A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão

26 Capítulo 25 - Hipnótico


Notas iniciais
Olá meninas,divaaaaaaas! Eu disse que iria postar todas as terças mas posso explicar porque não consegui cumprir o que eu havia dito: Esse capítulo está IMENSO! Vaárias e várias páginas no meu caderno e não consegui digitar tudo em dois dias pq tenho vida fora do pc e coisa e tal... Acho que esse capítulo será o maior da fanfic até agora! Me empolguei na hora de escrever e posso dizer que esse capítulo está recheado de surpresas! Eu amei esse capítulo e espero que vcs gostem dele tanto quanto eu.
BOA LEITURA!

Caroline narrando:

Domingo. Um bom dia para descansar. Pena que esse pensamento não pôde ser concretizado. Minha mãe me acordou às oito horas da manhã e me mandou ir para o mercado com uma sutileza arrebatadora (sintam a ironia).

Ultimamente, eu tenho tentado pensar que tudo o que eu me submeto a fazer, terá uma grande recompensa mas até agora, tudo o que eu venho recebido são olheiras e noites mal dormidas.

Se esse negócio de sorte e azar existir mesmo, isso quer dizer que a sorte não tem colaborado comigo. Pior: Ela não tem chegado nem perto.

Entrei no mercado, pegando um carrinho de compras ao mesmo tempo em que tirava do bolso a lista de compras que minha mãe havia me dado hoje mais cedo e fui pegando todos os itens da lista.

Levei um susto quando senti uma mão quente e macia pousar em meu ombro e por puro reflexo, me virei bruscamente, curiosa e vi que o dono daquela mão era Jeremy. Jeremy Williams. O motivo de toda a minha tristeza. O motivo de meu coração bater acelerado e minhas pernas tremerem.

Fiz uma carranca, tentando ignorar meu coração, que pulsava cada vez mais rápido.

- O que você quer? — Perguntei rudemente.

- Eu vim aqui lhe pedir desculpas pelo que aconteceu. Eu não quis te magoar. — Ele parecia estar sendo sincero.

- Mas magoou! Você me magoou muito! — Retruquei, totalmente descontrolada.

- Por favor, me deixe lhe recompensar de alguma forma. — Pediu, de forma branda.

- Me recompensar? Não obrigada! — Revirei os olhos.

- Venha comigo no Baile da Escola de Artes. — Olhei para ele embasbacada, mal podendo acreditar no que eu estava ouvindo. Ele me convidou mesmo para ir ao Baile da Escola de Artes? O Baile de Máscaras da Escola de Artes?

- O que... eu... não entendi. — Gaguejei.

- Quer me acompanhar no Baile de Máscaras da Escola de Artes? — Ele refez a pergunta, totalmente galante.

- Mas e a Stacy? E seus amigos populares? — Eu estava com medo de que Jeremy estivesse fazendo alguma brincadeira de mal gosto comigo.

- Eu não tenho mais nada com a Stacy e também não devo satisfação aos meus amigos. — Sua resposta me deixou totalmente balançada. Extremamente balançada.

- Isso é sério mesmo? — Eu estava abobada. Temia que tudo aquilo que eu estava vivendo fosse apenas um sonho.

- Nunca falei tão sério em toda a minha vida. — Disse convicto. — E então, você aceita? — Jeremy deu um daqueles sorrisos estonteantes que eu tanto amava.

- Sim, eu aceito! — Dei o sorriso mais feliz e sincero do dia.

(...)

- Não acredito nisso! — Dei um gole no meu refrigerante e ri logo em seguida da história que Jeremy estava me contando sobre a sua infância.

- É sério! Depois, fui tentar pegar a goiaba e acabei caindo em cima do telhado. Fiquei com uma perna dentro de casa e outra pra fora. Para me tirar de lá foi um sacrifício. Depois, levei uma surra do meu pai. — Ele fez uma pausa, olhando para o horizonte, como se estivesse vivenciando aquilo novamente. — e a Ever depois que tudo aconteceu... me ajudou a cuidar dos machucados que eu tinha feito quando fiquei preso no telhado. — Havia culpa e melancolia em sua voz.

- Jeremy, a Ever te ama muito e sente a sua falta. — Olhei para seu rosto tristemente.

Estávamos conversando numa pracinha que ficava perto da minha casa. Tinha deixado as compras que fiz em casa e logo depois eu e ele viemos para cá.

- Eu tenho sido um péssimo irmão. — Jeremy suspirou e mexeu nos cabelos em sinal de nervosismo.

