A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão
39 Capítulo 38 - Dia das Bruxas
Notas iniciais
Espero que vocês gostem do capítulo e me perdoem pelos erros (se tiver algum) que encontrarem.
Tenham uma boa leitura
Michael narrando:
O despertador tocou alto e estridente, fazendo com que eu abrisse os olhos meio assustado. Eu não havia pregado o olho a noite inteira e a única hora em que consegui dar um cochilo já era de manhã e vocês sabem como a hora passa voando quando você está com insônia e finalmente consegue dar uma cochilada.
O problema, é que o motivo da minha insônia era Ever Williams. Sempre era ela.
Desde que eu regressei para San Francisco, eu percebi que tudo havia mudado. Principalmente ela. Tanto fisicamente quanto na personalidade.
Seus cabelos, sempre lisos e escorridos, agora tinham ondas. Seu corpo havia ficado muito mais bonito do que na época em que namorávamos. Ao olhar naqueles olhos castanhos pela primeira vez depois de tanto tempo, eu percebi que ela me odiava.
Eu fui tolo em pensar que ela poderia ter esquecido de tudo o que aconteceu.
Ela ainda me amava, eu sabia que me amava. Mas me odiava também.
Lindsay, minha noiva, havia alugado um apartamento perto do prédio em que eu estava instalado. Eu não queria que ela tivesse vindo e eu sei que esse foi um dos pensamentos mais idiotas que eu já tive, levando em conta de que a Lindsay é a minha noiva.
O problema é que eu estava longe de sentir algo por ela.
Meu coração sempre pertenceu à Ever.
Quando eu voltei para San Francisco, percebi que não era só a Ever que estava com raiva de mim. Jeremy também havia ficado incomodado com o meu regresso. Tratei de explicá-lo o que havia acontecido para que eu tivesse ido embora daquele jeito e ele entendeu, apesar de ter discordado de algumas atitudes que eu tive.
Eu errei em não tê-la procurado depois que os problemas que me levaram embora haviam sido solucionados mas eu não tive coragem. Fui o pior tipo de covarde de todos.
Então, eu reencontrei a Lindsay. Ela era a minha melhor amiga até o dia em que ela fora morar na Inglaterra e eu ir para San Francisco.
A chamei para sair no mesmo dia, já que ela era a minha melhor amiga e eu não a via há muitos anos. Ela me apresentou seus amigos, todos músicos. Acabamos montando uma banda que fez muito sucesso e a Lindsay se declarou para mim e eu, acabei pedindo-a em namoro e em noivado depois de um tempo.
Nunca passou pela minha cabeça que um dia eu teria coragem de voltar para San Francisco e encarar Ever, sua família e amigos.
Eu queria muito poder dizer a Ever o quanto eu me sinto mal por ter feito com que ela sofresse tanto. O Jeremy fez questão de me relatar detalhadamente o estado de sua irmã após eu tê-la abandonado e isso fez com que eu me sentisse mais culpado ainda.
Eu chorava todos os dias quando me lembrava de suas palavras, dizendo-me todos os dias em que Ever se trancou em sua própria bolha e nas noites em que ele tinha que ir até o seu quarto e fazê-la dormir porque ela acabara de ter um pesadelo.
Eu me sentia um lixo e merecia me sentir daquele jeito. Eu a magoei e fiz com que ela se isolasse de tudo e de todos.
Porém, se eu dissesse que sou um cara sem coração, estarei mentindo pois o meu ainda acelera quando a vê.
Não teve um dia que eu não tenha sofrido e me punido pelo que eu fiz. Eu lia todos os e-mails que ela me mandava e digitava respostas imensas que eu sabia que nunca seriam enviadas, pois eu não tinha coragem nenhuma e muito menos palavras que explicassem tudo o que havia acontecido. Não naquela época.
Se ela soubesse o quanto eu lutava internamente com o dilema de enviar alguma resposta... mas eu não podia.
Papai e eu corríamos riscos e eu não podia cometer um deslize sequer. Por isso, eu acabava me contendo.
E agora eu sabia que tinha perdido a Ever.
De uma forma irrevogável e sem volta.
Ever narrando:
Abri os olhos, mas a vontade de fechá-los foi quase instantânea. Eu tinha acabado de sonhar com o Michael. O sonho foi tão real que por uma fração de segundos eu achei que aquilo tivesse mesmo acontecido.
Entretanto, eu sabia que sonhar com ele não era nada saudável.
Primeiro porque eu quase beijei o Michael ontem e aquilo era algo que NÃO podia acontecer de jeito nenhum.
Segundo porque eu teria que trabalhar com ele hoje e pelo resto da semana e eu tenho que ser forte. Principalmente agora que aquela Lindsay estava na área.
Engraçado. Lembrar da Lindsay fez com que eu me lembrasse da Mandy ontem, trabalhando no Mcdonald's. Acredite, aquele encontro foi super inusitado.
Flash back on:
– Mandy? O que você faz aqui? — Perguntei para a ruiva que me olhava atônita naquele momento.
– Eu estou trabalhando, oras. — ela deu de ombros, meio constrangida com aquela situação. — O que vai querer?
– Só dois sachês de ketchup. — eu disse. — Porque está trabalhando aqui?
– Porque quer saber? — retrucou.
– Apenas por curiosidade. — ela fez que não com a cabeça, colocando os dois sachês de ketchup que eu havia pedido em cima do balcão.
– Desculpe, mas este é um assunto particular e eu não gostaria de falar sobre ele. — olhei para Mandy um pouco perplexa, por causa do seu jeito totalmente diferente do qual eu era habituada há uns anos atrás.
– Tudo bem. — peguei os sachês de ketchup. — Se quiser conversar, me liga. — entreguei a ela um cartão com o número do meu celular.
Mandy sorriu de modo sincero (sim, ela sorriu sem parecer uma cobra cascavel) e pegou o cartão, guardando-o no bolso da calça e eu voltei para a mesa onde minhas amigas estavam sentadas.
Ela já me fizera muito mal no passado, mas éramos adolescentes na época e queríamos apenas nos dar bem no ensino médio. E eu não sentia mais rancor ou mágoa dela. Michael havia pego toda as minhas mágoas e direcionado-as somente para si.
Flash Back Of
Me levantei, rindo do modo que as minhas amigas ficaram quando lhes contei sobre a Mandy. As meninas não acreditaram no que eu falei. Sabe, sobre a Mandy estar diferente, sem aquela pose esnobe que ela costumava usar para afrontar as pessoas.
As três concordavam com a possibilidade de que a Mandy estava fingindo ser uma pobre coitada. Ou então, ela não havia conseguido seduzir os velhos milionários e acabou do outro lado do balcão, com o boné do Mcdonald's na cabeça.
Eu achava que havia algo mais. Mesmo sabendo que aquilo não era da minha conta, eu queria muito descobrir.
