A Vocalista Da Banda Do Meu Irmão
31 Capítulo 30 - Desmascarada
Notas iniciais
Esse capítulo está cheio de fortes emoções e um pouco de comédia, espero que vocês gostem.
Tenham uma boa leitura s2
- Vamos, toque esse violão direito, Rafael! — Paul esbravejou do fundo da sala.
Estávamos ensaiando as músicas que cantaríamos na festa de sábado, mas todos estavam desconcentrados. Ninguém conseguia acertar a harmonia dos seus instrumentos e aquilo estava me matando!
Éramos um grande bando de indecisos, pois não havíamos sequer escolhido as músicas que entrariam para a setlist.
- Vem aqui e faz melhor então, droga! — Gritou Rafael, se sentindo ofendido. Paul fez menção de se levantar, mas Jeremy o impediu pondo a mão em seu peito.
- Parem com isso! Antes de começarmos a tocar, vamos logo decidir as músicas de uma vez. — Todos concordaram com o que meu irmão mais velho disse.
- Temos que escolher 6 músicas, certo? — Perguntou Daniel.
- Podemos começar tocando Call me when you're sober do Evanescence, depois Brighter do Paramore, For a pessimist, i'm pretty optimistic também do Paramore, Losing grip da Avril lavigne, Good Enough do Evanescence e Numb do Linkin Park. Deixamos Breathe do Paramore de reserva caso eles peçam bis. — Michael sugeriu, enquanto afinava sua guitarra.
- Eu gostei da setlist. — Me pronunciei pela primeira vez e pelo canto do olho vi Michael dar um sorrisinho de canto.
- Também gostei. — William me apoiou e todos os outros acabaram concordando.
Com as músicas que foram escolhidas, recomeçamos o ensaio, que foi surpreendentemente bom, já que antes estava tudo uma bosta.
Depois de um bom tempo ensaiando, decidimos dar uma pausa então, fui tomar um ar no quintal da minha casa quando vi o papagaio de William voando em minha direção até pousar em cima da minha cabeça.
Arregalei os olhos e meus membros acabaram congelando, de pavor. Eu morria de medo que ele pensasse que a minha cabeça era o lugar apropriado para que ele pudesse fazer as suas necessidades.
Balancei minhas mãos, tentando espantá-lo, ao mesmo tempo que sentia uma rajada de vento forte passando por mim que fez as folhas da goiabeira balançarem rapidamente. Isso acabou chamando a atenção do papagaio, que voou em direção a árvore levando junto consigo a minha peruca.
Quase tive um AVC quando isso aconteceu.
Maldito papagaio!
- Droga! — Praguejei baixinho. — Sebastian! — Chamei a ave baixinho, para que os descerebrados não me escutassem da sala de ensaios. — Sebastian, volte aqui com a minha peruca! — Choraminguei ao vê-lo voar para um dos galhos mais altos da goiabeira, levando minha peruca junto consigo no trajeto.
Ouvi barulhos indicando que logo, logo, eu teria companhia. Sem saber ao certo o que fazer e praguejando todas as gerações daquele papagaio, soltei meus cabelos, borrei minha maquiagem, rasguei minhas roupas e tirei meus sapatos, jogando-os para longe.
Pensei em me esconder, mas para isso eu teria que passar pelo corredor de onde o barulho estava vindo então, decidi ficar por ali, torcendo para que o Michael aparecesse.
Olhei para o meu reflexo na janela da cozinha que estava trancada e quase tive uma síncope ao ver o meu estado. Eu parecia uma palhaça de rua.
- Ever, o que está fazendo aí? — Pulei de susto ao ver Daniel e quase morri de vergonha pelo estado em que eu me encontrava. Droga, porque não podia ser o Michael? Eu pagaria mico, mas pelo menos ele me ajudaria a recuperar a maldita peruca. — Porque está vestida assim e o que fizeram com o seu cabelo? — Ele olhou-me dos pés a cabeça, dando um risinho.
- Eu... cachorro... — Arregalei os olhos com a minha retardadice. Parecia que eu tinha esquecido como se abria a boca e falava.
