A Vida Dupla de Claer
28 XXVI- Conversas
Retornei para casa com a noite já alta. Queria apenas minha cama. Precisava dormir para esquecer por umas horas Luzt.
Ele era meu ódio.
Acordei com a voz melodiosa de Shin ao meu ouvido.
-Como foi à noite? – perguntou ele enquanto eu seguia para o banheiro
-Estressante – respondi seca
Ele sorriu sem humor e saiu do quarto.
Tomei banho rapidamente, como eu já esperava meu look do dia estava sob minha cama.
-Bom-dia – cumprimentei enquanto me sentava para o café.
-Bom-dia – retribuíram os três quase ao mesmo tempo
-Claer tem algo programado para tarde? – indagou Camyla
Voltei meu olhar para Kellan e Shin.
-Sua folga é hoje – disse Kellan
-Ótimo – disse Camyla com um largo sorriso
Ergui uma sobrancelha.
-Surpresa, garota – disse ela com um ar de mistério.
-Você sabe que eu detesto surpresa – disse ríspida
-E você sabe que eu adoro fazer o que você detesta – retorquiu ela num falso tom meigo
Fiz uma careta enquanto me levantava.
-Tchau rapazes – disse enquanto saia da cozinha
-Espera por mim! – gritou Camyla
-Não – disse saindo de casa
Camyla veio logo atrás correndo feita uma gazela desgovernada.
-Chata – disse ela enquanto entrava no carro
-Obrigada – disse sorrindo enquanto entrava também no carro
-Ao chegarmos ao colégio, houve a natural troca de beijos e abraços.
-Claer vai conosco de tarde – informou Camyla enquanto seguíamos para o colégio
-Que bom, vai ser divertido – disse Lucia sorrindo.
Grunhi detestava surpresas e odiava ver Luzt com aquela cara linda e sanguinária.
Ao lado dele estava a nanica que até agora não sabia o nome. Também pudera as atenções estavam voltadas para Luzt.
Ela até não parecia ser importante.
Seguia para minha segunda aula, Biologia.
Ninguém merece ficar por 50 minutos como o alvo da atenção do professor. Dose.
-Bom-dia Hale – disse Luzt atrás de mim
Me voltei para ele com um olhar furioso.
Carinha mais odiavel.
-Mau-dia para você – disse ríspida
Ele sorriu torto
-Não, acredito que ainda está zangada.
-Serio? – indaguei sarcástica
Ele me imprensou contra uma coluna, me fitava com uma profundidade espantosa.
-Com essa sua atitude você pode acabar morta, sabia?
-Por você? – indague cética – Acho que não.
-Não ficaria tão segura assim – disse ele serio – Eu posso muito bem te matar.
-Pouco provável – afirmei com firmeza
-O que lha dá essa certeza? – perguntou ele com seus olhos mais fixos nos meus
-Se você quisesse me matar já teria feito – respondi um pouco solene
Ficamos nos olhando.
Não sabia ainda ao certo o que aqueles olhos tinham que me seduziam de certa forma.
Mais sabia que a beleza dele era traiçoeira, que ele usava para atingir suas metas.
Igual á mim.
-Saia do meu caminho – ordenei
-Sem chance – negou ele rapidamente
Alguém pigarreou. Voltei meu olhar para o lado. Camyla.
-Se o casalzinho terminou de conversar, acho que devem voltar para suas aulas.
Ela e Luzt trocaram um olhar bem serio.
O que pra mim era uma surpresa.
Camyla na maioria das vezes tinha o olhar de uma idiota apaixonada ou então um brilho alegre e matreiro. Só que seriedade eram poucas as vezes que vi em seu olhar.
Luzt se afastou não antes de me olhar opaco.
A nanica estava sentada negligentemente em um banco debruçada lendo. Mais sabia que ela tinha reparado na nossa movimentação igual às outras pessoas que me olhavam fulminantes.
Só me faltava essa agora.
Camyla me puxou pelo pulso.
-Por Deus, Claer será que você não consegue controlar esse seu sangue em relação ao Luzt? – indagou ela nu tom ríspido
-Eu me controlo, Camyla – me defendi.
-Eu reparei – disse ela seca – Vi a sua vontade de voar para o pescoço dele – O rosto dela tinha ganhado um ar sombrio
-Ora, Camyla pare com essa expressão está me assustando! – exclamei
-Desculpe tensão demais – disse ela soltando meu pulso – Vá para sua sala, seu professor já deve estar á caminho da sala.
A olhei por um instante, havia tensão em seu rosto.
Não era nenhuma idiota para não notar algo tão simples!
Ela sorriu pra mim enquanto me afastava.
-Claer – me chamou ela
Me voltei. Vi ela morder o lábio inferior. Hesitava.
Camyla balançou a cabeça negativamente. A olhei por um instante, não iria saber a razão dela está assim mesmo. Sorri levemente e voltei rumo á minha sala.
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