Mandy sempre fora o tipo de pessoa que não media esforços para conseguir o que queria. Era estranho vê-la agindo daquela maneira tão desconfiada e acuada.
Ela não parecia ser a mesma.
Peguei uma roupa qualquer em meu closet, com a intenção de que com aquele gesto eu provasse para eu mesma que não dava a mínima para a roupa que eu usava para trabalhar com o Michael. Mas quando eu percebi que havia pego uma blusa do Ursinhos Carinhosos, percebi que aquilo era uma tremenda mentira, já que coloquei a blusa de volta no armário.
Fui direto para o banheiro logo em seguida, tomando uma ducha que me fez relaxar rapidamente. A coragem de trabalhar com o Michael voltava aos poucos para mim, mas eu sentia que não seria nada fácil encará-lo todos os dias até que a festa beneficente finalmente acontecesse.
[...]
O barulho dos meus saltos anunciaram a minha chegada à Escola de Artes naquela manhã. Cumprimentei os professores que passavam pelos corredores, prontos para começarem as suas respectivas aulas e também alguns alunos que eu tinha feito amizade.
A sala que papai disponibilizara para que eu e o Michael ensaiasse as crianças era a mesma onde costumava ser o salão de festas.
Fiquei aliviada quando percebi que o Michael ainda não havia chegado e entrei na sala, ajeitando as pastas que eu carregava em meus braços em cima de um piano.
O ensaio com as crianças só começaria daqui há alguns dias, mas como papai queria que eu e o Michael trabalhássemos juntos, decidimos fazer o planejamento de todas as aulas que faríamos antes das crianças aparecerem.
Tentei não pensar no quanto aquela sala era repleta de lembranças e levei um pequeno susto ao ver Michael entrando na sala, passando a mão pelos cachos molhados de seu cabelo.
Ele tentou sorrir para mim, mas só conseguiu dar um aceno de cabeça desajeitado. Eu apenas retribuí o aceno de um jeito duro e firme.
– Desculpe o atraso. — ele disse, reprimindo um bocejo. — Tive um problema com a fechadura da porta do meu apartamento.
Michael parecia cansado e abatido. Algumas olheiras estragavam seu rostinho de pop star. Nada que uma maquiagem não fosse capaz de resolver.
Ele puxou uma cadeira, sentando-se em frente a uma mesa de madeira, colocando as pastas que tinha trazido em cima dela. Fiz exatamente o mesmo que ele.
– Sem problemas. — respondi por fim.
Michael abriu um caderno cheio de anotações e preparou-se para ler as suas sugestões para mim em voz alta.
– Sabe, eu não sei se você irá concordar comigo, mas eu acho que deveríamos fazer uma pequena e rápida audição individual com as crianças que irão cantar, para sabermos o tipo de voz que cada uma tem. Porque não podemos colocar uma garota que é contralto no 1° soprano por exemplo. — eu estava muito aliviada por ver que o Michael não havia tocado no assunto da festa. Por isso, tratei de ficar menos rígida na cadeira que eu ocupava.
– Uma audição individual irá demorar muito, não acha? — eu perguntei, sentindo um pouco de raiva por ver que ele estava agindo como se nada tivesse acontecido ontem a noite. Achei que ele fosse comentar, ou até pedir desculpas pelo seu atrevimento mas a única coisa que ele fazia era olhar para o seu caderno repleto de anotações.
Tudo bem, eu estava torcendo para que ele não dissesse nada mas uma parte muito irritante dentro de mim tinha certeza de que ele ia dizer alguma coisa.
– Seu pai disse que não serão muitas crianças que vão cantar. — ele disse. — Além do mais, é necessário que cada uma saiba qual é o seu tom de voz.
– É perda de tempo. — eu disse, olhando-o duramente.
– Perda de tempo? Desculpe Ever, mas não acho certo colocar as crianças para cantarem sem fazer uma divisão de voz correta. Nem todo o mundo é 1° soprano ou tenor. — Michael ergueu os olhos do caderno, olhando-me irritado. Aquilo fez com que eu ficasse mais rígida ainda na cadeira.
– Eu sei disso. — rolei os olhos, impaciente. — Estou dizendo que uma audição individual pode tomar o pouco tempo que temos. Ensaiar um coral infantil é mais trabalhoso do que você pensa. — rebati, vendo o rosto do Michael ficar vermelho.
– Não interessa! — bradou. — Eu falei com o seu pai sobre a audição e ele disse que era uma ótima idéia. Não me importo em perder tempo trabalhando em algo que pode fazer toda a diferença nesta apresentação então, porque você não deixa os problemas pessoais que tem comigo de fora e age como uma profissional? Não estamos mais no Ensino Médio. — engoli em seco ao ouvir as duras palavras que ele havia proferido.
Michael estava certo, eu estava sendo muito imatura.
– É, tem razão. Não estamos mais no ensino médio. — eu murmurei. — Então faremos a audição. — ele deu um mínimo sorriso quando viu que eu havia concordado com ele.
Me concentrei somente no trabalho, expondo as minhas idéias para o Michael, que acabou gostando da maioria. Entramos em um acordo, mas o clima entre nós era tão estranho quanto ver a Mandy trabalhando no Mcdonald's.
[...]
O sol em San Francisco brilhava forte, aquecendo-me e confortando-me. Eu havia acabado de sair da Escola de Artes e descia os degraus da escada vagarosamente, aproveitando a sensação de conforto do sol batendo em meu rosto.
– Se eu soubesse que você gostava tanto de sol não teria comprado um óculos escuro para você. — abri os olhos ao me deparar com a presença sempre tão leve de Danny e sorri quando o vi parado no final da escadaria.
– Danny! — gritei, contente, descendo os degraus rapidamente e abraçando-o apertado quando o alcancei.
– Que saudades da minha menininha. — de repente, eu me senti mais feliz. Danny havia voltado e estava ali em minha frente, me abraçando apertado. Só de ouvir o som da sua voz, eu já me sentia melhor.
– Eu senti sua falta, idiota. — ele riu com o meu xingamento carinhoso.
– Também senti a sua, chatinha. — Danny bagunçou os meus cabelos quando se afastou de mim.
Continuamos próximos um do outro o suficiente para que eu sentisse a respiração quente de Daniel batendo em meu rosto. Nós dois sorrimos um para o outro e Danny segurou meus cotovelos.
Ouvimos alguém pigarreando e nos afastamos abruptamente ao vermos Michael na entrada da Escola de Artes, olhando para nós com um olhar de raiva.
– O que esse cara está fazendo aqui? — Daniel praticamente cuspiu a pergunta, afastando-se de mim e olhando para Michael furiosamente.
– Eu tenho nome, Delamon's. — disse Michael, descendo as escadas vagarosamente. — E voltei para ficar. — os dois se encaravam mortalmente. Por um momento, me senti dentro do jogo Mortal Kombat, onde os rivais lutadores se olhavam de forma motífera antes de se embolarem no chão.
