A escuridão voltou.


Durou pouco.


Ou talvez muito.


A essa altura, Raphael já havia aprendido que tempo, naquele lugar entre vidas, era uma palavra inútil. Não havia sol. Não havia fome. Não havia sono. Não havia dor. Não havia nada que marcasse passagem.


Havia apenas consciência.


Depois calor.


Depois pressão.


Depois o primeiro coração.


Depois o segundo.


O padrão se repetiu com uma crueldade quase elegante.


Morte.


Escuridão.


Ventre.


Nascimento.


Outra vez.


Dessa vez, porém, não houve espanto.


Não como antes.


Ele já conhecia o retorno.


O que havia era outra coisa.


Uma camada fria sob todos os pensamentos.


Ninsu.


A última vida não desaparecera.


Nada desaparecia.


Ele ainda lembrava do pai dela caindo de joelhos. Lembrava de Sahira sendo arrastada. Lembrava dos rostos dos homens-leão. Lembrava da lâmina de pedra entrando no pescoço de um deles. Lembrava do próprio ódio.


Eu vou lembrar.


Lembrou.


Enquanto crescia no ventre de uma nova mãe, enquanto ouvia batimentos e vozes abafadas, enquanto seu novo cérebro aprendia lentamente a transformar sensação em pensamento, Raphael carregou Ninsu como uma ferida fechada por cima e aberta por dentro.


Não chorou.


Não havia como.


Não gritou.


Não havia boca.


Apenas esperou.


E, quando o mundo o puxou de volta para a luz, ele nasceu berrando como todos os recém-nascidos.


Dessa vez, a primeira coisa que percebeu foi pedra.


Não com clareza. Os olhos de um bebê não ofereciam esse tipo de gentileza. Mas havia sombras sólidas acima. Paredes próximas. Um teto baixo. O eco de vozes em espaço fechado.


Não era uma tenda.


Não era uma cabana.


Não era céu aberto.


Era construção.


Mais tarde, saberia que nascera em Tamragiri, a maior cidade dos anões, assentada em um vale verdejante e úmido, envolto por névoas densas que subiam das florestas de planície e desapareciam nas alturas frias do platô superior.


Naquele primeiro dia, porém, soube apenas que havia pedra.


E que as mãos que o seguravam eram pequenas, largas e fortes.


Sua mãe naquela vida chamava-se Miri.


Tinha ombros firmes, mãos calejadas de quem tecia, tingia, costurava e carregava mais do que aparentava. Sua voz era grave para os padrões humanos, mas suave para os anões. Quando o segurava, fazia isso com a segurança de quem acreditava que qualquer coisa frágil poderia sobreviver se fosse bem apoiada.


Seu pai chamava-se Harad.


Forjador.


E, para os olhos de um recém-nascido, parecia uma montanha com barba.


Durik.


Esse foi o nome que recebeu.


Durik, filho de Harad e Miri.


Anão.


A palavra demorou a ganhar sentido, mas o corpo o informou cedo.


Era diferente.


Denso.


Pesado.


Mesmo pequeno, sentia uma solidez que não existira nas vidas anteriores. Braços curtos, mãos largas, peito compacto. Quando começou a engatinhar, parecia menos uma criança deslizando pelo chão e mais uma pedra decidindo se mover por vontade própria.


A infância em Tamragiri foi a primeira infância verdadeiramente estável que teve desde a Terra.


A aldeia humana de sua primeira vida no novo mundo era pacata, mas pobre e isolada.


A tribo de Ninsu era viva, mas ameaçada.


Tamragiri era outra coisa.


Tamragiri durava.


Isso foi o que mais o impressionou, muito antes de entender política, comércio ou arquitetura.


As mesmas paredes continuavam no lugar.


As mesmas ruas permaneciam.


Os mesmos degraus de pedra, gastos por pés de gerações, levavam aos mesmos salões.


A cidade não partia quando mudava a estação.


Não desmontava acampamento.


Não seguia caça.


Não fugia da seca.


Tamragiri ficava.


