A Visão

2 Capítulo 2 - A cirurgia


Notas iniciais
Aline realmente não queria ter tido essa visão. Depois de ver como seus amigos morreriam na escola, ela precisará de muita coragem para avisar que a escola irá explodir.
Mas isso não é tudo. As vezes, as pessoas acreditam na mentira, e não acreditam na verdade...

Aline estava inquieta. Estava na coordenação, com o professor Robert, seu amigo Owen, Carlos, e sua amiga Tainara. Ela começou a gritar na sala de aula, dizendo que a escola iria explodir.

Os professores e coordenadores tentam acalma-la.

-É sério! Eu vi a escola desabando! Vai acontecer uma explosão!

O coordenador coloca a mão no ombro de Aline e conversa calmamente com ela.

-Então... você acha mesmo que a escola vai explodir?

Aline faz que sim com a cabeça.

-Olha, garota... eu já vi várias coisas assim. Alunos querendo bancar o estúpido, e começam a gritar, dizendo que algo ruim vai acontecer. Mas você... sua desculpa para ir embora da escola é muito infantil!

-Mas é verdade! – Ela se defende – eu vi! Eu tive uma visão! A escola vai explodir!

Owen desencosta da parede, e conversa com o coordenador:

-Olha, Roger... por que não deixa a gente acalmar ela no pátio do lado de fora? A gente não vai fugir!

Maria e Roberta chegam correndo na coordenação. Elas começaram a perguntar o que aconteceu com a amiga, e por que todos estão lá.

-Eu disse a vocês para ficarem na sala! – Robert engrossa a voz.

-Ela é nossa amiga! – Maria defendia-se – Deixa a gente ficar!

Robert olha para o coordenador franzindo a testa. O coordenador responde fazendo que sim com a cabeça, encostado na parede.

-Tudo bem, vocês podem ficar! Mas sem gracinhas! – Ele senta-se na cadeira, ao lado de Aline.

De repente, Helena aparece do lado de fora da coordenação.

-ISSO AQUI VIROU UMA FESTINHA? – Robert se irrita e se levanta da cadeira – Tratem de sair daqui já!

-Nem pensar, senhor irritadinho! A Aline é nossa amiga, e a gente vai ficar! – Maria engrossa a voz para o professor, que por sua vez, bate as mãos na mesa, e grita:

-Quem você pensa que é para falar desse jeito comigo?

BOOM!

Um estouro enorme pôde ser ouvido do refeitório. Ao desviarem os olhares para o mesmo, veem a escola toda pegando fogo...

-Ai meu Deus – Roberta se apavora.

Eles correm em direção ao portão, que fica ao lado da Coordenação. Roger abre o portão, e manda todos saírem de lá.

-Rápido, saiam da escola! – Robert empurra os alunos

-Mas... o Thomas ficou lá dentro! – Aline olha para trás e procura o namorado.

Ao saírem da escola, Aline esbarra com um garoto alto e de casaco de couro preto. Era Thomas...

-Eu não acredito! Você está bem! – Aline o abraça e suspira.

-Não é hora para abraços! Todos saindo daqui! – O professor exclama, puxando Helena pelo uniforme.

-Meu pai ficou lá dentro! – Helena para de correr e olha para a escola em chamas.

-Helena, não volta lá! – Roberta tenta impedi-la.

Antes que pudesse correr em direção a escola, ou contra, o portão desaba, e vários pedaços de ferro, e vergalhões caem.

O coordenador Roger que estava no portão, foi esmagado e perfurado pelos ferros, e pedaços de concreto.

-Ai meu Deus! – Maria chora – Eu não acredito!

Depois, o portão inteiro desaba. Aqueles pedaços de cimento, e o fogo se alastrando pela escola inteira chamavam vários olhares curiosos para lá perto. Aline fica com a consciência pesada... Todos os alunos ficaram presos lá dentro e não tiveram a chance de escapar...

-Como você sabia? – Owen pergunta, ainda assustado, para Aline.

Cabisbaixa, e chorando, a garota simplesmente responde “eu não sei”

-Na-na-não! Tem que ter uma resposta pra isso! Isso foi combinado com o pessoal da cantina, né? Como você sabia?

