A Visão

9 Capítulo 9 - Segredos desenterrados


Notas iniciais
"-Tudo bem... A batalha final está perto de começar...

A mão que havia surgido das águas profundas do lago continuava tentando lutar para subir no barco. Ela tentava agarrar alguma coisa, algum pedaço do barco. Tateou a parte onde fora quebrada quando Owen caiu. Imediatamente, procurou algum pedaço de madeira, ou algum buraco para se segurar.

Tentou uma vez... Tentou outra... Na quinta vez, agarrou em um pedaço de madeira. Assim, conseguiu exercer força o suficiente para subir novamente no barco.

Seu rosto surgiu das águas. Maria havia conseguido subir no barco novamente, segurando com as duas mãos nos destroços do barco. Apoiou as pernas no buraco, e consegui dar um pequeno pulo e cair dentro do barco, eu estava quase destruído.

Depois de subir, ela imediatamente segurou firme no pedaço de madeira que havia usado para se salvar, e, com todas as suas forças, tentou arrancá-lo.

CRAC! O pedaço havia saído. Rapidamente, ela o apontou para o mar, e afundou ele até a metade na esperança de que algum de seus amigos o agarrasse.

-Owen! – exclamou – Aline? Um de vocês, por favor!

Ela sentiu algo puxando o objeto. Segurou-o com firmeza, e rapidamente, o puxou para cima.

Aline havia segurado o objeto. Ela surgiu das águas, com uma aparência esgotada. Ela estava com alguns pedaços de terra na testa, e uns ferimentos graves nos braços. Ela apoiou a perna direita no barco, e segurou com força a camisa da amiga, que tentava se ajeitar no que havia sobrado do barco.

Ela sentou-se no barco, e soltou Maria. Rapidamente, ela olhou para os lados.

-Cadê o Owen?! – perguntou, apavorada. Tudo o que via era o lago que parecia não ter fim. O lago não tinha curvas, por isso, ele simplesmente sumia no horizonte. – cadê ele?! Me fala!

Mãos se debatendo apavoradamente na água surgiram, o que fez um SPLASH ecoar até Aline. Ela sabia que era Owen que estava lá, tentando lutar para sobreviver.

-Owen! – exclamou, e deu um salto para parte da frente do barco. Ela estendeu a mão para o lago. Quando as encostou-se às mãos que estavam no mar, elas seguraram imediatamente nas mãos de Aline, que as puxou com todas as forças que sobraram, desde o acidente na casa de Carlos. Sangue pingou pelo barco todo. Maria olhou tudo aquilo espantada.

O rosto de Owen surgiu das águas. Aline imediatamente o puxou. Ela abriu um enorme sorriso ao ver que o amigo estava bem.

-Owen! – vibrou de alegria, e continuando a puxar o amigo – eu achei que você tivesse morrido!

O garoto esticou a mão, e segurou-se no barco. Depois disso, Aline segurou as pernas dele, e colocou-as no barco.

-Tá todo mundo legal? – Maria exclamou, enquanto Aline ainda ajeitava Owen no barco. Ele fez que sim com a cabeça.

-A gente não morreu por que não tava na nossa hora, Maria! – o pulmão de Aline doía cada vez que falava. Ela deitou-se no barco e olhou para Maria, que, pelo ângulo de visão dela, estava de cabeça para baixo – Ainda tá na sua hora!

-Talvez não, Aline – disse Owen, acariciando os cabelos dela – Lembra da sua teoria na casa do Carlos? Se a gente salvá-la, a morte vai pra próxima pessoa da lista!

-Eu posso estar errada. O Carlos morreu mesmo depois de a gente “salvar ele” – respondeu Aline.

-Então, galera! Dá pra decidir? – Maria exclamou, na parte de trás do barco – eu sou a próxima ou não?

-Olha amiga... Não dá pra dizer... Eu acho melhor sairmos daqui. É perigoso.

CRAC! A madeira onde Maria estava sentada se quebrou, e ela afundou na água novamente.

-Meu Deus! – exclamou Aline, levantando-se do lugar onde estava sentada. Quando pisou no chão do barco, Owen imediatamente puxou-a para trás.

-Não pisa em outro lugar, senão tudo isso vai se quebrar! – disse Owen com um olhar totalmente diferente do normal. Aline conseguiu perceber o que ele queria dizer. Pela primeira vez, ele estava realmente preocupado com ela. Ele estava a protegendo: Não queria que ela morresse.

Maria, ainda na água, tentava segurar em algo. Tateou um objeto gelado e com uma textura estranha. Ela sentiu que o objeto tinha uma pequena corda, na qual poderia se segurar e subir no barco novamente.

