Notas iniciais
"Por um instante, Aline viu algo vindo da janela quebrada. Como se fosse um rosto, mas não tinha certeza. Naquele momento, ela pensou que talvez Tainara estivesse mesmo falando a verdade"
Aline estava indo até a casa de Elias Huat, um amigo que conhecera na escola. No caminho, ela relembrava os tenebrosos fatos que mudaram sua vida: Quando entrou em sua escola nova – O colégio Mckinley – ela teve uma visão surpreendente. Mas não era uma visão qualquer... Ela previu que a escola iria desabar, devido a um incidente na cozinha. Ela foi expulsa da sala, e quando estava na coordenação, com seus amigos, a escola explodiu de verdade. Ela viu o coordenador de sua escola morrer. Depois, sua amiga Roberta, que conhecera desde a infância, morreu com o pescoço quebrado (ainda não decidiu se ela não havia desmaiado de tanta dor que a amida deve ter sentido). Depois, pesquisou na internet sobre isso, e pensou que a morte iria buscar todos que ela havia salvado. Seus amigos não acreditaram, a princípio. Seu professor Robert também morreu, tento o pescoço perfurado com o pára-brisa de seu próprio carro. Ela e seu amigo Owen acharam um papel estranho em códigos, onde, depois de decifrado, dizia MATA OU MORRE. Foram até a casa de seu amigo Carlos, em seguida, e o salvaram de quase morrer na sua cozinha. Tudo em vão, já que ele tinha um caco de vidro perfurando sua barriga. Ainda na casa de Carlos, suas amigas Helena e Maria apareceram. Helena morreu quando um caminhão desgovernado acabou esmagando-a (pelo menos foi o que Owen disse, já que não a deixou ver aquela cena brutal). Com medo da polícia, eles correram até um lago, e acharam um barco velho. Maria morreu lá, tento o couro cabeludo arrancado pela hélice do barco. Depois, Owen e Aline foram andando até em casa. Todos eles seguiram seu rumo. Aline foi atacada por um misterioso ser, e em seguida recebeu um telefonema de Tainara, sua ex-amiga que jurou vingança, quando não concordou com a teoria da amiga. Tainara dizia que haviam várias suspeitas de que seu professor já presenciou um amigo que teve uma premonição, e a morte seguiu todos. Há quem acredite que o professor havia matado o visionário, e assim, acabado com a lista da morte. Tainara também disse que estava com Elias (o próximo da lista da Morte) e que Aline deveria ir até lá. Owen, seu amigo, foi junto.
Ela sabia que seu destino iria chegar, não importa o que tentasse fazer...
Owen olhou para ela, preocupado, e depois olhou para o céu.
-No que você tá pensando? – perguntou Aline, segurando a mão dele. Assim que sentiu a mão da amiga tocando sua mão, ele se afastou. Mas depois a segurou, e olhou para ela. Seus olhos brilhavam e seu sorriso era radiante. Aline por um instante esqueceu que estava entrando em uma cilada bola\\da por sua arque-inimiga.
-Ah, sei lá... – Owen respondeu sem jeito, meio envergonhado – é só que... É estranho sabe?
-Es... Estranho? – ela riu – do que você tá falando?
-Lembra quando você me conheceu? Você era muito sem jeito, e tão tímida... Você mudou bastante desde que te conheci... Você agora parece não ter medo da morte...
-E quem disse que eu estou com medo? – respondeu, mantendo calma – quem disse que eu não tenho medo que eu possa até morrer se fizer alguma coisa com a Tainara? E eu não to falando só de morte... E sim se prisão, conselho tutelar... Adoção...
-Você está tão calma... Não parece que...
Aline olhou para a mão de Owen. Ela estava gelada, e tremendo. Suando frio.
-Eu estou tremendo por dentro, sério! – Respondeu com um sorriso – é que a minha cabeça tá a mil, e as vezes, eu penso em outras coisas, pra me acalmar...
-Tipo o que?
-Você! Se você não tivesse aqui, talvez eu realmente não teria chance de sair viva de lá. Mas com você, eu me sinto mais segura.
-Por que você acha que a Tainara vai te matar? – perguntou – Talvez ela só queira conversar com você... Negociar a vida do Elias...
Aline parou de caminhar. Botou a mão no queixo, e olhou para cima, como se quisesse pensar em algo:
-Agora eu entendi! – ela exclamou tão alto, que Owen quase caiu no chão, de susto – ela disse no telefone sobre aquelas teorias! Sobre o professor ter matado o visionário, e ter sobrevivido! Então é isso! Ela vai seguir essa teoria e me matar!
-Mas ela provavelmente seria presa por isso, Aline! Não dá pra...
-Você! – Ela interrompeu. Nesse momento, Owen sentiu como se ele tivesse feito algo errado – ela sabe que eu vou levar você comigo, por que eu terminei com o Thomas! Ela vai me matar e incriminar você!