-Eu já disse... eu não sei! – Uma lágrima escorre do olho de Aline, até cair em seu pé direito.

-Me fala! Como você sabia?

Thomas dá um empurrão em Owen, e o impede de se aproximar de Aline.

-Você não vai fazer nada com ela, cara! Eu não vou deixar! – Thomas olha para Owen com intimidação – Eu não vou deixar...

◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙

-Então... você viu tudo antes de acontecer? – o agente Thomson pergunta a Aline. A garota faz que sim com a cabeça – E como foi sua visão?

-Eu... eu não sei explicar – ela diz em voz baixa, e com medo – eu só vi! A gente tava no refeitório, e aí tudo explodiu... e eu não me lembro de mais nada...

-Não se lembra de mais nada, não é? – O delegado pergunta, engrossando a voz – Sabe o que eu acho, Aline? Você é uma terrorista!

-O que? Do que você está falando?

-Você colocou uma bomba no refeitório!

-Que tipo de agente é você? Eu não fiz nada! Eu não explodi a escola!

-Então, o que foi?

-Não dá pra te responder... Eu não sei o que aconteceu...

-Entendo... – Ele apóia seu queixo no braço direito, e seu cotovelo fica apoiado na mesa – E você sentiu algo estranho quando teve essa visão?

-Eu senti medo... – Ela responde cabisbaixa. Medo é um dos sentimentos mais odiado por ela. Aquele sentimento a deixava fraca e sem forças... Não gostava daquilo – Eu senti muito medo...

-Você se lembra de como os seus amigos morreram? Na sua visão, você se lembra?

-Eu... eu não... Eu não sei... – Ela gagueja – Eu não me lembro de detalhes... apenas vi... É como se o tempo tivesse parado, e eu vi tudo o que aconteceu, e depois o tempo voltou e depois eu avisei a todos do que ia acontecer...

Ela dá uma pequena pausa. A sala toda fica em silêncio por alguns segundos...

-Eu não queria sentir aquilo... – Ela continua – minha cabeça começou a doer...

-E você já havia tido visões? – O agente Thomson pergunta, balançando sua caneta pela mesa. Aline faz que não com a cabeça.

-Agora eu temo que algo pior pode acontecer com meus amigos...

-Como assim?

-Um dia desses, eu estava na internet, quando encontrei um site falando sobre essas visões... Premonições, ou seja lá o que isso for!

-Sim, e o que você encontrou lá?

-Há dez anos atrás, um garoto chamado Alex Browning teve a visão de que o avião em que ele estava iria explodir! Ele avisou para todos, e algumas pessoas saíram do avião. Depois, todos os sobreviventes da explosão começaram a morrer um por um! Até que Alex morreu com uma tijolada na cabeça!

-E onde você quer chegar?

-Isso se repetiu! Três anos depois, Kimberly Corman teve a visão de que um engavetamento iria matar todos na rota 23! E o mesmo que aconteceu com o Alex e seus amigos rolou algumas semanas depois!

-Não entendo o que você quer dizer com isso!

-E três anos depois, Wendy Chistensein teve a visão de um acidente da montanha russa! Todos eles morreram! – Lágrimas escorrem do rosto dela – E agora, dois dias atrás, Nick O’Bannon teve a visão de um acidente no autódromo McKinley...

-Você está insinuando que você e seus amigos vão morrer?

-É a morte, seu Thomson! A morte vem buscar todos! Um por um! E eu tenho medo de que isso aconteça com os meus amigos... Aquela sensação que eu tive quando vi que o Thomas não estava lá... Eu não quero perder ele!

-Olha, eu entendo o que você está nervosa, mas não acredito que essa coisa de “morte” possa acontecer com vocês...

-Espero que você esteja certo... – Ela dá uma pequena pausa, e novamente a sala fica em silêncio... – Então, eu já posso ir?

O agente faz que sim com a cabeça.

Aline se levanta da cadeira, e sem olhar para trás, vai embora...

Ao chegar na porta da delegacia, encontra Roberta e Maria esperando por ela, ainda de uniforme.

-Então, amiga, o que aconteceu lá? – Maria pergunta, com os braços cruzados, encostada na parede e mascando um chiclete roxo. Provavelmente, de uva ou amora...

