A Volta ao mundo

3 Uma vista magnifica do morro de Tanquinho


Notas iniciais
Aqui estou eu mais uma vez com um novo capitulo, ninguém leu ainda mas não me importo, eu faço essa historia mais por mim mesmo do que pra atrair leitores, vamos lá, se algum dia você chegar a ler essa droga e gostar, parabéns

Já são 3:30 da madrugada e eu e o Tony estamos aqui seguindo a BR sozinho a pé que nem 2 malucos, ainda estamos longe de Feira de Santana por que nem em Tanquinho nós chegamos ainda, Tanquinho é uma pequena cidade, fica a 38 km de Riachão do Jacuípe e tem 7.909 pessoas (IBGE 2018), bem pequena mesmo, perto de uma cidade grande, Tanquinho seria uma rua apenas, só que apesar de ser pequena Tanquinho recebe muitos turistas, por que todo mundo se encanta com a incrível paisagem que proporciona, uma vista incrível com um morro bem grande próximo a cidade, sinceramente eu não moraria em Tanquinho, dá um medo que alguma rocha caia do morro e atingir a cidade, mas eu sempre quis subir nesse morro de Tanquinho, acho que vou aproveitar a oportunidade:

—Juan: Olha lá Tony, já avistamos o morro de Tanquinho, daqui a uns 20 minutos nós chegamos lá.

—Tony: Cara eu to morto de cansaço e sono, você disse que algum caminhoneiro iria nos dar uma carona, mas nenhum para, faz quase 6 horas que andamos sem parar nesse asfalto maldito, eu preciso dormir cara.

—Juan: Eu acho que nenhum caminhoneiro nos dá carona por que você tem aparência suspeita demais.

—Tony: Cala a boca, eu ainda não vou roubar nenhum caminhão, nunca estudei isso ainda.

—Juan: Que horrível, estou andando ao lado de um ladrãozinho de mercadinho.

—Tony: Você fala isso como se fosse santo né seu babaca, de bonzinho você só tem a cara mesmo, por que é um vândalo sem vergonha!

—Juan: Eu só fiz uma brincadeirinha na mão lá do fundo da igreja, nada demais, o prefeito concerta de boa, pelo menos eu não roubo dos pobres isso realmente é que é feio.

—Tony: Cara sério eu vou te bater mais do que eu te bati ontem, eu só roubei o necessário pra eu se alimentar a noite que, aliás, eu nem jantei, por que resolvi vim junto com você, quando chegarmos em Tanquinho vou acender uma fogueira e cozinhar essa sardinha que eu roubei e não vou dividir contigo.

—Juan: To nem aí eu tenho comida comigo, ah e nem pense em acender uma fogueira dentro de Tanquinho, aquela cidade consegue ser muito menor que Riachão, qualquer coisa se suspeitar da gente, vamos ser descoberto fácil pois a cidade é bastante pequena.

—Tony: O que? E onde vou cozinhar essa sardinha seu estupido, vamos bater na porta de algum morador a essa hora da madrugada e pedir um fogão emprestado? Temos que descansar ou vamos morrer mais cedo do que esperávamos esses carros passando pela pista já está me dando dor de cabeça.

—Juan: Relaxa, vamos subir o morro de Tanquinho e acampar lá, ninguém vai ver a gente lá.

—Tony: Cara nós já estamos cansados desse jeito e você ainda quer subir a por** do morro? Cara você deve está louco, daqui que a gente suba aquele morro já amanheceu o dia.

—Juan: Não tem problema, pare de reclamar essa é a melhor alternativa a se fazer e também vale a pena ver o nascer do sol de lá de cima.

—Tony: Ah cara você ficou irritante nesses anos que passou, desse está que vou voltar pra casa amanhã mesmo.

—Juan: Pode voltar lá pro lixão, ninguém pediu pra você vim comigo mesmo.

—Tony: VOCÊ ME CONVIDOU CARA***!!!!

Bem então depois de uma longa viagem a pé chegamos em Tanquinho e já seguimos no corredor do morro, um corredor bem curto de estrada de chão, foi cansativo subir até o topo, mas valeu a pena, chegamos lá quase na hora do nascer, do sol, então o Tony acendeu uma fogueira pra esquentar sua sardinha e eu fiquei comendo o queijo que comprei, no fim nós dividimos os lanches por que cada um ficou interessado na comida do outro, até que nasceu o sol, aquilo era fantástico, uma vista magnifica, valeu muito a pena subir o morro pra ver aquilo.

