A Vingança de Hera

11 Mocréias não ficam "muito" nervosas


POV Benjamin

Eu estava muito nervoso. Eu ainda nem sabia como ela daria a aula, se daria algum problema, mas não era com isso que eu estava preocupado. Aliás, eu nem sei com o que eu estava preocupado! Talvez fosse porque eu daria aula em conjunto com uma garota maravilhosa como ela, e talvez meus alunos não quisessem mais ter aula comigo? Ou talvez ela desse uma aula maravilhosa, e eu não, e achasse que eu não valia a pena? Ou será que... Céus, eu ia enlouquecer!

Virei a esquina e entrei no restaurante. Então a vi. Ela estava sentada em uma poltrona do restaurante, e estava com o cotovelo encostado na mesa, e apoiando a cabeça na mão. Seu cabelo caía sobre a mão, todo caído para um lado, deixando a curva entre o pescoço e o ombro exposta. Ela estava usando uma blusa tomara-que-caia, e havia um casaco em cima da poltrona, que ela provavelmente havia retirado por causa do calor. Enquanto eu fazia essa longa análise sobre como ela estava estonteante ali, ela olhou para mim, e sorriu. Céus, como o sorriso dela era lindo!

Eu devo ter sorrido como um idiota apaixonado. Porque, afinal, eu não era um idiota apaixonado? Ergui a minha mão e a cumprimentei. Sentei na poltrona e fiquei de frente para Mary.

Ela fez um sinal para o garçom e pediu a comida.

— Hambúrguer com batata frita? — questionei, levantando uma sobrancelha, enquanto o garçom anotava o pedido.

— Sim. Vai querer beber alguma coisa?

— Uma Coca diet. — respondi.

— Duas, por favor. — ela disse para o garçom. Ele assentiu e se virou, indo para a cozinha. — Preparado para a aula?

— Sim... Aliás, vamos falar sobre o quê?

— Humm... Mitologia grega, talvez?

Eu ri.

— Que parte dela?

— Ah, sim. A aula que eu preparei foi bem básica, falando sobre os deuses principais...

— Ótimo, era o que eu começaria a dar. Essa turma começou a ter aulas comigo agora, e eu estava realmente querendo recapitular o básico, fazendo algo parecido com uma revisão do que o sr. Brunner deu.

— Perfeito. Acho que o material que eu preparei vai servir bem, então.

— Eu estou particularmente curioso! Estou morrendo de curiosidade de ver o que você preparou!

Ela sorriu.

— Espero que se surpreenda. — Ela sorriu e seus olhos ficaram apertados. Os raios do sol estavam refletidos no rosto e no cabelo dela, e céus, ela estava linda!

Agradeci mentalmente o fato da comida ter chegado naquela hora, porque eu estava a ponto de fazer um soneto para Mary.

A comida parecia estar deliciosa. Como eu consegui pensar em alguma coisa a não ser Mary, naquele momento? Não sei. Foi uma conquista.

POV Hera

Benjamin estava incrivelmente fofo. Ele enrubescia com frequência, ficava me olhando com um sorriso ao mesmo tempo bobo e encantador, e ficava mexendo as mãos o tempo todo — parecia ser de nervoso. Pelo menos, quando eu estou um pouco nervosa (eu nunca fico nervosa, porque, segundo Nêmesis, eu era uma mocréia, e mocréias nunca ficam muito nervosas), eu fico mexendo muito as minhas mãos.

A comida chegou e ele começou a comer, e eu também. Nós ficávamos nos encarando, mas não falamos uma palavra. E isso estava começando a ficar estranho. Eu queria quebrar o gelo, mas não sabia como.

— Como são seus alunos? — perguntei. Aquele silêncio estava começando a ficar desconfortável, por isso falei a primeira coisa que passou pela minha cabeça.

— O quê? — Ele pareceu ter sido pego de surpresa, pois estava encarando seu prato de comida, e levantou a cabeça quando eu falei.

— Eu queria saber como são seus alunos. Para ver se eles vão ficar maravilhados com a aula que eu preparei ou vão ficar maravilhados com a aula que eu preparei.

— Você sabe que falou "vão ficar maravilhados com a aula que eu preparei" nas duas opções, não é?

— Sei. Era esse o objetivo. Não tem como eles não ficarem maravilhados com a aula que eu preparei.