-Ele me fez algumas perguntas bizarras, e eu respondi! Disse a ele que não sabia de nada, e que eu não sou terrorista!

-Ele te chamou de terrorista? – Roberta indignada questiona. Aline responde fazendo que sim com a cabeça – Ah, não! Nenhuma pessoa chama minha amiga de terrorista e sai limpo dessa!

Roberta dispara correndo em direção a delegacia. Quando avista dois seguranças enormes barrando a entrada, ela para e dá meia volta.

-A não ser que essa pessoa seja uma pessoa que tem dois seguranças enormes protegendo ele... – Roberta cochicha no ouvido de Maria, que começa a rir.

-Gente! Vamos parar com isso! – Aline puxa as duas pela gola da camisa – minha mãe viajou e só volta daqui a três semanas! E eu acho que devíamos ir ao memorial dos alunos que morreram na explosão...

Maria encosta a mão no ombro de Aline, e cochicha no ouvido dela:

-Aquilo não foi culpa sua, Aline!

A garota se defende:

-Eu sei que não, mas eu me sinto culpada pela morte dos meus amigos... eu avisei, mas ninguém me ouviu... – Ela diz enquanto enxuga uma lágrima no rosto com a mão.

-Olha, amiga, me desculpa... – Roberta encosta a mão no ombro da amiga – mas do jeito que minha unha ta doendo, vou ter que fazer uma cirurgia!

-Nossa! – Maria se espanta – Por que você não vai numa pedicure?

-Eu já fui! A mulher disse que está num estado avançado! Apenas uma cirurgia para acabar com isso!

-E você quer fazer a cirurgia mesmo? – Aline pergunta, imaginando como seria a dor de ter uma unha encravada...

Roberta faz que não com a cabeça:

-Eu não quero mesmo! Mas preciso ir, antes que essa maldita dor me mate!

Uma van branca passa em alta velocidade próxima a delegacia. O volume do rádio estava no máximo, e uma música estranha pode ser ouvida.

-Abaixa esse volume, babaca! – Roberta exclama, levantando o braço e mostrando o punho.

-Essa... – Aline gagueja – essa música...

-O que tem essa música, amiga? – Maria pergunta, ainda olhando para Roberta brava, xingando a van.

-Dust in the wind, do Kansas – Ela reconhece a música – A tradução diz que “todos nós somos poeiras ao vento”.

Maria olha estranhamente para Aline,que está de cabeça baixa.

-Acho melhor irmos embora! – Roberta olha para o relógio que está em seu pulso esquerdo – já são 18:00! E daqui a pouco vou lá pro hospital!

-Mas Roberta! – Maria a impede de prosseguir, questionando-a – você vai ao memorial hoje à tarde? – Roberta faz um “não sei” com a cabeça, e vira a esquina.

◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙

Será mesmo que essa coisa de morte existe? Eu temo pelos meus amigos, e pelo Thomas! Só quero o bem deles... – Uma lágrima cai do rosto de Aline.

Ela está em seu quarto lendo um livro. “O labirinto dos ossos” de Rick Riordan. O primeiro de dez livros de uma coleção...

Ossos... Labirinto dos ossos... Isso pode ser uma pista? Sou apenas uma coincidência?

Ela vira o rosto, e olha para o relógio. São 22:45. – Ao menos isso não parece um sinal... eu não quero morrer.

Ela joga o livro no chão, e deita-se em sua cama. Cobre sua cabeça com o travesseiro, e fecha os olhos. Ela se cobre da cabeça aos pés com o cobertor. O cobertor dela tinha estampas de caveiras. Sua mãe por engano trocara de sacola com uma mulher, e acabou ficando com esse.

O livro que estava caído no chão é aberto por uma brisa fria que vinha da janela. O mesmo é aberto na página 180 e 181, onde se lia:

“Paris – ele leu – 1785”

A lua brilhava no seu como nunca. Aquele espetáculo podia ser visto de longe. Thomas olhava para ela, pensativo...

Será que Aline realmente está falando a verdade? A morte não tem poder para pegar as pessoas! Você vive e você morre! Nada de mais!

Ele deita-se em sua cama, e sem pensar duas vezes, dorme. Pela primeira vez, ele sentiu o medo... Medo de morrer...

◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙

-Roberta, o doutor já vai atender você!

-Mãe... – Ela está cabisbaixa – tenho mesmo que ir?

A mãe não diz nada. Apenas faz que sim com a cabeça...

Eu sempre quis fazer essa cirurgia... por que agora que estou aqui, não me sinto feliz?

Ela entra na sala de cirurgia.

No centro da sala, havia uma maca, onde uma bancada cheia de instrumentos de cirurgia estava posicionada. O cheiro da sala era de remédios pra gripe, o que lembrava Roberta de seu irmão que morreu, ele morreu devido a uma crise asma.

-Roberta Wallows, é você? – um homem com um jaleco branco chega na sala e pergunta.

A garota faz que sim com a cabeça, suando frio.

-Minha mãe não pode vir comigo? – ela pergunta, com um calafrio na espinha. O médico faz que não com a cabeça.

-Deite-se, por favor – o doutor pedia. Ele agre uma espécie de gaveta perto da maca, e pega uma seringa com uma agulha. – Espere um pouco. Vou chamar um anestesista.

A menina engole um seco, e se deita na maca. Ela olha ao redor da sala, e percebe que a seringa com a anestesia está próxima da borda da bancada.

Um vento forte abre a porta da sala de pequenas cirurgias. O vento é tão forte que faz a bancada girar, e esbarrar na maca.

Com a força do impacto, a agulha rola e cai da bancada, em cima de Roberta. Como estava com a agulha, a seringa fura o braço da menina.

-Aai! – Ela geme.

As pessoas da sala de espera se levantam dos seus lugares e tentam ajuda-la.

-Ai meu Deus! – Uma mulher com um vestido vermelho e uma bolsa bege corre até a sala e tenta retirar a agulha do braço de Roberta.

O doutor chega na sala, com uma outra pessoa do seu lado: O anestesista. Quando percebe a confusão, imediatamente corre em direção a maca.

Ele segura o braço da menina com força, e com cautela, retira a agulha.

Roberta dá um suspiro de alívio.

-Olha... você vai sentir uma pequena dormência no seu braço, ok? – Disse o médico, limpando o sangue do braço da garota com gases.

-Ei, cara... – Roberta meio sem forças, chama o médico – será que você poderia me dar anestesia geral? – O médico responde fazendo que não com a cabeça:

-Anestesia geral envolve o cérebro. Não vale a pena correr um risco desses por uma pequena cirurgia no pé!

O médico olha para as pessoas que estavam ao redor da sala. Ele pede a todos para saírem de lá, e depois, ele fecha a porta da sala.

A menina deita-se na maca.

Apenas vê o anestesista colocando algum tipo de líquido na seringa. Ela tinha medo de olhar para aquilo. Sentia-se tão impotente sem sua mãe para apoiá-la...

-Agora você vai sentir uma leve picada! – O anestesista tenta acalma-la.

Ele fura o pé da menina lentamente com a agulha. A garota se retorce de dor e segura fortemente o pano que cobria a maca.

-Para... – ela pedia, sentindo uma dor enorme – por favor!

O homem retira a agulha do pé dela. Mesmo assim, parecia que a dor quando se retira a agulha é maior de quando se coloca...

-Agora, você vai sentir outra picada! Dessa vez, a dor será menor pois seu pé já está ficando anestesiado!

Outra vez, o doutor enfia a agulha no pé da garota.

A dor era maior. Ela nunca sentiu uma dor tão forte assim em sua vida toda.

Médico mentiroso! Essa está doendo mais!

Ela novamente se retorce na maca. Uma lágrima escorre em seu rosto.

-Pronto... – ela ouve o médico consolando-a – Acabou, viu?

-Ótimo! – ela vibra – pode começar a cirurgia!

O médico olha para Roberta, confuso, e começa a rir da garota:

-Não acabei com as agulhadas! Ainda tem mais duas!

Novamente, outra agulha entra no pé da menina. Ela estava com a cabeça virada para cima, e não viu a agulha entrando em seu pé.

-Vamos logo com isso! Enfia essa agulha logo!

-Já coloquei – o médico sorri para ela – Você não percebeu por que já está com o pé anestesiado! Já coloquei as duas que faltavam! Agora já podemos começar a cirurgia.