—Tony: É até que não foi uma má ideia subir, aqui, apesar do trabalho que deu.

—Juan: Não te disse, bem agora é hora de descansarmos um pouco para seguirmos viagem umas 10 horas da manhã, saímos de Tanquinho, essa hora tem muito movimento na BR, quem sabe algum caminhoneiro nos de uma carona.

—Tony: Hah, duvido que alguém queira dar carona para 2 vagabundos que nem a gente, bem vou me descansar encostado naquela arvore, procure um lugar pra você tirar um cochilo.

—Juan: Beleza vai lá

Então fomos tirar aquele sagrado descanso, muito bom descansar ao ar livre, eu olhando as casas perto do morro, me deu até vontade de jogar uma pedra nos telhados das casas que estavam bem pequenas vistas daqui de cima, só não joguei por que fiquei com medo, de errar e acertar alguma pessoa lá em baixo, iria fazer um ferimento e tanto; passando tempo, eu já estava fechando os olhos pra dormir e o Tony já roncando, vejo uma pessoa subindo o morro, mas pera, é uma criança, subiu o morro sozinha, que perigo, levantei e fui em direção a ele:

—Juan: Ei garotinho, que perigo você subir esse morro alto sozinho, cadê seus pais? Quantos anos você tem?

—Garotinho: Oi, vim soltar pipa aqui, minha mãe nem liga ela trabalha.

—Juan: Irresponsável ela, não se pode deixar uma criança solta por aí ainda mais numa cidade como Tanquinho, que é muito próximo à pista e também próxima ao morro, vá pra casa, quantos anos, você tem?

—Garotinho: eu tenho 7 anos e não vou pra casa, já falei eu brinco aqui o tempo todo e nunca me aconteceu nada, eu sou o rei desse morro, vá embora você seu chato (falou mostrando a língua pra mim)

—Tony: Ei, parem de fazer barulho enquanto eu tiro um cochilo, deixa o menino soltar pipa, seu “da roça” esse moleque certamente está tendo uma infância feliz diferente da gente, babaca.

Agora fiquei quieto e sentei na pedra olhando a vista enquanto o moleque soltava pipa, devia tá a uma altura imensa vista de lá do chão, fiquei olhando o garotinho feliz se divertindo e confesso que fiquei com um pouco de inveja, nunca brinquei assim quando era criança, nem saia, raramente me divertia.

—Juan: Ei moleque, você sobe o morro todo dia pra soltar pipa?

—Garotinho: Para de me chamar de moleque, meu nome é Junior, eu só subo os dias que não tem aula e hoje é sábado não tem.

—Juan: Certo Juninho, sua mãe trabalha de que?

—Juninho: Não me chame de Juninho, só de Junior e minha mãe vende laranja na beira da pista, ela acorda cedo todo dia pra vender o máximo possível.

—Juan: Ela não se preocupa de você subir esse morro sozinho?

—Juninho: Sei lá

—Juan: Eu hein, ei Juninho me deixa soltar um pouco de pipa? Nunca brinquei disso na minha infância.

—Juninho: Já falei pra não me chamar de Juninho, toma eu sou bom, pode soltar, mas só um pouquinho quase nada e se perder vai me pagar outra.

Eu achei divertido soltar pipa, realmente é uma sensação maravilhosa pena que o pirralho levou ao pé da letra e só me deixou soltar por uns 20 segundos, mas foi legal, bem de todo modo já era hora de descermos o morro e partimos rumo a Feira de Santana, lá as coisas iriam melhora pra gente.

—Juan: Ei Tony, levanta meu brother, hora de descermos e seguir viagem.

—Tony: Por** descansei quase nada, já to é com fome de novo.

—Juan: Quando nós descermos eu pago um lanche para nós, bora lá ânimo... Ei Juninho, bora descer também não quero deixar você sozinho aí nesse lugar a 270 metros de altitude.

—Juninho: Meu nome é Junior, vou te matar se me chamar de Juninho de novo, não quero descer.