Segurou a corda, e a puxou sem dó. Nesse instante, ela ouviu um barulho estranho de engrenagens se mexendo. Ela sentiu que a morte estava trabalhando com ela agora. Aquilo era o motor do barco, e ela acabou de dar a ignição.

Owen e Aline perceberam que o motor do barco havia sido ligado. Aline queria poder levantar-se para ajudar a amiga, mas tentou estender a mão. Talvez Maria agarrasse a mão dela.

-Owen, eu tenho que ajudar ela! – exclamou Aline.

-Não, Aline! Você vai morrer!

-Nada disso! Eu sou a última pessoa que morre na minha visão! TENHO que ajudar a minha amiga!

Maria se desesperou quando ouviu o barulho do motor. As hélices giravam em uma velocidade enorme, e pareciam querer puxar Maria para elas. Numa fração de segundos, o cabelo de Maria enroscou-se nas hélices do motor, e ela deu um gemido.

-OWEN! – Aline deu um soco no peito dele, tentando fazer com que ele a soltasse.

Sangue escorria por todos os lados do barco. Parecia querer cercá-los de algum jeito.

Aline viu alguma coisa boiando atrás do barco. Quando olhou de relance para ver o que era, ela colocou a cabeça para fora do barco. Owen queria perguntar o que ela havia visto, mas foi interrompido por uma série de vômitos da amiga.

-Era... – ela cuspia na água o que parecia ser seu café da manhã – a Maria...

-Perdemos esse Round. A gente não pode fazer mais nada.

-Podemos sim! A gente pode salvar o Elias, você, e o Thomas!

-Você tá se esquecendo da Tainara...

-A gente podia deixar ela morrer, o que acha?

Depois de algumas horas caminhando pela terra, seguindo o curso do lago, passando por vários lugares que eles nem sabiam que existiam, Aline e Owen finalmente chegaram ao hospital. Porém, eles não quiseram passar por ali. Foram direto para casa. Cada um seguiu seu curso e foram para casa. Os dois não haviam se falado mais depois daquilo.

Quando chegou em casa, Aline tomou um banho quente. Mas não era um banho rápido. Ela queria ficar lá, pensando. Pensando no que aconteceria com ela e Owen, pois, agora que Maria morreu, Elias seria o próximo. Depois seria Tainara, depois Thomas, Owen e ela. Depois que saiu do banho, vestiu seu uniforme escolar. Mesmo que aquilo causasse lembranças ruins para ela, não se importou. Foi até um armário na cozinha, e procurou alguma espécie de remédio ou pomada para passar em sua mão e seus machucados no resto do corpo, como arranhões e cortes leves. Ela passou uma pomada em seu ferimento na mão. Seu machucado estava roxo, e uma gosma amarela escorria de lá – puz.

Não queria procurar um médico. Não queria nem sair de casa, pois tinha medo de que a polícia estivesse atrás dela e de Owen, por causa do que aconteceu com Carlos, algumas horas atrás.

Ligou a TV, e colocou em algum canal de música, procurando se distrair. A música que estava sendo tocada era Who Owns my heart, de Miley Cyrus.

Ela viu o clipe da música, como se não tivesse mais nada para fazer (e não tinha).

Depois de um longo tempo vendo outros clipes no canal, e vários comerciais de violões e outros instrumentos musicais, ela fechou os olhos. Ela queria apenas relaxar um pouco, mas caiu no sono. A TV e as luzes ficaram ligadas, e Aline dormiu no sofá.

Seus olhos se abriram. Ela virou a cabeça para o lado, tentando ver o relógio. Era meia noite e dez.

Levantou-se do sofá um pouco zonza. Sua mão que estava coberta pela pomada, que estava seca agora. Ela olhou para o céu. As estrelas realmente chamavam sua atenção, por um estranho motivo.

Pegou o controle e desligou a televisão, e caminhou calmamente até a cozinha. Quando passou pela porta, levou um susto ao ver que uma faca tentou acertá-la.

Ela recuou instantaneamente. Conferiu se não estava com nenhum ferimento grave, e depois olhou para a cozinha. Uma figura que parecia ser um humano encapuzado apareceu de lá. Ele estava segurando a faca perigosamente.

A figura humanóide apontou a faca para Aline, como se fosse uma arma. Aline sabia que, seja lá quem for, estava disposto a matar ela. Tirou essa conclusão pelo modo em que a pessoa segurava a faca. Segurava-a de cabeça para baixo, ameaçadoramente.