-Você e o Thomas terminaram? – perguntou em voz baixa, mas pareceu se arrepender de perguntar. Torceu para que Aline não tivesse ouvido. E ela não tinha.
-Usa essas luvas – disse enquanto tirava algo de sua mochila. Owen não sabia ao certo por que ela trouxe aquilo. Aline não quis dizer o porquê daquilo, e nem ao menos dizer o que tinha lá dentro. Depois, ela retirou dos bolsos da mochila, um par de luvas de dentista. Ela o entregou para Owen, que as colocou em seguida.
-Sério mesmo? – Owen perguntou, tentando não rir – luvas? Tipo... Pra quê?
-Eu sou prevenida. Aqui dentro tem tudo o que precisamos para essa missão. Desde escovas de dente, até kit de primeiros socorros. Eu coloquei tudo o que cabia aqui dentro. Se você ficar com essas luvas, Tainara não vai poder coletar suas impressões digitais.
-E meu cabelo? Tem como “eles” verem meu DNA pelo meu cabelo...
-Eu não tenho nenhuma touca aqui... Foi mal...
-Desencana, tá tudo bem! – respondeu, e apontou para frente. Mostrava uma pequena casa cor de abóbora, feita de madeira, numa região isolada da cidade. O cheiro de lixo vinha por todos os lugares. Era tão forte que Aline sentiu suas narinas explodirem e sangrarem. A casa tinha janelas quebradas e sujas, porém, a vista era incrível. Se alguém subisse em cima da casa, conseguiria ver a parte nobre da cidade, depois da ponte. Owen olhou para Aline, e novamente, seus olhos brilharam. Aline sorriu, e queria abraçar o amigo com todas as suas forças. De tanta felicidade, os dois disseram juntos:
-É a casa do Elias!
Por um instante, Aline viu algo vindo da janela quebrada. Como se fosse um rosto, mas não tinha certeza. Naquele momento, ela pensou que talvez Tainara estivesse mesmo falando a verdade. Ela torceu a para que fosse mentira durante todo o percurso até lá. Enquanto falava com Owen, e relembrava os fatos, ela também pensava nisso. “Tomara que não seja sério... Que a Tainara esteja apenas fazendo uma brincadeira de muito mau gosto... Que o Elias esteja bem...”, mas ela havia perdido as esperanças depois que percebeu que algo havia se mexido pelo matagal que encobria a casa cor de abóbora.
-Você ouviu isso? – Owen perguntou, olhando para Aline, preocupado.
Ela fez que sim com a cabeça, e voltou sua atenção para a casa.
-Seja como for, a gente vai ter que entrar aí – disse Aline, olhando fixamente para a casa, na esperança de que alguém se mexesse, e ela conseguisse saber se Tainara realmente estivesse falando a verdade – é a vida do Elias que tá em jogo agora. Depois é a do Thomas... E depois você, e eu...
-Por que você tá tão preocupada com o Elias? – novamente, Owen torceu para que Aline não ouvisse o que ele falou, mas não teve sucesso.
-Por que eu tenho certeza de que será nossa última batalha. Ainda não conseguimos salvar ninguém. Tenho esperanças de que algo aconteça se eu salvar alguma pessoa... Tipo, a morte parar de perseguir a gente, ou algo do gênero.
-Depois do Elias, a próxima pessoa é a Tainara. Por que você a pulou?
-Por que pra mim ela já tá morta – respondeu sem mudar a expressão de seu rosto. Depois, ela olhou para Owen e disse para os dois entrarem devagar, sem fazer muito barulho. Owen concordou.
Os dois se aproximaram da casa. Aline tirou de seu bolso uma faca de cozinha, daquelas enormes e mortais. Owen permaneceu em silêncio, embora estranhasse o motivo daquilo. Aline segurou a faca como se estivesse pronta para matar alguém – e ela estava.
Com as luvas, Owen girou a maçaneta da porta. A porta era um pedaço de madeira podre e sujo. Ele não conseguiu decidir se aquilo no chão era apenas poeira, ou dejetos de cupim.
A maçaneta girou-se e estalou. Seu barulho não foi tão alto, mas ele sabia que se Tainara estivesse lá dentro, ela provavelmente teria ouvido aquilo.
Ele empurrou a porta para o lado de dentro da casa. A luz do luar se projetava pelo tapete felpudo sujo e desbotado no corredor principal da casa. A sombra dos dois foi crescendo pelo tapete, à medida que eles adentravam a casa.
Eles deram passos leves. Um pé de cada vez, um atrás do outro. Aline tinha a leve impressão de ter ouvido o chão ranger, como se a casa insistisse que alguém notasse sua presença.