- Um cachorro fez isso com você? — Ele arqueou uma sombrancelha, mal acreditando no que eu disse.
- É, foi! Eu caí e rasguei a minha calça no joelho e a minha blusa também. Me joguei em um buraco para despistar o pitbull. Ele era enorme! — Fiz gestos exagerados com a mão, olhando disfarçadamente para a árvore e procurando o papagaio que havia sumido, para o meu desespero.
- Engraçado... essas roupas são tão familiares... — Merda! Meu azar era um grande desgraçado! Tantos descerebrados para me flagrarem e tinha que ser logo o Daniel que estava desconfiado?
- Sério? Comprei na Teen Moon, estava em liquidação. Todo o mundo deve ter uma roupa dessa. — Menti, dando uma daquelas risadas agudas e horríveis assim que terminei a frase.
Me senti como uma retardada naquele minuto e a única coisa que se passava pela minha cabeça era:
Posso me matar agora ou depois?
- Hum... ok. Eu vou indo procurar a Claire. Tchauzinho. — Ele deu ênfase no "Claire" antes de me deixar ali, com a maior cara de tacho.
Peguei meu celular no bolso da calça jeans e mandei uma SMS para o Michael:
Emergência.
Rapto da minha peruca.
Sequestrador: Sebastian.
Me encontre no quintal de casa.
Mandei a mensagem e esperei poucos minutos antes de Michael aparecer esbaforido. Quando ele me viu, levou um susto tão grande que me arrependi de ter deixado que ele me visse nesse estado deplorável.
- O que fizeram com você? Está parecendo uma...
- Palhaça de rua, eu sei.
- Eu ia dizer zumbi, mas isso também serve. — Bufei com sua resposta idiota.
- Sebastian está com a minha peruca, Michael! — Apontei para onde o papagaio estava, na goiabeira. Michael seguiu meu dedo na direção que eu apontava.
- Droga! Ele está lá no topo! — Ele disse, impressionado.
- Michael, diga para os garotos que a Claire passou mal e teve que ir embora e enquanto eu troco de roupa, você tenta pegar a peruca. — Michael me lançou um olhar que dizia claramente: "Você tá brincando comigo, não é?" mas nem deixei que ele protestasse. Saí correndo e dei um jeito em meu cabelo e no meu rosto borrado. Coloquei a primeira roupa que eu vi e voltei para o quintal, encontrando Michael tentando subir na goiabeira.
- Desça daí, garoto! — Anjinho ignorou meu pedido, subindo um pouco mais na árvore.
Eu olhava a cena com muito medo e apreensão. Michael estava chegando perto de Sebastian quando ele voou para um outro galho, pousando bem na pontinha dele e Michael se desequilibrou, o que foi o suficiente para traumatizá-lo e fazê-lo descer da árvore.
- Desisto! — Dei um sorriso amarelo ao ver o olhar feio que Anjinho lançara em minha direção.
- Você é um fracote! Eu vou subir! — Comecei a subir a árvore temendo que eu caísse. Eu morria de medo de altura e quanto maior a subida, pior seria a queda.
- Ever, anda logo. William vai dar falta do papagaio. Não será nada legal se ele nos encontrar aqui. — A voz de Michael fez com que eu me desconcentrasse.
- Não me apresse! Pensa que é fácil? — Guinchei, sentando no galho que o Sebastian estava, ainda com minha peruca.
O suor escorria pela minha testa e se eu olhasse para baixo, com certeza teria vertigens.
- Sebastian, devolva a peruca para a tia... — Pedi, fazendo uma voz melosa e estendendo a mão, olhando para a ave de forma suplicante.
- Devolvo nãaaooo. — Cantarolou a ave maldita.
- Devolve siiiiiiim. — Retruquei, me movimentando cuidadosamente para não espantar o papagaio. Eu só queria a peruca e essa era a única coisa que eu via em minha frente.
- Ever, acho que o William está vindo pra cá. — Anjinho disse, fazendo com que o medo se apossasse de todas as minhas terminações nervosas.
