Na manhã em que tudo acabou, Ninsu acordou irritada com Nala.


Não por uma grande razão.


Não por uma ofensa imperdoável.


Por uma coisa pequena.


A irmã havia pegado uma das lâminas de pedra que Ninsu usava para cortar raízes medicinais e devolvido sem limpar direito. Restos de fibra ainda grudavam na borda. Um resíduo escuro manchava o cabo de osso.


Ninsu encontrou a lâmina perto das ervas secas e respirou fundo.


Uma vez.


Duas.


Na terceira, falhou.


— Nala.


A irmã estava do outro lado do abrigo, terminando de prender tiras de couro nos antebraços. Ergueu as orelhas antes de virar o rosto.


— O quê?


Ninsu levantou a lâmina.


— Isso.


Nala olhou para o objeto, depois para ela, como se tentasse entender por que alguém se importaria com uma pedra suja quando o sol ainda mal havia subido.


— Eu devolvi.


— Suja.


— Estava com pressa.


— Você sempre está com pressa.


— E você sempre reclama.


— Porque você sempre faz coisas que merecem reclamação.


Nala abriu um sorriso.


Não era o sorriso de alguém culpada.


Era o sorriso de alguém que sabia exatamente como provocar a irmã.


— Bast deve ter te dado sonhos demais e paciência de menos.


Ninsu estreitou os olhos.


— Bast também deve ter te dado cabeça dura no lugar de juízo.


A irmã riu.


A raiva de Ninsu não resistiu inteira.


Nunca resistia quando Nala ria daquele jeito.


Mesmo assim, ela apontou a lâmina.


— Limpe depois de usar.


— Sim, filha da sacerdotisa.


— Estou falando sério.


— Eu também.


— Nala.


— Eu limpo.


Ninsu sabia que ela esqueceria.


Nala também sabia.


Ainda assim, por alguns segundos, aquilo pareceu importante.


Ridiculamente importante.


Era esse o tipo de coisa que fazia uma vida parecer real: irritações pequenas, hábitos ruins, conversas repetidas, objetos fora do lugar. O mundo não parecia prestes a acabar quando as pessoas discutiam sobre lâminas sujas.


Sahira entrou pouco depois, carregando um feixe de plantas amarradas com tendão fino. O pelo curto do rosto estava um pouco úmido por causa do orvalho, e seus olhos passaram de uma filha para a outra com a precisão de quem já conhecia aquela cena antes mesmo de ouvi-la.


— A lâmina?


Ninsu apontou para Nala.


Nala apontou para si mesma com falsa surpresa.


— Eu?


Sahira suspirou.


— Limpe.


Nala abriu a boca.


Sahira apenas inclinou a cabeça.


A guerreira em treinamento fechou a boca.


— Sim, mãe.


Ninsu tentou não sorrir.


Falhou um pouco.


A manhã seguiu normal.


Esse foi o detalhe que mais tarde ficaria preso na memória dela.


A normalidade.


O cheiro de fumaça baixa.


O som dos homens-touro movendo troncos pesados para reforçar uma cerca improvisada.


Os homens-lobo discutindo rastros encontrados a oeste.


As crianças pequenas correndo atrás umas das outras, caudas erguidas, pés sujos, risadas afiadas.


Um jovem guepardo chamado Varek tentando passar perto demais do abrigo de Sahira pela terceira vez naquela semana, carregando uma presa que ele claramente esperava que alguém notasse.


Ninsu notou.


Infelizmente.


Nala também.


— Ele trouxe aquilo para você — disse a irmã, sentando ao lado dela enquanto limpava a lâmina com atraso e má vontade.


— Ele trouxe para a tribo.


— Ele passou pelo abrigo da nossa mãe três vezes antes de entregar.


— Talvez tenha se perdido.


— Ele nasceu aqui.


— Então talvez seja burro.


Nala soltou uma gargalhada tão alta que Varek olhou na direção delas.


Ninsu desviou os olhos rápido demais.