Logo na entrada da casa havia um enorme corredor, onde vários quadros de pessoas famosas como Benjamin Franklin e William Shakespeare estavam pendurados. Aline já havia visto aquelas fotos, em trabalhos na escola. As fotos eram em preto e branco, mas estavam coloridas. Quase tinha certeza de que alguém havia pintado elas digitalmente. No final do corredor, havia uma porta, onde dava na cozinha, e na frente, havia um espelho enorme. Na cozinha, havia várias portas. Uma delas dava na sala, onde existiam apenas um sofá pequeno e uma TV antiga. Outra porta dava em um pequeno quarto, cheio de sacolas, e um colchão velho e empoeirado. Havia também outro quarto, com um colchão, e alguns bichinhos de pelúcia. Nesse mesmo quarto, havia uma pequena porta, onde dava no banheiro. Nesse banheiro, havia uma privada, e uma pia. Não existia chuveiro lá. Em um lugar vazio, sem objetos, estavam empilhados vários baldes.
Depois de explorarem a casa toda, Aline começou a pensar que Tainara não estivesse lá... Que fosse apenas uma piada dela. Eles estavam no final daquele corredor principal.
-Vamos embora, Owen. Acho que ela não tá aqui.
Nesse momento, ela sentiu seu amigo a empurrar contra a parede. Aline bateu a cabeça na parede, e caiu no chão, sentindo tontura.
Quando olhou para Owen, viu que o mesmo ser que a atacou em sua casa estava com uma faca parecida com a dela, e estava tentando esfaquear o garoto.
Aline levantou-se rapidamente do chão, e agarrou o pé do ser encapuzado. Puxou a perna dele com tanta força, que ele caiu no chão. A faca que estava na mão dele escorregou e foi parar perto do espelho.
A pessoa começou a dar socos nas costas e na cabeça de Aline. Quando percebeu que aquilo não estava a fazendoela soltar, puxou os cabelos dela. Aline gritou de dor, e soltou o pé do ser encapuzado, que deu um chute na barriga dela. Aline novamente foi jogada contra a parede. Com o impacto, um dos quadros caiu, e se estilhaçou no chão.
No impulso de proteger Aline, Owen agarrou o corpo do ser com os braços, mas ele se soltou, dando chutes nas pernas do garoto. Aline pegou a faca que estava em seu bolso, e tentou atacar a pessoa.
Tentou atingir os braços dele, mas ele esquivou-se. Depois, quis atingir as pernas. Ela se abaixou, fingindo tentar ajudar Owen, enquanto o ser procurava sua faca. Nesse instante, Aline lançou sua faca no ser de preto.
Ela não tinha certeza se a faca realmente atingiria, pois o ser parecia apavorado, procurando sua faca, mas a faca fincou-se na perna direita da pessoa, que caiu no chão e gemeu de dor.
Aline correu em direção ao ser, e deu-lhe um chute na barriga. O ser caiu no chão, e num movimento rápido, retirou a faca que estava em sua perna.
Sangue escorria por toda a perna. Uma poça de sangue se formou no local.
Por um instante, Aline tinha certeza de que a criatura olhou nos olhos dela. Nesse instante, ela percebeu que ele realmente queria matá-la.
O ser de preto jogou a faca em Aline. Ela se jogou no chão, e a faca atingiu a parede.
Quando viu que o ser estava prestes a fugir, Owen levantou-se do chão, agarrou sua capa. O capuz que envolvia seu rosto caiu, e tinha certeza de que aquele cabelo logo e ruivo só poderia ser de uma pessoa.
Antes que o ser pudesse fugir, Owen agarrou sua perna ferida. Fez questão de apertar e arranhar o ferimento várias vezes.
A pessoa se contorcia de dor, e deu um grito. Sua voz doce e meia fez Aline lembrar quem era.
-Tainara? – exclamou. Owen olhou surpreso para ela. Aline sabia que ele também reconhecera a voz.
O ser encapuzado vira-se para os dois. Aqueles cabelos lisos e brilhantes... Aquele rosto perfeito, aqueles olhos verdes chamativos...
-Eu sabia que era você, sua estúpida! – exclamou Aline, olhando fixamente para os olhos de Tainara.
Depois de Aline ter dito isso, Owen soltou a perna da garota, e limpou suas luvas, que estavam cheias de sangue, na roupa.
-Interessante você estar me reconhecendo, Aline... – Tainara parecia não estar sentindo dor. Sua perna estava sangrando muito. Aline tinha certeza de que havia cortado pelo menos uma veia, ou um músculo da perna dela, para não dizer que provavelmente quebrou os ossos da perna dela – depois de tudo o que você passou, deve ser difícil lembrar quem são amigos e inimigos...
-Todos eles são meus amigos! Todos os que eu salvei na escola são meus amigos!
