A Vida

12 Caça ao Ovos (Parte V)


Notas iniciais
PdV: Bia

Tínhamos acab ado de aterrar na neve fria. Eu estava a ver neve! Em pleno verão! Mais estranho ainda fora o que se passara no castelo. "Tenho de voltar lá... desta vez com uma lanterna de jeito! Será que a Organização compra as tralhas na loja da esquina? Aquela caiu e partiu-se logo". Eu tinha a cabeça tão cheia que quase parecia vazia. Mas lembrei-me porque estávamos ali. Olhei para o Jace que parecia estar a congelar."Vamos lá fazer de líder. Eu é que sei onde ele está e este parece estar a congelar devagarinho..."

B- Não vamos ficar aqui a contar os dedos até cair algum! Não tens nada de roupa térmica ou algo assim?

Ele abriu uma lata. Eu procurei no meu cinto uma igual... provavelmente da loja ao fundo da rua. Tinha uma capa térmica lá dentro. Eu gostava dos arrepios do frio, mas já eram demais, então vesti-a. Ela não deixava entrar o frio, porém, não aquecia muito. Amarrei-a e virei-me para um Jace que parecia estar com o sangue já a correr nas veias.

B- Vamos correr um pouquinho para aquecer!

J- Para onde? Falaste numa gruta mas não vejo nenhuma!

Pois... eu tinha posto as coordenadas exatos do lugar onde eu pensava estar a gruta, mas... Comecei a dar umas voltinhas para ver o terreno.Vi um monte e subi-o devagarinho. Era bastante inclinado. Olhei para a frente e estava lá uma árvore enorme no terreno à frente. Tinha um tronco grossíssimo, ramos super alongados não muito altos.

B- Corremos por aqui. Aqulea árvore fica perto da gruta.

J- Como sabes que fica ao pé da gruta? Como sabes que eles estão na gruta?

B- Não sei. Apenas acho.

Comecei a correr e ele seguiu-me. Parei ao pé da árvore. Eu ia para me encostar nela para ver à volta a partir dali. Mas lembrei-me das estátuas do castelo... Era melhor não ou íamos ficar ainda pior.

J-Ali! Aquela encosta parece ser boa, tem várias saliências.

Aproximámo-nos e demos várias voltinhas. Ainda estava com a cabeça cheia do castelo e o frio parecia afetar-me os braços, mas estava com uma energia estranha a dar-me forças.

J- Aqui tem uma. Vem cá ver.

Observei-a. Parecia boa. Fiz-lhe sinal para ir e para desligar o som das suas tralhas (da tal loja).

Por cima do seu ombro vi um relance de uma fogueira. Olhei melhor e estava lá o Gordo que o tinha decapitado e um mais Magro meio esquisito. Ao lado deste tinha um deitado, parecia estar a dormir até ele erguer as mãos e fazer uns gestos.

G- O que disse ele?

M- A princesa fechou as cortinas, ele vai ficar lá a olhar para uma macieira...

"Língua gestual... Espertinhos."

G- Porque tínhamos logo de vir para aqui? Aposto que a Antártica era mais quente...

M- Aqui ninguém nos encontra. E ele diz que as energias são maiores aqui e coisa e tal.

Ouvi um espirro vindo de um canto escuro.

M- Olha! O principezinho ficou com a mordaça suja...

Ia para pôr os oculos infravermelhos só para confirmar quando o Jace fez me sinal de que era. Ele devia ver melhor naquele cantinho.

G- Vou dormir. Passa aí essas peles.

M- Porquê tu?

Enquanto discutiam, levantaram-se. Empurrei o Jace para um lado e olhei para ele. Ele pareceu perceber o plano. Então fiz pontaria com o arco e o bastão (a servir de flecha). Acertei no Gordo. O Magro ergueu a cabeça, sacou uma adaga e ia para junto do Ovos se o Jace não corresse para ele. Desarmaram-se um ao outro e começaram à porrada. Eu arranquei o meu bastão do corpo gordo no momento em que o Magro pôs o Jace de baixo de si.

Comecei a agitar o bastão. "VÁ! Aumenta! Aumenta!" O Magro pegou na sua adaga e apontou para o Jace. "Fica assim!" Fiz o feitiço da morte com o mini-bastão para o Magro. Ele deixou cair a adaga e desmaiou para o lado. A adaga estava espetada perto do Jace. Ou no chão ou nele.

Aproximei-me rápido. Ele tinha os olhos fechados. Ao sentir-me ao lado dele, abriu um olho e depois o outro.

J- Estou morto?

B- O único morto aqui é aquele gordo.

Ele arrancou a arma da sua capa térmica e espetou no corpo desmaiado. Começou a desamarrar o Ovos.

J- Podes matar esse que eu deixo.

Olhei para o troca-peles.

B- Não, é melhor fazer com que ele acorde.

J- Então abana-o. Toma lá a adaga.

B- Ele pode acordar e voltar para lá mal me vir. Assim o corvo vai ficar ainda mais perigoso. Tive uma ideia... das mais estranhas... preciso da tua ajuda.

Pegámos no corpo do Magro. Eu aguentei a cabeça e um braço. O Jace pegou no outro com a arma na manga. Começámos a abaná-lo com força.

— Estou aqui, Will! Que foi?! Qual a emergên...

E o Jace matou-o. Ele parecia ter morrido.

B- Bem... Temos de levar os corpos daqui para fora e queimá-los.

J- Mas... ... Pode ser...

Cada um arrastou o seu morto. Pusemo-los numa gruta mais pequena, para não pegar fogo a nada e lá ficaram eles a arder. O Jace pôs as coordenadas do palácio real no aparelho.

J- Vá, dá cá a mão, Vítor.

Lá o fez a medo, sem dizer nada. Deixámo-lo no Palácio e fomos para a Sede.

Depois de ter mudado de roupa, fui para o cacifo e tirei de lá os mapas. Ia pô-los no bolso quando o Jace os espetou no cacifo e fechou-o.

B- O QUE ESTÁS A FAZER?

J-Agora vais descansar, não sei se sabes, mas não descansas há cerca de 24 horas!

B-Mas...

Tínhamos de ir ter com os chefes do nosso departamento fazer a lista dos estragos e um relatoriozinho. Quando acabámos e eles disseram que podíamos sair, eu tentei a minha sorte.

B- Eu esqueci-me de uma coisa no cacifo...

O Jace agarrou-me o braço, fez qualquer coisa no meu relógio desbloqueado e acabei na minha gruta.

B- Aquele sacana!

Atirei-me para cima da cama meia amuada. Apareceu o Perzys a voar. Aterrou com a cauda presa num pinheiro. Deitei-me e tirei o meu amuleto. Era suposto ficar a olhar para ele e aclarar as ideias quanto ao que aconteceu nas catacumbas no grande castelo. Mas, quando dei por mim, estava de olhos fechados.

No dia seguinte, o Ovos (farto dos perigos naquela Vida) disse que queria acabar com a Cat. Ela acabou por matar o gajo que eu tinha salvo...

Notas finais
Escrita de Bia; Ajuda de Cat; Post de Bia.