– Você é um cara de pau mesmo... depois de tudo o que você fez para a Ever não acredito que teve a audácia de voltar. — Michael não se abalou com o que Daniel dissera e se por algum acaso se abalou, não deixou transparecer.
– Eu voltei porque eu quis, Daniel. Eu tive os meus motivos para partir e eles não são da sua conta. — Ao olhar para os dois distribuindo foras um para o outro e trocando olhares capazes de te deixar amedrontado, me peguei pensando na época em que eles eram amigos e costumavam andar juntos.
Ainda não sabia exatamente o motivo deles estarem se tratando daquela maneira, mas o dia em que o Danny traiu a minha confiança ajudando a Mandy e a Stacy a me desmascarar quando eu ainda era a Claire Collins tinha algo haver com isso. Michael ter ido embora também contribuía para aquela rivalidade.
– Claro, os motivos também não foram da conta da Ever, não é? Sendo a sua namorada na época, acho que ela tinha o direito de saber que você estava deixando o país. Mas acho que você não se importava o suficiente com a Ever para sequer pensar em contá-la o que estava acontecendo. — Michael ficou calado por um tempo, mais vermelho do que um tomate.
– Eu não podia contar para ninguém, caramba! — ele exclamou de um jeito exasperado. — Se eu pudesse, teria contado para ela, droga!
– Parem de falar de mim como se eu não estivesse aqui, por favor! — gritei, já farta de ouvir aquela discussão tão patética sobre mim.
– Você é um covarde, Michael! Você foi e continua sendo um covarde! — agora Daniel e Michael estavam próximos o suficiente para se embolarem no chão. Eu tinha que impedir aquela briga.
– Cale a boca! — ordenou Michael.
– Deve ser doloroso ouvir a verdade, não? — Michael deu um passo para a frente, disposto a bater em Daniel, mas me coloquei entre os dois, espalmando as minhas mãos no peito de Michael, que parecia mais furioso do que o Danny.
– Parem de agir como crianças! — pedi, colocando uma das mãos no peito de Danny quando percebi que ele queria ir para cima do Michael também. — Vamos embora, Daniel. — com muita relutância, Danny fez o que eu pedi, lançando um olhar enviesado para o Michael, que retribuiu a altura.
Impedi um combate de acontecer mas não estava bem certa de que conseguiria essa façanha novamente se os dois resolvessem se enfrentar em um lugar em que eu não esteja presente.
[...]
Michael narrando:
Grunhi, jogando minhas pastas no chão do meu apartamento e chutando tudo o que eu via pela frente, desejando que cada objeto chutado se transformasse naquele idiota do Daniel. Ele não tinha o direito de se meter em assuntos que não eram da conta dele.
Eu sabia que ele tinha razão, mas eu me punia diariamente para que idiotas como ele não viessem perturbar o meu juízo.
Mas o que mais me irritou foi o clima entre a Ever e o Daniel. Ela estava tão feliz nos braços dele que por um momento eu tive inveja dele. Poderia ser eu ali, se eu não tivesse estragado tudo.
Entretanto, eu não tive escolha. Se eu ficasse em San Francisco quando tudo aconteceu, poderia não estar vivo agora para ver a Ever abraçando aquele mané e eu falo de algo mais grave do que a leucemia que eu já havia sido curado.
Soquei a mesinha de centro, fazendo com que ela rachasse. Não me dando por satisfeito, joguei um copo no chão, o vidro estilhaçou de forma tão brusca que um caco enorme acabou cortando a minha mão.
– Michael, o que deu em você?- Lindsay apareceu no corredor, olhando a sala bagunçada e para meu rosto vermelho e minha mão ensanguentada.
– O que você está fazendo no meu apartamento? — perguntei, irritado com aquela invasão repentina. Não me lembrava de ter dado uma cópia da chave do meu apartamento para ela.
– O porteiro me disse onde você guarda a chave reserva. — ela disse, se aproximando de mim e pegando em minha mão ensanguentada. — Porque está destruindo o seu próprio apartamento? — minha noiva ergueu seus grandes olhos castanhos para mim, percebendo o que se passava comigo somente pelo olhar. Nem em dei ao trabalho de respondê-la.
– Foi ela, não foi? — Lindsay sabia da minha história com a Ever e quando aceitou namorar comigo, estava ciente de que eu ainda nutria sentimentos por ela. Sentimentos mal resolvidos.
– Foi. — murmurei, incapaz de olhar para o seu rosto.
– Michael, eu sei que você gosta dela mas você poderia se esforçar um pouco para que isso não transpareça com frequência? — pediu, enrolando um pano em minha mão machucada. — Eu estou aqui com você, entendeu? E vou estar até o final e sabe porquê? Porque eu te amo. A Ever não se importa com você do jeito que eu me importo. Você deve deixá-la para lá, guardada num canto obscuro da sua memória. — eu parecia um garotinho recebendo orientações de sua mãe.
Uma parte dentro de mim sabia que a Ever nunca mais iria me aceitar de volta em sua vida. Eu a magoei de uma forma irreversível. Não havia conserto para o meu erro.
E a Lindsay estava ali, cuidando de mim. Ela sempre esteve. E eu ainda sentia algo por ela. Não era tão grande o sentimento que eu nutria por ela, mas era o suficiente para me fazer querer continuar com aquele noivado.
– Obrigado por tudo, Lind. Você é muito especial para mim. — declarei, fazendo carinho em sua bochecha. Ela sorriu, encurtando a distância que nossos corpos estavam e me beijou. Não era como beijar a Ever, mas não deixava de ser um beijo agradável.
Deixei que o beijo se tornasse mais urgente e mal percebi o momento em que Lindsay retirou a minha jaqueta embrenhou suas mãos por debaixo da minha blusa.
Caímos em cima do sofá de couro preto e ali, acabei me esquecendo de que a minha vida era miseravelmente infeliz e que não voltaria a ser a mesma nunca mais.
[...]
Ever narrando:
– E aí, gostou? — Danny perguntou, na expectativa. Me analisei no pequeno espelhinho que eu carregava para cima e para baixo em minha bolsa, fazendo um biquinho para o meu reflexo.
– Eu amei Danny, obrigada. — agradeci, retirando meus novos óculos de sol, feliz da vida. Daniel sorriu, satisfeito.
– Fico feliz que tenha gostado. — ele disse, passando um dos seus braços por trás de mim e abraçando-me pelos ombros. — E adivinha quem conseguiu um contrato numa gravadora? — eu gritei, ficando cada vez mais eufórica.
– Isso é sério mesmo? — ele assentiu com a cabeça.