-Tem certeza disso? Por que será que somente depois que o professor e a Roberta terem morrido, você ficou mais próxima do Owen? Ele não acreditou em você sobre essa teoria...
-O que você tá tentando dizer com isso? – Aline levantou-se do chão. Pegou a faca que estava em seu bolso, e chutou a faca de Tainara para perto do espelho. Ela bloqueou sua passagem para o espelho, para que não conseguisse pegar a faca.
-Owen só está perto de você por que sabe que vai morrer, e que você pode salvá-lo – houve uma pequena pausa. Owen e Aline trocaram olhares – ele sabe que você nunca se perdoaria se algo acontecesse com ele e com o Thomas.
-Eu não estou mais com o Thomas. Terminei com ele para protegê-lo!
Depois que disse isso, outro ser encapuzado surgiu da cozinha. Era um ser alto e musculoso. Seu capuz era verde, e ele estava descalço. Aline afastou-se tentando espremer-se contra a parede.
-Thomas me contou como você fez ele se sentir, sabe? – Tainara começou – ele disse que era injusto você se afastar de alguém que você gosta, para ficar com alguém que você ama.
Aline ficou confusa. O outro ser encapuzado apontou para Owen, que estava ao lado de Aline. Owen estava com o braço machucado, cheio de arranhões.
O ser encapuzado aproximou-se de Owen. Owen tentou manter-se firme, sem tremer, e sem fugir de medo. O encapuzado fez questão de pisar em cima do cabelo de Aline que Tainara arrancou uns minutos atrás.
O ser aproximou-se mais de Owen. Ele dava passos lentos, como se quisesse deixá-lo com medo. Quando estava perto a ponto de sentir a respiração de Owen, ele rapidamente apanhou a faca que estava em sua capa, e fincou-a na barriga de Owen.
Ele cai no chão, morrendo de dor. Owen tenta fazer o ferimento parar de sangrar, colocando a mão na ferida, mas isso só fazia que o machucado doesse mais.
-O que?! – Aline tentou segurar o ser encapuzado – O que você fez com ele?
Aline pulou em cima do ser, e subiu nas costas dele. Ela tentou fazê-lo bater a cabeça na parede, empurrando-o de um lado para o outro.
Tainara correu para tentar fazer Aline soltá-lo, mas recebeu um chute no rosto vindo do pé da ex-amiga.
Aline dava socos e arranhões no rosto da pessoa encapuzada, e tentava jogá-la contra a parede. Por mais que tentasse, o ser afastava-se de lá.
Então ela teve uma idéia. Estendeu a mão até a parede, e pegou um quadro onde tinha uma foto de Anne Bonnie, uma pirata famosa. Sem pensar duas vezes, ela quebrou o quadro na cabeça da pessoa.
Sem forças, a pessoa cai no chão. Aline pula das costas dele, e sem perceber, pisa na mão de Tainara, que estava desmaiada. Podia jurar que ouviu o barulho de algo se quebrando, e torceu para que fosse a mão da garota.
Ela foi ajudar Owen, que estava no chão.
Ele estava tentando agüentar a dor, mas era tão forte que não conseguia.
-Owen... – ela começou – tem um hospital aqui perto... eu posso te levar até lá.
-Tudo... – gaguejou – tudo bem...
Nesse instante, a porta da casa fechou-se com a força do vento. O barulho foi forte, e ecoou-se pela sala.
-O que foi isso? – Owen perguntou. Sentia dores fortes a cada sílaba que pronunciava.
-Eu entendi! O Elias tá aqui – disse Aline, indo até a segunda pessoa encapuzada. Ela deu um chute nele, para conferir se ele estava morto ou não – a Morte ainda não pegou ele...
-Então... – Owen se esforçou para tentar falar – o que você pretende fazer?
-É um novo plano! Provavelmente, será o ultimo ato dessa odisséia. Temos que achar e salvar o Elias, sair daqui, e dizer ao Thomas o que aconteceu aqui! Ele saberá o que fazer!
-Você ainda gosta dele? – Owen tentou se levantar. Apoiou-se com a perna e estendeu uma de suas mãos para Aline. Ela, por sua vez, o ajudou a levantar-se.
-Olha... Eu gostava dele... Mas ele era muito super protetor... Ele também não entendeu quando eu disse que queria a proteção dele e... – depois disso, ela parou.
-O que?! – Owen perguntou, assustado – o que foi!?
-Ele gosta da Tainara! – Aline concluiu, com um sorriso maléfico.
-Ele gosta de quem?! – ainda confuso com essa idéia, Owen queria que aquilo fosse verdade, mas ao mesmo tempo, queria que aquilo fosse mentira. Ele gostava de Aline, mas queria vê-la feliz. Se ela for feliz ao lado de Thomas, ele iria fazer de tudo para ela ficar com Thomas.
