Notas iniciais
Bem esse capitulo tem um grande dialogo, e também vamos conhecer um outro protagonista de nossa história, espero que curtam.

Aqui estou na cidade em que nasci Riachão do Jacuípe, cidadezinha pequena do interior da Bahia, segundo o IBGE tem 33.172 pessoas até 2018, bobagem esses números já mudaram inclusive com o falecimento de minha vó e outras pessoas e o nascimento de outros seres já mudaram os números, as coisas estão sempre mudando, bem eu acho bom comprar uns alimentos pra viagem, tenho 800 reais, tenho que ir economizando o máximo possível até eu achar um jeito de conseguir mais dinheiro, só vou gastar 50 reais de alimentos, comprando biscoitos, salgadinhos e 1 kg de queijo por que eu gosto de queijo, não é uma alimentação saudável mas to nem aí sou livre e como o que quiser.

Chegando no mercadinho peguei as coisas e levei pro caixa, aí quando eu estava de bobeira olhando pro nada percebi uma coisa absurda, um moleque com aproximadamente minha idade estava roubando produtos e escondendo debaixo do seu blusão eu pensei até em gritar “LADRÃO!!” mas deixei logo vi que aquele garoto me parecia conhecido então fiquei quieto e esperei ele sair, paguei os lanches então segui ele depois disfarçadamente até logo na frente onde ele entrou em um lugar que parecia um terreno baldio, fechado, cheio de mato, papelão, metais e lixo, realmente uma imundice, o garoto ladrão me viu e então logo começou a me interrogar:

—??: Qual foi pivete, isso aqui é propriedade privada, se perdeu na floresta de concreto e aço foi? (falou ele com o sotaque baiano)

—Juan: Foi mal o portão está aberto, eu vi que você roubou o mercadinho ali, isso não é certo.

—??: E o que você tem a ver com isso verme? Volte pra casa da tua mamãe logo pra não acontecer o pior e nem adianta falar nada com a policia e nem com o dono do mercado, eles não tem como provar nada que eu roubei, as câmeras de segurança estão desativadas a 4 dias o erro foi dele em vacilar com a segurança do mercado.

—Juan: Eu poderia voltar pra casa da mamãe da vovó, do papai ou de quem fosse se eles tivessem vivos, perdi toda minha família assim como você Tony.

—Tony: Oxi tu sabe até meu nome agora? Pera aí, to te conhecendo, po*** Juan, faz anos que não te vejo conseguiu se formar, bicho solto?

—Juan: Sim mas só ensino médio, não tenho dinheiro pra faculdade e nem tirei boas notas no Enem pra ganhar bolsas.

—Tony: Tô ligado mano, sei como é, você ainda tem sua avó né, melhor que nada, pior eu que não tenho mais ninguém, nunca tive estudos e moro nesse lixão aqui, ganho dinheiro vendendo ferro velho.

—Juan: Minha vó morreu semana passada e daí para de falar besteira po*** tu continua roubando loja até hoje? Tá jogando sujo e eu sei que você ainda está envolvido com venda de drogas.

—Tony: Lamento por sua vó mano, e já que você tocou nesse assunto, eu parei com drogas, já fui preso uma vez por causa disso por sorte aquele tempo eu era menor de idade e não fiquei muito tempo, então desisti desse negocio apesar de dar dinheiro, a cidade é pequena as policias estão sempre na cola.

—Juan: Cara sinceramente devolve isso pro mercado, você está cometendo crime.

—Tony: Larga de ser chato Car**** aqui é sobrevivência, adrenalina, você tinha que agir assim também imprudentemente, você já perdeu tudo que tinha como eu, não tem mais nada a perder com a vida, se liga eu nunca tive pelo menos uma casa como você teve, eu não cheguei nem a conhecer meus pais, fui órfão criado por um catador de latinhas que também morreu e só me restou o barraco dele de herança, essas coisas ilegais são meu divertimento hoje em dia, nunca nem sequer tive condições de ir a escola, diferente de você caipira de mer...