E, para alguém que carregava duas mortes prematuras e uma chacina dentro da memória, uma cidade que ficava era quase uma provocação.


Os anões viviam dentro e ao redor da montanha como se tivessem feito um acordo antigo com a pedra. Suas casas entravam nas encostas. Seus depósitos desciam em galerias. Suas oficinas se abriam para pátios cobertos por névoa. Suas pontes cruzavam cortes profundos no vale. Suas estradas não pareciam trilhas; pareciam decisões.


Pedra sobre pedra.


Degrau sobre degrau.


Marca de cinzel sobre marca de cinzel.


Havia madeira, sim, trazida de Vanaprastha, a cidade dos pastores e madeireiros do leste. Havia couro, cordas, cestos, peles, ossos, cerâmica simples. Mas a alma de Tamragiri era pedra e metal.


Metal.


Na primeira vez que viu bronze, Durik ficou imóvel.


Era apenas uma ferramenta na mão do pai. Um cinzel gasto, usado para abrir sulcos em um molde. Mas o brilho o prendeu.


Bronze.


Não pedra.


Não osso.


Não madeira.


Bronze.


Aos sete anos, Harad o levou pela primeira vez à forja como aprendiz.


Durik esperava fogo.


Martelo.


Metal incandescente.


Talvez, em algum canto infantil da mente, até um momento solene em que o pai colocaria uma ferramenta em suas mãos e diria que o ofício começava ali.


Harad entregou-lhe uma vassoura.


— Comece pelo chão.


Durik olhou para a vassoura.


Depois para o pai.


— O chão?


— O chão.


— Eu achei que aprenderia a forjar.


Harad soltou um som que poderia ser riso, se os anões não parecessem sempre rir como pedras rolando.


— Quem não respeita o chão não merece o martelo.


Durik pensou em argumentar.


Não argumentou.


Varreu.


No primeiro ano, varreu muito.


Varreu carvão.


Varreu pó de pedra.


Varreu limalha.


Carregou água.


Separou ferramentas.


Aprendeu nomes.


Aprendeu onde cada coisa ficava.


Aprendeu que um martelo deixado no lugar errado era ofensa moral.


Aprendeu que Harad percebia tudo.


— A pinça de boca larga está três dedos fora do lugar.


— Isso importa?


Harad olhou para ele como se o filho tivesse perguntado se respirar era realmente necessário.


— Importa quando você precisar dela antes que o metal esfrie.


Durik corrigiu.


Aos poucos, entendeu.


A forja não era apenas força.


Era sequência.


Tempo.


Temperatura.


Organização.


Ritmo.


Falhar em uma etapa arruinava todas as outras.


Aos nove, começou a ajudar com moldes.


Aos dez, foi autorizado a manusear ferramentas menores.


Aos doze, já conseguia identificar pelo som quando uma peça estava sendo mal trabalhada.


Aos treze, Harad permitiu que fizesse sozinho um gancho simples.


Saiu torto.


Funcional, mas torto.


Harad examinou a peça por tempo demais.


— Serve.


Durik franziu a testa.


— Só isso?


— Quer que eu minta?


— Não.


— Então serve.


Na cultura anã, descobriu, “serve” era elogio inicial.


“Bom” exigia anos.


“Excelente” talvez décadas.


“Digno de registro” era quase imortalidade.


Durik respeitava a forja.


Respeitava o pai.


Respeitava o modo como o metal obedecia apenas quando todas as condições eram cumpridas.


Mas não amava aquilo como Harad amava.


O pai via uma barra de bronze e imaginava lâminas, dobradiças, cinzéis, grampos, agulhas, ferramentas.


Durik via outra coisa.


Via o minério extraído em Kastiradri, no alto platô seco.


Via a descida pelas estradas de cantoneira.


Via os guindastes de roldana usados para mover carga pesada.


Via os animais exaustos.


Via os registros de peso.


Via os estoques.


Via o carvão necessário.


Via a madeira que precisava vir de Vanaprastha.


Via a rota protegida por Dwarapala.


Via a cidade inteira dependendo de algo que começava muito antes do martelo tocar o metal.