A garota vira a cabeça para cima, e ouve o médico dizendo:

-Pelo que vi aqui na sua ficha, você já teve mais de cinco unhas encravadas! Dessa vez, vou usar uma técnica chamada de Cantoplastia! Com isso, dificilmente sua unha irá encravar novamente!

O médico começa a mexer na unha da garota.

Ela levanta o rosto para tentar enxergar o médico mexendo em seu pé. Quando ela se vira, teve uma surpresa: Ele abriu um pedaço de pele enorme do pé da garota.

-Cara... você estraçalhou meu pé! – Ela geme

-Nada disso! – O médico responde, sem olhar para a garota – Essa é a nova técnica que estou usando! Vou raspar a raiz da sua unha por inteiro!

A garota se acomoda na maca, e apenas ouve o barulho de uma lixa, e um formigamento no pé.

Ela fica com medo do que o médico poderá fazer com seu pé. Não quer que nada estrague sua unha...

Cantoplastia... Ta mais pra lixa de pé!

Ela ouve o médico guardando os materiais, e depois, amarrando seu pé com uma linha.

-Opa, opa! – Ela questiona – Pra quê essa linha?

-Estou costurando seu pé! Você vai levar três pontos! A não ser que você quer que seu pé fique sangrando...

-Na-na-não! Pode costurar aí, senhor costureiro!

Alguns minutos depois, o médico pede a ela que se levantasse, e fosse até uma sala de repouso, ao lado.

Quando se levantou, viu seu pé enfaixado com um amontoado de esparadrapos e gases. Ela faz que sim com a cabeça, agradece o médico, e caminha lentamente até a sala de repousos.

A sala de repouso fica em frente à sala de pequenas cirurgias. A parede pintada recentemente tinha cheiro de tinta nova e fresca. Roberta deita-se na maca, com o pé virado para cima.

-Quanto tempo eu vou ter que ficar aqui? – Ela pergunta.

-Uns 10 minutos – respondeu o doutor.

-Já vi que esse dia vai ser longo... – Ela desabafa.

◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙◙

Aline está no memorial com os colegas da escola.

Ela usa roupas pretas, e meias brancas. Aquilo chamava muita atenção.

Ela odiara ser observada. Tantas pessoas olhando para ela... aquilo lhe causava pânico. Não conseguia pensar direito. Não conseguia fazer nada direito. Não conseguia...

-Quando olho as fotos dos nossos amigos mortos, vejo rostos felizes... vejo alegria.. vejo que eles realmente gostavam de viver – O professor Robert iniciava o Memorial – Mas agora que esses estão mortos, continuo olhando as fotos. Mas não vejo nenhum rosto feliz... vejo apenas fotos... Essas pessoas que viviam conosco realmente nos causam falta. Agora, tudo provavelmente vai ficar monótono sem eles. E a escola McKinley... pra ser sincero, não sei o que acontecerá com ela... Talvez seja reconstruída... talvez, irão demolir o resto para criar outra coisa...

-Isso aqui ta uma chatice! – Owen cochicha para Aline. Ele estava uma fileira atrás dela.

-Owen! Você aqui? Quase me deu um susto!

O garoto sorri. Aline sorri de volta.

-Ei, Owen! Por acaso você viu a Roberta hoje? – Aline pergunta. O garoto apenas faz que não com a cabeça:

-Eu liguei pra ela hoje, mas ela me disse que precisava ficar de repouso em casa...

-Ficou sabendo se a cirurgia de ontem foi boa?

-Sim! Ela falou que o pé dela dói apenas quando algo se encosta ela.

O memorial se enche de pessoas em um piscar de olhos. Aline logo se sentiu estranha... Era como aquela sensação de quando ela teve a visão, mas, um pouco diferente... ela agora sabia o que era aquela sensação.

Eu não quero morrer!

Notas finais
Parece que ainda não é a vez de Roberta morrer... ou talvez ela não seja a primeira...
Como um amigo meu disse, em minhas Fanfics, algumas partes prendem o leitor, e não o fazem querer parar de ler, para saber o que acontece. E é exatamente isso que busco com os capítulos dessa Fanfic!
No próximo capítulo, Aline descobrirá realmente quem é o primeiro...