Notas iniciais
Continuando a postagem... Neste capítulo, fortes emoções! Novos personagens (que não farão tanta diferença para a história)! Boa leitura!

Liz acordou. A casa de administração do antigo estacionamento parecia bem mais aconchegante. Liz deu uma arrumada nela, pois estava muito empoeirada. Era domingo.

Pegou a arma, que colocara na gaveta. Havia ainda quatro balas. Quem será minha próxima vítima?

Liz deu uma risada. Percebeu que tudo estava indo de acordo com o planejado. Aliás, ela não estava planejando nada. Encontrou Gui, por acaso, na escola de Bia. E “esbarrou” com Carla na rua. Ela não planejava fazer aquilo naquela hora, mas aproveitou a ocasião.

Será que o destino estava do seu lado?

Ou era apenas coincidência?

Liz estava com fome. Precisava comer alguma coisa. Mas não podia sair dali. Os policiais estavam loucos à sua procura. Pelo visto, a Bia tinha contado às autoridades sobre ela. E ela apareceu nas câmeras de vigilância da escola, tinha certeza de ter visto uma em sua direção. Não podia se expor demais. Os policiais já deviam até conhecer seu rosto.

Droga.

Tirando todos estes fatos, Liz não tinha nenhum trocado. Teria que roubar?

Que horror.

Liz era mesmo hipócrita. Matara três pessoas e esfaqueou uma. E dizia que horror por ter que roubar.

É. O jeito era roubar mesmo.

Liz pegou a arma, escondeu no casaco e saiu à rua, procurando alguma padaria. Logo na esquina, viu uma placa de indicação que mostrava a direção da feira.

Liz seguiu a placa. Chegou à feira rapidamente. Não era tão longe assim. Quando chegou lá, ficou encantada. Tantas barracas, cheias de comida. Pessoas passeavam, fazendo suas compras, seguindo com suas vidas tranquilas.
Liz queria uma vida assim. Será que um dia teria? Acho que não. Seu passado obscuro e seu presente perverso eram difíceis de esconder.

Logo na entrada da feira, esbarrou em uma criança. Ficou muito irritada, mas antes que ela pudesse reclamar, a menininha olhou em seus olhos e disse “Desculpa”.

Liz ficou perplexa. Aquela criança era tão educada. Será que Liz já tinha sido assim: uma criança pura, educada, feliz?

Liz sentiu inveja.

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Foi adentrando na feira. A feira era um lugar colorido, cheio de frutas e verduras. Havia famílias felizes, com milhares de sacolas. Crianças brincavam com carrinhos de plástico e corriam uma atrás das outras.

Aquelas paz e felicidade contagiaram Liz por inteiro. Aquela sensação de calma, de tranquilidade, era uma delícia. Liz queria sentir aquilo novamente.
Acho que nunca senti isto antes.

Liz viu uma barraca cheia de morangos. Morangos de um vermelho tão forte, que hipnotizou Liz. Ela nunca vira morangos tão maduros. Foi chegando mais perto, e ficou olhando para os morangos, encantada. Tentou pegar um morango com a mão, até que ouviu uma voz.

– Quer experimentar um, senhorita?

Era o vendedor. Era um homem com seus trinta e poucos anos, mas parecia jovem. Sorria com ternura para Liz.

– E... Eu posso pegar um?

– Claro!

– Mas eu não tenho dinheiro.

– Este fica por conta da casa. Como eu poderia negar um morango a uma donzela tão bonita?

Liz se espantou. Ninguém nunca a elogiara de tal maneira. Ela pegou um morango grande, bem vermelho, e o levou à boca. O sabor era maravilhoso.

– Que delícia!

– Não sou de me gabar, mas são os melhores da região. E deixe-me te avisar: não vá pegando as coisas nas outras quitandas. Eu deixo, pois tenho abundantes quantidades de morango. Mas outras pessoas não.

– Ah sim... Obrigada por avisar.

– As pessoas guardam muito rancor no coração, por problemas pequenos. E então, elas ficam estressadas, irritadas. A vida é difícil mesmo. Elas deviam pensar que, pelo menos, elas têm uma vida.