- Nunca é tarde para se redimir e pedir desculpas. — Sorri, o encorajando-o.

- Vou fazer isso quando estiver preparado. — Ele deu um breve sorriso.

- Mas faça. Não deixe de fazer as pazes com a sua irmã. Ela precisa de você. — Segurei em suas mãos, percebendo que ele queria cair no choro.

- Pode deixar, eu farei. — Sorrimos juntos. — obrigado por tudo, Caroline. Você está sendo um anjo. — Segurei mais forte suas mãos.

- Não precisa agradecer, Jeremy. Estou aqui pra isso. — Ele fez um carinho em minha bochecha e sorriu novamente.

Eu nunca tinha me sentido tão feliz antes. Será que essa era a recompensa que eu achava que nunca teria? A sorte finalmente resolveu me ajudar? Seja lá o que for, está fazendo com que eu me sinta a garota mais feliz do mundo.

Ever narrando:

- Quais músicas iremos cantar no baile? — Michael estava sentado de qualquer jeito em minha cama enquanto folheava meu caderno de músicas.

- Como agora temos uma vocalista feminina, acho que iremos cantar músicas da banda Paramore. — Michael respondeu sem desgrudar os olhos do meu caderno.

- Tipo um cover? — Meus olhos brilharam na hora só de pensar em cantar as músicas da minha banda favorita.

- Sim, tipo um cover. — Respondeu anjinho e eu sorri com sua afirmação. — não se anime tanto. Lembre-se de que é a Claire que irá cantar. — Revirei os olhos, irritada.

- Claire é só um disfarce. Quem tem a voz sou eu! — Bufei.

- Mudando de assunto, você tem muito talento para compor. — Anjinho levantou os olhos do meu caderno para me olhar.

- Eu não acho! Minhas músicas são bobinhas. — Me sentei ao seu lado.

O mais estranho na relação que eu e o Michael tínhamos, era exatamente o que estávamos tendo agora. Conversávamos quase civilizadamente.

Ele tinha vindo aqui em casa com Alfonso. Ele e meu pai estavam providenciando os últimos detalhes do Baile. Eu, Michael, Jeremy, Jack, minha mãe, Caroline, Chris e Yuri ficamos responsáveis por decorar a Escola de Artes para o baile. Meus amigos logo ficaram empolgados com a idéia e mal podem esperar para começar.

Michael veio direto para o meu quarto e estamos jogando conversa fora até agora. As vezes eu até me esqueço que ele tem leucemia.

-Suas músicas são boas sim. Só tem duas ou três que achei bobinhas demais. — Ele riu.

- Onde está a graça? — Perguntei sarcástica.

- Não sei, acho que no meu bolso eu vou encontrar! — Ele riu mais alto e eu fingi estar brava. — Sei que você quer rir! — Mal ele completou a frase e eu já estava rindo.

- Você é um bobão! — Dei língua mas fiquei séria rapidamente. — Michael... você tem ido ao médico? Digo... você vai fazer um tratamento, não vai? — Eu estava me referindo a leucemia.

- Vou. O tratamento será um pouco mais leve. Os médicos me disseram que o meu caso não é tão grave, mas eu tenho que tratar. — Assenti, não querendo prolongar o assunto. — Hoje tem ensaio, Ever. Na verdade, ensaiaremos direto a semana inteira. — Arregalei os olhos.

- Vou ficar a semana inteira me vestindo de Ever Montana? — Michael deu uma risada.

- Claro! Temos que estar bem ensaiados já que o baile é no sábado que vem. — Como assim sabado que vem?

- OMG! O baile é sábado que vem? Eu nem sabia disso! — Me levantei da cama exasperada.

- Que vergonha... a própria filha do dono não sabe de uma informação dessas! — Dei um tapinha em seu ombro.

- O fato de eu ser a filha do dono não significa que eu tenha que saber a data de todos os eventos! — Chiei.

Uma batida na porta do meu quarto interrompeu a discussão que eu e Michael estávamos prestes a ter.

- Michael, eu já vou indo. Você vai ficar para o ensaio? — Alfonso abriu a porta do quarto.

- Vou sim. — Respondeu anjinho, brincando com meu ursinho de pelúcia.

- Então até depois. Tchau Ever!

- Tchau Alfonso! — Sorri.

- Michael, faça companhia ao cabeçudo do meu irmão que eu vou para a casa da Car me arrumar. — Revirei os olhos, com pouca paciência para perucas e disfarces.

- Faça isso mesmo, já está quase na hora do ensaio. — Assenti, pegando meus pertences e indo para a casa da Car logo em seguida.