– Sim. Eu tenho uma banda com Rafael, Paul e mais alguns caras. Começaremos a gravar em breve e conforme o andar da carruagem, se tudo der certo, saíremos em turnê mundial para divulgarmos o CD. — dei um sorrisão e continuei dando alguns gritinhos, alegre. Não é porque minha vida está uma desgraça que não posso ficar alegre pelos planos dos meus amigos estarem dando certo.
– Mudando de assunto, porque você não me disse que o Michael tinha voltado? — Danny fez uma careta ao pronunciar o nome dele.
– Porque eu achei que era desnecessário. — dei de ombros. — Além do mais, papai está praticamente me obrigando a trabalhar com ele então, mais cedo ou mais tarde você saberia que ele voltou.
– Você sabe que ele está noivo, né?
– Os tablóides de fofoca não me deixam na ignorância há algum tempo. — nós rimos um bocado e Danny segurou meu queixo com uma das mãos.
– Ever, você sabe que é especial, não sabe? Não deixe aquele cara te machucar de novo. — meus olhos marejados não me impediram de olhar fixamente para o Danny. Olhos não tão intensos como o de Michael mas brilhantes e sinceros.
– Eu não vou deixar. — ele sorriu, aproximando seu rosto do meu.
Não impedi que ele encostasse seus lábios nos meus e abri minha boca devagarzinho quando senti sua língua em meus lábios.
Minhas mãos fincaram-se em seus ombros fortes e as dele me puxaram pela cintura, fazendo com que nossos corpos ficassem ainda mais colados. Minhas mãos acabaram indo parar em seu pescoço, acariciando a região de sua nuca e seus cabelos negros e totalmente lisos.
Nos separamos um pouco e encostei minha cabeça no vão do seu pescoço, sentindo as mãos de Danny rodeando o meu corpo, dando-me uma sensação de conforto que parecia ter se perdido dentro de mim.
[...]
– Me devolve essa porcaria agora, Chris! — Caroline gritou, enfezada ao ver Chris pegando de sua mão seu celular, que continha uma nova mensagem do Jeremy.
Segundo a minha amiga, Jeremy estava muito esquisito ultimamente, cheio de segredos e mistérios, o que Chris e Yuri nomearam de "Síndrome do Michael" já que era exatamente assim que ele agia quando namorávamos. Caroline ficou totalmente alarmada quando os dois disseram isso para ela, deixando-a totalmente paranóica.
– "Meu amor, estou muito ocupado agora. Depois nos falamos melhor, tudo bem?" — Chris leu em voz alta o conteúdo da mensagem.
Caroline conseguiu arrancar o celular da mão dele com um puxão violento.
– Ele está muito estranho... cadê o "Eu te amo" no final da mensagem que ele sempre costumava me mandar? Ai meu Deus, será que ele vai terminar comigo? — mandei um olhar mortífero na direção dos meus amigos, porque era por culpa deles que minha amiga estava neurótica. — Será que ele vai para a França que nem o Michael fez há 5 anos atrás?
– Pare de pensar besteiras, Car. — pedi, vendo que minha amiga carregava um olhar preocupado enquanto olhava o celular.
Nós três caminhávamos pelas ruas, passeando um pouco e aproveitando aquele dia tão bom e ensolarado. Danny havia ido se encontrar com o pessoal de sua banda e Serena estava trabalhando numa nova linha de roupas, já que ela havia se tornado uma estilista e Selena estava enrolada com um novo projeto.
– É, o Jeremy não é como o Michael. — disse Yuri, mastigando um chiclete.
– Mas ele pode estar cansado de mim, já pensaram nisso? Estamos há quase 5 anos juntos! — Exclamou, digitando algo no telefone e guardando-o no bolso novamente.
– Pergunta pra ele o que está acontecendo, oras. — sugeriu Chris.
Eu e Yuri concordamos com a cabeça.
– Eu perguntei por SMS mas acho que ele não vai me responder por estar ocupado. — ela revirou os olhos impaciente.
– Se o assunto for sério, acha mesmo que ele vai te responder por SMS? — perguntei, arqueando uma sobrancelha.
– Relaxa, Car. — Chris colocou uma mão no ombro dela.
– É, fica tranquila. Não acredito que seja algo sério. — Yuri também tentou acalmá-la.
– Ora, ora, ora... se não é a Ever e sua trupe. — aquela voz enjoada me deu vontade de vomitar. Eu e meus amigos paramos de andar assim que demos de cara com a Lindsay, que nos olhava de modo debochado.
– Ora, ora, ora... se não é a vaca chifruda. — Caroline provocou, fazendo com que eu e os garotos caíssemos na risada.
– Chifruda? Não acredite nos programas de fofoca, querida. Eles mentem mais do que falam a verdade. — o sorriso não sumiu do seu rosto.
– Não é o que as fotos dizem, querida. — eu disse, fazendo com que aquela idiota me encarasse desafiadoramente.
– Sabe, ainda não consigo acreditar que o Michael namorou com uma garota tão sem graça e fracassada como você.
– E eu ainda não entendo como ele teve coragem de te pedir em casamento porque aturar você deve ser pior do que sentar em cima de um formigueiro. — meus amigos riram vitoriosamente com a minha frase.
– Minha companhia é boa o bastante para fazê-lo dormir comigo quantas vezes eu tiver vontade. Eu desperto o seu desejo somente com um beijo. — eu grunhi baixinho, mal acreditando nas coisas que eu ouvia.
– Como se eu fosse acreditar em você.
– Não é porque ele nunca sentiu desejo por você que o mesmo acontece comigo, Ever. Hoje mesmo, enquanto ele sofria porque você fez a sua birra matinal, eu fui capaz de acalmá-lo e consolá-lo. Eu estava lá reparando os danos que você causou e no final, acabamos dormindo agarradinhos em um sofá. Creio que a imaginação de vocês pode concluir como tudo acabou. Mas se ainda não entenderam o que eu quis dizer, pense em nossas roupas espalhadas pelo chão e entenderão o que aconteceu entre nós. — fechei minhas mãos, irritada com a ousadia daquela mulher.
Eu me senti tão mal por saber o que o Michael e ela haviam feito que fiquei sem fala por bastante tempo. Contudo, eu sabia que não deveria me sentir daquele jeito. Eles eram noivos, podiam fazer o que bem entendessem. Mesmo com aquela constatação, a tristeza que eu senti com aquilo foi enorme.
– Você é ridícula! — gritou Yuri. — Seu cabelo é falso e você não calça 36 sua bruxa!
– Guarde suas atividades sexuais para você, querida. — eu disse, mais recomposta do que antes.
– Não me interessa saber o que vocês acham de mim. — ela retirou de dentro da bolsa 4 envelopes vermelhos de uma bolsa, estendendo em nossa direção. — Eu vou dar uma festa de Halloween no sábado. Aposto que vocês vão se divertir muito. Fiquei sabendo que a sua bandinha não irá se apresentar esta semana. Aproveite a folga e vá, Ever. — ela saiu rindo assim que o Chris pegou os convites da mão dela.