A pessoa jogou a faca em Aline, que tentou desviar, jogando-se para o sofá, que se quebrou quando ela caiu em cima dele. A faca ficou-se na porta da sala. Se a pessoa fosse rápida o suficiente para pegá-la, Aline nunca saberia ao certo.

A pessoa correu até o sofá, e segurou na mão de Aline. Ele puxou-a e jogou-a contra a parede.

Aline bateu as costas na parede de sua sala. Caiu no chão, desmaiada e quase sem forças.

Com Aline desmaiada no chão, a pessoa olhou para ela, e deu um chute na barriga da garota. Aline não reagiu. Depois, a pessoa retirou a faca que estava na porta da sala, e saiu pelos fundos da casa.

Quando Aline acordou (de novo) percebeu o que tinha acontecido. Achou que tuno não tivesse passado de um sonho. Mas era real: O sofá estava quebrado, e Ela tinha um corte no braço.

Assim que se levantou do chão, um pouco tonta, ouviu seu telefone tocar. Ela não estava com pressa. Pelo contrário, andou até o telefone, mancando, e tentando estocar o sangue em seu braço. Quando ela pegou o telefone, olhou para o número no visor. Sentiu alguma coisa na parte de trás do objeto. Quando o virou para conferir o que era, notou estranhos números que foram cravados no telefone. Eles formavam algo que parecia ser um número de celular:

555-0148

Aline atendeu o telefone, apertando o botão verde no visor e respirando ofegante.

-Alô? – perguntou.

-Ei, Aline... É o Owen! – Responderam – olha só... Preciso que você venha pra minha casa o mais rápido possível! Eu descobri algo sobre o professor Robert, e você tem que saber disso!

-Owen... Será que você não poderia deixar pra outra hora? Acontece que alguém invadiu a minha casa, e...

-O que? – Ele interrompeu – então eu vou pra aí! Me espera que eu já to chegando!

-Ei, mais uma coisa! – Aline exclamou pelo telefone dela – Você sabe de quem é esse número? “cinco, cinco, cinco, zero, um, quatro, oito”?

-Claro que sei! – respondeu – é o celular da Tainara! Então, to indo pra sua casa! Tchau!

-Ok... – respondeu em voz baixa – tchau...

Aline soltou o telefone no chão. Ele caiu em cima do tapete da sala dela, e não se quebrou. Não era possível que Tainara a odiasse tanto a ponto de querer matá-la... Ou era?

-Não pode ser... – pensou – ok, a Tainara me odeia, ela sempre foi cabeça dura, e se acha o centro do universo, mas nunca que ela me mataria, certo? Eu preciso ligar para aquele número... ver o que ela quer...ou talvez, o número não seja mais da Tainara... Ela pode ter perdido o celular em algum lugar, e alguém ter pegado ele...

Nesse instante, Aline ajoelhou-se, e pegou o telefone que havia caído no chão. Discou rapidamente os números que estavam cravados no aparelho. Cinco, cinco, cinco... Zero, um, quatro e oito.

Esperou calmamente até que alguém atendesse. Depois de alguns segundos, alguém atendeu.

-Oi... Aline! – ouviu uma voz de mulher falando pelo outro lado da linha.

-Tainara! Eu sei que é você! – Aline tentou intimidá-la, sem sucesso – o que você quer agora, heim?

-Depois que você teve aquela visão, percebi qual o tipo de pessoa que eu estava lidando... Achei que você era igual a mim, sabe? Querendo ser o centro do universo. Querendo toda a atenção só pra você... Por isso, achei que você tinha inventado essa de “todos vão morrer”... Mas depois da morte da Roberta e do professor, percebi que era tudo verdade... Mas foi aí que eu me toquei que eu também estou nessa lista. Eu também vou morrer...

-E daí? – perguntou – onde você tá pretendendo chegar?

-Dei uma pesquisada em livros, e até mesmo no Google. Achei vários links sobre pessoas que tiveram visões, e premonições. Todos eles morreram, Aline. Mas eu achei um blog muito interessante, onde também se falava sobre visões... e li um texto dizendo que, uns quinze anos atrás, um cara teve a visão de que uma escola iria desmoronar, igualzinho a você... Mas sabe o que é mais interessante? O professor Robert foi um dos “sobreviventes que iriam morrer”.

-Você tá mentindo! – Ela tentou aumentar o tom de voz, para parecer ameaçadora, mas não pareceu dar muito certo...

-É verdade! Bom... Se você não quiser acreditar em mim, azar o seu! O importante é que o site mostrava algumas manchetes em jornais. Uma delas falava que o professor foi o único sobrevivente que não morreu. Todos os outros morreram. O visionário foi assassinado, e havia suspeitas de que o professor havia matado ele.