—Juan: Ah bora lá Juninho, se você descer com a gente quando chegar lá em baixo eu vou te dar um presente.

—Juninho: Ahhhh o queeee, então se for assim eu desço.

—Tony: hahaha pirralhos são fáceis de subornar.

Então nós descemos com certeza a descida é bem ruim, da um medo de escorregar, tanto eu como o Tony tava tendo dificuldades, diferentes do Juninho que descia tão normalmente. Até que enfim chegamos no chão, descer cansa mais que subir, e logo quando desci o Juninho já foi logo cobrando o presente dele.

—Juan: Toma isso é seu

—Juninho: O que é isso?

—Juan: é o dedo de uma estatua de mão, lá de onde eu venho, usa isso pra brincar de espada sei lá, isso só tá ocupando espaço na minha mochila, tenho outra ainda se quiser.

—Juninho: Ah obrigado, não gostei nem um pouco dessa porcaria, mas tá bom.

—Juan: Que pivete ingrato, porcaria é tua bunda, agora vai lá ver sua mãe ela deve tá preocupada.

—Juninho: Vou uma ova, vou é subir o morro de novo e soltar mais pipa.

—Juan: O que, nem pensar.

—Tony: Deixa o moleque ir, bora logo, to com fome, o moleque vai ficar bem, conhece bem o lugar.

—Juan: Tá então, se é assim que você quer, dê lembranças a sua mãe, vou indo, valeu Juninho.

—Juninho: Tchau, e eu não me chamo Juninho droga.

Então nós voltamos para a cidade de Tanquinho que é tão pequena que o centro dela deve ser em cima do morro haha, brincadeiras a parte, estávamos famintos e resolvemos lanchar, eu ainda tenho 750 reais, não quero gastar mais que 20 reais, pelo menos pagando lanche pro Tony eu deixaria esse maluco longe de problemas, ou não... Quando íamos saindo da lanchonete, um funcionário nos barrou, dizendo que tínhamos roubado um chocolate de lá, logo suspeitei que ele tinha flagrado o Tony furtando, maldito eu pago lanche pra ele e ele me faz isso, agora nos encrencou, se esse cara chamar a policia, já era fim da linha para nós 2, até que um homem de aproximadamente 45 anos, veio em nossa direção e conversou com o vendedor:

—Homem: Esses garotos estão comigo, sou caminhoneiro e estou extremamente envergonhado desses moleques, pode deixar eu me responsabilizo por eles, vai ter punição severa.

Eu e o Tony ficamos sem entender nada, mas de toda forma estávamos salvos por esse homem estranho. Saindo da lanchonete já fui logo mandando a real, pro Tony:

—Juan: Eu já te falei seu maluco, não faça essas besteiras, senão fo** com a gente por** se não fosse pelo tio do caminhão aí nós íamos pro xadrez.

—Tony: A culpa é sua, mão de vaca não quis gastar mais que 20 reais, eu tava com fome.

—Juan: Fo**-se não importa aprende a se comportar em lugares desconhecidos.

—Tony: Olha quem fala o destruidor da beleza da cidade querendo pagar de bom moço, eu te ajudei a arrancar aqueles dedos do monumento e você nem me agradeceu.

—Juan: Ora seu...

—Caminhoneiro: Ei parem já de brigar, olha vocês dois, já percebi que vocês não são rapazes direitos então eu podia entrega-los para a policia agora mesmo, mas como hoje estou de bom humor, vou fazer uma caridade pra vocês dois, vocês querem ir pra Feira de Santana é isso? Então vamos, subam no caminhão alias eu disse ser o chefe de vocês, então vamos lá, mas olha nada de tentar fazer alguma coisa errada comigo ou roubar alguma coisa, esse caminhão tem radio transmissor que transmite tudo lá pra empresa, qualquer coisa eu contato a policia, ah e partir de agora me chamem de Claudi.

Sem muitas alternativas, subimos no caminhão, rumo a Feira de Santana, mesmo sem saber a índole do tal do caminhoneiro Claudi, mas não tem problema se ele for perigoso, vai ter perigo em dobro pra ele.

Notas finais
Continua no próximo episodio, espero que eu tenha disposição pra fazer isso