– BRUXA! — gritei. — Eu odeio ela!
Como ela sabia que a minha banda não ia tocar neste sábado?
– Mas eu não perco essa festa por nada! — disse Chris, empolgado. — Podemos nos vingar dela. — completou, dando um sorriso maldoso.
– Isso! Podemos matá-la e entregar os pedaços para os tubarões. — sugeri.
– Eu estava pensando em um pouco de pó de mico e uma fantasia coçante. — nós 3 nos entreolhamos, sorridentes e confiantes.
Já que Lindsay havia feito a burrada de nos convidar para a sua festa para nos ridicularizar, ela provaria do seu próprio veneno.
[...]
Os últimos preparativos para a festa da Lindsay estavam a todo vapor. A maior parte da cidade só falava nisso, inclusive. A víbora estava fazendo tudo aquilo para se amostrar.
Sua festa idiota aconteceria no maior salão de festas da cidade, com pista de dança, área de piscina, área para os casais, área para fumantes, área para os cachorros, passarinhos e papagaios e mais um monte de outras coisas que só me deixavam cada vez mais fula da vida.
Ela havia convidado um monte gente, incluindo alguns artistas e eu mal podia contar nos dedos a quantidade de pessoas que gostariam de ter sido convidadas para essa festa.
E como hoje era o dia da festa, eu estava super ansiosa por causa disso. Eu, Chris, Yuri e Caroline iríamos colocar pó de mico na fantasia da Lindsay.
Com a ajuda de Serena e Selena, descobrimos que a Lindsay iria se trocar no apartamento do Michael e nós iríamos invadi-lo. As duas iriam distrair o casal idiota caso Michael ainda esteja lá (o que eu acho difícil, já que Serena havia me dito que ele iria mais cedo para o salão de festas no intuito de recepcionar os convidados). Nós entraríamos com a chave reserva que fica debaixo do tapete (Selena havia me garantido que era lá que ele guardava a chave reserva).
A fantasia que eu usava era a de Rainha de Copas customizada por eu mesma. Um vestido rodado e cheio na parte da saia que ia até os joelhos. Na parte da saia, ele era banco com o desenho de copas em vermelho e na parte de cima, todo preto. Eu também usava meia-calça branca e sapatos de salto preto. Meus cabelos estavam presos para o lado, num rabo de cavalo diferente e estiloso. Meu rosto, impecavelmente maquiado, foi o que deu o up que faltava em meu visual.
A campainha tocou e Caroline, Chris e Yuri apareceram bem animados em minha frente quando fui atender a porta.
Selena e Serena não haviam sido convidadas para a festa e não podiam entrar sem convites então, ficaram em casa.
Caroline estava vestida de Alice no País das Maravilhas. A fantasia caíra como uma luva para ela. Já Chris estava vestido de jogador de basquete e Yuri de Homem-aranha.
Jeremy não iria para a festa apesar de ter sido convidado porque meus pais haviam praticamente o obrigado a ajudar Jack a tocar uma música na bateria.
– Ever, sua fantasia está show de bola! — elogiou-me Chris.
– Obrigada! Vocês também estão demais. — fechei a porta atrás de mim e andamos rapidamente para o prédio de Michael.
Eu estava torcendo para que tudo desse certo. Se não achássemos a chave reserva, teríamos que recorrer a Serena e Selena, que estavam chateadas de terem sido deixadas de fora da festa.
– Trouxe o pó de mico? — Yuri perguntou para o Chris.
– Claro, não sou idiota. — Caroline riu com o que Chris dissera.
Entramos no prédio em que o Michael morava alguns minutos depois, passamos pelo hall e saudamos o porteiro que sorriu ao nos ver fantasiados. No dia de Halloween era super normal sair por aí fantasiado.
Entramos no elevador e Carol fez questão de apertar o andar em que o Michael morava.
– Estou com medo. — confessou ela baixinho.
– Vai dar tudo certo dessa vez. — tentei encorajá-la. — Além do mais, essa broaca está merecendo!
– Mas e se ela se coçar dentro do prédio e resolver tirar a fantasia?
– O salão de festas é aqui na esquina e ela não vai ter tempo de alugar ou comprar uma outra fantasia em cima da hora. Por via das dúvidas, passarei pó de mico em todas as suas roupas. — disse Chris, rindo de forma engraçada.
Saímos do elevador e paramos em frente a porta do apartamento do Michael. Abaixei-me, levantando o tapete que ficava em frente a porta e bingo! Lá estava a chave reserva.
Encaixei a chave na fechadura sob os olhares ansiosos dos meus amigos e abri apenas uma fresta da porta, temendo ser pega por Lindsay.
Assim que percebi que a passagem estava livre, entrei, vendo que meus amigos me seguiam.
– Michael , é você? — ouvi a voz de Lindsay, que provavelmente vinha do banheiro, já que o barulho de água caindo indicava que ela estava tomando banho.
Eu e meus amigos nos entreolhamos, aflitos, e fechei a porta cuidadosamente atrás de mim.
Parei para reparar no lugar que Michael estava morando e percebi que era um lugar bonito, aconchegante e confortável.
– Não temos tempo para reparar em nada agora, Ever. — Yuri sussurrou, indo atrás de Chris e Caroline, que aparentemente já haviam descoberto onde as coisas de Lindsay estavam e os segui.
O quarto era simples, claro e tão bonito quanto a sala. A fantasia de Lindsay estava em cima da cama. Ela iria de melindrosa. Porque será que eu não me surpreendi? O vestido era azul royal e aparentava ser bem curto.
Chris retirou o pote de pó de mico do bolso e despejou com cuidado sobre a fantasia da vaca.
Nós ríamos silenciosamente.
– Agora põe nas outras peças de roupa dela! — incentivei. Chris fez o que eu disse, pegando as poucas peças de roupa guardadas no closet e despejando o pó de mico por ali também.
– Acho que alguém terá uma festa muito agradável. — Yuri debochou.
Caroline, como sempre, mal se mexia. Percebemos que o barulho do chuveiro havia cessado e resolvemos sair dali.
O problema, é que quando chegamos na sala, vimos que alguém entrava no apartamento e nos enfiamos atrás do sofá. Fiz uma careta de nojo ao lembrar que Lindsay dissera ter feito nojeira com o Michael em um sofá e eu tinha certeza de que era nesse mesmo sofá que nos escondíamos agora.
– Onde foi que eu deixei a chave reserva? — Michael perguntou para ele mesmo em voz alta. Arregalei os olhos ao notar que a chave estava na minha mão.
– O anjinho é maluco. — Caroline cutucou Chris com força quando ele fez o comentário.
– Ai, sua bruta! — Chris gritou, se levantando e saindo de trás do sofá. Abaixei a cabeça, envergonhada e Yuri fez o mesmo que eu.
