A Vida Dupla de Claer
29 XXVII-Duelo
Notas iniciais
-Até que fim um pouco de liberdade – disse Ingrid girando a cabeça
Sorri enquanto mexia na minha comida, era bom saborear aqueles momentos leves.
-Pago pra ver! – exclamou uma garota para a nanica que acompanhava Luzt
Voltei meu olhar para minha comida, a conversa delas não me interessava, não ainda.
-Que tal as duas? – sugeriu Shelle
-Ótimo Claer? – indagou Juliette
-Tudo bem, seja lá o que vocês estejam escondendo de mim, estou concordando – disse levando meu refrigerante á boca enquanto olhava a nanica e a garota meio ruiva.
Ela estava igual ao seu cabelo. Percebi que era de raiva.
Parece que a nanica gostava de tirar um do serio.
Retornei meu foco á conversa dos casaizinhos, nada bom de se ouvir.
-Sou melhor do que você pensa! – vociferou a garota ruiva
Não teve jeito, todo mundo olhou.
Ela por acaso não tinha neurônio?
Luzt chegava atrás dela e a olhou surpreso ao vê-la gritar.
Não ouvi o que a tampinha disse mais fez com que ela voltasse para mim com os olhos soltando faíscas. Agora lascou. Eu metida na discussão merecia isso.
-Muito bem. Topo o desafio – disse a ruiva enfática
Luzt olhou para as duas e ergueu uma sobrancelha.
A tampinha falou algo que fez o rosto dele se abrir numa expressão meio de prazer.
Por que ela não falava alto?
A ruiva veio na minha direção com uma expressão decidida.
Seja lá o que fosse, dizer um não, não seria uma boa idéia.
-Claer Morris Hale? – indagou ela me olhando ríspida
Fiz que sim com a cabeça
-Te chamo para um duelo de dança – decretou ela solene
“Hein? Sem chance garota”.
Permaneci calada, vi por atrás dela a tampinha sair da cantina e Luzt vir na minha direção.
O que ele pretendia fazer?
-Qual a sua resposta? – perguntou a ruiva cruzando os braços impaciente
-Qual você acha? – perguntou Luzt enquanto me puxava
-Ei! – protestei
-Ótimo – a ruiva se voltou para trás como se procurasse alguém.
Um alguém que foi justamente o Yvan.
-Vem comigo, garoto – disse ela o puxando.
Luzt me pegou pelo pulso e me puxou também
-Não vou dançar, pode esquecer essa onda – disse dura enquanto saiamos da cantina.
Nós e uma comitiva atrás.
Ele sorriu sem humor.
-Não é mais algo que você queira, é algo que você necessita.
-Viajou total – disse acida
Não queria me lembrar da minha vontade de dançar balé clássico, da vontade de estar em um palco deslumbrando á todos.
Vontades que foram arrancadas sem piedade, deixando um buraco preenchido a força pela vontade do homem que se dizia meu pai. À vontade de que eu me tornasse uma assassina foi cravada em mim á ferro e brasa.
-Qual foi a ultima vez que você dançou? – perguntou Luzt meio lívido
-Não interessa – respondi meio enfática
Ele me olhou diretamente, mas se calou enquanto entravamos na quadra.
A nanica conversava com o meu professor de dança, o único da escola pra dizer a verdade.
Voltei meu olhar para Luzt, queria saber por que eu tinha sido metida naquela horda.
-Uma explicação viria á calhar agora – disse sarcástica
-Samara estava se afobando para Suri dizendo que dançava muitíssimo bem, que colocava todas as garotas no chinelo...
-Daí ela resolveu me incluir na jogada – o interrompi – Eu mereço isso.
Ele sorriu largamente.
Parecia que gostava dessa rivalidade, uma coisa ridícula.
O professor Burner, pois era o nome dele, se voltou pra nós com um brilho no olhar.
Com toda a certeza amava uma disputa de dança.
-Só pode ser em dupla – disse ele
-Imaginei isso – disse à ruiva que se chamava Sâmara
-Muito bem – disse Suri se afastando – Vamos ver se você é boa mesmo.
Sâmara trincou os dentes.
Notei que quase toda a escola estava já na quadra.
Engoli em seco.
De certa forma ansiava por sair dali, não queria participar daquela palhaçada, só que ao mesmo tempo queria fazer Samara engolir um pouco do seu ego.
Tsc. Teria que ceder ao meu próprio ego. Teria que ceder á minha vontade de fazê-la inferior.
Procurei Camyla e os outros na multidão. Os encontrei com expressões faiscantes de expectativas.
Seria a primeira vez que me veriam dançar e a ultima também.
Luzt me puxou para junto de si.
-Concentração é essencial agora – disse ele ao meu ouvido
-Como se eu não soubesse disso – retorqui seca
-É impressionante como você não deixa passar uma – disse ele meio enfático
Bufei.
Logo a musica começou.
Limpei minha mente de qualquer pensamento.
Uma dançarina não deve pensar, se pensa erra.
As batidas ritmadas davam sustentação para o ritmo envolvente largado um pouco para o sensual.
Dançar de forma sexy e envolvente com Luzt e se não era difícil. Assassinos tinham a tendência á serem bons pé de valsa em qualquer ocasião.
Ele pegou minha cintura por trás enquanto passava seus lábios pela minha nuca.
Senti um arrepio correr por toda a minha espinha.
Deslizei para o lado e coloquei minha mão em seu rosto.
Sua mão estava na minha cintura e a minha outra mão sobre a sua.
Estufei o peito e o contrai rapidamente.
Luzt me girou enquanto a musica chegava ao fim.
Parei, ele colocou uma mão em meu rosto.
A musica cessou ao mesmo tempo em que ficávamos numa posição que dava a impressão que nos beijaríamos.
Ouvi um estrondo de gritos e aplausos. Parece que todos tinham adorado.
Sorri prazerosa. Sentia um estranho calor que inundava meu corpo.
Era um calor que percebia que era o de saber que me garantia em dançar.
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