-Na minha visão... Eu não sei direito, mas depois que a gente viu a Tainara machucada no chão, ele tentou salvar ela, e eu disse que era uma má idéia... Ou algo assim... E ele ficou bravo comigo...
-Então... Você tá dizendo que o Thomas gosta da Tainara?
-Não to dizendo, Owen! Eu to afirmando! É verdade, eu vi aquilo. Não é bem o que ele disse, mas foi quase isso. Ele me xingou feio lá.
-Bom... Você que sabe... – depois disso, Owen se desanimou. Nunca viu a amiga desse jeito. Ela parecia muito ameaçadora.
-Eu aposto que a Tainara escondeu o Elias em um lugar onde nós nunca procuraríamos... Mas onde?
-Se eu fosse ela, esconderia lá fora... Tipo... No quintal... Por que você viria pra cá só pra salvar o Elias, e se ela quisesse te matar, desse jeito teria mais tempo, por que você o procuraria aqui dentro, e não lá fora...
-Owen... – ela deu um sorriso radiante. Mesmo que Owen não pudesse ver direito, com a escuridão que estava se formando, ele ficou feliz com aquilo. Depois do acidente na escola, ele quase nunca viu a amiga sorrir daquele jeito antes – você é um gênio!
Os dois correram em direção ao quintal da casa. Depois da cozinha, mais a frente, havia uma pequena porta de madeira. Quando atravessaram a porta, viram um monte de plantas e flores. Aline ficou impressionada com a quantidade enorme de flores que havia lá. Ela apontou para uma árvore, onde havia grudada no tronco, uma pequena florzinha rosa.
-Olha só, Owen! Uma orquídea! É bem raro ter uma aqui, principalmente nessa época do ano.
-Você manja de flores, é? – Owen dizia, enquanto se esquivava das folhas das árvores. Algumas folhas chegavam a encostar-se a seu corte na barriga, o que causava uma dor desconfortável a ele.
-É por que minha mãe já trabalhou numa floricultura. Ela viajou a negócios pra Europa, por que foi estudar algumas espécies de flores.
-E você já contou pra ela sobre essa sua visão? – Aline não respondeu a pergunta de Owen. Olhou para todos os cantos, procurando Elias. Até que começou a ouvir barulhos estranhos, como se fosse algum animal.
-Você tá ouvindo isso? – Aline perguntou, tentando descobrir de onde o barulho vinha. Olhou para os lados até que viu, encoberto por várias folhas, Elias Huat, amarrado em uma cadeira de balanço.
Aline tentou correr para desamarrar Elias, mas Owen segurou seu braço.
-O que você tá fazendo – ela esticou seu braço. Se conseguisse dar apenas mais um passo, ela conseguiria agarrar o amigo.
-Se você fizer um movimento errado, ele vai cair – disse Owen apontando para Elias com a outra mão.
Depois disso, Aline percebeu do que Owen estava falando: Elias estava amarrado em uma cadeira de balanço, e estava com a boca coberta. Ele estava quase encoberto pelas folhas, e estava em cima de um pequeno morro. Aline deu a volta pelo morro, e percebeu o quanto eles andaram. O morro era bem alto, e terminava em uma avenida.
-Entendeu agora? – Owen soltou a amiga, para estocar o sangue que estava escorrendo de seu ferimento, e depois continuou – Se você fizer um movimento em falso, ou se ele se balançar demais, a cadeira se inclina pra trás, e ele vai cair naquela avenida e morrer.
-Tainara... – Aline disse indignada – foi ela que fez isso! Só para eu ser culpada pela morte do Elias.
Quando ela terminou de dizer isso, uma rajada de vento forte passou por eles. Elias soltou um Hmmm! aterrorizando, como se estivesse com medo de cair de lá.
Aline e Owen ouviram a cadeira se movendo, e pedras rolando. Se o vento continuasse forte, Elias seria jogado para a avenida sem dó nem piedade...
-Eu vou subir até lá! – exclamou Aline, subindo até o morro, com cuidado, e se apoiando nos troncos de algumas árvores.
-Toma cuidado! – Owen gritou de lá debaixo – um movimento em falso e ele cai!
Aline acenou para Owen, e deu um joinha para ele. Owen sorriu, e continuou torcendo para que nada desse errado.
Aline continuava subindo, dando passos pequenos, tentando distribuir seu peso de forma igual – apesar de não saber como fazer isso.
Depois de alguns segundos, ela já conseguia avistar a cadeira e Elias. Com isso, ela estendeu a mão, tentando segurar o braço da cadeira.
-Vamos... Só mais um pouco... – disse em voz baixa.
Sua mão estava há uns 3 centímetros de distância da cadeira. Quando tinha certeza de que conseguiria agarrá-lo, ela escorregou na areia e caiu.