(...)

- Oi Ever! Entra, tenho que te contar as coisas que aconteceram hoje! — Caroline me puxou pelo braço para dentro de sua casa.

- Só se for enquanto eu me arrumo, pois estou atrasada. — Despejei todas as coisas que estavam dentro da minha mochila, temendo ter esquecido alguma coisa.

- O Jeremy me chamou para ir com ele ao Baile da Escola de Artes! — Me tranquei no banheiro mas ouvi a frase de Caroline com um misto de choque e incredulidade.

- Mentira! Hoje não é dia primeiro de abril, Caroline! — Falei enquanto vestia uma saia vermelha de pregas.

- É verdade sim! Ele me pediu desculpas e depois ficamos conversando por um bom tempo. — Pude ouvir minha amiga suspirar apaixonada.

- Então nem precisaremos executar o plano Conquistando Jeremy! Se eu não estivesse com tanta pressa, lhe pediria todos os detalhes de como isso foi acontecer. — Vesti uma blusa preta e brilhosa muito bonita.

- Depois lhe conto todos os detalhes pois tem uma coisa que está me intrigando. — Saí do banheiro, colocando uma bota de cano médio que combinou com o look que eu estava vestida.

- O que? — Perguntei curiosa.

- Você e o Michael. — Olhei para ela com cara de nada e ela bufou. — Vai me dizer que entre vocês dois não está acontecendo nada? — A loira perguntou, exasperada enquanto apontava para uma cadeira branca, para que eu me sentasse para que ela pudesse fazer minha maquiagem e pôr a peruca em minha cabeça.

- Estamos brigando pouco mas ele não dá sinal de que gosta de mim ou algo do tipo. — Dei de ombros.

- Acho que você deve fisgá-lo nesse Baile! — Carol disse, prendendo meu cabelo e minha franja e pondo a peruca na minha cabeça logo em seguida.

- Ele não é um peixe! — Esbravejei e no instante seguinte, Caroline já tinha começado a me maquiar.

- Mas você sabe muito bem o que eu quis dizer! Conquiste o Michael, prove a ele que você mudou e que é capaz de amá-lo. — Car me incentivou, passando a base em meu rosto e um corretivo (agora eu sabia o nome de alguns produtos de beleza).

- Vou tentar. — Não soou muito convincente.

- Não me parece disposta para isso. — Rebateu a perceptiva Caroline.

- Se você ainda não percebeu, eu não sou do tipo de garota que conquista o cara que gosta. Sou inexperiente nesse assunto e você sabe muito bem disso! Nós não estamos falando de qualquer cara e sim, do Michael o meu inimigo ou meio inimigo, tanto faz. — Carol fez sinal para que eu me silenciasse para que ela pudesse passar o batom vermelho em minha boca.

- Não seja tão pessimista! Vocês já se beijaram duas vezes pelo que eu saiba e Michael não está de olho em ninguém no momento. Se você não fizer alguma coisa, mais cedo ou mais tarde, ele vai conhecer uma garota que esteja disposta a conquistá-lo e que lutará por ele. Nesse meio tempo, o que você terá feito, Ever? Ficará olhando as chances que tinha com ele serem desperdiçadas ou lutará pelo seu primeiro amor? — Fiquei pensando nas palavras de Caroline por alguns instantes, enquanto ela passava o lápis de olho e também o delineador em meus olhos.

Minha amiga estava certa. Se eu ficar parada, mais cedo ou mais tarde, eu irei perdê-lo para sempre e pior, sem lutar.

- Eu vou lutar por ele, Car! — Carol chacoalhou as mãos enquanto ajeitava a peruca loira que estava em minha cabeça e eu me lembrei com certo nervosismo que era meu primeiro ensaio na Bloodstream.

Será que eu me sairia bem?

(...)

Entrei na sala de ensaios encontrando todos os descerebrados já reunidos.

- Olá, desculpem o atraso. — Dei um sorriso nervoso. Será que algum dia eu me acostumaria a ser outra pessoa quando estava com eles?

- Sem problemas. — Respondeu Jeremy despreocupado.

Cumprimentei Rafael, Paul, William, Jeremy, Daniel e Michael com dois beijos na bochecha. Vale ressaltar que Daniel deu um beijo bem demorado em meu rosto enquanto eu, dei um beijo bem demorado no rosto de Michael, mas consegui passar despercebida. Eu acho.

- Esperem um pouco, eu já venho para começarmos o ensaio. — Jeremy saiu um tanto afobado da sala de ensaios. Parecia até uma gazela, o que me fez prender uma risada.