Liz ficou encantada com o homem. Nunca foram tão dóceis com ela como este senhor foi. Ficou conversando com aquele homem por alguns poucos minutos. Pegou mais uns três morangos, e decidiu que estava na hora de ir. Ela se expôs demais.

– Tenho que ir agora.

– Que pena. Mas foi um prazer conversar com a senhorita. Qual seu nome?

– Liz. Me chame de Liz. E o seu?

– Carlos. Prazer. – e beijou-lhe a mão.

Liz sorriu e foi embora. Que senhor mais educado. Continuou andando pela feira, sem rumo, até que alguém gritou:

– Você! Você é a Liz! Volte aqui, você está presa!

Era uma policial. Liz mordeu os lábios, e saiu correndo. Passou em frente à barraca de morangos, e deu um tchau para Carlos. Ele lhe retribuiu com um sorriso. Até ver que ela estava sendo perseguida por uma policial. “Ora, por que será que Ana está atrás dela?

Ana sempre ficava na feira, fazendo uma ronda matinal. E não acreditou quando viu Liz ali. Lembrou-se da menina que vira na câmera da escola de Marc. Suspeitou que realmente fosse Liz, mas não ia atacar. Até que percebeu a silhueta de uma arma escondida atrás do casaco. Era ela mesma.

A oportunidade de pegar essa violadora da lei era agora. Não queria usar sua arma, estava num local público. Podia acertar alguém sem querer. Os cabelos cacheados de Liz esvoaçavam tão perto de Ana que ela poderia tocá-los. Mas Ana, por infortúnio do destino, tropeçou.

Liz virou a esquina, parando em um beco. Escondeu-se atrás de uma lata de lixo, e esperou. Viu Ana passar em frente ao beco, e pôde ler em sua boca a expressão “Ai, que saco! Perdi a Liz de vista!”.

Liz suspirou. Estava muito cansada. Até que ouviu uma voz, bem atrás de sua cabeça.

– Olá, gata.

Liz virou assustada, e atirou. Porém, ao lado do tiro no chão, estava um rapaz. Um rapaz alto, tatuado, com um topete no cabelo. Ele tinha um cigarro na boca e alargadores na orelha.

– Opa. Errou.

– Quem é você? – perguntou Liz, assustada.

– Sou David. Prazer, gata. Nossa, que peitões. – David olhava para os peitos de Liz com os olhos arregalados. Liz colocou o braço na frente, e já foi dizendo:

– O que você quer comigo? Tarado, desta vez eu acerto você!

– Não será necessário que você atire em mim. – David segurou a arma de Liz. Liz recuou. — Calma gata fica na paz...

Paz. Paz foi o que Liz sentiu na feira. Gostou tanto daquela sensação. Queria sentir “paz” de novo.

– Tem como “ficar na paz” de novo?

– Claro que tem! É um método super fácil... Você quer?

– Quero! Quero sim, sentir a paz de novo!

– Certo... Apenas coloque isto na boca. Inspire, e deixa que o efeito do cigarro aconteça.

David estendeu a mão. Havia um cigarro de maconha. Liz pegou o cigarro, com a mão trêmula. Acendeu, com um isqueiro que David emprestou.

A sensação era realmente maravilhosa. Liz sorriu. Um sorriso torto. E riu.

Liz estava muito feliz. Estava em paz!

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Ana voltou para a feirinha. Que ódio. Perdi-a de vista! Maldita pedra...

Decidiu que José e Marc tinham que saber disso. Ligou para José pelo celular.

“Oi, Ana.

José, acabei de ver Liz aqui na feirinha.

Sério?

Sim. Corri atrás dela, mas de nada adiantou. Tropecei e caí, e ela conseguiu escapar.

Viu para que direção ela correu?

Sim.

Isto já serve de pista. Deixe que eu ligo para o Marc, ok?

Ok. Vou continuar a ronda, depois conversamos.

Certo. Até mais.

Até.”

Ana continuou sua ronda matinal, pensando como conseguiriam achar esta tal de Liz.

José ligou imediatamente para Marc.

Marc ouviu tudo com um brilho nos olhos.

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Notas finais
BWAHAHAHAHAHA David, o maconheiro. E o personagem mais legal da história. q HAUHAUHAUHAU' enfim, continuarei postando... Até o próximo capítulo!