A Vida
22 Coisas do dia a dia (Parte III)
Notas iniciais
Abri o cacifo e levei com uma cascata de papéis em cima. "Toca a arrumar isto... Coragem." Para começar, pus a papelada lá dentro outra vez. Tirei uns mapas de que ia precisar. Alguém me fecha o cacifo na cara.
J- Parabéns!
B- Olá para ti também... Obrigada.
J- Porque estás a trabalhar? É o teu aniversário!
B- Não gosto de festas...
J- Pronto... Queres que te pague um almoço ali no bar?
B- Eu já comia...
Estávamos a meio do almoço.
J- Não vais mesmo fazer nada de especial?
B- Bem... eu tinha pensado numa coisa diferente...
J- Conta.
B- Vou fazer uma excursão por este continente.
Ele parou de mastigar.
J- Todo?
B- Só alguns lugares, pensas o quê?
J- Vais sozinha?
B- Sim, é esse o objetivo. Por falar nisso, podes fazer-me um favor?
J- Depende...
B- Era para cuidares do Perzys enquanto eu estivesse fora, pode ser?
J- Eu? Mas eu não...
B- Vou perguntar à Ca... Clary também, não te preocupes.
J- Assim pode ser.
Acabámos de almoçar.
J- É mesmo, quando vais?
B- Amanhã...
J- Já?
A conversa é interrompida por uma chamada da Catarina.
C- Bia, vem cá depressa!
B- Onde?
C- À tua gruta! Vem!
Desliguei.
B- Tenho de ir receber a prenda da Cat, até daqui a uma semana.
J- Tchau.
Enteletransportei-me em frente ao Perzys.
C- Parabéns!
B- Obrigada... O que tens para mim?
C- Ai, que apressada...
E ela apontou para a minha mesa. Tinha lá um bolo enorme e apetitoso.
B- Ai, Catarina, dás-me cabo do coração!
C- Bem me parecia...
Passei a tarde com ela, o Perzys e o bolo. Contei-lhe acerca da viagem.
C- Oh... Vais por quanto tempo?
B- Uma semana. Ficas a tomar conta do Perzys?
C- Tens a certeza que me queres deixar sozinha com ele?
B- O Jace também ajuda.
C- Assim pode ser.
Despedimo-nos quando o céu escureceu. De tanto bolo que tinha petiscado à tarde acabei por não jantar. Preparei as mochilas, não esquecendo o bolo e uma lanterna de jeito.
No dia seguinte, depois do pequeno-almoço, comecei a viagem ao teletransportar-me.
(...)
A pedra estava deslocada, então não foi precisa muita força para a levantar. Desci uns degraus. Ao longe, consegui avistar uma cabeça que se virou para mim com uma tocha que se apagou com a aragem que correu. Estava a tremer demasiado para pegar na lanterna a tempo.
Quando dei por mim, alguma coisa me tinha atirado ao chão. A fraca luz que saía da entrada refletiu-se numa dentadura afiada e brilhante.
— Saturno... ataca!
O dono da voz aproximava-se devagar. O cão continuava a rosnar em cima de mim.
— Saturno! De que estás à espera? Vá!
Finalmente tomei consciência da minha situação.
B- NÃO! Por favor, não! Deixa-me falar primeiro!
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