A Violinista Cega

4 A Luz Por Detrás de Seus Olhos


Notas iniciais
Atrasei um dia... me desculpem.
Eu queria um capítulo bem maior,mas na pressa acabou sendo assim. Por mim teria mais de três mil palavras, mas acho que as preciosidades que eu planejo chegarão no próximo capítulo, que para compensar este e o anterior será mais extenso.
Digamos que este capítulo servirá apenas como um elo de ligação do capítulo anterior com o próximo, sendo assim, fiquem atentos com certos detalhes, significarão bastante no futuro ;)
No capítulo anterior acabei me esquecendo de agradecer à GabsBooBearJujubaVerde por ter favoritado a fic *-* Essa Beta Reader tão adorável *-*
Chega de conversa,vamos ao que interessa. Nos vemos lá embaixo :D

“Lucy caminhava calmamente pelas árvores que ladeavam a trilha. O sol ia lentamente desaparecendo no horizonte. O tecido que cobria seus olhos já havia escurecido tudo, mesmo que estivesse de olhos bem abertos.



Algumas aves iam se recolhendo em bando, muitas pousando em árvores ou arbustos um pouco mais altos. Certamente o céu já estava acinzentado o suficiente para que as pessoas passassem a enxergar mal. Naquela noite, Lucy estava atrasada.



Um pequeno menino veio em sua direção enquanto se preparava para guardar o instrumento. Pediu à ela que tocasse uma música, por mais simples que fosse, para sua avó acamada.



De bom grado e tocada pela sinceridade e carinho do menino tocou um repertório de cinco músicas, aumentando inclusive o entusiasmo da avó do garoto. A idosa se levantou da cama e ofereceu um presente à violinista, que humildemente o recusou. Após um bom tempo insistindo, Lucy aceitou levar o presente, mas prometeu que ainda voltaria e tocaria um repertório completo para a senhora.



Atrasou-se tanto em sua apresentação particular, que agora não tivera ainda tempo de tirar a faixa que lhe recobria os olhos.



Ao perceber que já estava em casa, imaginando estar na soleira da porta sozinha, ouve a voz grossa de um jovem a cerca de dois metros de onde estava.



—Lucy?



Apavorada, tentou manter a pose firme perante a voz. Já havia a reconhecido como sendo a de seu irmão Damon, mas todo cuidado era pouco.



—Pois não?



—Por que está com uma faixa preta lhe cobrindo os olhos?



Pôde-se ouvir as folhas de um arbusto próximo farfalharem. Damon se esticou e observou para ver o que acontecia por ali. Não vendo nada, apenas voltou a encarar a irmã.



Lucy abaixou o rosto e retirou o tecido dos olhos, podendo fitar o irmão. Colocou a caixa do instrumento no chão e suspirou dizendo:



— Você venderia seu maior amor?



— Você só está ajudando a família. Não vejo que possa estar vendendo algo além disso.



— Eu estou vendendo, sim. Todas as manhãs em que vou até a praça tocar meu violino, quando as pessoas me jogam moedas brilhantes, estou trocando minha amizade, minha maior paixão por dinheiro. O dinheiro deles para ajudar a todos aqui em casa.



Damon abaixou a cabeça, olhando agora para o chão.



— Imagine-se vendendo sua maior paixão. – disse Lucy – Vendendo sua poesia sem ter certeza de que ganhará algo em troca de tanto esforço e dedicação.



— Doloroso.



— Prefiro sofrer de olhos fechados. Não tenho de ver olhares piedosos vindo em minha direção.



O jovem diria qualquer coisa para completar a ideia da irmã quando uma mulher alta e de meia idade apareceu na porta. Seus cabelos escuros chegavam até os ombros. A doce voz de sua mãe a chamava preocupada:



— Lucy? Querida! Está tudo bem? Fiquei preocupada, afinal o céu já está escuro e não havia visto você chegar. Vamos Damon, ajude seus irmãos a se lavarem para o jantar enquanto eu converso com Lucy. – disse fazendo sinal para que ela entrasse



Sentou-se em uma cadeira próxima à mesa enquanto sua mãe ia colocando os pratos de barro, já lascados, próximos uns dos outros.



