A carruagem real de Skyrim finalmente chega ao norte gélido de Winterhold, apenas Selundar e Sarkhan estavam na carruagem, Sarkhan estava um pouco ansioso para reencontrar seus velhos amigos, afinal, já faziam mais de três meses que não os via, e a ultima vez que ficou tanto tempo sem vê-los foi quando se absteve de seu cargo de Arquimago para ajudar na guerra civil a anos atraz.

– Esta é a famosa Winterhold que eu tanto ouvi falar? –pergunta Selundar vendo as ruinas da velha cidade – o tempo foi cruel com este lugar.

– Tenha mais respeito Selundar – responde Sarkhan com uma voz séria – Winterhold já foi gloriosa e magnifica, poucas cidades enfrentaram tamanha catástrofe e ainda estão de pé, mesmo que só aos pedaços, hoje em dia.

– Perdão – responde Selundar imediatamente.

– Fiz o que eu pude para reerguer esta cidade, reconstruí casas, comércios, mas sem o poder de rei era muito complicado, eu não tinha influencia nem status o suficientes para fazer obras do nível ao qual esta cidade estava precisando – diz Sarkhan com um sorriso orgulhoso em seu rosto – mas ainda assim eu fiz tudo o que eu podia e me orgulho disso.

Os jovens estudantes de Winterhold, agora liderados por J’zargo, avistam o Dragonborn e o Nerevarine andando lado a lado em direção a ponte do colégio.

– J’zargo avista o Grande Rei de Skyrim daqui! Preparem uma recepção calorosa, nosso Arquimago retornou!

E imediatamente todos os acadêmicos e estudiosos do colégio se apresentaram no pátio, para surpreender Sarkhan com calorosas boas vindas.

– Bem vindo de volta Mestre Sarkhan! Arquimago de Winterhold e Grande Rei de Skyrim! – disse o coro de acadêmicos que se encontrava no pátio.

– Você é bem popular, mais do que eu imaginava – sussurra Nerevarine para seu amigo Dragonborn.

– Esse é o lado bom de viver em Skyrim, ou as pessoas te amam, ou te odeiam, não tem meio termo – responde Sarkhan com um sorriso sarcástico.

Obviamente J’zargo ordenou um banquete para homenagear Sarkhan, então os trabalhadores da taverna Coração Congelado não pouparam esforços, gastos e comida para atingir as expectativas do Arquimago Regente J’zargo.

– Então, J’zargo sente inveja do senhor, mestre Sarkhan – J’zargo já estava notavelmente bêbado de tanto hidromel – Primeiro você se torna Arquimago antes de J’zargo, e depois quando J’zargo finalmente consegue ficar como “regente” aqui em sua ausência, você volta como Rei de Skyrim – diz J’zargo com um bafo horrível – me diga amigo, qual é o segredo?

– Ele é um dragonborn! Esse é o segredo – diz Lokh – você também teria regalias se fosse o herói da profecia ao invés de um “homem-gato”

–Hey dunmer .. HICK .... J’zargo é tão poderoso quanto .... – J’zargo nem consegue concluir a frase e já cai duro no chão.

– Meu deus que bafo de onça – diz Faralda enquanto come um enorme pernil.

– Hey Arquimago! –diz Urag berrando – trouxe algum livro interessante de suas viagens ?!

– Sinto muito meu amigo –responde o Dragonborn – eu não tive tempo para procurar nada para você, mas eu trouxe algo para o Colegio que eu acho que você vai se interessar bastante, vale mais do que qualquer livro!

– Estou ansioso para ver – conclui Urag.

A festa durou do fim da tarde até duas horas da manha, todos estavam exaustos, muitos dormindo ali mesmo no pátio sob a luz do luar, mas Sarkhan não aparentava estar com sono, muito pelo contrario.

– Nossa, você está com a sua cara séria de novo – diz o Nerevarine.

– Eu ainda não tenho motivos para sorrir meu amigo – Diz o Dragonborn se levantando e indo em direção a um alçapão que se encontrava em um dos cantos dos corredores internos ao redor do pátio.

– E o que foi tudo isso? – pergunta Selundar seguindo-o – encenação ?!

– Eles não precisam saber o que eu vim fazer aqui, prefiro que achem que é apenas uma visita cordial – diz Sarkhan abrindo o alçapão

Sarkhan e Selundar entraram em uma parte do colégio conhecida como O Nucleo (The Midden), mas eles não haviam percebido que um terceiro, um intruso, havia seguido eles.

Após passarem pelos labirintos do Núcleo, Sarkhan abriu mais uma porta, descendo ainda mais dentro da montanha que suspendia o Colegio, a parte mais macabra do colégio conhecida como O Núcleo Negro (Midden Dark).

