A Winter's Tale
13 Thu'um
Miraak foi finalmente revivido por Sarkhan, através do Thu’um que Alduin usava para reerguer seus aliados draconicos de seus túmulos, entretanto, reviver um Dragonborn, um mortal, é muito mais difícil pois o Thu’um foi criado para reviver apenas Dragões.
Sarkhan passou grande parte do seu tempo de paz pesquisando a respeito dos Thu’um de Skyrim e de Solstheim, e também lembrara dos Thu’ums utilizados por Alduin e Miraak, mas que nunca teve maestria.
Nesse tempo, Sarkhan visitou Augur de Dunlain, uma energia divina que residia embaixo de Winterhold, e o próprio Augur explicou para Sarkhan que apenas uma energia divina poderia trazer um mortal de volta a vida, mesmo que ele fosse um Dragonborn com as peças, sem a energia divina não conseguiria montar o quebra-cabeças.
Sarkhan então chegou a conclusão que para trazer alguém a vida, o Augur precisava ser sacrificado, e então o fez, para trazer seu maior rival, Miraak, o primeiro Dragonborn, que agora anda entre os mortais de Tamriel, ligado por um selo com Sarkhan, pois uma vez que o Dragonborn utilizou o thu’um, subjugou Miraak a seu “comando” e Miraak não teria como ataca-lo, embora mantivesse sua liberdade.
Após ser Revivido, Miraak disse que precisava ir para High Hrothgar, pois havia algo que os Greybeards possuíam e que era de sua propriedade, mas Sarkhan disse que era melhor ele descansar primeiro, não estava disposto para subir até High Hroghgar, nem enfrentar a viagem, pois havia gastado muita energia para reviver seu rival.
Seis horas se passaram desde então, e Sarkhan estava dormindo em seu cômodo no Colégio de Winterhold, Nerevarine estava de guarda próximo às escadas para que ninguém entrasse, ou saísse, daquele andar.
– Está desconfiado Dunmer? – pergunta Miraak andando em torno do pequeno jardim no centro dos cômodos do Arquimago.
– Por que eu estaria? – diz o Nerevarine sentado próximo a escada com braços cruzados.
– Está me encarando desde que eu acordei lá embaixo, algo lhe incomoda? – responde Miraak se agachando para pegar uns componentes para alquimia.
– Isso não é seu, não toque! – diz o Nerevarine evitando a pergunta
– o Dovahkiin não vai se importar, eu garanto – conclui Miraak colocando os componentes no bolso.
A tensão na sala entre o Nerevarine e o Outro Dragonborn era notável, provavelmente se Sarkhan não estivesse tão exausto não conseguiria dormir.
Mais duas horas se passaram e Sarkhan ainda estava dormindo.
– Esses livros são muito impressionantes – diz Miraak folheando alguns tomos das prateleiras
– Você é do tipo que fala então? – pergunta Nerevarine.
– Não, sou do tipo que aprende – diz Miraak guardando um livro em uma prateleira- e esses livros podem me atualizar a respeito da situação de Tamriel, sendo que apenas tive relances de Tamriel quando eu estava atrapalhando o Dovahkiin a absorver almas de dragões, antes disso só pude visitar Tamriel na primeira era mesmo.
– Primeira Era? Pensei que você fosse da Era Mítica de Tamriel – diz Nerevarine encarando Miraak.
– Sim eu sou, mas .. – As palavras de Miraak se silenciam de repente e ele sussurra – Esse livro... como.. quando? – diz Miraak olhando para Sarkhan logo em seguida.
O Nerevarine não consegue ver o que Miraak estava fazendo, pois a estande de livros estava virada para o outro lado e ocultando Miraak, mas percebeu Miraak ajeitando sua túnica ao sair de traz da prateleira e ficou desconfiado.
Passaram-se mais cinco horas, e nessas cinco horas Miraak ficou calado sentado ao lado de uma mesa lendo livros. Até que então Sarkhan acordou.
– Vocês ficaram aqui esse tempo todo? – pergunta Sarkhan se levantando da cama
– Eu quis aprender mais sobre a sua era e suas histórias – diz Miraak – e ele – aponta para Nerevarine – não quis me deixar a sós com você, lacaio leal.
– Eu não sou um lacaio – diz Nerevarine se levantando.
– Calma Selundar – diz Sarkhan se arrumando – não se incomode com Miraak.
– Miraak fecha o livro e o deixa encima da mesa – Agora que teve o seu descanso, podemos ir buscar o que é meu?
– Vamos – diz Sarkhan.
O Trio desce pelo Hall dos Elementos, e todos os estudantes e professores se perguntam quem é o estranho de túnica verde com mascara dourada.