Num movimento brusco e arriscado, me inclinei para a frente, puxando a peruca e espantando Sebastian, que voou para cima de Michael, que se abaixou quando viu que a ave vinha em sua direção. Eu fiz tanta força para puxar a peruca, que meu corpo tombou para trás, e eu caí da árvore.
- Sebastian, aí está você! — Ouvi a voz de William e logo em seguida, senti meu corpo se chocar contra o gramado de minha casa, que acabou amortecendo a minha queda. Senti meus ossos doerem mas a minha perna era o que mais me incomodava. Antes que eu pudesse desmaiar, joguei a peruca para um canto, escondendo-a.
- Ever, você está bem? — Senti as mãos de Michael trêmulas e desesperadas passarem pelo meu rosto e minha visão foi ficando turva.
Depois, tudo ficou preto.
(...)
Abri os olhos, sentindo meu corpo todo doer. Tentei me levantar, mas braços impediram-me de fazê-lo.
- Graças a Deus você acordou. — Papai me abraçou, olhando-me preocupado.
Olhei em volta, me sentindo confusa por não reconhecer o lugar em que eu estava.
- Estamos no hospital. Você torceu o pé quando caiu da árvore. — Meu pai respondeu a pergunta mental que eu fazia e foi nesse mesmo instante que eu percebi que meu pé direito estava engessado. — Quer me dizer o que fazia lá em cima?
- Eu... estava pegando goiabas. — Respondi desconcertada.
- Nunca mais faça isso, mocinha. Você terá alta daqui a pouco e terá que ficar de repouso. Sua mãe surtou quando eu liguei para a boutique avisando que você tinha sofrido um acidente. — Arregalei os olhos quando me dei conta da cagada que eu tinha feito.
Como eu iria ensaiar como Claire Collins estando com o pé engessado? Como explicar tamanha coincidência?
Porque eu não morri quando caí daquela árvore? Porque?
Daniel nunca vai engolir nada do que eu disser. Ele vai sacar que eu e a Claire somos a mesma pessoa.
- Ferrou! — Disse baixinho para que meu pai não me escutasse.
(...)
Mandy narrando:
- A festa da escola é a ocasião perfeita para desmascararmos aquela impostora! — Eu disse, sentindo o gosto da vitória.
- Então, a Ever será desmascarada nesse sábado! Será perfeito! — Stacy sorriu, apoiando-me.
- E você, Daniel, o que acha? — Danny estava distraído demais pro meu gosto.
- Porque não esperamos mais um pouco? — Eu estava indignada com a sua pergunta.
- Porque não teremos outra oportunidade dessas! — Falei exasperada.
- Se quiser cair fora, Danny, caia logo. — Stacy disse de forma doce e idiota.
- Não, eu vou ajudar vocês. — Eu e minha amiga sorrimos.
- Assim é melhor. — Os dias de farsa de Ever Williams estão contatos.
Ela que me aguarde!
Ever narrando:
Fazia algum tempo que eu tinha voltado do hospital e a maioria das pessoas estava me paparicando e olha que eu só tinha torcido o pé!
William e seu papagaio me desejaram melhoras e os outros descerebrados eu nem fazia idéia de onde estavam e se sabiam o que tinha acontecido comigo.
Jeremy tinha vindo no meu quarto há alguns minutos atrás me desejar melhoras e eu agradeci cordialmente. Nem parecíamos irmãos.
Eu permanecia em minha cama, olhando para o teto e entediada.
Começava a me sentir uma inválida com esse gesso no pé e com a dor na coluna.
- Está acordada, Ever? — Michael colocou a cabeça para dentro do meu quarto e eu sorri, contente em vê-lo ali.
- Sim, eu não consigo dormir. Minha coluna dói. — Fiz uma careta de dor, vendo Michael se sentar na pontinha de minha cama.
- Você é louca, Ever! Não deveria ter se arriscado dessa forma só por causa de uma peruca. — Bronqueou, me olhando desaprovadoramente.