– And here we go again... — sussurrou Carol para mim de forma derrotada.
– O que vocês estão fazendo aqui? — fechei os olhos com força quando vi Michael parado perto de onde estávamos.
Eu, Caroline e Yuri nos levantamos, mortos de vergonha. Eu fuzilava Chris com o olhar, já que fora ele que arruinara tudo outra vez.
O circo iria pegar fogo se Lindsay visse que estávamos aqui também.
Olhei para Michael, reparando em sua fantasia. Ele estava vestido de Aladim e havia ficado MUITO lindo. Principalmente porque a fantasia deixava-o com o peito praticamente nu. A partir daí, preferi ocupar a minha mente com pôneis, fadas, duendes e gnomos mas eu sabia que a imagem do Michael já havia sido registrada na minha mente.
– O gato comeu a língua de vocês?
– Eu não tenho nada haver com isso! — Caroline levantou as mãos e eu e meus amigos olhamos incrédulos para ela.
– Depois de tanto tempo vocês continuam fazendo as mesmas burrices? — nós sabíamos que aquela era uma pergunta retórica. — O que vocês estavam fazendo aqui?
– É que... bom, SURPRESA! — eu disse, sorrindo amarelo e peguei um vasinho de plantas que tinha ali perto, estendendo-lhe como se fosse um presente.
– Parabéns, você ganhou o concurso da fantasia mais bonita. — Chris acrescentou.
– Vocês invadiram o meu apartamento por isso? — estava na cara que ele não havia acreditado em nada do que dissemos. Eu ia responder a sua pergunta, mas quando ouvi a porta do banheiro se abrindo, percebi que tínhamos que cair fora. Coloquei a chave reserva na mão do Michael e corri para a porta.
– O papo tá bom mas nós temos que ir. — eu disse baixinho, abrindo a porta. Meus amigos não exitaram em me seguir.
Deixamos um Michael-Aladim confuso para trás e corremos como se nossas vidas dependessem disso.
Ao saírmos do prédio, esmurrei o Chris, pois era por culpa dele que havíamos sido pegos.
– Você é maluco ou o quê? Quando a Lindsay começar a se coçar o Michael vai saber que fomos nós. — esbravejei, enquanto ele acariciava o braço que eu havia socado.
– A culpa foi da Caroline, como sempre! — ele exclamou, apontando para a loira que ainda estava pálida devido ao susto.
– Minha culpa uma ova! Eu nem te cutuquei com força e você já fez logo uma tempestade em copo d'água. — eu e Yuri nos entreolhamos e eu logo me lembrei de que algo parecido havia acontecido no passado.
Nós sempre éramos pegos no flagra.
– Você sabe que me cutucou com força. — ele disse, andando irritado em nossa frente.
Paramos em frente ao salão de festas e olhamos de modo abismado para a fachada do local. Já havia escurecido e o local era tão iluminado que eu me senti dentro de um parque de diversões e olha que eu estava do lado de fora! Meus amigos ficaram tão boquiabertos quanto eu.
Dois seguranças parrudos estavam na porta, barrando a entrada da imprensa e dos penetras. A calçada estava lotada de pessoas e fotógrafos não paravam de tirar fotos da fachada e dos convidados que entravam no salão de festas.
– AI MEU DEUS OLHA O LEONARDO DICAPRIO ALI! — Caroline gritou, vendo-o entrando na festa. Ela era super fã dele.
O alvoroço ficou maior depois disso. Nos misturamos com a multidão até chegarmos perto dos seguranças. Estendemos nossos convites na direção de um dos seguranças, que logo pegou os convites de nossas mãos. O idiota ficou analisando os convites e sem mais nem menos, disse:
– Os convites são falsos. — Chris começou a rir espalhafatosamente.
– Você tá' brincando né? — perguntei, já começando a achar que tudo aquilo era uma maldita pegadinha da Lindsay para envergonhar a mim e aos meus amigos.
– Não estou não. Os convites são rosa-choque e não vermelho. — respondeu o segurança, presunçoso.
– Mas foi a própria dona da festa que os entregou! — Caroline falou tão alto que acabou chamando a atenção da imprensa, que se aproximaram de nós feito urubus loucos para pousarem em cima da carniça. Eles tiravam fotos de nós e alguns repórteres já se preparavam para relatar o ocorrido.
– Desculpem, mas vocês terão que se retirar. — o segurança tentou segurar o meu braço mas eu me esquivei.
– Isso é injusto! — gritou Yuri
– Nós merecemos entrar nessa festa! — eu também gritei.
– Se vocês não se retirarem, teremos que tirar vocês a força. — outros 6 seguranças apareceram, um mais intimidador que o outro.
Nessa hora, Lindsay apareceu de braços dados com o Michael. Assim que nos viu, deu um sorriso que dizia "se deram mal."
– Olha ela aí! — exclamou Caroline. — Diga para ele que você nos convidou. — fiz que não com a cabeça, segurando minha amiga pelo pulso. Era exatamente o que a Lindsay queria: Nos envergonhar.
– Eu não me lembro de ter convidado vocês, me desculpe. — ela me encarou de forma triunfante e eu olhei para seu rosto com um ódio iminente. Porque ela não estava se coçando? Aquela era uma boa hora para ela começar a se coçar. Bem ali, na frente da imprensa.
– Claro que lembra! — disse Chris, inconformado. — Michael, deixa a gente entrar, cara.
– Desculpem, mas não sou eu quem decide. — Michael disse, sério. Lindsay abriu mais o sorriso e Michael acenou para os fotógrafos antes de entrar na festa.
Eu fiquei parada e sem reação enquanto sentia os flash's das câmeras me cegando.
Os seguranças nos escoltaram até a esquina e aí sim eu pude extravasar.
– CELEBRIDADES DE MERDA, PALHAÇOS, RIDÍCULOS, DESGRAÇADOS! — eu gritei chutando o ar e socando pessoas imaginárias. — Aquele idiota fingiu que nem nos conhecia! E a lambisgóia fez aquilo de propósito! EU ODEIO OS DOIS, ODEIO!
– Cara, amanhã estaremos nas notícias de fofoca do programa Fofocas dos Artistas. — disse Chris irritado.
– Estou tão envergonhada... — Caroline disse, enquanto eu derramava lágrimas de raiva.
– Ei, vocês. — ouvimos uma voz feminina nos chamando e nos viramos, vendo uma mulher com um microfone na mão e um câmera-man logo atrás dela. — Vocês podem responder algumas perguntas? — eu ia dizer não, mas percebi que aquela era a minha chance de poder me vingar daqueles dois.
– Claro. — sequei as lágrimas com cuidado para não borrar a maquiagem do rosto e sorri de forma maldosa. — O que querem saber?
– Ever, ficou maluca? — Caroline sussurrou.
– Relaxa, eu sei o que estou fazendo. — murmurei entre-dentes sem desfazer o sorriso do rosto. A repórter sorriu, indicando para o câmera que ele já podia começar a gravar.