– Que lugar é esse? – pergunta Selundar.

– Aqui meu amigo, é aonde eu guardo um dos maiores segredos de Skyrim, não, de toda Tamriel –diz Sarkhan chegando até uma porta de madeira dentro do Nucleo Negro.

– E esta porta? Mais uma camada de labirintos? – pergunta Selundar

– Não, aqui é o meu cofre – diz Sarkhan abrindo a porta.

Ao Abrir a porta, Selundar se depara com uma pequena sala oval, com uma pequena fonte no meio, mas nada de excepcional a primeira vista

– O que estamos fazendo aqui? – pergunta Selundar mais uma vez, curioso.

– Apareça, Augur de Dunlain, revele-se – diz Sarkhan olhando para a pequena fonte no meio da sala.

O que era apenas uma fonte, começa a irradiar uma luz azul, e logo em seguida

torna-se um pedestal para um globo azul brilhante que flutua acima dos dois.

– Ah... Arquimago Sarkhan... anos se passaram – diz uma voz misteriosa.

– Sim, anos de fato – responde o Arquimago cordialmente.

– O que busca desta vez? Algo que você mesmo deixou aqui talvez? – pergunta a voz.

– Sim, exatamente – responde Sarkhan

– Eu nunca entendi o por que, mas não cabe a mim julgar a vontade do Arquimago, já faz muito tempo que você superou minhas expectativas – diz a voz.

– O que é esse ser? – sussurra o Nerevarine para o Dragonborn

– Quero que me entregue o corpo Augur – Diz Sarkhan ignorando a curiosidade do Nerevarine.

– Ah sim, o corpo, já descobriu o que fazer então? – pergunta a voz

– Sim, e precisarei de você mais uma vez meu amigo – diz Sarkhan.

– Eu sei, não há esperança de sucesso para concluir o seu objetivo aqui, se não for depender da energia que eu possuo – diz Augur – aqui está

E da fonte emerge um esqueleto, a primeira impressão parece apenas um esqueleto comum, nada diferente dos esqueletos que o próprio Nerevarine já batalhou a centenas de anos atrás.

Sarkhan então encara o esqueleto que flutuava na energia azul com desdém, era notável os sentimentos ruins nos olhos do Rei ao se deparar com o cadáver.

– Augur, você sabe o que irei fazer não sabe? – pergunta Sakrhan

– Sim, eu que lhe direcionei quando trouxe este ser aqui para baixo a 4 anos atrás, e eu estava ciente das consequências – responde Augur.

–Ótimo, me de um minuto para me preparar – diz Sarkhan ajoelhando e respirando fundo, como os Greybeards costumavam fazer em High Hrothgar.

Um minuto de silencio torturante se passou, apenas acompanhado pelo som da energia que emanava de Augur, algo que deixara Nerevarine incomodado tanto pela ansiedade quanto pela curiosidade.

– Estou pronto – diz Sarkhan abrindo seus olhos e levantando seu rosto encarando o esqueleto flutuante.

– Foi uma honra servi-lo Arquimago – diz Augur.

– E foi uma honra conhece-lo Augur — responde Sarkhan, se levantando e tomando folego e em seguida realiza seu Thu’um – SLEIN TIID VO!

Um vórtice de vento se forma ao redor do esqueleto, aos olhos do Dragonborn e do Nerevarine, o esqueleto começa a absorver Augur de Dunlain aos poucos, e após alguns instantes a luz que emanava da fonte simplesmente se dissolve, restando apenas o Esqueleto que agora se encontra caído no chão.

– Funcionou? – pergunta Nerevarine bem baixinho ao Dragonborn.

– Não sei, espero que sim – diz Sarkhan encarando o esqueleto.

Instantes se passam e o esqueleto se começa a se mexer, inicialmente se levanta bem lentamente, como se não estivesse acostumado a ter um corpo para se mexer, e depois olha em volta e para os dois que se encontram na sala.

– Estou em .. Tamriel..? – pergunta o esqueleto com uma voz dupla.

– Sim, você está – responde Sarkhan.

– Esta voz.... você... o ultimo Dragonborn .. – diz o esqueleto reconhecendo Sarkhan, e andando em sua direção.

O Nerevarine se prepara para puxar sua lamina, mas é impedido por Sarkhan, encarando o esqueleto ambulante, que passa pelos dois e abre a porta.

– Quem é esse.. –diz O Nerevarine antes de ser interrompido

– Shhh – diz o esqueleto – Você foi seguido Dragonborn, os anos de paz diminuíram significativamente sua perspicácia.

– Do que está falando ? – Pergunta Sarkhan confuso.

– humm – murmura o esqueleto olhando em volta – ele fugiu, não se preocupem, ele vai voltar, mas antes, poderia me devolver a minha túnica Dragonborn?