- O que você queria que eu fizesse? Foi imprudente da minha parte, eu sei, mas pelo menos eu consegui a peruca. — Michael continuou carrancudo, mal acreditando na asneira que havia saído da minha boca.
- Nunca na minha vida eu conheci alguém tão louca quanto você, Ever! — Eu ri, achando aquele desespero todo de anjinho muito engraçado.
- Mudando de assunto, meu aniversário está chegando, sabia? — Falei, puxando-o pelo braço para que ele se deitasse ao meu lado.
- O meu também, é semana que vem. — Olhei para ele incrédula.
- O meu também! — Agora foi a vez dele ficar incrédulo.
- Que dia você faz aniversário?
- 08 de outubro.
- Eu também, Michael! — Começamos a rir e olhamos um para o outro abismados, achando graça de toda aquela coincidência.
- Que coincidência! — Ele disse ainda rindo.
- Muita mesmo! — Concordei.
Quando os risos cessaram, percebi que Michael me encarava com o olhar mais lindo que eu já havia visto. Sorri, querendo gravar aquela expressão em minha memória para sempre. Minhas mãos começaram a fazer um carinho em seu rosto e eu pude observá-lo fechando os olhos com o meu toque.
Ele se virou em minha direção, praticamente se debruçando em cima de mim e depositando um selinho demorado em meus lábios.
Ansiando por um contato maior, Michael tocou meus lábios com a ponta de sua língua, pedindo uma passagem que foi concedida imediatamente. O ritmo suave estabelecido por nossas bocas me fazia ter a sensação de que eu estava flutuando e que todos os problemas e mistérios que nos rodeavam haviam se dissipado.
Cessamos o beijo com vários selinhos demorados e antes que Michael pudesse aprofundar o beijo novamente, fiz uma pergunta que provavelmente me deixaria vermelha de vergonha.
- Michael, você é virgem? — Assim que Michael me olhou, eu abaixei a cabeça, preferindo fitar qualquer outra coisa que não fosse seu rosto.
- Não, eu não sou. Porque a pergunta? — O encarei, vendo que ele estava com o cenho franzido.
- Curiosidade. — Dei de ombros.
- E você, franjinha, é virgem? — Ele riu ao final da frase.
- Você ainda pergunta? É claro que eu sou! E pretendo continuar assim até o dia do meu casamento! — Me sentei na cama, sentindo-me menos desconfortável que antes com o assunto.
- Tá brincando né? — Eu ri com o seu tom de voz.
- Não! Eu acho tão bonito quando as meninas se guardam até o casamento... até porque, a espera deve tornar tudo mais interessante, não acha? — Olhei para Michael sorridente, vendo que ele pensava no assunto.
- Nunca tinha parado para pensar nisso. Você tem razão! — Estufei o peito, ignorando a dor nas costelas, me sentindo incrível.
- Eu sempre tenho razão, baby. — Pisquei para ele marotamente.
- Você se casaria comigo?
- Está me pedindo em casamento, Mike? — Soltei uma risada totalmente espalhafatosa.
- Não me chame de Mike! — Ele bufou. — Estou apenas lhe fazendo uma pergunta, franjinha. — Ele revirou os olhos.
- Claro que eu me casaria! — Dei um tapinha em minha testa, como se eu estivesse dizendo: "dã" e ele sorriu, satisfeito. — E você, se casaria comigo, anjinho?
- Se o nosso namoro der certo, porque não? — Aquela afirmação fez meu coração bater mais forte. — Pena que não sabemos se daqui há 1 ano ainda estaremos juntos. — Ele soltou um suspiro, ficando um pouco cabisbaixo.
- Sabe de uma coisa? — Ele fez que não com a cabeça e então eu prossegui: — Eu tenho certeza de que nós dois nos casaremos algum dia e quando esse momento chegar, tenho a sensação de que será o dia mais feliz de nossas vidas. — Ele balançou a cabeça afirmamente, concordando com minhas palavras antes de se inclinar em minha direção e depositar outro beijo em meus lábios.
(...)
Alguns dias depois...