- Enquanto o Jeremy não volta, poderíamos escolher as músicas da setlist. — Sugeriu Paul.

- Já vou logo avisando que faremos um cover da banda Paramore! — Disse William, pegando em seu baixo, fingindo que estava tocando. Maior exibido.

- Eu quero que My heart esteja entre as oito músicas. A Claire canta essa música com a alma. — Daniel deu um sorriso resplandescente que acabou fazendo minhas bochechas corarem.

Por mais descerebrado e idiota que ele possa ser, tenho que admitir que Daniel é um cara bonito. Talvez o mais bonito entre Rafael, William e Paul.

Rafael tem cabelos arrepiados e vermelhos de um jeito exótico e seus olhos negros, eram oblíquos e chamavam muita atenção. Ele é um dos garotos mais altos que eu já havia visto.

William é loiro de olhos azuis. Seus cabelos lisos e escorridos caem perfeitamente sobre sua testa e apesar de ser um pouco cabeçudo e muito idiota, ele é um grande baixista.

Paul tem os cabelos num moicano extremamente exagerado, onde mechas azuis fazem um contraste marcante com a escuridão que seus cabelos negros mostram e seus olhos, são castanho claro.

Já Daniel tem uma beleza diferente. Uma beleza sombria e de tirar o fôlego. Seus olhos são azuis e arredondados e seu sorriso, é lindo. Arriscaria dizer que seus cabelos são mais negros do que os de Paul, e lisos demais, caindo perfeitamente em várias direções diferentes.

- Eu gostaria muito de cantar Emergency. — Respondi assim que me recompus.

- Stop this song também é legal. — Michael estava carrancudo e eu não entendi o porque.

- Gente, voltei, vamos montar a setlist antes de ensaiar. — Jeremy voltara correndo.

- Estávamos fazendo isso agora. — Disse Paul em meio a risadas.

- E quais foram as músicas selecionadas? — Perguntou meu irmão boboca.

- Só selecionamos 3 músicas até agora. — Disse Michael.

- Então vamos escolher as outras 5 músicas! — Jeremy pegou um bloquinho de papel e caneta, para anotar as músicas que iriam entrar para a setlist.

(...)

Depois de muito pensarmos, as músicas que foram escolhidas para tocar na Escola de Artes, foram:

My heart, Emergency, Stop this song, Hallelujah, Brick by boring brick, Let the flames begin, Misery business e Whoa.

Eu conhecia todas as músicas e sabia cantá-las perfeitamente bem e então, depois de escolhermos as músicas, nós pudemos começar o ensaio.

(...)

- My heart is... — Terminei de cantar a última frase da música My heart, enquanto os garotos finalizaram a música com seus respectivos instrumentos.

O ensaio fora cansativo demais. Demorou muito para que pudéssemos acertar a harmonia entre os intrumentos e o tom em que eu deveria entrar nas canções. Também houve um pequeno desentendimento entre os músicos, pois não conseguiam decidir quem seria o guitarrista solo e o guitarrista base. Michael acabou sendo o guitarrista solo e o guitarrista base seria o Paul, se esse último não tivesse brigado para Daniel que era o tecladista, trocasse de posto com ele. No final, Daniel que era o tecladista, acabou ficando com o posto de guitarrista base e Paul ficou sendo o tecladista.

Na verdade, eu suspeitava que o Paul tinha arregado com medo de fazer a base e por isso trocou com o Daniel. Frouxo.

Fora essas discussões, o ensaio foi bom e tranquilo na maior parte do tempo. Os rapazes se entregavam a música de uma maneira embriagante. Eles nem pareciam bonecos humanos quando estavam tocando.

Ajudei os meninos a desmontar os instrumentos, vendo que já estava tarde e meu pai poderia sentir a minha falta, pois eu ainda era a Claire Collins.

- E aí, Claire o que achou do ensaio? — William virou-se para mim sorridente.

- Para um primeiro ensaio posso dizer que ele foi muito bom e bastante produtivo. — Os meninos sorriram entre si, como se concordassem com o que eu disse.

- Foi mesmo! Nossa apresentação no Baile de Máscaras vai causar! — Rafael, empolgado, brincava com as baquetas da bateria de Jeremy.

- Enquanto não temos nossas próprias músicas, faremos cover's de bandas. — Jeremy se pronunciou enquanto se aproximava de mim e eu fiquei com medo de que ele me reconhecesse.