Quando percebeu isso, entendeu uma diferença entre ele e o pai.


Harad pensava em peças.


Durik pensava em sistemas.


A primeira visita a Dwarapala ocorreu quando ele tinha quinze anos.


Harad precisou acompanhar uma carga de ferramentas destinadas à fortaleza, e decidiu levar o filho. Miri reclamou do frio, dos riscos da estrada e do fato de Harad achar que um adolescente precisava ver “como o mundo respira” apenas porque estava ficando alto o bastante para carregar peso.


Harad venceu a discussão não por argumentos melhores, mas por persistência.


Dwarapala ficava a oeste, cravada na rocha viva, dominando um dos passos que desciam para as planícies do sul. Era fortaleza, posto comercial, alfândega, quartel e aviso.


Um aviso feito de pedra.


Não tentem.


A estrada até lá impressionou Durik mais do que a própria muralha.


Era larga para padrões de montanha.


Pavimentada em trechos.


Alargada onde a rocha permitiria apenas passagem estreita.


Em alguns pontos, correntes e roldanas ajudavam a mover cargas. Em outros, plataformas de madeira e bronze venciam desníveis que teriam tornado qualquer transporte comum impossível.


Aquilo era força anã em sua forma mais pura.


Não apenas músculos.


Não apenas armas.


Persistência aplicada à pedra.


Na fortaleza, Durik viu humanos pela primeira vez naquela vida.


A reação foi inesperada.


Eles pareciam altos.


Estreitos.


Moles.


Jovens mesmo quando eram velhos.


Um mercador humano discutia taxas com um escriba anão, gesticulando demais, suando apesar do frio. Durik observou o rosto dele e sentiu um desconforto estranho.


Eu fui isso.


A ideia veio sem aviso.


Não aquele homem.


Mas aquela raça.


Aquela forma.


Aquela fragilidade.


Pela primeira vez, percebeu que uma vida anterior podia se tornar algo externo. Uma coisa vista de fora.


Mais tarde, viu homens-fera.


Não leões.


Guepardos.


Lobos.


Um bovino enorme carregando fardos como se fossem cestos vazios.


Durik parou de andar.


Harad percebeu.


— Nunca viu homens-fera?


A resposta verdadeira seria complicada.


Vi.


Fui.


Morri como uma.


Em vez disso, Durik disse:


— Não nesta vida.


Harad olhou para ele.


Durik percebeu o erro tarde demais.


— Nesta cidade — corrigiu.


O pai continuou olhando por mais um instante, depois grunhiu.


— Fale direito. Ambiguidade é coisa de contrato malfeito.


Durik guardou a lição.


Em Dwarapala, porém, o que realmente o fascinou não foram as raças.


Foram os registros.


Tábuas.


Placas.


Rolos.


Marcas de peso.


Listas de entrada.


Listas de saída.


Nome de mercador.


Origem.


Carga.


Taxa.


Destino.


Condição da estrada.


Incidentes.


Perdas.


Pagamentos.


Nada era deixado apenas na memória.


Tudo recebia marca.


Tudo recebia número.


Tudo recebia lugar.


Naquela noite, enquanto Harad bebia com outros artífices, Durik ficou olhando um escriba atualizar uma lista de cargas.


O escriba notou.


— Gosta de números?


Durik respondeu sem pensar:


— Gosto do que eles impedem.


O escriba ergueu uma sobrancelha grossa.


— E o que números impedem?


Durik olhou para os registros.


— Esquecimento.


O escriba encarou o jovem por alguns segundos.


Depois empurrou uma tábua vazia e um estilete em sua direção.


— Então copie esta linha.


Durik copiou.


Sem erro.


O escriba deu outra.


Depois outra.


No fim, apenas resmungou:


— Letra aceitável.


Quando voltaram para Tamragiri, Harad contou aquilo a Miri como se o filho tivesse derrotado um urso.


— Letra aceitável, ele disse.


Miri sorriu.


— De um escriba de Dwarapala?


— De um escriba de Dwarapala.


— Então nosso filho tem mãos para mais que metal.


Harad olhou para Durik.