Sábado, 17:30, casa dos William's
- Tem certeza de que não pode vir conosco para a festa? — Caroline perguntou, fingindo estar desapontada.
- Tenho, Car. Meu pé ainda dói e os remédios que eu tomei me deixaram sonolenta. — Bocejei ao mesmo tempo em que eu me espreguiçava em minha cama.
- Tudo bem então. Depois te contamos como foi o show da Bloodstream. — Disse Jeremy, olhando-me pesaroso.
- Divirtam-se na festa! — Os dois saíram e assim que tive a certeza de que eles não estavam mais em casa, pulei da cama, tirando o gesso e indo correndo me trocar.
Como eu tinha machucado o pé, fiquei praticamente a semana toda quebrando a cabeça na hora de pensar no que fazer para que os descerebrados acreditassem na coincidência de que Claire Collins também havia machucado o pé. Só que na sexta-feira, eu já me sentia bem e meu pé não doía mais e teria ensaio da Bloodstream (só tínhamos tido dois ensaios naquela semana. Um no dia que machuquei o pé e o outro na sexta), só que eu não queria fingir ser duas pessoas naquela festa. Então, Chris e Yuri me deram a brilhante idéia de ir pro ensaio normalmente como Claire Collins e no dia da festa, fingir que meu pé ainda estava machucado e dolorido o suficiente para que me deixassem ficar em casa no sábado, desculpa que funcionou direitinho.
Só que é claro que eu estaria lá, sem gesso e como Claire Collins.
Por sorte, eu já sabia me maquiar e fiz minha make sozinha sem ter nenhum problema. Coloquei um vestido rosa pink rodado que ia até os joelhos e sapatos de salto da mesma cor. Depois, coloquei a peruca e fui esperar Michael no andar de baixo. Eu estava sozinha em casa.
Meus pais foram para uma festa de um amigo e levaram Jack com eles. Não tinha como meu plano dar errado.
A campainha tocara e eu saí de casa na mesma hora, entrando no carro de Michael rapidamente.
- Estou nervosa, sinto que alguma coisa vai dar errado e não sei exatamente o que é. — Um súbito frio na barriga e um mau pressentimento vieram para cima de mim como avalanches de incerteza.
- Fica tranquila, amor. Você canta bem, vai arrasar, você vai ver. — Eu tentei sorrir com as palavras doce de Michael mas não consegui.
Não sei se estava nervosa pelo fato de ter que cantar na frente do pessoal do colégio ou por outra coisa. A única coisa que eu tinha certeza naquele momento, era que alguma coisa daria errado e não saber exatamente o que era, me deixava totalmente agoniada.
(...)
A festa estava cheia. A maioria dos alunos do colégio estava presente e minha presença chamava a atenção das pessoas por onde eu passava. Encontrei Mandy e Stacy num canto, encostadas em uma pilastra. Assim que me viram, lançaram-me um olhar de vitória que eu não consegui interpretar direito. Será que elas sabiam que eu era a Claire Collins? Não, isso é impossível! Aquelas duas são mais burras do que uma porta.
Subi no palco onde tocaríamos para ajudar os garotos nos ajustes dos instrumentos e microfones, percebendo que todos estavam um pouco nervosos.
Caroline, Selena, Serena, Chris e Yuri me cumprimentaram disfarçadamente de longe e fizeram sinais de joinha com as mãos.
Retribuí os cumprimentos, rindo um pouco quando senti a presença de alguém atrás de mim.
- Claire... eu... bom... se sente bem? — Uni as sombrancelhas, sem entender direito porque Danial estava tropeçando nas palavras. Ele parecia nervoso.
- Sim, claro que sim. — Menti. Minha intuição ainda me alertava do perigo desconhecido que eu corria.
- Tudo bem então... boa sorte para nós! — Ele parecia querer me dizer alguma coisa.
- Boa sorte para nós. — Repeti sua última frase, fingindo um entusiasmo que eu nem sentia.
- Vamos começar agora. — Disse Jeremy, me fazendo gelar.
Cada um foi para o seu respectivo instrumento e eu fui até o meu microfone.
