A Vingança
9 8.
Notas iniciais
Bia estava totalmente arrasada. Perdera o amigo, e a sua melhor amiga. Carla era quase como uma irmã para ela. Ela passou toda a sua vida com Carla. E agora, Carla se foi.
“Me promete que vamos nos ver de novo, tá? Promete?” “Prometo”. Carla prometeu. Cumpriu. Mas não quer dizer que podia ir embora.
– Carla... Me promete que vamos nos ver de novo... Me promete... Me promete... – e Bia voltou a chorar novamente.
Até que, de súbito, descobriu um jeito de ver Carla novamente. Só havia uma maneira.
Bia, pela primeira vez naquele dia, sorriu.
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Domingo. Mesmo sendo domingo, o joalheiro ligou para Marc. A aliança estava pronta. Isto pode alegrar um pouco Bia. Pegou o dinheiro e correu à joalheria para pegar sua encomenda.
A aliança veio em uma caixinha de veludo, preta, muito bonita. Marc deu um sorriso. Bia vai gostar. O anel era simples: todo prateado, com um mini desenho de flores contornando o exterior do anel. O anel de Marc era parecido, porém, com algumas chamas ao invés de flores.
O trabalho foi muito bem feito. Marc colocou o seu anel no dedo, e guardou o de Bia na caixa preta. Foi até a casa de Bia, para vê-la.
O barulho que vinha de casa de Bia era assustador. Chegando lá, tocou a campainha. Quem abriu foi Gabriela, que o cumprimentou cordialmente.
– Pode subir ao quarto de Bia. Estou fazendo um bolo, ok? Não se incomode com o barulho do liquidificador. Por favor, tente animá-la um pouquinho.
– Pode deixar Gabriela. Obrigado.
Marc subiu as escadas vagarosamente. Queria fazer uma surpresa para Bia. O barulho do liquidificador ajudou a abafar o barulho de seus passos.
Marc abriu a porta bem devagar. Olhou por meio dela, e viu uma cena horrível.
Bia se cortava com o estilete.
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– Bia, você está maluca? Pare com isso! – Marc estragou a surpresa. Entrou no quarto de supetão, tirando o estilete da mão de Bia. Ele olhou ao estilete todo vermelho de sangue. Olhou para Bia.
– Não acredito que você estava fazendo isso.
– Me devolve Marcos! Me devolve! – gritou Bia. Mas Marc, que era mais alto que Bia, ergueu os braços, impedindo que Bia alcança-se.
– Por que você está fazendo isto Bia? Você quer morrer?!
– Quero!
A resposta foi imediata. Marc não esperava aquilo. Com os braços ainda erguidos, perguntou baixinho:
– Por quê?
Bia ficou em silêncio. Não ouvira a pergunta de Marc, o barulho do liquidificador era muito alto. Até que o barulho cessou. E Bia perguntou:
– O quê?
– Por que você está fazendo isto?
Bia olhou a seu braço. Havia uns cinco cortes, que sangravam pouco. Ela não tinha se cortado direito.
A compreensão voltou à Bia. O que estou fazendo? Bia, com os braços tremendo, caiu de joelhos na cama. Marc jogou o estilete fora e abraçou a namorada.
– E-Era o ú-único modo de ver Carla de novo... Eu poderia sair deste sofrimento... A gente se encontraria de novo... E o Gui também...
– Você ia me abandonar, Bia?
Bia arregalou os olhos. Ao fazer aquela besteira, ela pensou apenas em si mesma. Não pensou nas consequências. Marcos abraçou Bia bem forte, dizendo:
– Não vou desistir de você tão fácil Bia. Nunca mais faça isso.
Os dois se abraçaram, e choraram. Bia disse que só queria ver Carla novamente. E Marc respondeu que um dia, elas se encontrarão de novo. “Todos nós nos encontraremos de novo. No outro lado da vida.”
– Bia... Tenho uma surpresa para você. — dizendo isso, Marc tirou do bolso a caixa preta de veludo. Abriu-a, e os olhos de Bia brilharam.
– Para oficializar nosso namoro... Sei que não é a melhor ocasião, mas... Bia, perguntarei de novo. Você aceita ser minha namorada? – Bia aceitou.
Então se beijaram, como não faziam a muito tempo.
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