— Mãos precisam escolher uma coisa antes de ficarem boas em qualquer uma.


Durik baixou os olhos para as próprias mãos.


Largas.


Fortes.


Anãs.


Não sabia ainda o que escolheria.


Mas começou a suspeitar que não seria a forja.


Aos dezoito anos, a suspeita virou decisão.


A conversa aconteceu depois do jantar, em uma noite fria, com névoa batendo contra as janelas estreitas da casa. Harad afiava uma ferramenta. Miri remendava uma peça de tecido. Durik estava sentado com as mãos apoiadas sobre os joelhos.


Esperou tempo demais.


Miri percebeu primeiro.


— Fale antes que seu pai desgaste essa lâmina até virar agulha.


Harad parou de afiar.


Durik respirou fundo.


— Não vou assumir a forja.


A frase ficou na sala.


Pesada.


Harad não se moveu.


Miri baixou o tecido devagar.


— O que vai fazer? — perguntou o pai.


— Servir.


— Militar?


— Sim.


Harad apoiou a ferramenta na mesa.


— Você treinou onze anos comigo.


— Eu sei.


— Sabe fundir, moldar, consertar, medir, calcular perda de material e reconhecer liga ruim pelo cheiro.


— Sei.


— E quer trocar isso por muralha, patrulha e oficial gritando no seu ouvido?


— Quero.


— Por quê?


Durik poderia ter mentido.


Poderia falar em honra.


Dever.


Proteção de Tamragiri.


Orgulho anão.


Tudo seria aceitável.


Nada seria verdade inteira.


— Porque uma ferramenta não impede uma invasão se ninguém souber usá-la, distribuí-la, guardá-la ou protegê-la.


Harad ficou imóvel.


Miri olhou para o filho com uma atenção mais profunda.


Durik continuou:


— Porque metal parado em depósito não salva ninguém.

— Porque uma muralha sem comida cai.

— Porque uma estrada sem guarda vira convite.

— Porque eu quero entender como impedir que uma cidade vire cinza.


A última frase escapou.


Harad franziu a testa.


Miri ficou em silêncio.


Havia coisas em Durik que os pais nunca entenderam.


Pesadelos.


Raiva súbita ao ouvir falar de escravos.


O modo como, ainda criança, acordava com a respiração pesada, as mãos fechadas, como se segurasse uma lâmina invisível.


Miri nunca pressionou.


Naquela noite, porém, seus olhos disseram que ela sabia haver uma história sem palavras dentro do filho.


Harad não perguntou.


Talvez por respeito.


Talvez por teimosia.


Talvez porque anões não gostassem de perguntas cuja resposta não pudesse ser usada.


Por fim, ele disse:


— Sua mãe vai culpar minha linhagem.


Miri soltou um som indignado.


— Eu vou culpar você inteiro, Harad.


Durik piscou.


Harad apontou para ele.


— Teimosia é dele.


Miri apontou para o marido.


— E de onde veio?


Harad pensou.


— Dos meus ancestrais.


— Exatamente.


A tensão quebrou.


Não completamente.


Mas o suficiente.


Quando Durik ingressou nas forças de Dwarapala, descobriu que a vida militar anã era menos gloriosa e mais repetitiva do que muitos jovens imaginavam.


Isso lhe agradou.


Raphael havia servido um único ano obrigatório em sua vida original. Não lembrava de grandes técnicas de combate. Não lembrava de estratégias elaboradas. Não lembrava de quase nada que pudesse impressionar soldados profissionais.


Mas lembrava do básico.


Horários rígidos.


Rotina.


Disciplina.


Exercício constante.


Inspeção.


Equipamento limpo.


Tarefa feita antes de descanso.


E, principalmente, que o corpo obedecia melhor quando treinado todos os dias.


Isso bastou.


Durik não era o mais forte.


Entre anões, isso significava pouco. Todos eram fortes. Alguns pareciam ter sido esculpidos diretamente de muralha.


Não era o mais rápido.


Não era o melhor com machado.


Não era o mais feroz.


Mas era constante.


Chegava antes.