—Juan: Chega desse discursinho, entendo como você se sente alias te conheci na rua um dia que eu fugi do colégio, apesar de ser um delinquente você conversou comigo de boa, e ainda já me contou essa historia por isso viramos amigos por alguns meses, mas já faz uns 6 anos que não te vejo por que minha vó soube que eu tava matando aula pra brincar na rua e ela me proibiu e fico triste em saber que te reencontrei assim roubando. Sinceramente fico triste em ver você se tornar um criminoso, esse corte de cabelo decorado e essa sobrancelha com traço não engana ninguém...

—Tony: Não para de falar mer** isso aqui é moda nada a ver, um moleque da roça que nem você entende nada dessas coisas, está bem já to ligado que você não quer mais conversar pacificamente, pode ir tentar denunciar se quiser, tente sair daqui, vou te arrebentar na porrada.

—Juan: Eu não sou X9, tudo bem se não quiser devolver tá bom, eu tenho mais o que resolver por aí, mané.

—Tony: Ué, agora quer se sair? Muito suspeito você agora não posso deixar mais você sair por que posso ser prejudicado, não acredito em moleques da roça que nem você.

—Juan: Vai me matar é? Eu sabia que você era bandidinho, mas não a esse ponto de cometer um assassinato, lamento mas você não vai conseguir isso, a não ser que você tenha uma arma.

—Tony: Nunca matei ninguém e nem penso em matar, só vou te arrebentar mesmo, cai dentro!

Nunca imaginei que brigaria com o Tony eu tinha medo de pensar isso, ele era um delinquente e já era acostumado brigar nas ruas desde criança, eu nunca briguei com ninguém mas nessa hora me enchi de coragem e senti que pelo menos conseguiria tirar sangue dele, então já fui logo dando o primeiro soco e surpreendendo ele, mas só foi isso depois ele me acertou uma sequencia de socos e chutes violentos, mas até que eu resisti, até que uma hora vi abertura nele e mesmo eu ferido consegui da uma chave de braços nele...

—Juan: Agora o jogo virou Tony, não sei como consegui mas não tente nada ou vou quebrar seu braço.

—Tony: Otário, eu sou veterano, um moleque inexperiente em brigas como você nunca vai me ganhar.

Então eu só vi as pernas do Tony tocarem as minhas e eu levar uma rasteira e cai no chão soltando os braços dele, então eu finalmente achei que ele ia me arrebentar naquela hora, até fechei os olhos, mas logo fui abrindo de mansinho e vi ele estendendo a mão pra mim.

—Tony: Bora levanta aí Juan, tu briga muito bem, se fosse experiente teria quebrado meu braço, pode ir mas por favor não fala nada com a policia, tá difícil os dias por aqui

—Juan: Qual foi por que não me bateu sendo que eu já tava caído?

—Tony: Não me deu vontade, queria ter batido o máximo em você mas não consegui, você tem uma historia parecida com a minha, gosto de você, fiquei feliz em te ver após muito tempo, desculpas sei que é errado isso que eu faço, mas é isso que tenho que fazer pra sobreviver, vender lixo é insuficiente para comprar alimentos.

—Juan: Para de besteiras eu nem ia falar nada, só ia te avisar que era errado mesmo, apesar de você já saber, bem tenho que ir, estou em uma viagem importante.

—Tony: Ah não me diga que é aquele sonho idiota de viajar o mundo hahahaha, como você vai viajar, conseguiu muito dinheiro de herança da sua vó?

—Juan: Ah eu te falei isso, você ainda se lembra né, bem eu vou viajar sozinho sem ajuda de ninguém, como um andarilho louco.

—Tony: O que? Você se drogou foi? Tú vai é morrer pelo mundo a fora hahahaha louco

—Juan: Não ligo, prefiro morrer se divertindo por aí do que ficar em casa triste o tempo todo por causa da perda dos meus familiares, o destino vai guiar meus sonhos, seja lá o que o destino quiser.

—Tony: Você tá falando que nem viadinho

—Juan: Por** só estou falando o que quero fazer da vida, alias você deveria vim junto comigo, é melhor que ficar nesse ferro velho a vida toda roubando, bora lá vai ser divertido.

—Tony: Ah uma aventura hahaha, não vai adiantar em nada essa bosta mas eu acho que vou dar esse rolê mais você, não tenho nada a perder mesmo hahaha, e então onde vai ser a primeira parada, Londres, Tóquio, Nova York.