- Se alguém compõe músicas, poderá trazê-las. Se forem realmente boas, nós podemos tocá-las. — Vi Michael me mandar um olhar cheio de significados e eu sabia perfeitamente o que ele queria me dizer com aquele olhar: "Você compõe músicas e deveria mostrá-las." E eu, lhe mandei um olhar mortal em troca. Até parece que eu ia mostrar as MINHAS músicas para os descerebrados! Eram MEUS sentimentos e não eram pra ser compartilhados.

- Gente, tenho que mostrar pra vocês o que eu ganhei de presente do meus tios. — William disse animadamente.

- Vai me dizer que você ganhou um cérebro? — Perguntei, me dando conta da burrada que eu havia dito.

Fiz uma careta constrangida quando todos olharam em minha direção, afundados em um silêncio totalmente desconfortável. Até que Rafael começou a rir, sendo acompanhado pelos outros descerebrados, inclusive o próprio William e exceto Michael, o politicamente correto.

- Essa foi boa! — Jeremy disse em meio a risadas, olhando para mim. Eu apenas dei um sorriso forçado e nervoso.

- Olhem só o que eu ganheir! — William voltara carregando um papagaio em seu braço. Na verdade, eu nem vi quando ele saiu da sala de ensaios. — Digam oi para o Sebastian! — O loiro estava sorridente e estendia o papagaio que estava empoleirado em seu braço fino em nossa direção.

- O papagaio é o seu presente? — Daniel apontou para o bicho.

- Sebastiam é um nome bem estranho. — Paul fez careta.

- Estranho é você, estranho é você. — Cantarolou o papagaio e eu acabei rindo.

- Sebastian combina com ele. É um nome sério e estiloso. — Todos naquela sala olharam William estranho. Quem em sã consciência dá um nome sério e stiloso a um papagaio?

- Ok... — Michael quebrou o silêncio que havia se instalado na sala de ensaios.

- Pessoal, a Mandy vai dar uma festa hoje na casa dela. Estão a fim de ir? — Jeremy perguntou.

- Claro! — Responderam todos ao mesmo tempo, menos eu.

- Pode vir também, Claire! As meninas querem te conhecer. — Fiquei sem saber o que responder diante do convite que Jeremy fizera.

Não estava nem um pouco afim de continuar disfarçada como Claire Collins e muito menos fingir que me dou bem com aquelas descerebradas ridículas. Sem contar que se elas me reconhecerem eu estarei ferrada.

- Hum... não sei se é uma boa idéia... — Olhei na direção de Michael, suplicando para que ele me desse uma resposta mas ele apenas deu de ombros.

- Vem com a gente Claire, vai ser legal. — Insistiu Daniel.

- Tudo bem, eu vou! — Os meninos comemoraram entre si e eu pedi mentalmente que isso não me envolvesse em confusão.

Os meninos estavam saindo da sala quando eu senti meu celular vibrar dentro da minha mochila. Peguei-o e vi que tinha uma nova mensagem do Chris.

Festa da Mandy, entraremos de penetra. Xx

- Ficaram doidos? — Perguntei, olhando para o celular e em voz alta, fazendo Michael parar de andar e me encarar.

- Dá para agir como uma garota normal? — Perguntou em tom rude.

- Chris e os outros vão entrar na festa da Mandy de penetra! — Michael não estava desesperado como eu.

- E daí? Não estrague o disfarce Ever! — Anjinho sussurrou me olhando de forma censurada.

- Não vou estragar. Vê se relaxa, você está muito irritadinho pro meu gosto. — Ele bufou.

- Deixa que do meu humor cuido eu! — Ignorei o momento TPM de anjinho e disquei o número do Chris para tirar a história a limpo.

- Pode falar, menina Slipknot. — Sobressaltei ao ouvir a voz do Yuri do outro lado da linha.

- Yuri? Que história é essa de vocês irem na festa da Mandy de penetra? — Abaixei o tom da minha voz para que os descerebrados que estavam na sala da minha casa não me escutassem.

- Nós ficamos sabendo que a gata ruiva vai dar uma festa super badalada e nós não queremos ficar de fora dessa. — Quase consegui vê-lo sorrir do outro lado da linha.

- Vocês vão ser humilhados e expulsos! — Exclamei.

- Não se preocupe, Ever. Temos tudo sob controle. — Se a droga da idéia tiver saído da cabeça do Chris, tudo acabaria mal. Os planos do Chris nunca eram bem sucedidos e falo isso por experiência própria.

- Passa essa droga de telefone pro Chris! — Pedi, impaciente.