Com o movimento, a cadeira se inclinou para trás, e começou a rolar ladeira abaixo. Sem pensar duas vezes, Aline se jogou para frente, e agarrou o braço da cadeira onde Elias estava. Mas só isso não bastava... Elias era muito pesado, e Aline não conseguia segurar. Ela foi levada junto com a cadeira.
Owen correu sem pressa para o topo do monte, e antes que Aline caísse junto com Elias, Owen agarrou a perna dela.
Agora Aline e Elias estavam pendurados de ponta-cabeça. Debaixo deles, o asfalto duro e frio, onde, a qualquer momento, poderia matá-los sem piedade.
Owen tentou puxá-los para cima. O rosto de Aline raspava na terra. Ela gritava de dor, mas isso não fez Owen desistir de puxá-los.
-Hmmhmm-Hmmm!! – Elias exclamou assustado. Gotas de suor da testa dele caíram no asfalto. Ele tinha medo de que a próxima coisa que caísse lá fosse ele. Ele e Aline, para ser mais exato.
-Fica tranqüilo, Elias! – disse Aline, sorrindo e tentando acalmá-lo – eu não vou soltar – e depois olhou para Owen, e um pouco de terra caiu em seu rosto. Depois olhou para Elias de novo – nem o Owen!
Depois de ter ouvido o que Aline acabara de dizer, Owen sentiu-se mais forte. Era como se todas as suas forças estivessem reunidas agora. Então, ele deu um puxão enorme, e se jogou para trás. Com isso, ele, Aline, e Elias rolaram morro abaixo.
Depois de rolarem, Aline se levantou, e ajudou Owen a se levantar, já que seu machucado sangrava cada vez mais.
Ele agradeceu a garota, e foi até Elias. Olhou para Aline e disse:
-Acho que “salvamos” ele!
-Como pode ter certeza? – perguntou Aline, retirando as cordas que amarravam as mãos de Elias na cadeira.
-Aquele acidente, que fez vocês dois quase caírem... Eu salvei vocês!
-Salvou, né? – ela sorriu novamente para ele. Para Owen, Aline estava bem feliz, considerando que ela quase morreu.
Depois de desamarrar Elias, que estava cheio de arranhões, Aline limpou seu rosto com a mão e olhou fixamente para Elias:
-Olha só... eu acho que, a essa altura do campeonato, você já faz idéia do que tá acontecendo, né?
-A Helena me falou sobre isso, Aline... A Tainara veio aqui, e me amarrou, depois disse que me mataria se você não viesse... – depois de dizer isso, Elias chorou.
As suas lágrimas escorriam pela sua camiseta vermelha, onde se lia KNIFE POWER.
-O poder da faca? – Owen leu – onde você conseguiu essa camiseta?
-Minha mãe comprou pra mim depois que a escola desabou. Ela ficou dois dias agradecendo você, Aline, por ter me salvado.
-Sabe... Tô achando que a Tainara ainda tá viva... – ela olhou para a casa de Elias, e respirou fundo – vamos, Owen. Tá na hora da nossa batalha final...
E entraram na casa. Aline ainda estava suja de terra, e tinha certeza de que engoliu uns três insetos. Já Owen, seu corte não estava doendo tanto quanto antes. Pensa que agüentou a dor por tanto tempo que seu corpo já se acostumou com isso. Elias ainda estava chorando. De dez em dez segundos, ele limpava seu nariz, que escorria sem parar.
Quando eles chegaram ao corredor, perceberam que Tainara e o homem encapuzado tinham sumido. Nesse instante, Aline começou a olhar para todos os lados, com medo de mais um ataque de Tainara.
O teto da casa se quebrou, e de lá saiu o homem encapuzado. Owen e Aline se afastaram, e Elias se abaixou. Se ele fosse um pouco mais alto, a viga de madeira teria rasgado a coluna vertebral dele.
O homem encapuzado pegou a faca, e jogou em Owen, que se abaixou. A faca passou por cima de Elias. Se ele tivesse se levantado, a faca teria perfurado seu crânio.
Tainara apareceu, descendo pelo telhado também, e segurou Aline, empurrando-a para a cozinha. O encapuzado começou a dar socos em Owen, e ele revidava com chutes.
Aline e Tainara rolaram até a cozinha, e Tainara bateu as costas na pia. Ela levantou o braço, mostrando a faca que tinha. A faca brilhava e refletia o rosto de Aline nela. Com medo de que Tainara pudesse fazer algo com a faca, Aline chutou o braço dela, o que fez com que sua mão batesse na quina da pia, e soltasse a faca.
Tainara segurou os braços de Aline, e a jogou no chão. A garota tentava soltar-se, mas não conseguia. Tainara era muito forte.
-Está surpresa? – ela disse – eu treinei karatê esse tempo todo. Só para te matar.