– Hey Arquimago ! – diz Keleth se aproximando com Lokh – Podemos ir com você dessa vez?
Miraak ao ver a dupla fica encarando ambos, e tanto Sarkhan quanto o Nerevarine ficaram de olho, mas a conversa ocorreu normalmente entre o Arquimago e os aprendizes, Miraak não abriu a boca, e ignorou qualquer pergunta dirigida a ele, como se ele não estivesse ali, mas sempre ficou de olho.
Miraak então murmurou alguma coisa, e todos tiveram uma sensação estranha, mas nada aconteceu, pelo menos nada que perceberam, Mas Keleth ficou meio tonto, como se tivesse sofrido alguma intervenção mental.
Rumo a High Hrothgar Sarkhan se sentiu incomodado com Miraak o observando o tempo todo.
– Me diga Dovahkiin, como perdeu seu olho esquerdo? – perguntou Miraak.
– Quando enfrentei Alduin pela primeira vez, antes de segui-lo até Sovngarde, ele me acertou e.. bom.. me deixou uma lembrança – conclui apontando para a cicatriz.
– O devorador de Mundos foi derrotado, e o único estrago que ele causou foi o seu olho esquerdo... – diz Miraak se encostando ao fundo da carruagem – parece que foi fácil.
– Não foi nada fácil, precisei da ajuda de Paarthurnax para derrota-lo – diz Sarkhan
– Paar-thur-nax? Ele está vivo? Você permitiu que o general de Alduin permanecesse vivo? Talvez eu esteja te superestimando afinal.
– Ele me ajudou, me ensinou, ele ganhou minha confiança – diz Sarkhan
– Então eu também vou ganhar sua confiança depois que te ensinar? – pergunta Miraak.
– Não! Você tentou me matar.
– Miraak solta uma rizada – Você é patético Dovahkiin, Paarthurnax matou muitos de nós, da nossa raça, ele comandou os exércitos dos dragões contra os mortais, e você o acolhe como um amigo? Pelo menos eu só queria a minha liberdade.
– Se liberdade era o que queria.. fez o acordo com a entidade errada – diz Sarkhan.
– Então somos dois – conclui Miraak.
O resto da viagem foi um silencio mortal, Miraak continuava observando Sarkhan, e Sarkhan estava se sentindo incomodado com a situação, que a verdade seja dita, o caminho que Sarkhan seguiu é muito próximo ao caminho que Miraak seguiu na sua época.
Chegando aos degraus finais de High Hrothgar Miraak quebrou o Silencio.
– Esses mortais que se atrevem a usar o Thu’um sem ter uma alma de dragão, me enojam – diz Miraak.
– Eles me ensinaram, me guiaram no caminho da voz para que eu pudesse me tornar um Dovahkiin como Talos.
– Talos? A sim, o deus Usurpador, quanta coragem dos oito divinos de botar um mortal como o nono – conclui Miraak soltando uma rizada condescendente.
– Escuta aqui! – diz Sarkhan segurando Miraak pela gola de sua túnica – Você esta vivo por minha causa! Eu te trouxe de volta! E EU QUEM MANDO AQUI! Agora cale a sua boca, por que você só esta aqui... –é interrompido por Miraak-
– Só estou aqui para te ensinar os limites dos poderes de um Dragonborn, e te ajudar a ganhar a sua guerra contra a Aldmeri Dominion – diz Miraak tirando as mãos de Sarkhan de seu Robe- E lembre-se que é você quem precisa de ajuda e não eu, se você quer a minha ajuda, terá que ser do meu jeito – diz Miraak se distanciando, indo para a entrada do castelo de High Hrothgar, mas antes de abrir as portas para entrar Miraak vira e fala – Você não é o primeiro Dragonborn que vem me implorando ajuda.
Um som de trovão ecoa por toda Skyrim no momento em que Miraak toca nas portas de entrada de High Hrothgar, cada pedra do templo treme, todos os utensílios que estavam em prateleiras e encima de mesas tremulam e caem ao chão.
Em Whiterun, o próprio Jarl Balgruf relembra de quando os Greybeard chamaram Sarkhan pela primeira vez, mas há algo errado, a voz que ecoa pelos céus em forma de trovão é muito mais violenta, e raios percorrem pelo céu durante alguns minutos, se extinguindo logo em seguida.
– Pelos nove, quem ... quem... quem é você ?! – pergunta Arngeir amedrontado com a presença de Miraak.
– Hummm – murmura Miraak andando pelo hall central do templo olhando em volta, enquanto os demais Greybeards chegam correndo para ver o que estava acontecendo.
Logo em seguida entra Sarkhan e Selundar pela mesma porta e Miraak entrou, mas não aparentavam surpresos pela presenta de Miraak, então Arngeir concluiu que estavam juntos.