- Fala, Ever! — Chris atendeu a ligação visivelmente animado.

- Porque vocês vão na festa da Mandy de penetra? — Fui direto ao ponto.

- Porque não fomos convidados, dã. - Juro que a minha vontade foi de dar na cara daquele idiota.

- Isso eu sei, caramba! Vocês são loucos! Se virem vocês, serão humilhados!

- Fica tranquila, Ever. Nós iremos disfarçados. Você não é a única que pode ser duas pessoas diferentes. — Bufei com a sua resposta.

- Eu vou estar na festa como Claire Collins. Por favor, não façam nada que me ponha em maus lençóis! — Pedi, temendo que eles estragassem tudo.

- Pode deixar!

- Eu estou falando sério, Chris!

- Eu também! Relaxa Ever! — Desliguei o telefone tendo a certeza de que nem Chris e nem Yuri sabiam se cuidar.

(...)

Chegamos na festa e ela já estava bombando. Michael me puxava pela não na direção de onde as descerebradas se encontravam.

- Jeremy my love! — Stacy se inclinou para abraçar Jeremy mas ele a afastou com o braço, deixando-me boquiaberta.

- Stacy, nós precisamos conversar. — Michael me cutucou disfarçadamente e eu entendi o que ele quis dizer com aquele gesto. Eu não disfarçava o meu espanto em ver meu irmão dando um chega pra lá na loira burra.

- Sobre o que? — Perguntou, alarmada.

- Depois da festa a gente conversa.

- Mandy, Stacy, quero que conheçam a Claire! — William me apresentou as descerebradas e eu apenas sorri, fingindo uma simpatia que não existia. Elas me olharam de cima a baixo e deram um sorriso.

- Olá! — Saudaram-me.

- Oi! — Fingi entusiasmo.

- Oi Michael... — Mandy se aproximou de anjinho e ficou brincando com a gola de sua camiseta quadriculada.

- Oi Mandy. — Michael sorriu em sua direção. Era um sorriso tão lindo e tão... resplancescente que estava claro como a água que eles estavam afim um do outro.

Ele a puxou pela mão e logo, os dois estavam conversando como bons amantes. Fiquei com falta de ar e me lembrei do que Carol me dissera mais cedo.

"(...) Se você não fizer alguma coisa, mais cedo ou mais tarde, ele vai conhecer uma garota que esteja disposta a conquistá-lo e que lutará por ele. Nesse meio tempo, o que você terá feito, Ever? Ficará olhando as chances que tinha com ele serem desperdiçadas ou lutará pelo seu primeiro amor?"

Tudo bem que a Mandy não é nenhum bom partido, mas eles dois já ficaram algumas vezes. Vai que ele se apaixona por sua beleza artificial?

Sacudi a cabeça para afastar os maus pensamentos e comecei a andar pela casa, que era enorme. Vi os descerebrados se jogarem na pista de dança e fiquei parada em um canto, com a cara mais anti-social que eu consegui fazer, olhando Mandy e Michael dançarem coladinhos.

Estava com tanto ódio daquela cena, que por pouco eu não arranquei os cabelos daquela perua.

Minha distração era tão grande que eu levei um susto, ao ver Daniel parado ao meu lado.

- Está entediada? — Olhei rapidamente para ele e suspirei.

- Um pouco. — Dei de ombros.

- Pensei que gostasse de festas. — Aposto que se eu estivesse vestida como eu mesma esse diálogo não estaria acontecendo.

- Eu gosto, só estou desanimada.

- Quer dançar? Talvez isso te anime um pouco. — Eu ia recusar, mas foi só olhar para o sorriso perfeito de Daniel que acabei mudando de idéia. Era só uma dança...

- Claro! — Deixei que Daniel me pegasse pela mão e me conduzisse até a pista de dança.

Começamos a dançar uma música eletrônica que tocava e pela primeira vez naquela noite, eu me senti bem. Vez ou outra, nós riámos, principalmente quando eu pisava nos pobres pés de Daniel. Eu pedia desculpas, totalmente envergonhada, mas ele parecia não ligar. Continuava me olhando com aqueles olhos azuis cativantes e eu quase me esqueci que eu ainda era a Claire Collins, o que me fez ter uma sensação estranha.

Daniel me rodou algumas vezes e numa dessas rodadas, vi Michael me encarando com um olhar raivoso que decidi ignorar e olhei para a entrada da casa, onde 3 pessoas estranhas e mal vestidas acabam de entrar na festa e dançavam de um jeito desajeitado.

