A Volta de Gwen Stacy

4 Ninguém Deveria Passar Por Isso


Notas iniciais
Após perder o controle, um Vingador oferece a Peter uma proposta irrecusável.

Meus punhos vêm e vão em direção ao rosto desse psicopata, as tropas estão a caminho, de fora da cabine escuto o Capitão e o segurança conversando:

– Não vai fazer nada?

– Claro que não, mande seus homens pra cá, e afinal, Osborn merece, já tempo que o Aranha está esperando por isso, não tirarei isso dele. Se quiser impedi-lo de fazer um estrago maior, vá em frente. Eu estou bem.

Meus cumprimentos Steve, por um momento meus sentidos se separam, de um lado está a parte do meu cérebro que controla a minha consciência, que está gritando e implorando para que eu pare de bater em Osborn, e do outro, meus punhos, que simplesmente não conseguem parar, e é tão bom, não consigo mais segurar.

– Isso é por toda a dor que você causou na vida dessas pessoas, toda a angústia que plantou em seus corações, seu sangue está em minhas mãos, assim como o sangue de Gwen Stacy, a diferença é que quem colocou sangue dela em mim, foi você seu cretino, seu ---AAAAAHHHH.

Sou cegado por um choque violento, meu corpo se estremece, consigo ver Osborn se engasgando com os próprios dentes, após ver isso, a raiva passou, mas continua uma dor ainda maior, é como se isso me fizesse ter uma recaída violente e tudo pelo que passei nos últimos cincos meses me atropelasse de repente, tudo de uma vez, eu desmaio, estou sonhando com Gwen, estamos no parque da escola Midtown, foi onde nos conhecemos, trombamos um no outro e ambos derrubamos nossos livros, acabamos por trocar nossos livros de química sem querer, e depois da aula marcamos de nos encontrar pra devolvermos, mas eu sabia que seria algo maior, e do nada, me vejo conversando com ela.

– Sabe que sinto sua falta.

– Claro que sei, mas por que bateu em Osborn?

– Ora, por que ele matou você.

– Ah Peter, como você é cínico, quem me matou não foi o Osborn... Foi Você!

– O quê? Não, eu tentei salvar você, fiz de tudo, mas não fui rápido o suficiente.

– Exato Peter, não foi, e por isso eu estou morta e a culpa é TODA SUA.

– Não... Não... NÃÃÃOOO!

Antes de acordar, eu desejo morrer, e acabar de vez com isso.

– Acorde – Eu escuto alguém gritando comigo, a voz me é familiar. – Parker acorde, agora. – Eu sabia que conhecia a voz, é o Nick. – PARKER!

– Já sei Nick, já sei, estou acordado.

– Ótimo por que eu deveria te dar uma surra seu moleque irresponsável.

– Acalme-se Nick, não vamos nos precipitar.

– Precipitar? PRECIPITAR? Quem está precipitando aqui Steve? Ele vai até a prisão e enche a cara do Osborn de pancada. Diga-me uma coisa Parker, o que você fez nos últimos meses? Remoeu-se em tristeza e choros? Culpou a si mesmo? Gritou com Deus e o mundo? Eu achei que finalmente tivesse superado e que tivesse dado um jeito na sua vida.

– Mas o Norman ---

– Eu sei o que ele fez Peter, a culpa não é sua, pare de se diminuir desse jeito. Ninguém no mundo deveria passar pelo o quê você passou, ver o que viu. Eu sei do que estou falando Peter, já passei por isso, já perdi pessoas. A sensação é horrível, sabe que nada no mundo pode trazê-la de volta, nada pode fazer você sentir melhor, e nada no universo pode suprir a dor.

...

– Você foi infantil e eu estou decepcionado com você Parker.

– Quer que eu me desculpe com o Norman? Quer que eu me desculpe com você? Pode esperar sentando, Fury. – Exagerei, e muito, Steve põe a mão em meu ombro.

– Peter, durma um pouco, está em uma nave de patrulha da S.H.I.E.L.D. Descanse.

– Obrigado Steve.

O Capitão sai da sala, cabisbaixo, olho para Nick, ele não parece estar com raiva ou chateado, parece mais compreensivo, como se ele soubesse pelo o que eu estou passando, e é claro que sabe, ele se senta na beirada da cama.

– Você é só um menino Parker – Ele parece chorar por dentro. – Você já perdeu tantas pessoas, sofreu tanto.

Sinto-me mal por ter gritado com ele, me sinto mal mesmo.

– Tudo bem Chefe, não há o que fazer.

– Quando perdi meu pai, achei que a culpa foi minha, e por semanas chorei como uma criança achando que deveria passar mais cinco minutos com ele, para me desculpar por todas as coisas horríveis que eu disse à ele, todas as vezes da qual não lhe dei a devida atenção.

– Isso te prejudica até hoje?

– Não... Eu o trouxe de volta.

...

Mais alguém ouviu isso? Estou com muita cera no ouvido?

– O que disse?

– Peter, você conhece Stephen Strange, certo? Muitos o conhecem por---

– Doutor Estranho.

– Exato, foi há alguns anos, eu falei com Stephen, para trazer meu pai de volta a esse plano material, por um curto período de tempo.

– Quanto tempo?

– Uma semana, dez dias, não me lembro muito bem, mas era muito real Peter. Meu pai estava ali, na minha frente em carne e osso. Stephen conseguiu materializar o espírito de meu pai, e então, eu pude conversar com ele, e finalmente encontrar a paz.

Estou perplexo, não consigo piscar, o sono e o cansaço se foram.

– O que me diz Peter. Quer ter sua namorada de volta? Pra poder esclarecer as coisas com ela, e depois, seguir em frente?

...

Minha vontade é de chorar, será que é mesmo possível? Mas mesmo assim, não penso duas vezes.

– Sim.