Erro.


Nala viu.


— Você olhou.


— Eu tenho olhos.


— Você ficou sem graça.


— Eu fiquei irritada.


— Você fica irritada quando está sem graça.


— Eu fico irritada quando minha irmã fala demais.


Nala apoiou o queixo nos joelhos e a observou com prazer cruel.


— Ele é bonito.


Ninsu sentiu as orelhas moverem antes que pudesse impedir.


Traição do corpo.


— Ele é alto — respondeu.


— Rápido também.


— Você sabe porque corre com ele.


— Ele pergunta de você.


Ninsu fingiu reorganizar as ervas.


— Que pena para ele.


— Você podia conversar.


— Eu converso.


— Você explica feridas e febres. Isso não conta.


Ninsu não respondeu.


Não sabia como explicar.


Varek não era desagradável. Pelo contrário. Era gentil, esforçado, forte o bastante para ser admirado e nervoso o bastante perto dela para ser quase fofo. O problema não era ele.


O problema era ela.


Ou Raphael.


Ou Ninsu.


Ou a mistura impossível dos dois.


Havia uma parte dela que entendia o interesse de forma distante, quase analítica. Varek a via como filha da sacerdotisa, como jovem fêmea em idade de formar laços, como alguém valiosa dentro da tribo. Isso fazia sentido culturalmente.


Havia outra parte que se lembrava de ter sido um homem de trinta e oito anos, professor, filho, cuidador, alguém que nunca imaginara estar do outro lado daquele tipo de olhar.


E havia uma terceira parte, a mais desconfortável, que era simplesmente Ninsu.


Quinze anos.


Corpo jovem.


Hormônios vivos.


Curiosidade.


Medo.


Vaidade.


Confusão.


Nala chamava isso de complicação inútil.


Talvez fosse.


— Você está pensando demais outra vez — disse a irmã.


— Alguém precisa pensar por nós duas.


— Eu penso.


— Antes ou depois de subir em árvores podres?


— Aquela árvore parecia firme.


— Ela caiu.


— Mas eu caí bem.


Ninsu olhou para ela.


Nala sorriu.


E, por um instante, o mundo era apenas aquilo.


A irmã.


A manhã.


A lâmina limpa tarde demais.


O pretendente sem coragem.


A mãe separando plantas.


O pai treinando jovens perto da borda do acampamento, sua voz grave corrigindo posturas, sua cauda movendo-se lentamente quando estava concentrado.


Ele as viu olhando e ergueu uma mão.


Nala ergueu a dela de volta com entusiasmo.


Ninsu ergueu a sua com menos energia.


O pai apontou para ela, depois para a lança apoiada perto do abrigo.


Ela fingiu não entender.


Ele estreitou os olhos.


Ela suspirou.


Nala riu de novo.


— Ele sabe que você finge.


— Infelizmente.


— Vai treinar hoje?


— Vou ajudar mamãe.


— Você sempre ajuda mamãe.


— E você sempre volta sangrando.


— Por isso você precisa ajudar mamãe.


Era uma lógica irritante.


Ainda assim, Ninsu sorriu.


Até o meio do dia, a vida permaneceu comum.


Sahira atendeu uma criança com febre leve.


Ninsu ferveu água, ignorando o olhar desconfiado de uma velha que ainda achava estranho aquele hábito.


Preparou um unguento com folhas esmagadas, gordura limpa e uma raiz amarela que manchava os dedos. Não era perfeito. Nada ali era perfeito. Mas havia diminuído infecções. Havia salvado feridas que antes apodreciam.


A tribo já não questionava como antes.


Alguns ainda diziam que Bast soprava no ouvido de Ninsu.


Outros diziam que Sahira havia ensinado mais do que admitia.


Sahira nunca corrigia nenhuma versão.


Apenas observava a filha com aquele olhar calmo e fundo que parecia saber demais.


— Você está distraída — disse a mãe, enquanto Ninsu mexia a mistura.