—Juan: Para de ser trouxa pra chegar nesses lugares temos que cruzar o oceano, fica em outro continente, na verdade eu to pretendendo ir pra Feira de Santana a pé, fica a 67 km daqui.

—Tony: O que? Tú só pode ter usado droga mesmo, eu to fora, boa sorte na sua viagem não morra.

—Juan: Larga de ser molão isso não é nada pra um delinquente imprestável que nem você, vai ser legal a gente conhecer esses lugares, quem sabe até encontramos uma carona e conhecemos novos amigos com os mesmos objetivos que a gente.

—Tony: Tá vou colaborar contigo pelo menos até Feira, nunca fui pra lá mesmo e tenho um suposto parente que mora pra lá.

—Juan: Ué, você ainda conhece parentes seu?

—Tony: Tem um malandro que diz ser meu tio, vinha me visitar umas vez a cada ano, ele já tentou me levar pra casa dele em Feira de Santana mas eu sempre recuso, prefiro viver no perigo, no crime, adrenalina.

—Juan: Ah cara para com isso, Feira de Santana tem muito mais gente que aqui em Riachão do Jacuípe e lá tem muito mais perigo que essa pacata cidadezinha do interior.

—Tony: Sério? Para mim toda cidade era igual.

—Juan: Mas que mer** de pensamento é esse que você tem, tá doido? Ei espera não pense em roubar nada quando chegar lá, nós estamos juntos e já somos de maiores, qualquer coisa somos presos e temos nem documento pra nos livrarmos.

Então saí junto com o Tony sinceramente não acho ele uma pessoa 100% confiável mas eu o respeito e além disso será útil nessa viagem, vai que aconteça alguma briga em que eu me meta, ele é forte, mas antes de seguir pra BR 324 que vai pra Feira de Santana eu queria fazer uma coisa, arrancar um dedo do monumento histórico da cidade que fica no fundo da igreja Matriz, como o Tony, vocês também devem está se perguntando por que eu queria fazer esse ato de vandalismo, bem a resposta é simples, ADRENALINA, odeio todo tipo de crime, mas confesso que gosto de ver coisas destruindo! Quero fazer várias coisas divertidas ao longo dessa viagem para que eu não me arrependa de absolutamente nada, como o Tony é meio doido também ele concordou e comigo escalou o monumento histórico da cidade que são só 2 mãos juntas, ninguém viu a gente escalando por que já tinha anoitecido, e a rua do fundo da igreja tava deserta, arranquei o dedo do meio da mão direita puxando, deu muito trabalho, já o Tony arrancou o dedo do meio da mão esquerda de faca... Pera aí, faca?

Juan: Tá maluco, pra que você quer essa faca, vai levar isso na viagem?

Tony: Claro, não sou desprevenido que nem você, nunca se sabe quando vou precisar de uma arma.

Juan: Que maluquice, vamos descer, coloque os dedos do monumento na minha mochila que já vamos partir para a BR.

Tony: De noite mesmo? Não seria melhor voltar lá pro barraco meu passar a noite?

Juan: Não quero dormi naquele lixão idiota, vamos agora mesmo, bora descer, a policia pode passar aqui a qualquer hora e ver a gente vandalizando logo o monumento histórico da cidade, isso daria uma boa pena na cadeia.

Tony: Ora seu bosta como se atreve a chamar minha mansão de idiota...

Bem enquanto nós reclamávamos, ali em cima bem no alto do monumento eu avistei que vinha uma viatura da policia vindo lá longe, descemos rápido e fugimos como nem uma outra pessoa fugiria, eu não sei o final disso, mas com certeza eles iriam reparar que os dedos da mão gigante tinha sumido, se fossemos pegos com certeza pegaríamos muito tempo de cadeia, que loucura, aposto que isso deve ter causado uma revolta na cidade mas eu to nem aí, é isso que eu gosto, vandalismo, achei super legal, então seguimos a BR e só íamos parar em Feira de Santana, vai ser uma boa caminhada, até lá, 67 km a pé, mas quem sabe algum caminhoneiro legal não nos da uma carona, bem, vocês vão descobrir o resto da história no próximo episódio, estarei ansioso para contar o resto das minhas aventuras.

Notas finais
Bem, eu fico curioso pra sabe como vou fazer essa historia crescer, to escrevendo improvisando pra ver que no vai dar, vamos ver até isso vai.