Conferia o equipamento duas vezes.


Organizava as tarefas.


Anotava erros.


Corrigia padrões.


Quando um grupo esquecia ferramentas de manutenção em uma patrulha, Durik criou uma lista.


Quando rações eram distribuídas de forma desigual, criou marcações.


Quando turnos se confundiam após uma tempestade, redesenhou a escala.


No começo riram.


Depois pararam.


Porque funcionava.


Um sargento chamado Brumal foi o primeiro a notar.


— Você gosta de mandar?


Durik respondeu:


— Gosto de não repetir erro idiota.


Brumal encarou.


Depois grunhiu.


— Quase a mesma coisa.


Aos vinte e um, Durik já era usado em tarefas administrativas quando alguém precisava que algo realmente fosse conferido.


Aos vinte e três, oficiais pediam seus relatórios.


Aos vinte e quatro, comerciantes que passavam por Dwarapala começaram a reconhecer o anão baixo, largo, sério, de letra limpa e perguntas incômodas.


— Quantos fardos?


— Vinte e sete.


— No registro anterior eram trinta.


— Perdemos três na subida.


— Para quem?


— Para a estrada.


— A estrada assinou recibo?


O mercador aprendeu a não mentir para ele.


Durik não fazia aquilo por prazer.


Fazia porque mentira em logística matava.


Uma ferramenta faltando podia atrasar reparo.


Uma carga mal pesada podia quebrar ponte.


Uma ração desviada podia enfraquecer guarda.


Um registro falso podia abrir caminho para desastre.


Ninsu sabia disso.


Raphael sabia em teoria.


Durik sabia nos ossos.


Aos vinte e cinco anos, foi chamado ao salão administrativo da fortaleza.


Esperava repreensão.


Sempre esperava quando superiores chamavam sem explicar.


Encontrou Brumal, dois oficiais e uma mesa cheia de placas.


O comandante de Dwarapala, uma anã de barba curta trançada e olhos como carvão polido, foi direta.


— Seus relatórios são irritantes.


Durik ficou parado.


— Sim, comandante.


— Longos.


— Sim.


— Cheios de observações que ninguém pediu.


— Sim.


— E quase sempre úteis.


Ele não respondeu.


A comandante empurrou uma placa de bronze fina sobre a mesa.


— O Conselho solicitou melhoria nos registros de interesse comercial e militar. Rotas, cargas, taxas, fornecedores, riscos, povos externos, itens estratégicos. Você vai supervisionar parte disso.


Durik olhou para a placa.


O texto era simples.


Designação oficial.


Logística comercial.


Registros de interesse do Conselho.


Dwarapala.


Ele leu uma vez.


Depois outra.


Depois uma terceira.


Porque entendeu o que aquilo significava.


Não era glória.


Não era comando de batalha.


Não era canção.


Era acesso.


Acesso a rotas.


A mercadores.


A mapas.


A nomes de povos.


A registros que não morriam quando as pessoas morriam.


Naquele momento, não sabia o quanto isso mudaria sua vida.


Não sabia que, poucos anos depois, um comerciante falaria casualmente de homens-fera, escravos e um reino crescente no oeste quente do mundo.


Não sabia que essa frase abriria uma rachadura em tudo que acreditava.


Não sabia que passaria décadas seguindo registros até encontrar o fantasma de uma garota chamada Ninsu.


Naquela noite, Durik subiu sozinho à muralha de Dwarapala.


O vento vinha frio das alturas.


Abaixo, na estrada, uma caravana humana esperava autorização para entrar. Mais longe, fogueiras pequenas marcavam viajantes acampados fora dos portões. Atrás dele, a fortaleza respirava pedra, metal e disciplina.


Vinte e cinco anos.


Mais tempo do que vivera como a criança humana da tribo.


Mais tempo do que vivera como Ninsu.


Pela primeira vez desde a Terra, sua vida parecia não estar terminando antes de começar.


Pela primeira vez, ele tinha tempo.


E, sem saber ainda o que faria com ele, Durik decidiu não desperdiçá-lo.

Notas finais
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