— Nala sujou minha lâmina.


— Isso foi pela manhã.


— Minha irritação é persistente.


Sahira tocou de leve a lateral do rosto dela.


— Não é só isso.


Ninsu hesitou.


Com a mãe era sempre mais difícil mentir.


— Varek.


Sahira soltou um som baixo, quase um ronronar divertido.


— Ah.


— Não faça esse som.


— Que som?


— Esse som de mãe.


— Eu sou sua mãe.


— Isso não ajuda.


Sahira sentou-se ao lado dela.


— Ele é bom jovem.


— Eu sei.


— Então?


Ninsu olhou para a mistura.


— Não sei o que quero.


Era a resposta mais honesta.


Sahira não riu.


Não apressou.


Não transformou aquilo em cerimônia, destino ou obrigação.


Apenas disse:


— Então não escolha ainda.


Ninsu olhou para ela.


— Posso?


— Escolhas feitas sem saber costumam cobrar caro.


Raphael, em algum lugar dentro dela, pensou que aquela frase valeria em qualquer mundo.


Ninsu encostou a cabeça no ombro da mãe por um instante.


Sahira cheirava a ervas, fumaça e pele quente.


— Obrigada.


— Bast guia sonhos. Não pressa.


— Você sempre fala como se tudo fosse simples.


— Não. Eu falo simples porque a vida já é difícil.


Ninsu guardou essa frase também.


No fim da tarde, os primeiros sinais apareceram.


Pequenos demais.


Tarde demais.


Um grupo de pássaros levantou voo ao norte.


Os homens-lobo ficaram inquietos.


Um dos touros parou no meio de uma tarefa e ergueu a cabeça, narinas dilatadas.


O pai de Ninsu interrompeu o treino.


A tribo inteira pareceu prender a respiração antes mesmo que alguém gritasse.


Então o grito veio.


Não uma palavra.


Um som de alerta.


Ninsu virou o rosto.


No limite do acampamento, uma figura corria.


Um dos batedores.


Sangrando.


Atrás dele, entre árvores baixas e poeira dourada, vieram os leões.


Grandes.


Armados.


Organizados.


Não eram animais.


Não eram monstros.


Eram homens-fera como eles.


Mas havia algo no modo como avançavam que fez o estômago de Ninsu afundar.


Eles não vinham caçar comida.


Vinham tomar pessoas.


O acampamento explodiu em movimento.


Mães agarraram crianças.


Guerreiros correram para armas.


Touros formaram uma linha pesada.


Lobos se espalharam pelos flancos.


Guepardos pegaram arcos, lanças, pedras, qualquer coisa.


O pai de Ninsu rugiu ordens.


Nala já estava correndo.


— Nala! — gritou Ninsu.


A irmã parou por meio segundo.


Olhou para ela.


Havia medo em seus olhos.


Mas também havia fogo.


— Fica com mamãe!


Depois correu.


Ninsu quis ir atrás.


Sahira agarrou seu braço.


— Não.


— Eu posso ajudar.


— Você ajuda os feridos.


— Pai está lá.


— E seu lugar é aqui.


Pela primeira vez em anos, Ninsu quase odiou a palavra lugar.


Mas obedeceu.


Porque os feridos vieram rápido.


Um jovem lobo com o ombro aberto.


Uma mulher guepardo com sangue descendo pelo rosto.


Uma criança pisoteada na confusão.


Ninsu trabalhou.


Mãos firmes.


Respiração controlada.


Água.


Pressão.


Pano.


Fogo.


Não pense no medo.


Não pense em Nala.


Não pense no pai.


Faça o que está na sua frente.


Era isso que Raphael fazia.


Era isso que Ninsu fazia.


Até que a linha de defesa quebrou.


Ela não viu o momento exato.


Ouviu.


O som mudou.


Gritos defensivos viraram gritos de pânico.


A poeira entrou no abrigo.


Um corpo caiu perto da entrada.


Um homem-leão apareceu logo depois.