Ele deu uma gargalhada, e as pessoas ficaram olhando para a gente. Eu dei uma risada, e fiz um sinal de ioga para ele respirar fundo.

— Enfim... Meus alunos não são levados, bagunceiros, mas são... Desinteressados, sabe? Eles não prestam atenção nas aulas... Tem alguns que ficam com o fone de ouvido na aula, outros ficam encarando o relógio, e tem outros que ficam lendo um livro qualquer debaixo da mesa enquanto eu falo. Isso se eu não contar os que fazem dever de casa de outras matérias fingindo que estão fazendo anotações importantes!

Eu estava pasma, e ele estava claramente irritado.

Suspirei.

— Bom, quero ver alguém ficar fazendo dever de casa de outras matérias enquanto eu dou aula! Nem que eu tenha que gritar "OLHA PARA MIM!" no meio de um discurso, mas eu sou tão magnética que eu não precisarei gritar. Não vou fazer com que a minha marca registrada vá pro lixo.

— Qual a sua marca registrada? — Ele perguntou, e eu dei um sorriso de meia-boca.

— As pessoas olham para mim, ficam me encarando, e absorvem o que eu falo como se fosse água no deserto.

Ele riu. Na verdade, as pessoas faziam isso na Grécia Antiga, quado eu aparecia. O motivo é óbvio. Eu era uma das divindades principais deles, e tudo que eles queriam era ver a mim ou a um dos outros deuses pelo menos uma vez na vida.

Só que.. Bem, eu acho que Benjamin também poderia estar incluído entre as pessoas que ficam olhando para mim e não conseguem parar. Porque era isso que ele estava fazendo naquele momento. E, por estranho que pareça, estava ficando meio desconfortável.

E o almoço todo passou assim. Benjamin me olhando e comendo ao mesmo tempo, e eu comendo e olhando ele me observar, achando o fato algo estranho.

Saímos do restaurante, e Benjamin me perguntou se eu tinha preparado folhas, ou algo assim para os alunos. Eu tinha, e respondi isso.

Chegamos na Academia Yancy, e Benjamin abriu a porta para mim, avisando que eu estava entrando pois daria aula em conjunto com ele. O segurança assentiu e nos deixou entrar.

Eu estava nervosa. Não muito nervosa, é claro, pois eu era uma mocréia, e eu estaria desonrando esse título se estivesse coberta de nervosismo, mas era um pouco. E, nesse momento, eu achava que estava coberta de motivo para estar nervosa. Ainda não estava na hora da aula, por isso Benjamin me levou para a sala dos professores.

Sentamos numa mesa e ele pediu para conferir quantas cópias eu tinha feito das folhas que preparei, para que, se precisasse de mais cópias, já fizéssemos isso antes. Contamos uma por uma, até o número 32, que é o número de alunos da turma, e, de vez em quando, nossas mãos se tocaram.

A cada vez que isso acontecia, nós dois, tirávamos nossas mãos rapidamente, e eu sentia um pequeno choque em meus dedos, e eu continuava sentindo o toque dele vários minutos depois, até que nos tocássemos de novo.

Era uma sensação boa ter a certeza de que ele iria me tocar de novo, mas também ter uma dose pequena de dúvida... Era a sensação de ter várias borboletas voando por todo o meu corpo. Uma sensação que era uma mistura de boa e ruim.

Faltavam cinco minutos para o começo da aula. Eu já tinha visto o horário antes de Benjamin me avisar que já deveríamos ir para a sala. Levantei da cadeira e disse para Benjamin ir na frente, pois eu iria ao banheiro. Ele assentiu, mas antes me disse qual era o caminho para a sala e qual era o caminho para o banheiro.

Eu estava com uma dor de cabeça fortíssima. Peguei um comprimido de minha bolsa e tomei. Eu sabia que era uma deusa, e que não precisava de remédios de mortais, mas mesmo assim, alguns remédios desses faziam efeito em mim. Guardei a cartela de comprimidos de volta na bolsa e respirei fundo. Agora eu estava pronta. Abri a porta do banheiro e caminhei pelo corredor da Academia Yancy.

Consegui ouvir o bater do salto alto no chão e me senti confiante.

Eu iria arrasar naquela aula!

Notas finais
ESPERO QUE GOSTEM!! Preparei com muito carinho pra vocês, e esperem ansiosamente pela primeira aula capaz de deixá-los ansiosos!! :DDDD