mesmo precisar do aviso de Ulf, mas ainda assim era para onde eles iam agora enquanto montavam novamente em seus cavalos:
–O mar fantasma é basicamente inavegável – falou Lia se aproximando de Rose enquanto Ulf seguia na frente – Dizem que nenhuma embarcação já voltou de lá e dizem que é lá que se localiza a lendária ilha de onde todos os feéricos nasceram, aquilo que vocês humanos chamaram de A Terra Do Nunca
–É serio? O lar do Peter Pan e da Tinker Bell?
–Não sei a quem se refere, mas é de lá que na teoria todos nós viemos e dizem que todos nós temos um instinto natural que nos guiaria pelo mar até a ilha sem sofrermos nada, mas ainda assim ninguém voltou.... Depois vem a cachoeira que corre ao contrario, basicamente você não consegue chegar ao seu topo para poder chegar no mundo humano porque ela não apenas corre para cima, ela alterna entre subir e descer, quando ela sobe sem problemas, mas quando ela segue o curso natural ela traz consigo as mais diversas feras marinhas e restos de árvores e pedras que ninguém sabe da onde surge, além do fato que ela só sobe durante três curtos segundos, ai é necessário ela descer por três dias para ela voltar a subir novamente tornando a subida impossível.... e ai vem o terceiro e último caminho mortal, a floresta primordial, um local que antes foi o dito como o lar de todas as feras que já existiram, que existem e dizem que irão existir, de todos os planos e de todos os éons, dizem que até existem filhotes dos sete reis vivendo por lá, mas apenas um tem localização conhecida, o filhote do sétimo rei, de Fenrir, bem em cima do vértice para a Terra
–Então basicamente nós temos que passar por ele para chegar a Terra?
–Não só ele, o caminho até o vértice é de conhecimento geral, é uma estrada de terra batida bem na frente na floresta, dizem que é o caminho mais simples para se chegar ao vértice, mas não o menos perigoso, os outros você só se perde lá dentro, no caminho você morre.... rês as lendas que quanto mais longe você vai no caminho mais poderoso é a fera que surgi para lhe matar.... – A voz de Ulf parou e então o jovem abaixou ainda mais seu capuz – Tem certeza que temos que ir por esse?
–Sim, é por ele – falou Lia olhando para Rose pedindo silencio a ela por hora
–Mas que droga...... – não demorou para o cavalo do moreno acelerar e ir mais a frente possível
–Por que ele fez aquela cara? – perguntou Rose com Ulf já bem na frente do grupo
–Ulf já tentou entrar na floresta – disse Lia prestando atenção se o domador de wargs não a ouvia, ele não gostava de lembrar daquilo – Foi lá que ele conseguiu sua cicatriz, ele queria testar o quão forte havia se tornado após todos os seus treinos e ser conhecido como o maior dos assassinos, ele nunca conta até onde foi, mas é um fato que a cicatriz que ele tem ele ganhou lá
Rose observou o moreno na frente imaginando tudo que ele já imaginou em apenas dezoito anos de vida, todas as suas dores e todas as suas glorias e pensou se ela também viveria algo assim. Mas logo percebeu que ele de alguma forma parecia conversar com alguém lá na frente e não demorou para voltar para próximo das duas:
–Eu contei ao rei tudo que aconteceu e nosso destino – falou calmamente o moreno, mas a ruiva sabia que por detrás daquilo ele tremia
–O que o rei achou? – perguntou Lia suando frio
–Precisa perguntar? Ele nos quer de volta ao castelo agora, o roubo da estrela não estava nos planos e ele desaprova completamente irmos para a Floresta, que peguemos qualquer outro vértice ou que utilizemos um portal, mas nada dos três caminhos
–Mas as runas disseram para irmos pela Floresta....
–E isso vai nos matar – falou Ulf cortando a fala de Lia e Rose foi capaz de sentir raiva crescendo dentro do moreno, além de medo.... – Além do que o rei não sabe das runas então isso não é um argumento pra ele, disse que achei uma trilha que levava para lá, mas ainda assim ele negou que pegássemos ela e que retornássemos até ele agora Lia, nenhuma de vocês duas está pronta para algo desse tamanho
Algo dentro de Rose dizia que a frase dele não queria ter parado ai.... nem eu.... sim ela sentia que ele queria ter dito aquilo também:
–Nós não podemos sair agora, Ulf – falou Lia se impondo perante o moreno, mas a elfa sabia que aquilo era inútil tanto quanto sua pupila, elas apenas ouviam os nomes dos locais e podiam sentir a energia ruim vinda deles e sabiam que não teriam a mínima chance – Temos que ir com você, temos que ir pra Floresta
–O rei foi bem especifica Lia, a busca é perigosa demais para vocês duas e mesmo que continuemos e formos para a Terra será por um portal ou um dos outros vértices
–Mas e se nós tivermos que passar pela Floresta? Ou ir para a Austrália?
–Para a Austrália se resolve abrindo um portal ou indo para qualquer outro local e pegar um avião na Terra, ainda assim vocês duas não irão
–A equipe que você e o rei montarem vai precisar de algum curandeiro e sou a melhor do reino e me levando vai ter que levar Rose também.....
–Cresça, Lia! – o grito de Ulf cortou a voz da elfa e por um instante Rose sentiu a própria realidade tremer, o Fluxo se alterou como num mar furioso e a jovem viu uma lágrima escorrer do olho da mestra – Você não está pronta para algo assim, imagine a sua pupila, é um suicídio para ambas algo desse nível, isso não é uma viagem qualquer ou um passeio, não sei nem se posso me proteger quanto mais vocês duas
–Eu não preciso de proteção
–Precisa sim! Mais de sete décadas e não para de agir como uma criança, você nem tem um titulo descente!
E então Rose se odiou por ser capaz de ver o Fluxo. Já não bastou ter que ver sua mestra chorar e aquele homem ficar banhado em fúria, ela também via o que acontecia ao seu redor. Como o Fluxo ao redor de sua mestra ficou tão pequeno quanto um animalzinho e parecia fluir de maneira tão lenta que quase parava enquanto o do moreno tremia e girava como um redemoinho..... um redemoinho no formato de um lobo gigantesco:
–Vou levar as duas de volta e ponto final – falou Ulf dando as costas para ambas – Quando chegarmos lá SE o rei assim desejar levarei vocês, mas não será pela Floresta Primordial e assunto acabado
O resto da viagem não houve dialogo...... não houve nada além do som do vento cortando os consolos que a jovem fazia a sua mestra enquanto se aproximavam do castelo do rei........ E não demoraria para todos se arrependerem daquilo, eles deveriam ter aproveitado cada segundo de paz enquanto ainda não haviam ido em busca da estrela.
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