Alto.


Juba escura.


Dentes à mostra.


Olhos sem pressa.


Sahira empurrou Ninsu para trás e pegou uma lâmina.


O leão riu.


Então o pai de Ninsu surgiu como uma tempestade.


Bateu contra ele com tanta força que ambos rolaram para fora.


Ninsu correu para a entrada.


Viu o pai levantar.


Viu outro leão atacá-lo pela lateral.


Viu Nala tentar alcançá-lo.


Viu um touro cair com três lanças no corpo.


Viu a tribo, sua tribo, sendo rasgada não por caos, mas por método.


Eles sabiam o que estavam fazendo.


Matavam quem resistia demais.


Feriam quem podia ser carregado.


Separavam jovens.


Prendiam fêmeas.


Derrubavam guerreiros.


Escravistas.


A palavra atravessou sua mente.


Não como conceito.


Como sentença.


Sahira puxou Ninsu para longe.


— Corre.


— Não sem você.


— Corre!


Ninsu não correu.


Talvez devesse.


Talvez, se corresse, durasse mais algumas horas.


Talvez dias.


Talvez fosse capturada de qualquer forma.


Nunca saberia.


Um leão entrou pela lateral do abrigo.


Sahira o atingiu no rosto com a lâmina.


Ele rugiu.


Ninsu pegou uma pedra e golpeou o joelho dele.


Por um instante, quase funcionou.


Então outro entrou.


E outro.


A força deles era absurda.


O mundo virou mãos, cordas, garras, poeira, dor.


Ninsu mordeu alguém.


Chutou.


Arranhou.


Sentiu gosto de sangue.


Gritou por Nala.


Gritou pelo pai.


Gritou pela mãe.


Recebeu um golpe na lateral da cabeça e caiu.


Quando voltou a enxergar direito, estava presa.


Mãos amarradas.


Boca sangrando.


Corpo pesado.


O acampamento queimava em partes.


Não todo.


Apenas o suficiente para destruir o que não podiam levar.


Viu o pai perto da linha de defesa quebrada.


Ele estava de joelhos.


Dois leões o seguravam.


Um terceiro estava diante dele.


Ninsu tentou gritar.


O som não saiu direito.


O pai olhou para ela.


Mesmo de longe, ela viu.


Ele tentou sorrir.


Tentou.


Então o leão cortou sua garganta.


O mundo ficou mudo.


Ninsu não ouviu o próprio grito.


Talvez tenha gritado.


Talvez não.


A próxima coisa que soube foi que estava puxando as cordas com tanta força que a pele dos pulsos abriu.


Sahira foi arrastada pouco depois.


A mãe ainda lutava.


Mesmo cercada.


Mesmo presa.


Mesmo ferida.


Continuava sacerdotisa.


Continuava mãe.


Continuava Sahira.


Ninsu viu quando a jogaram no chão.


Viu os rostos dos que a cercaram.


Viu o que havia neles.


Não luxúria apenas.


Poder.


Humilhação.


Domínio.


A intenção deliberada de quebrar alguém antes de transformá-la em coisa.


Ninsu entendeu antes que acontecesse.


E quando aconteceu, não houve necessidade de detalhes.


O rosto de Sahira bastou.


O som que ela tentou prender bastou.


O modo como os outros riram bastou.


Ninsu fechou os olhos.


Um leão segurou seu queixo e forçou seu rosto de volta.


— Olhe.


Ela olhou.


Não porque obedeceu.


Porque gravou.


Cada rosto.


Cada cicatriz.


Cada dente.


Cada olhar.


Gravou todos.


Quando terminaram com Sahira, um deles olhou para Ninsu.


Depois outro.


Depois outro.


E os rostos diziam a mesma coisa.


Ela soube.


Exatamente.


O medo veio.


Brutal.


Animal.


Maior do que qualquer coisa que Raphael já sentira.


Maior que o carro.


Maior que a cobra.


Maior que a febre.