-O professor Robert nunca faria isso! Você tá mentindo!

-O site também mostrava várias hipóteses de como não morrer, se você for um sobrevivente... Uma delas é se o visionário cometesse suicídio... Outra é se alguém da lista tiver um bebê... E a que eu achei mais interessante é... Se alguém que não seja o visionário matar alguém da lista da morte...

-O que você tá querendo dizer?

-Eu estou na casa do Elias, o próximo da lista. É o seguinte, você terá que vir aqui, se quiser que ele viva por mais algum tempo. Se você não aparecer aqui em meia hora, acredite: Eu irei matá-lo, eu irei matar o Thomas, o Owen, e você!

-Tá bom... Eu já to indo pra aí...

-É bom mesmo... Não tente aprontar nenhuma gracinha... Eu estou de olho em você... – Quando terminou de dizer isso, Tainara desligou o telefone.

Aline se sentiu desprotegida... Se ela fosse para a casa de Elias, provavelmente Tainara tentaria matá-la.

Caminhou até a cozinha, e abriu uma das gavetas do armário, próximo a pia. Lá dentro havia várias facas, garfos, e outros tipos de talheres. Aline retirou de lá uma pequena faca, e a colocou no bolso.

De repente, alguém bateu em sua porta.

Ela levou um susto, e rapidamente pegou a faca, em posição ameaçadora.

Aline foi aproximando-se lentamente da porta, e estendeu a mão com a faca na maçaneta. Girou a maçaneta com cuidado, e abriu a porta, apontando a faca para...

-Owen? O que você tá fazendo aqui?! – perguntou, recolhendo a faca, e colocando-a novamente no bolso.

-Aline?! O que você tá pensando em fazer? – Owen exclamou e recuou.

-Fica tranqüilo, isso aqui não é pra você... É pra Taintara...

-Tipo assim... O que?!

Aline pediu para Owen sentar-se no sofá. Ela sentou-se do lado dele, e explicou sobre o telefonema de Tainara. Ela contou que sua casa havia sido invadida, e que Tainara estava na casa de Elias. Contou também sobre as teorias malucas de escapar da morte, e também sobre o professor ser um sobrevivente. Nesse instante, Owen a interrompeu:

-Aline! Era exatamente disso que eu queria falar com você! Eu vi esse site também!

-Então, é verdade mesmo? O professor Robert realmente é um sobrevivente...

-É o que tá parecendo...

-Por isso ele falou estranho um pouco antes de morrer. Ele sabia exatamente o que aconteceria com ele, exatamente como aconteceu com os amigos dele.

-Você acha que ele matou o visionário mesmo? Tipo... pra poder sobreviver?

Owen fez que não com a cabeça. Alline levantou-se do sofá, e foi até a porta.

-Onde você vai? – Owen perguntou.

-Vou pra casa do Elias. Preciso salvá-lo, antes que a Tainara o mate.

-Espera! – Owen agarra o braço dela – Se você for eu vou também! Eu não vou deixar que nada aconteça com você!

-Owen... Eu te agradeço pela ajuda, mas não quero que você se arrisque por minha causa! – Aline responde, puxando seu braço, para que Owen o soltasse.

Owen bloqueou a porta com seus braços. Não queria que Aline saísse.

-Você só vai sair daqui se me deixar ir também! A Tainara vai tentar te matar pra quebrar a ordem das mortes!

-Você não percebe, Owen? Se eu morrer, ela vai conseguir salvar você, o Elias, o Thomas, e ela mesma! Eu preciso fazer isso!

-Aline... você não tá pensando em fazer isso, né? Pensa bem, a gente pode pensar em outra coisa... em outra maneira de quebrar a ordem...

-Olha... se você quiser ir, tudo bem! Vem comigo! Mas saiba que eu não vou te proteger dela. Ela me quer, e não você!

-Valeu, Aline! Fica tranqüila, eu não vou deixar nada acontecer com você!

Naquele instante, Aline sentiu que ele realmente estava falando a verdade. Owen não queria que nada acontecesse com ela. Estava sendo mais do que um amigo... Owen estava sendo algo que Thomas nunca foi para ela...

Owen e Aline saíram de lá, sabendo que, provavelmente não voltariam vivos de lá...

-Tudo bem... – disse Aline, fechando a porta – A batalha final está perto de começar...

Notas finais
A batalha final se aproxima... E muitas verdades estão em jogo... Aline conseguirá vencer Tainara e salvar Elias? E o que terá acontecido com Thomas? Que segredos Tainara esconde?
Vários segredos serão revelados no útlimo capítulo dessa surpreendente história!