- E aí, galera! Somos a banda Bloodstream e faremos alguns cover's de artistas e bandas que gostamos. Espero que curtam a gente! — Recebi aplausos, gritos e outras demonstrações de entusiasmo em resposta e isso me animou um pouco.
Comecei a cantar Call me when you're sober, levando a galera ao delírio. Conforme o show ia seguindo, o medo foi se dissipando junto com o mau pressentimento bobo que eu estava carregando dentro de mim.
A banda estava entrosada com a galera e eu me sentia bem ali, em cima daquele palco e por um momento, me senti uma idiota por ter ficado tão nervosa à toa.
Assim que o show acabou, nos despedimos e agradecemos. Já estávamos descendo do palco quando a voz de Daniel se fez presente no microfone que eu usara.
- Mandy, Stacy, venham até o palco. — Senti meu corpo gelar novamente.
Elas subiram, me olhando de um jeito confiante antes de pegarem o microfone da mão de Daniel. Eu e os outros ficamos parados na escada que dava acesso ao palco, apenas olhando para aquelas víboras, intrigados.
- Como vocês se sentiriam se fossem enganados por alguém? Eu me sentiria muito mal e foi isso o que uma garota fez com todos nós! Ela fingiu todo esse tempo, se passando por alguém que não existe só para poder entrar numa banda. — Em meu íntimo, eu sabia que elas se referiam a mim.
Percebendo tudo o que estava prestes a acontecer, Michael tentou me puxar, mas eu tinha paralisado. Eu olhava para Mandy com um ódio descomunal.
- Ever, vamos sair daqui. — Michael cochichou em meu ouvido, mas toda a minha atenção estava voltada para o palco, eu não conseguia me mexer.
Me arrependi amargamente de ter me aberto com o Daniel quando eu estava triste, pois ele acabara de se mostrar o cara mais falso da face da terra! Estava ali em cima do palco, junto com as duas bruxas, apoiando-as.
- Querem saber quem é essa víbora? — Perguntou Stacy recebendo vários "sim" em resposta.
Michael me puxou bruscamente, fazendo com que eu despertasse e eu comecei a correr de mãos dadas com ele para a saída, a passos trôpegos e fraquejantes.
- Ela é a vocalista da Bloodstream. Diz se chamar Claire Collins, mas na verdade, seu nome é Ever Williams. A rockeira esquisita do 2° ano. Michael Salvatore, Caroline Gray, Chris Rock Ray e Yuri BK a acobertaram todo esse tempo! — Estagnei no meio do caminho, enquanto a multidão abria espaço, deixando-me no meio do salão de festas. A luz de um refletor me iluminava, deixando-me cega momentâneamente. Arranquei a peruca da minha cabeça com raiva, soltando meus cabelos e sentindo meus olhos úmidos arderem.
Eu sabia que Michael estava parado atrás de mim. Ele segurava meu pulso com força.
Meus olhos pousaram na figura de Jeremy, meu irmão mais velho, que se encontrava estupefato, assim como os outros descerebrados da banda.
Não consegui localizar meus amigos, mas eu sabia que eles estavam desapontados com toda aquela situação.
- IMPOSTORA, IMPOSTORA, IMPOSTORA, IMPOSTORA! — Todos começaram a gritar ao meu redor, apontando-me, acusando-me e eu comecei a chorar. Fulminei Daniel com o olhar, que me olhou arrependido e saí correndo dali, deixando Michael para trás.
Jeremy se esgueirou pelo palco, correndo atrás de mim e tentando me alcançar. Virei-me, afim de sair por um corredor estreito e senti a mão quente de meu irmão mais velho em meu pulso, puxando-me em sua direção.
- Você vai voltar comigo, Ever. Nossos pais vão saber o que você fez! O seu lugar não é na banda, não devia ter feito isso! — Meu rosto estava banhado de lágrimas grossas e a raiva que eu sentia, fez com que eu me desvencilhasse de sua mão, que apertava meu pulso fortemente.