– E então, é verdade que vocês conhecem a Lindsay? — perguntou a repórter.
– Claro!
– Então porque ela daria convites falsos para vocês serem impedidos de entrar na festa?
– Porque ela me odeia desde que descobriu que o Michael nunca deixou de me amar. — meus amigos me olharam perplexos e a repórter arregalou os olhos quando eu disse aquilo.
– Pode explicar melhor?
– Eu e o Michael tivemos um relacionamento. Porém, ele teve gonorréia e por isso tivemos que nos separar. Daí ele conheceu a Lindsay e a pediu em namoro mas ele começou a se encontrar as escondidas comigo. Ele nem a ama porque a Lindsay tem bafo de cachaça, distúrbios mentais e não toma banho, por isso vive se coçando. O Michael só a atura porque Lindsay ameaçou contar para todo o mundo que ele é... broxa. — meus amigos caíram na risada e a repórter me olhou como se eu fosse louca.
– Você quer mesmo que eu acredite nisso?
– Olha, você não precisa acreditar mas... — eu peguei meu celular, mostrando a ela uma foto minha beijando Michael. A repórter arregalou os olhos quando viu e os meus amigos ficaram surpresos ao verem que eu ainda tinha aquela foto. — Essa fotografia comprova o quanto o Michael ainda me ama e que se não fosse pela Lindsay, ainda estaríamos juntos. Ela nos convidou para essa festa para nos fazer passar vergonha. Os meus amigos não tem culpa de nada. A Lindsay é louca! — A repórter acreditou na minha mentira e eu, fingi que estava chorando para ficar mais convincente.
O mais inusitado foi perceber que o choro parecia ser de mentira, mas as lágrimas que saíram dos meus olhos eram totalmente verdadeiras.
[...]
A repórter garantiu que a entrevista estaria no ar amanhã no "Fofoca dos Artistas." Meus amigos adoraram a vingança, mas ainda tramávamos a segunda parte dela.
– Vamos entrar na festa pela passagem de ventilação. — Yuri sugeriu. Estávamos na parte lateral do salão de festas e Yuri havia subido uma escada até uma portinha na parede que ele jurava ser a tal passagem de ventilação.
– Tá, vamos logo. — Caroline subiu na escada assim que o Yuri entrou e Chris foi logo em seguida.
Subi na escada e entrei logo depois deles, sentindo-me um pouco claustrofóbica e estranha por ter que engatinhar pela passagem de ventilação.
A música da festa estava bem alta e em algumas partes do trajeto, uma grade com furos no "sólo" dava para ver onde estávamos.
– Eu estou com falta de ar. — disse Caroline ofegante.
– Acho que nós já estamos chegando — Chris disse, olhando preocupado para Caroline.
Paramos em cima de uma das grades, vendo que estávamos olhando a festa do teto, bem na pista de dança
– Como faremos para descer? — perguntei, observando tudo o que acontecia lá embaixo.
– Caindo. — brincou Yuri.
– Eu quero sair daqui! — Caroline choramingou, esbarrando em Chris.
– Dá pra ficar quieta?
– NÃO, NÃO DÁ! — os dois começaram a se mexer e a esbarrar em mim e em Yuri.
– Ai, parem com isso! — pedi.
Sentimos a grade se mexer e ficamos quietos, esperando. A grade não aguentou nosso peso e acabou cedendo, fazendo com que caíssemos no chão.
Foi um tombo feio.
Eu fiquei praticamente esmagada entre a grade e os meus amigos, que se jogaram em cima de mim.
Todos os convidados da festa olhavam para nós. Nos levantamos envergonhados e começamos a dançar a música que tocava como se nada daquilo tivesse acontecido. Meu corpo estava dolorido da queda.
– Vocês ficaram loucos? — Michael veio até nós, irritado. Ele olhava diretamente para mim. Paramos de dançar na hora
– Você é o cara mais idiota que eu já conheci! Nunca pensei que você fosse deixar aquela nojenta da sua noiva nos humilhar daquela maneira! — eu disse.
– É isso aí! Agora que é famoso esqueceu dos amigos. — disparou Chris.
– Isso não tem nada haver.
– É, você tem razão. Seu mundo não tem mais nada haver com o nosso. — eu o olhei ressentida e ele retribuiu o olhar tão ou mais ressentido quanto eu.
Ouvimos um grito histérico misturado com a música e logo Lindsay apareceu, se coçando igual uma louca desvairada. Eu e os meus amigos começamos a rir junto com alguns convidados da festa.
O pó de mico finalmente estava fazendo efeito.
Ela se coçava loucamente, desde a cabeça até os braços e as pernas e pulava feito um pelicano com dor de barriga.
Lindsay saiu correndo para fora da festa e Michael, eu, meus amigos e os outros convidados a seguimos. Chris gravava tudo com o seu celular.
– AAAH! — ela gritou. — Socorro, tá coçando muito! — Lindsay arrancou o vestido, se jogando na piscina apenas de lingerie.
Todos caíram na risada inclusive, eu.
Michael foi correndo acudi-la, tirando-a da piscina. Depois disso, as coisas aconteceram de modo tão rápido que nem vi o momento em que Lindsay se jogou em cima de mim e começou a me bater.
– Sua maldita! A culpa disso tudo é sua! — Lindsay chorava e me dava tapas. Eu tentava me esquivar, mas era meio difícil, pois ela estava muito descontrolada. Segurei seus pulsos e a empurrei para longe de mim, puxando seus cabelos e sacudindo sua cabeça como se eu fosse um cachorro estraçalhando algum pano de chão fedido e barato.
– Você é uma fracassada! — eu gritei, acertando um tapa certeiro em seu rosto, que virou de forma abrupta para o lado.
Alguém segurou a minha cintura e me tirou de perto de Lindsay e pela minha visão periférica, pude ver que era o Chris. Eu continuei me debatendo enquanto Michael segurava a Lindsay, que estava toda descabelada e com o rosto vermelho pelo tapa.
– Aceite o fato de que o Michael nunca mais será seu, Ever! — ela disse, rindo.
– Mas o coração dele você nunca terá! — falei, triunfante.
– Eu te odeio, Ever! Te odeio com todas as minhas forças! — Michael começou a rebocá-la para longe de mim.
– O sentimento é recíproco, sua vaca! — Chris me tirou de perto da multidão e eu logo caí aos prantos. Apesar de ter me vingado da Lindsay, eu me sentia derrotada de uma certa forma.
– Eu vou ligar para o pai da Ever, para que ele venha buscá-la. — Caroline saiu de perto de nós com o celular já em mãos.
– Se acalma, Ever. — pediu Yuri.
– Eu não consigo. — falei, ainda chorando. Quando vi que o Michael estava chegando perto, enxuguei minhas lágrimas.