Porque não era medo de morrer.


Era medo de continuar viva.


Por um instante, ela quase quebrou.


Quase.


Então algo dentro dela ficou imóvel.


Frio.


Limpo.


Sem esperança.


Sem ilusão.


A realidade era simples.


Não havia resgate.


Não havia vitória.


Não havia negociação.


Ela não sairia dali inteira.


Talvez nem sairia viva.


Certo.


Isso aconteceu.


O pensamento veio tão claro que assustou até ela.


O que eu faço agora?


Olhou ao redor.


Cordas.


Poeira.


Corpos.


Fogo.


Um leão se aproximando.


Uma lâmina de pedra caída perto demais do pé de um morto.


Pequena.


Quase inútil.


Mas afiada.


Ninsu parou de puxar as mãos.


Parou de gritar.


Parou de resistir.


Deixou o corpo tremer.


Deixou os olhos arregalarem.


Deixou que vissem medo.


O leão sorriu.


Aproximou-se.


Abaixou-se para agarrá-la.


Ninsu caiu de lado como se estivesse desmaiando.


O movimento aproximou seus dedos da lâmina.


Sentiu a pedra tocar a pele.


Pegou.


Escondeu.


Esperou mais um segundo.


Só um.


Quando ele colocou a mão nela, Ninsu se moveu.


Não como curandeira.


Não como filha da sacerdotisa.


Não como criança assustada.


Como alguém que já sabia que morreria.


A lâmina entrou no pescoço dele.


Não profundamente o bastante na primeira vez.


Então ela puxou e enfiou de novo.


E de novo.


O leão tentou rugir.


Saiu sangue.


Quente.


Violento.


Ele caiu sobre ela.


Ninsu se arrastou por baixo do peso, mãos ainda parcialmente presas, corpo coberto por sangue que não era dela.


Outro leão avançou.


Ela não pensou.


Cortou o rosto dele.


Ele recuou com um grito.


Ela tentou levantar.


As pernas falharam.


Mesmo assim avançou.


Se vou morrer, vou levar alguém comigo.


A frase não veio como coragem.


Veio como matemática.


Um por mim.


Outro pelo meu pai.


Outro pela minha mãe.


Outro por Nala, onde quer que esteja.


Tentou atingir o segundo novamente.


Conseguiu cortar sua coxa.


Uma lança a atingiu nas costas.


A dor explodiu.


Ela caiu de joelhos.


Ainda segurava a lâmina.


Alguém chutou seu rosto.


O mundo girou.


Outra pancada.


Outra.


Ouviu vozes.


Raiva.


Surpresa.


Insultos.


Alguém dizia para não matá-la.


Outro dizia que era tarde.


Ninsu tentou rastejar até Sahira.


Não conseguiu.


Tentou ver Nala.


Não encontrou.


Tentou levantar a lâmina de novo.


Uma pata pesada esmagou sua mão.


Os ossos quebraram.


A lâmina caiu.


A dor foi tão grande que tudo ficou branco.


Então uma sombra se inclinou sobre ela.


O leão que sangrava pelo rosto.


Ele segurava a própria ferida com uma mão.


Com a outra, ergueu uma arma.


Ninsu olhou para ele.


Não desviou.


Não fechou os olhos.


Não daria isso a ele.


Raphael havia morrido por acidente.


A criança da tribo humana havia morrido por veneno.


Ninsu morreria por crueldade.


E, naquele instante, ela entendeu.


Não era bênção.


Não era segunda chance.


Não era milagre.


Se aquilo continuasse...


Se ela morresse e voltasse de novo...


Então não era vida após a morte.


Era prisão.


Era castigo.


Era maldição.


A arma desceu.


A última coisa que Ninsu sentiu não foi dor.


Foi ódio.


Não um ódio cego.


Um ódio lúcido.


Frio.


Memorioso.


A última coisa que pensou foi simples.


Eu vou lembrar.


Então a terceira vida terminou.

Notas finais
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