-Então, você só me trouxe aqui para me matar? – disse Aline, ainda tentando fazer Tainara a soltar.
-Se eu te matar, eu vou viver! – gritou Tainara. Nesse instante, Aline cuspiu no rosto da garota. Ela pode não ter visto muito bem, mas tinha quase certeza de que sua saliva entrou na boca de Tainara.
Tainara soltou Aline, e imediatamente limpou seu rosto. Ela começou a cuspir e gritar vários palavrões. Aline aproveitou e começou a engatinhar em direção a pia.
Ela tateou a pia, procurando a faca, até que a encontrou. Ela tentou pegá-la, mas Tainara agarrou seu pé, e a puxou para o chão. A faca parou literalmente na borda da pia.
Owen jogou o encapuzado contra a parede. Quadros caíram no chão e o teto que estava quebrado começou a ranger e a se soltar.
Aline chutou a barriga de Tainara, que caiu no chão. Ela estada deitada perto da pia. Aline tentou correr para se salvar de mais puxões de cabelo. Tainara esticou seu pé, e Aline tropeçou. Para não cair, ela apoiou-se na pia. O impacto fez a faca tremer e a escorregar em direção a Tainara...
-Volta aqui, sua vadia de merda! Eu ainda não acabei com você.
Aline viu que a faca estava prestes a cair em Tainara. Ela afastou-se de lá, e foi tentar ajudar Owen. Ela se virou e deu um sorriso para Tainara e depois disse:
-Eu acho que suas aulas de judô não valeram à pena!
E depois que disse isso, a faca caiu. A última coisa que Tainara viu foi a faca vindo em sua direção, antes do objeto cair, cortar, e esmagar seu olho esquerdo. A faca atravessou a cabeça da garota, que tremia e se debatia, um pouco antes de seu tecido morto parar de mexer...
Aline pegou a moldura de um dos quadros que estava no chão. Gritou para Owen sair de lá. O garoto a ouviu e deu um chute no encapuzado, que chocou-se contra a parede.
Aline jogou a moldura nas vigas que estavam se soltando. A moldura moveu uma das vigas de metal, e vários pedaços de madeira pontudos escorregaram em direção a cabeça do encapuzado, empalando seu crânio.
As vigas derrubaram a parede onde o espelho ficava. Tudo começou a tremer. Owen puxou Elias pela mão, e todos os três saíram da casa.
Depois de tudo aquilo, pedaços de madeira caíram, móveis se quebraram, e a casa toda desabou. Fumaça cortava o ar, e o cheiro de coisas velhas pairava no ar. Elias só conseguia pensar no que dizer para sua mãe quando ela voltar do trabalho...
Todos os três correram sem olhar para trás. Eles foram até a ponte que havia lá perto. Quando chegaram lá, eles pararam de correr. Elias sentou-se no chão, Owen encostou-se em um poste de luz, e Aline ficou em pé, respirando ofegante.
-Vencemos! – disse Aline. Olhando para trás para garantir de que ninguém estivesse seguindo eles.
-Como você sabe?! – Owen perguntou, retirando o pó preto de seu rosto.
-Sabe quem era o encapuzado? Aquele que tava querendo te matar?
-Quem? – Owen levantou-se e se aproximou de Aline.
-O Thomas se juntou com a Tainara para se vingar de você, Owen! Ele que tava querendo te matar...
-Sério mesmo... – ele disse, cabisbaixo – você deve estar arrasada, né?
-Como eu disse pra você... Eu terminei com ele... Para proteger ele da morte... Eu causei a morte dele, Owen!
-Como assim?
-Eu não morro na minha visão! As pedras que me atingiriam não me atingiram. Pesquisei várias fotos do desabamento da escola, e vi uma foto da nossa sala... Destruída...
-Onde você quer chegar, Aline?
-As pedras não me atingem! Eu não morro na visão! E existe uma teoria mais certa, de que se alguém que não está na lista matar alguém da lista da morte... A corrente se quebra!
-Você queria matar sua pior inimiga... E matou seu ex- namorado... Que doidera...
-Eu nunca disse que queria matar a Tainara. Eu só a odiava por que ela me odiava! A gente podia voltar a ser amiga, mas ela não quis!
-Então... Nem eu, nem o Elias vamos morrer?
-Não, Owen! – comemorou – a gente tá vivo! – depois disso, ela olhou para Elias, com alegria – vocês dois vão viver! Isso não é o máximo?
-Fica na boa, Elias... – Owen explicou para o amigo – eu e a Aline vamos falar o que aconteceu para sua mãe. Se vocês quiserem, podem até ficar hospedados na minha casa... Tem dois quartos vagos lá!
-Sério mesmo? – Elias sorriu para seus amigos – cara valeu mesmo!
Owen estendeu a mão para Elias. Ele apertou a mão do amigo, e sorriu. Owen sorriu de volta.