- E o meu lugar é aonde, Jeremy? Na platéia? Na arquibancada? Ou no bando dos reservas? Eu não vou voltar para casa com você, Jeremy! — Gritei, pronta para me virar novamente quando senti que ele segurava o meu braço com força.
- Sou seu irmão mais velho! — Bradou ele. — E não vou deixar mais que você me engane desta maneira, Ever. Você passou dos limites. — Eu estava decepcionada e com raiva. Meu irmão estava agindo como um porco chauvinista.
- Agora você admite ser meu irmão mais velho? Engraçado, fazem anos que eu não vejo suas atitudes de irmão mais velho para comigo. Você me largou, Jeremy, me trocou pelos seus amigos. Me trata como se eu fosse uma desconhecida, uma mendiga, alguém que não tem nenhum direito de estar na sua vida. — Meus lábios tremiam e eu não conseguia parar de falar.
- Não é verdade...
- Eu me sentia segura com você, pois você sempre foi tão seguro e cheio de si, tão forte e inabalável, que era o meu exemplo. Mas isso foi se deteriorando quando você chegou ao ensino médio e foi esquecendo que eu existia. Eu sempre estive aqui, Jeremy. Ao seu alcance, bem do seu lado e você me ignorava, me dispensava como se eu fosse uma completa desconhecida. Me humilhou quando eu mais precisei que você me apoiasse... E sabe do que mais? Eu não me arrependo de ter feito as escolhas que fiz, de ter feito o que fiz para entrar na sua banda. O meu maior erro, foi acreditar que algum dia você voltaria a me amar como me amou... que voltaria a cuidar de mim como cuidou... — Desatei a falar, sentindo o peso que eu sentia dentro do meu peito saindo de dentro de mim aos poucos com aquele desabafo.
- Ever... — Levantei a mão, impedindo que continuasse.
- Não, esqueça! Já fui desmascarada e acho que agora é hora de você voltar pro seu showzinho medíocre para continuar rindo de mim com seus amigos debochados. Não é isso o que você tem feito durante todo esse tempo? — Ele afrouxou o aperto em meu braço, me olhando arrependido e desapontado, mas eu não liguei. Eu queria que ele sentisse o que eu senti todos aqueles anos, sendo humilhada e rejeitada. Queria que ele sentisse a minha dor, Jeremy merecia sentir na pele o meu sofrimento e foi por isso que eu não parei de falar.
- Por favor, Ever eu...
- Esquece isso Jeremy! Esquece tá? Volta pra lá e me deixa em paz. Quero ficar bem longe de você! Não tinha percebido isso até agora. — E com um último olhar de desprezo, deixei Jeremy para trás.
Por mais leve que eu pudesse estar me sentindo naquele momento por conta do desabafo, eu sabia que meu coração nunca mais pararia de doer.
Notas finais
Sebastian aprontando na fanfic KKKKK Tadinha da Ever, quase que ficou sem a peruca da Claire!
E a cena fofa da Ever e do Michael? Os dois estão cada vez mais apaixonados owwn.
Ever foi desmascarada! Achei essa última cena com o Jeremy tão profunda... ele ficou se sentindo mal com o desabafo da Franjinha.
Mandy, Stacy e Daniel desmascararam a Ever, mas Daniel se mostrou arrependido. O que acham? Será que ele vai se redimir?
E Jeremy e Ever? Será que eles se reconciliarão depois de tantos anos de briga?
O segredo de Michal não foi abordado nesse capítulo e nem a surra de Chris, mas em breve essas questões virão a tona novamente!
Será que Caroline e Jeremy vão brigar depois dele ter descoberto que ela acobertava a amiga?
Provavelmente isso será abordado no próx. capítulo mas para isso peço que comentem MUITOOOOO meninas por favor! Estou vendo fantasminha surgindo e se multiplicando cada vez mais o que custa postar um comentário?? Por favor gente, comentem nem que seja um simples "Gostei"
Quero agradecer as meninas que tem comentado vocês são demais, muito obrigada minhas lindas!
Até o próximo capítulo meninas, tenham uma boa tarde!
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