— Lucy, – disse a mulher apontando para o saquinho escuro cheio de moedas – você tem nos ajudado bastante nos últimos dias. Pudemos comprar mais comida, assim não faltando alimento para ninguém.



— Estou apenas fazendo o que me pediram.



— Claro que está, Lucy. Mas já se passaram alguns dias e você não tem se alimentado direito. Eu e seu pai estamos muito preocupados. Seus ossos estão aparecendo cada vez mais sob a pele. Por favor, fique ao menos um dia em casa.



Lucy queria relutar e dizer não, mas suas mãos já doíam absurdamente pelas extensas manhãs e tardes em que ficava tocando cada nota e cada acorde em seu violino.



— Está bem, mãe.



Mary foi em direção à filha e deu-lhe um abraço.



—E Victor, como está? – disse já se separando de Lucy.



— Nos últimos dias eu não tenho conversado com ele. Havia muita gente na praça.



—Talvez você devesse trazê-lo para jantar de novo. Ele parece ser um bom rapaz.



A menina apenas acenou positivamente com a cabeça.



Seus irmãos e seu pai já estavam chegando e se sentando para jantar. Pela primeira vez em muito tempo, todos comeram até ficarem satisfeitos. Ninguém foi dormir de estômago vazio ou chateado.



A morena subiu as escadas até seu quarto. Ia se preparando para ir até o telhado quando notou que o céu havia se escurecido mais ainda. Gotas pesadas batiam contra o vidro sujo, embaçando a visão que se tinha do lado de fora do casebre.



Tudo no ambiente se escureceu. Estranhamente, Lucy estava enxergando melhor no ambiente escuro do que quando a luz do luar ainda iluminava o quarto.



Pegou seu caderninho de seu esconderijo secreto e sentou-se no chão. Desenhou mais algumas linhas e posicionou o violino em seu ombro. Tocou algumas notas e as anotou na folha amarelada repleta de outros diversos pentagramas semelhantes.



Ali, no escuro, com praticamente zero iluminação, fazia as anotações. Ficou sozinha por quase uma hora, quando se pôde ouvir o ranger da porta do quarto se abrindo.



Lucy levantou-se para observar quem estaria ali. Um ponto de luz veio em direção aos seus olhos, fazendo com que se retorcesse com a dor.



Uma dor lancinante dominava seus olhos, fazendo com que ela gritasse. Damon, desesperado, escancarou a porta e foi correndo em direção à irmã, caída no chão chorando de dor.



— Lucy, o que aconteceu?



— A vela! Apague a vela! Isto está me cegando!



Damon assoprou a vela e pousou-a no chão, ao seu lado. Segurou a irmã em seus braços, como tentativa de acalmá-la.



— Está melhor assim?



A morena abriu os olhos lentamente, ainda atordoada pela dor que a luz havia acabado de lhe causar.



—Damon... acho que quase fiquei cega.



— Faria jus ao seu pseudônimo. – disse ele sorrindo e ajudando a irmã a se levantar – Já está se sentindo melhor? Victor veio lhe visitar.



[...]



Lucy desceu as escadas com a ajuda do irmão. A casa estava um pouco escurecida, porém a luz das velas ainda a incomodavam.



Seus pais e seus irmãos mais novos estavam todos reunidos perto da porta, onde Victor a aguardava com rosas brancas nos braços. Vendo a moça caminhando lentamente em sua direção, abriu um largo sorriso.



— Poderia me conceder a honra de um passeio?"

Notas finais
Sinto cheiro de romance ♥
O próximo capítulo daqui 13 dias, até já comecei a digitá-lo. Esperem por algo bem grandinho!
Ah, mudando um pouco de assunto... não sei se já falei nesta fic sobre uma página no Facebook que eu administro com umas meninas que adoram fanfics. Lá nós recomendamos livros, fanfics,autores(as), fazemos capas e em breve teremos a seção de auxílio à escrita. Quem se interessar, é só curtir:
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Quando chegarmos aos 100 likes faremos um concurso de One Shots. Sim, a página é pequena mas ainda temos planos.
Bom,acho que já dei todos os avisos (até mais do que de costume)... até o próximo capítulo então!