Notas iniciais
Doutor Estranho ajuda Peter a rever Gwen, sua falecida namorada.

Sentado em uma maca na enfermaria Central da nave de patrulha de S.H.I.E.L.D. sinto-me um pouco tonto, tudo parece girar. Droga de analgésicos, por que Nick pediu que eu os tomasse? Ele tem medo que eu desça da nave e volte pra terminar o serviço em Osborn? Eu o faria sem problemas, mas não depende apenas de mim. Sem falar que ainda estou tentando processar as informações que recebi de Fury: Ter a Gwen de volta? Aqui? Mesmo que por alguns dias, é ótimo, o único problema é: serei maduro o suficiente para deixa-la partir de uma vez por todas? De qualquer forma, eu preciso tentar ser. Abraçá-la mais uma vez, beija-la mais uma vez, tudo isso me deixa tão confuso, como será que é “lá em cima”? Ela está feliz? Será que se reencontrou com seu pai, e principalmente, será que meu tio está lá?

SALA DE OPERAÇÕES

(Ao Telefone)

– Stephen? É o Nick. O garoto aceitou--- Isso --- Exatamente --- É, eu sei que será arriscado mas--- Step--- Eu sei, sei, eu conheço os protocolos --- O garoto está mal, não consegue dormir, se alimentar, ele acabou de voltar à ativa como Homem Aranha e já quase sujou seu nome, espancando um presidiário --- Já olhou pra ele? Ele deve pesar uns 50 quilos ---- ele realmente precisa disso Stephen ---- Certo --- Nos vemos daqui a pouco, até mais, Fury desliga. KLANK

– Tomara que isso dê certo.

ENFERMARIA

Nunca tinha notado como a comida daqui é excelente, também pudera, uma das organizações mais antigas, bem protegidas e bem investidas no planeta, somos o FBI dos super-heróis. Esse frango com batatas está divino, parece até que foi por mãos mágicas do mago da cozinha mágica. Pena não poder me levantar agora, mas meu suco ficou na mesa ao lado, é muito longe, mas sem problemas, é só eu apontar e... Onde estão meus lançadores? AAH, não acredito nisso, onde está aquele interfone ou sei lá? Vejamos, Ah achei, vejamos novamente... “Sala de Operações” deve ser essa – CLIC

– Atenção, Agente Hill? Agente Hill? Maria? MARI---

– Pelos deuses, o que foi Peter?

– Onde estão os meus lançadores?

– Como é que é?

– ONDE ESTÃO OS MEUS LANÇADORES?

– Tivemos que removê-los dos seus pulsos, não se preocupe Parker, estão seguros, é somente para impedir que você fuja ou faça algo estúpido. Para quê precisa deles?

– Meu suco!

– O seu o quê?

– Meu suco de laranja, está muito longe de mim, preciso pegá-lo.

– Você só pode estar brincando, Peter.

– Ei, ei, ei, ei, ei... Suco é um assunto sério, sou um garoto em crescimento.

– Você tem 22 anos, Peter.

– 19.

– Que se da--- 19? Sério?

– É eu --- Nossa conversa é interrompida.

– Parker, ele chegou – é o Nick, me alertando que Stephen está aqui.

– Maria, depois nós conversamos mais, até. — CLIC -... Já posso ter meus lançadores, minha máscara e minhas pernas de volta?

– Sim, levante-se, e lembre-se, é muito importante que... O que está fazendo?

– Só vim... Pegar meu suco de laranja.

–... Certo, acompanhe-me.

Está acontecendo, estou caminhando pelos corredores da nave, em direção ao meu encontro com o Doutor Estranho, que vai me trazer de volta a minha querida Gwen, estou meio nervoso com isso, muito nervoso, aliás.

– Aqui Parker, chegamos.

Entramos em uma sala escura, iluminada com velas de cores diferentes e um símbolo estranho desenhado no centro. E vejo Doutor Estranho meditando acima do chão, falando sozinho em línguas que desconheço. Acho que poucas pessoas conhecem. Tá bom, provavelmente ele inventou essa língua.

– Stephen!

Ele desce.

– Nicholas, que bom te ver. Cheguei a pouco tempo aqui, mas já preparei tudo, meio em cima da hora, mas sem nenhum problema.

– Certo. Stephen, esse é...

– Peter Parker – Ele colocou a mão no meu rosto, sinistro – 19 anos, hiperativo, bem humorado, mas não ultimamente, sua energia interior está bem perturbada, não é mesmo, filho?

– Sim Senhor.

– Toda essa formalidade não é necessária, agora... Podemos começar?

– Claro senh --- Stephen.

– Certo, trouxe o que eu lhe pedi?

Ele se refere à mecha de cabelo de Gwen, a única coisa viva que restou dela, guardo desde que ela me deu.

– Aqui está.

– Certo, afastem-se um pouco, por favor.

O Doutor se aproxima do centro, abre o pequeno envelope plástico, retira a mecha de cabelo e coloca no centro do desenho, será que ele sangrou alguma cabra pra fazer isso? Do mal. Enfim, ele se vira para mim e Nick, e diz:

– Fechem a porta, por favor. – Nick se encarrega disso, eu fico ali, apenas observando, ansioso, suando frio, trêmulo, com medo, com raiva. De repente, tudo na sala começa a brilhar mais forte, as velas, o desenho no chão, a mecha de cabelo se eleva.

– Pelos poderes concebidos a mim, Stephen Strange, O Doutor Estranho, de dominar, materializar e manusear as forças espirituais do Céu, da Terra e do Inferno, eu ordeno aos grandes guardiões dos portões do infinito, que tragam de volta à esse plano material, a alma e o corpo de Gwendolyn Stacy, que por ventura tristeza nos deixaste tão cedo, que fizeste tanta falta nas pobres e nobres almas que habitam esse terreno material. Ordeno que a tragam de volta, materializem seu espírito em carne, sangue, e vida novamente, pelo tempo que acharem justo.

Seus olhos brilham também, uma luz forte nos cega de dentro da sala, os papéis começam a voar em círculos em volta do desenho no chão. Uma forma começa a surgir, uma silhueta, que Deus dos céus, eu reconheceria em qualquer lugar. O Doutor cessa seus ritos, abaixa os braços, e espera o que está para acontecer. E lá está, Gwendolyn Stacy, de volta ao mundo dos vivos, eu quase me ajoelho em presença dela, e quase choro ao ouvir sua voz, ela olha diretamente para mim.

– Pete?