– Claro – diz Sarkan puxando uma pedra falsa da parede da sala, revelando o robe verde escuro com detalhes dourados, as luvas com escamas de dragão, e a mascara de um Sacerdote Dracônico que possuía tentáculos em seu design.

– Obrigado – diz o Esqueleto colocando a túnica.

– Quem é esse homem, ser, coisa ? – pergunta Nerevarine impaciente.

– Cuidado com a língua insolente – responde o esqueleto amarrando a faixa de sua cintura – agora que estou em Tamriel não tenho meus poderes limitados, poderia facilmente te matar.

– Me matar? Sabe com quem você está falando? Eu sou O NEREVARINE! tenho mais de 300 anos de vida! Eu vivi na 3ª era e tenho poderes muito além do seu alcance – diz Selundar com um sorriso arrogante no rosto, mas ao olhar para Sarkhan se desespera ao ver sua expressão de pavor.

– Muito prazer Nerevarine, meu nome é Miraak, e eu nasci na Era Merética de Tamriel, a cerca de dez mil anos atrás, mas seu amigo ai me conhece como o Primeiro Dragonborn – conclui o esqueleto colocando sua mascara de Sacerdote.

O silencio toma conta do ambiente com a revelação da identidade do esqueleto, Nerevarine come a suar frio, afinal, se Sarkhan havia descoberto que era Dragonborn apenas a 7 anos atrás, e já era poderoso, era muito além da imaginação de Selundar o poder de um dragonborn que viveu por milênios.

– Você usou um thu’um incomum para me trazer de volta Dragonborn – diz Miraak olhando para Sarkhan – e sua performance com esse thu’um foi horrível.

– Eu vi Alduin usando este thu’um poucas vezes para trazer dragões de volta a vida, como você é um Dragonborn eu imaginei que conseguiria – responde Sarkhan – mas eu não possuo o mesmo poder que Alduin possuía, nem mesmo a maestria com o thu’um, então precisei da ajuda da energia do Augur de Dunlain para concretizar a sua ressurreição, afinal, ele já foi o melhor mago de restauração de Skyrim anos atrás.

– Inteligente, mas ainda assim mal executado – Retruca Miraak – eu sinto as minhas células regenerando em um grau muito abaixo do que deveria, está lento, se não fosse pela energia divina do Augur eu não teria me reanimado na forma de Esqueleto.

– Eu imaginei que isso ia acontecer, por isso eu o mantive aqui – diz Sarkhan.

– Sacrificou uma entidade com poderes divinos para trazer de volta a vida um antigo inimigo... ou você esta louco, ou desesperado – diz Miraak – pelo jeito deve estar muito.. mas muito desesperado.. para pensar em buscar a minha ajuda.

– Você me mostrou Thu’ums poderosos que os Greybeard nunca mencionaram, você me revelou relatos da nossa “raça” que os Greybeard ocultaram de mim, apenas você pode me ajudar a me tornar mais forte – diz Sarkhan.

– E por que eu faria isso? – diz Miraak – eu poderia mata-lo bem aqui absorver a sua alma, tomar o seu lugar e governar Tamriel, tudo isso com um simples Thu’um.

– Acha que eu não pensei nisso? Por que acha que nenhum dos dragões revividos por Alduin se viraram contra ele após serem revividos? Este Thu’um me da o controle de você, não diretamente, mas eu se tentar me atacar eu posso mata-lo facilmente – diz Sarkhan.

–Ahn.. então isto é uma chantagem? Me trouxe a vida para me chantagear e te ensinar como se fossemos amigos? – diz Miraak

– Não... é um Acordo... – diz Sarkhan – Me ensine.. e me ajude.... e eu liberarei você, e você estará livre... para fazer o que bem entender

Selundar não estava entendendo nada ali, mas ele sentia frios na coluna toda vez que olhava para Miraak, e ao perceber que Sarkhan estava suando frio durante a conversa não ajudou a manter a calma.

– Muito bem, temos um acordo Dragonborn – diz Miraak – com uma condição

– Diga

– Eu quero um dragão – Conclui Miraak.

– Terá um dragão, não se preocupe, eu tenho um perfeito para você – diz Sarkhan.

– Ótimo – diz Miraak andando em direção a saída do Nucleo Negro, como se já conhecesse aquele lugar – Vamos...

– Aonde vamos? – pergunta Selundar ao ver Sarkhan seguir Miraak para fora do Nucleo Negro.

– Quero sentir o ar de Skyrim, afinal já faz milênios – diz Miraak dando uma pausa .. e em seguida concluindo – E eu quero visitar High Hrothgar, e dar um oi para os Greybeards da 4ª Era, eles tem algo que me pertence.