– Grande Rei Sarkhan – diz Arngeir assustado – quem é este homem?
– Este é.. bem...
– Eu sou Miraak – diz Miraak interrompendo Sarkhan e encarando Arngeir.
– Essa presença, esse poder, ele é... não é possível – diz Arngeir – um Dragonborn.
Os Greybeard se assustaram com a revelação, mas mantiveram proximidade de Miraak para subjuga-lo caso ele tentasse atacar, pois nunca sentiram um poder tão grande vindo de um mortal.
– Vocês são discípulos do Windcaller, então a palhaçada dele do caminho da voz realmente virou moda – diz Miraak encarando Arngeir – que belo Hipócrita começar uma religião aonde o Thu’um deve ser usado para a paz, ao mesmo tempo em que ele o usou para a guerra.
– Você não sabe do que esta falando – diz Arngeir.
– Muito pelo contrario, eu sei exatamente do que estou falando – diz Miraak se aproximando de Arngeir – fui eu quem ensinou o Thu’um para ele.
– Você?! Não é possível – diz Arngeir espantado.
– Agora, chega de papo furado, em troca do Thu’um eu pedi para Jurgen guardar uma coisa para mim, aonde está? – diz Miraak olhando ao redor como se estivesse procurando algo.
– Do que está falando? Não tem nada aqui que lhe pertence – responde o Greybeard.
– É mesmo? – diz Miraak andando pelos corredores do templo – os Greybeard dessa era não são bem o que eu imaginava, vocês poderiam ter ajudado o Dovahkiin com a guerra, se tivessem o feito, eu provavelmente não estaria aqui.
– Nós não usamos o Thu’um para a guerra, e não tomamos lado! – diz Arngeir seguindo Miraak pelo templo, junto com Sarkhan, Nerevarine, e os demais Greybeard.
– Como Jurgen Windcaller? Ah, do que estou falando, obvio que ele usou o Thu’um em guerra, na realidade, foi por isso que ele pediu para aprender o Thu’um, para usa-lo como arma, e vocês ficam aqui... se gabando da santidade de sua religião hipócrita – diz Miraak parando na frente da entrada da sala de reuniões dos Greybeard.
– Isso é um ultraje! Você acha que pode vir aqui e debochar de nossa doutrina, de nossos ensinamentos? Quem você pensa que é?! – diz Arngeir alterando seu tom de voz.
– Eu sou o responsável por você estar aqui hoje, sabendo o que sabe, com o poder que tem, é por minha causa que essa organização estupida existe, então, eu acho que eu tenho todo o direito de criticar, já que foi o meu investimento quem criou vocês – diz Miraak entrando lentamente na sala de reuniões, e rodeando a mesa de pedra, a encarando.
– Estou no limite da minha paciência com você! – diz Arngeir – Dragonborn ou não, você não é bem vindo aqui, se retire ou iremos te tirar a força!
– Não estou interessado em ficar aqui monge, apenas estou interessado no que se esconde por baixo dessa mesa de pedra – diz Miraak passando a mão na superfície da mesa – bem pensado Jurgen, bem pensado, ninguém procuraria aqui.
– Do que você está falando?! – diz Arngeir – EU MANDEI SAIR!
– Mestre Arngeir – diz Sarkhan imediatamente – seria de grande importância que deixasse Miraak recuperar o que é dele, ele não voltará aqui de novo.. nem o incomodará novamente, tem a minha palavra.
– Feim Zii Gron (become ethereal ) – Conjura Miraak tornando-se apenas um fantasma, e atravessando a mesa de pedra como se ela não estivesse lá, até chegar ao centro — A quanto tempo.. – diz Miraak ajoelhando-se e esticando a mão para dentro do pilar central que sustentava a mesa e removendo algo de lá segundos depois.
Seja la o que Miraak pegou era pequeno, o suficiente para ser escondido dentro de uma mão fechada, Sarkhan, Nerevarine, e até mesmo os Greybeards estavam curiosos para saber o que ele havia pegado, mas Miraak não contou.
– Antes de irmos – diz Miraak saindo de dentro da mesa e voltando a sua forma material – eu gostaria de ver Paarthurnax, acredito que ele está no topo desta montanha.
– Como você ... – pergunta Arngeir.
– Por que foi aqui o ultimo lugar que eu o vi, antes de ir para Solstheim, quero ver mais uma vez a criatura que queimou e devorou minha família... quero ver mais uma vez a criatura que me fez jurar vingança contra os dragões mesmo sabendo que eu os servia como um sacerdote..... quero mais uma vez... a criatura que me fez despertar os meus poderes de Dragonborn – Conclui Miraak.
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