Usavam perucas coloridas na cabeça e eu quase tive uma síncope ao reconhecer Chris, Yuri e Caroline naquelas roupas estranhas.

- Daniel eu... preciso ir ao banheiro, já venho. — Ele assentiu, parecendo um pouco resignado.

- Tudo bem, vou falar com a Stacy. — Dei as costas para ele e fui até onde meus amigos estavam. Por sorte, muitos naquela festa também usavam perucas coloridas, o que fez com que eles passassem mais ou menos despercebidos.

- Não acredito que vocês vieram! — Falei embasbacada.

- Não perderíamos essa festa por nada! — Disse Chris, que usava uma peruca verde ridícula.

- Viemos nos esbaldar. — Completou Yuri, com uma peruca roxa na cabeça e Caroline, que estava com uma peruca rosa, apenas ria.

- Relaxa amiga. O Jeremy sabe que eu estou aqui. — Arregalei os olhos.

- Sabe?

- Sim, só ele sabe. Ninguém mais sabe que eu vim a essa festa além de nossos amigos e seu irmão. — Eu estava impressionada com isso. — Por falar nisso, vou lá falar com ele. — Minha amiga abriu um sorrisão e eu sorri junto com ela.

- Juízo! — Ela apenas riu e foi ao encontro do meu irmão, que a esperava sozinho em um canto.

Chris e Yuri se jogaram na posta de dança e eu fiquei parada feito uma mula, sem saber para onde ir.

Pensei em ir até o Daniel, mas o vi conversando e rindo com uma menina e decidi não interferir.

- Vamos embora. — Michael apareceu do nada do meu lado com cara de poucos amigos.

- Ok. — Respondi no mesmo tom e o segui.

- Aposto que você se divertiu hoje, dançando com o Daniel! — Levei um susto ao ver a chuva que caía então, aproveitei que eu já tinha saído da festa e tirei a peruca, colocando-a dentro da mochila.

A chuva caía forte e eu já estava totalmente encharcada, assim como o Michael. Desprendi meu cabelo e minha franja, pouco me lixando para o frio e para os raios que caíam a todo o tempo.

- E você se divertiu bastante flertando com a Mandy! — Gritei, tremendo de frio.

- Isso não tem nad...

- Tem tudo a ver Michael! Não sei porque está agindo desse jeito, parece até que está com ciúmes! — Ele começou a rir com o que eu havia dito.

- Eu, com ciúmes de você? — Perguntou desdenhoso. — Pensei que eu tivesse dito para que ficasse longe do Daniel.

- Ele não é um serial killer, Michael! — Eu nem acreditava que estava defendendo o Daniel. — A Mandy também não é flor que se cheire se você não sabe! — Dei alguns passos para a frente, me aproximando mais dele e encarando-o furiosamente.

Senti a chuva cair cada vez mais forte sobre nós e os trovões faziam barulhos ensurdecedores a nossa volta.

- Essa é uma situação totalmente diferente! — Michael também se aproximou de mim, me olhando com uma intensidade indescritível.

— Porque? Por você já ter ficado com ela? Eu sei me cuidar Michael! — Eu gritava cada vez mais e não me importava nenhum pouco com isso mesmo que isso não o afetasse.

- Não, você não sabe se cuidar. — Retrucou ele, se aproximando mais de mim. Estremeci e dessa vez, não era de frio. — E sabe porque? — Michael aproximou seus lábios do meu ouvido e passou a sussurrar.

Eu me arrepiei só de sentir a sua respiração quente batendo contra a minha bochecha.

- Não. — Minha voz estava trêmula demais e minhas pernas estavam do mesmo jeito.

- Porque se soubesse, teria se afastado dele. Daniel não é bom o suficiente para você. — A voz rouca e quente do Michael estava tão próxima a mim, fazia meu coração dar solavancos perigosos dentro do peito. Eu já não sentia mais a chuva caindo sobre mim e me fazendo sentir frio pois o calor do corpo do Michael parecia me aquecer. Eu já não ouvia mais os trovões fazerem barulho. Era como se a voz do Michael tivesse o poder de silenciar tudo a minha volta.

Michael pegou em minha cintura com as duas mãos e eu arfei, tentando não olhar dentro de seus olhos e me perder em suas orbes verdes. Eu desmoronaria se fizesse isso.

- E quem seria bom o suficiente para mim? — Tentei dar uma de despreocupada e irônica mas não funcionou.