– Vocês podem nos dar licença? — Michael perguntou, dirigindo-se a Chris e Yuri, que assentiram silenciosamente antes de saírem dali e irem para perto de Caroline que falava ao celular.
– O que você quer?
– O que fizeram para a Lindsay se coçar daquela forma? E não adianta negar, eu sei que foram vocês. — eu suspirei, sem forças para negar que tinha feito aquilo. Ele havia nos visto em seu apartamento, não tinha como negar.
– Colocamos pó de mico em sua fantasia e nas roupas dela também. — encolhi os ombros ao ver o jeito que Michael me olhava. Ele estava com muita raiva.
– Meu Deus, até quando você vai ficar cometendo as mesmas loucuras do passado? — Michael olhou para o céu antes de olhar para mim novamente.
– Até quando eu quiser. — respondi, irritada.
– Meu coração deixou de ser seu há muito tempo, Ever. Nós não somos mais aqueles adolescentes então vê se cresce e para de infernizar a vida da Lindsay, entendeu? Ela é a minha noiva agora e eu não quero que você chegue perto dela. — eu não podia acreditar no que eu havia acabado de ouvir. Eu simplesmente não queria acreditar.
Fiquei com falta de ar, meu coração parecia que iria parar a qualquer momento e lágrimas vieram aos meus olhos.
Michael continuou me encarando, esperando uma resposta. Mas eu não conseguia dizer nada. Minha garganta havia travado. Eu havia travado.
– Tudo bem, Michael. Mas peça para a sua noivinha não me provocar. Foi ela quem começou com tudo isso. Pode ficar tranquilo que assim que essa festa beneficente acontecer, eu vou voltar para Nova Jersey e você nunca mais me verá. Ah, vê se para de ficar cantando musiquinhas para mim e tentar me beijar, ok? — sacudi a cabeça para espantar as lágrimas e comprimi os lábios. Michael continuou me olhando furioso, principalmente depois que eu disse aquilo tudo.
– Isso não voltará a se repetir. Pode ter certeza disso. — disse ele, convicto.
– Ótimo, porque a única coisa que eu sinto por você é nojo e ódio. — ele pareceu não se abalar com as minhas palavras. Era como se nada do que eu dissesse importasse para ele.
– Então estamos quites. — então, ele virou as costas pisando firme e indo até a Lindsay. Não sei por quanto tempo fiquei parada ali, mas senti que haviam se passado anos. Michael chegou perto de Lindsay e a abraçou carinhosamente antes de lhe dar um selinho.
Uma espécie de sensação amortecedora tomou conta de todos os meus sentidos. Era como se estivesse em queda livre e quando eu chegasse ao chão, algo amorteceria a minha dor, mas percebi que aquela sensação falhou assim que eu cheguei ao chão.
A dor era grande, forte e cruel.
Cheia de sentimentos nostálgicos dentro do peito e lágrimas sufocantes jorrando dos meus olhos, percebi olhando para Michael e Lindsay que eu realmente era uma carta fora do baralho.
Lindsay havia ganho o coração do Michael. Ele não me amava mais e não se importava com nada do que eu dizia.
Eu não tinha mais nada. Apenas um coração partido e uma mente enevoada e cheia de lembranças.
Um dia depois...
O dia estava tão nublado e chuvoso que papai havia decidido que eu não iria sair naquele dia para trabalhar com o Michael. O tempo estava tão ruim, que os noticiários diziam que as aulas nas escolas haviam sido suspensas e que o melhor a fazer era ficar em casa. Uma tempestade de neve fora de época ameaçava despencar a qualquer momento.
Então, fiquei no meu quarto assistindo televisão e vi que o programa Fofoca dos Artistas estava começando e a mulher começava a falar enérgicamente. Percebi que era a mesma mulher que havia me entrevistado ontem.
– A festa de Lindsay Gilbert deu o que falar ontem a noite.– me sentei na cama de forma brusca e acabei perdendo o equilíbrio e caindo no chão. Eu estava ferrada, havia me esquecido completamente da minha entrevista. Michael iria surtar quando a visse. — Fatos bafônicos ocorreram na festa, incluindo 4 jovens barrados de entrar. Entre eles, uma mulher tão revoltada com a rival que foi capaz de nos revelar em primeira mão o motivo que fez Lindsay barrar sua entrada na festa. Essa garota é Ever Williams. Acompanhem agora a entrevista e logo após mostraremos um vídeo da Lindsay na festa se coçando feito uma louca. A pessoa que enviou o vídeo se identificou como CR e acreditem, depois dessa entrevista vocês saberão o motivo de Lindsay se coçar tanto.
– Merda, merda, merda... — eu disse, choramingando.
A entrevista apareceu na tela da minha TV. Eu estava um pouco descabelada e vermelha e meus amigos estavam tão bizarros quanto eu. A cada insanidade que eu dizia eu dava graças a Deus por não ter que precisar encarar o Michael naquele dia. Eu tinha certeza que tanto ele como Lindsay iriam querer me matar ou se vingar de mim.
A entrevista acabou e voltaram a filmar a apresentadora do programa.
– Como puderam comprovar, a Lindsay sempre acaba sendo traída pelo Michael. Deve ser difícil ser noivo de uma garota que não toma banho. Agora sabemos que a inspiração para o Michael escrever aquelas músicas tão bonitas sempre foi Ever Williams, uma garota meio maluca que não é nada famosa.– eu podia jurar que a apresentadora era Team Ever ou então estava puxando o meu saco por eu ter dito tanta merda em uma entrevista só e por ela ter acreditado naquilo tudo.
– EVEEEEEER! — pulei de susto ao ouvir o grito que o Michael deu e fiquei me perguntando o quanto ele era louco de ir até a minha casa naquele tempo horrível.
Não deu tempo de agir. Quando eu vi, Michael já estava abrindo a porta do meu quarto.
Ontem, depois que eu saí da festa, eu fiz a promessa de nunca mais me meter com a Lindsay ou o Michael e em nenhum momento eu me lembrei daquela entrevista idiota.
Talvez as coisas não fossem voltar ao normal tão cedo e tudo seria como era há 5 anos atrás.
Só que de uma forma estranha e totalmente distorcida.
Notas finais
A Lindsay está sendo uma cobrinha, né? E o Michael disse que não ama mais a Ever... será que ele disse a verdade? Acho que não HSAUHSUA
Essa festa foi bem louca e a Lindsay se deu mal. Acreditem, essa entrevista ainda colocará todos em uma grande confusão.
Cara minha coluna tá doendo muito pq to escrevendo o capítulo desde 14:00 então espero que vocês comentem bastante. Esse foi o maior capítulo da fanfic SHAUHSUA Acho que só o que superará esse serão os últimos capítulos hahaha.
Eu vou responder as reviews, com calma, mas vou responder.
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Tenham uma boa noite e até a próxima!
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