-Bom... Então vamos ligar para a sua mãe! Não podemos ficar enrolando, né?
-Claro que não! Então... – disse Owen — vamos logo, na minha casa tem um quarto enorme, Elias!
Os dois caminharam mais rápido. Depois que olhou para trás, Owen olhou para Aline, e disse para Elias ir na frente. Depois, ele voltou até a amiga, e ficou na frente dela.
-Parece que você e o Elias serão grandes amigos, né? – disse Aline para Owen, sorrindo para Elias, e acenando.
-Não é estranho? – responde Owen – a gente nunca tinha se falado, e agora somos amigos... Eu e o Elias! E você e eu... Antes a gente nunca tinha se falado...
-E agora somos amigos? – completou Aline
-Eu queria ser algo mais... – depois disso, Owen beijou a boca de Aline. Ela poderia ter ficado assustada, brava, ou qualquer outra coisa. Mas ela ficou feliz.
-Owen... Então você...?
-Sim, Aline... Eu quero namorar você! – disse olhando fixo nos olhos dela. A garota sorriu, e o abraçou. Owen encostou sua cabeça no ombro de Aline. Ele conseguiu ouvir as palavras que sonhara ouvir, desde que conheceu Aline...
-Eu aceito namorar você!
Mais na frente, Elias sentou-se no chão, olhando para o luar. Ele não estava mais preocupado com o que sua mãe diria quando descobrisse que sua casa foi praticamente destruída. Pelo contrário, ele estava feliz. Feliz de ter amigos tão legais.
Ele começou o ano sem ninguém para conversas... Foi salvo por uma desconhecida, e agora tem amigos tão bons a ponto de quase morrerem para salvá-lo. Não importa o castigo que sua mãe colocasse nele, não importa o que sua mãe tiraria dele... O importante é que seus amigos sempre estarão lá, para ajudá-lo com tudo...
DUAS SEMANAS DEPOIS de terem explodido a casa de Elias, Owen e Aline estão namorando. Elias e a mãe dele estão morando na casa de Owen. Sua mãe não colocou castigo nenhum nele... Aline disse que a casa dele foi invadida, e Elias a chamou para ajudar. Disse também que haviam matado os ladrões destruindo a casa por acidente (o que, dependendo do ponto de vista, é verdade).
Agora, eles estavam em uma cafeteria famosa na cidade: Morte por Cafeína. Todos os três estavam reunidos e sentados em uma mesa, próxima ao balcão.
Depois, eles viram três pessoas entrarem lá. Aline os reconheceu sem dificuldades:
-Olhem! É o Nick O’bannon.
-Nike-o-quem? – Owen brincou.
-Engraçadinho... É o Nick! O cara que viu o acidente no autódromo Mckinley! – Aline virou-se para o homem do balcão – dois sucos, e três milk-shakes. Deu quanto?
-Um dólar e oitenta centavos – respondeu a balconista.
Aline retirou do bolso dois dólares, e deu nas mãos do balconista – Pode ficar com o troco.
-Obrigado – ele respondeu.
Os três saem de lá. Aline olha fascinada para Nick. Quando deixam o local, eles começam a falar sobre milk-shakes, e depois falam sobre comerciais de TV.
-Olha só... Eu acho que deveria falar com o Nick... – disse Aline, tentando voltar à cafeteria.
-Qual é, Aline? – Owen reclamou – por que você quer falar com ele?
-Não sei... Nós dois tivemos uma visão...
Ela olhou para o céu. Estava claro e cheio de nuvens. Uma rajada de vendo bateu em seu rosto. Ela sorriu para seus amigos, e seus amigos sorriram de volta.
-Tem razão, galera! Nada de ruim pode acontecer agora. Nós estamos vivos, e é isso que importa!
E assim, eles viraram a rua. Todos eles, felizes e vivos. E eles estavam guardando nas suas cabeças a melhor e maior aventura já vivida por qualquer pessoa...
Notas finais
Quando pensei em escrever essa Fanfic, estava brincando com um colega de escola. Eu disse que poderia escrever um "livro" sobre Premonição na escola. ELe não acreditou, então fiz A VISÃO. por incrível que pareça, realmente o sucesso foi enorme! Eu não imaginei que tanta gente iria gostar!
Mas sabe o que é mais legal? Não teria conseguido sem vocês, leitores! Sem vocês, A VISÃO não seria nada...
Quero agradecer a todos vocês! Divulguem a fanfic para os amigos, leiam, releiam, enfim...
Lembrando que tem também um capítulo especial! Eu havia escrito todas as mortes que havia planejado para a Fanfic. Então, disponibilizarei para vocês!
Por hoje é só, galera! Fiquem ligados nas novas fanfic, por que pretendo escrever outra em breve...
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