Perto do Michael, a única coisa que funcionava era o jeito áspero com que eu o tratava e senti-lo tão perto de mim, me provocando daquele jeito, era difícil conseguir me concentrar em alguma coisa. Eu estava vulnerável, indefesa. Totalmente exposta.

- Quer mesmo que eu te responda? — Ele aproximou lentamente seu rosto do meu. Agora já era, eu teria que olhar dentro daqueles olhos hipnóticos que me levavam, me cativavam, me assombravam de uma forma apaixonante. Cansada de me esconder, olhei para seu rosto, que estava brilhoso por causa dos postes de luz da rua. Seus olhos verdes cristalinos, me olhavam com intensidade e um sorrisinho de canto adornava sua boca. Seus cabelos encharcados, pingavam, mas os meus estavam no mesmo estado.

Ficamos nos encarando por um bom tempo e eu senti meu coração fraquejar dentro do meu peito. Era uma sensação estranha e hipnótica. O que eu sentia pelo Michael ultrapassava aquilo que eu chamava de limite. Ultrapassava toda a barreira lógica que existia em minha mente e apagava qualquer resquício de controle que eu pudesse ter diante de situações como essa.

- Claro que eu quero. Estou curiosa. — Me surpreendi ao ver que eu não tinha gaguejado, mas minhas mãos estavam trêmulas, assim como todo o meu corpo.

Mandei todo o meu auto-controle para o lixo e acabei me esquecendo do que estávamos falando quando senti a ponta dos dedos de Michael tocaram a minha bochecha, causando em mim uma sensação de formigamento.

Com as mãos trêmulas, envolvi o pescoço de Michael e deixei que ele roçasse seus lábios em minha bochecha. Fechei os olhos, entorpecida, totalmente entregue, mas os abri quando vi que Michael afastou seu rosto do meu. Ficamos nos olhando intensamente por poucos segundos e percebi naquele instante que eu me lembraria desse momento a todo o instante e o visitaria em minhas lembranças sempre que eu pudesse.

Michael se aproximou de mim novamente e encostou seus lábios nos meus. Apertei meus braços ao redor de seu pescoço e suguei seu lábio inferior de um jeito desajeitado, que o fez dar um sorriso. Eu senti o gosto da chuva em minha boca, quando abri um pouco meus lábios e Michael fez o mesmo. O beijo começou calmo, a língua de Michael fazia com que eu me sentisse eletrizada e consequentemente, o beijo começou a acelerar. Minhas mãos acariciavam os ombros largos de Michael e o seu peitoral coberto pela camisa encharcada enquanto ele, acariciava meu rosto com uma mão e a outra, passeava pela minha coluna.

O frio sumiu conforme eu sentia as mãos de Michael quentes e provocativas me tocando e tinha certeza de que ele se sentia do mesmo jeito que o meu.

Louca para sentir a textura de seus cabelos cacheados, embrenhei minhas mãos entre seus fios macios e os baguncei um pouco, sorrindo entre o beijo. Eu estava me sentindo a garota mais feliz do mundo.

Michael sabia perfeitamente como hipnotizar uma garota. Toda a vez que eu olhava dentro dos seus olhos, eu me esquecia o que estava pensando ou o que eu estava falando. Todo o meu raciocínio lógico se esvaia quando estava ao seu lado.

Sempre que nossos lábios se tocavam, acontecia uma explosão de sentimentos dentro de mim. Era tudo tão mágico e tão intenso que estava se tornando um vício. Eu estava ficando entorpecida e dependente do Michael e de suas sensações arrebatadoras.

E ali, naquele beijo hipnótico e debaixo da chuva, desejei que aquele momento nunca tivesse um fim.

Notas finais
Awwwn meninas, tá aí o beijo na chuva que vcs tanto queriam! Devo confessar que esse beijo so aconteceria no Baile de máscaras da Escola de Artes mas acabei fazendo antes.
Quem ficou surpresa com o Jeremy?? Logo vcs verão o romance dele com a Carol por enquanto eles ainda são amigos haha. E o Daniel já está em ação, ele vai ajudar mt a Ever vocês ainda saberão o porque.
O baile da Escola de Artes acontecerá no próximo capítulo!! Finalmentee! Vai ser um capítulo bem legal e divertido, vcs vão ver!
E o que será que vai acontecer depois do beijo da Ever e do Michael hum? Qual será a reação do nosso anjinho?
Peço desculpas novamente pelo atraso, vou tentar atualizar no dia certo da próxima vez ok?
COMENTEM GENTE! Por favor, fico mt feliz quando vejo que vcs estão comentando!!!
Tenham uma boa noite, fiquem com DEUS! ♥