A Vida

11 Caça ao Ovos (Parte IV)


Notas iniciais
PdV: Jace

Tínhamos estado cerca de meia hora a descansar e a recuperar energias na Sede da Organização. Agora tínhamos de traçar um plano o quanto antes. Ninguém sabia o que iria acontecer. A Bia tinha acabado de beber um batido energético quando o relógio dela tocou.

B- É a Cat! Catarina, quer dizer, Clary... Tu sabes é a C.

Atendeu a chamada.

B- Como estás?

C- Acabei de acordar. Todos disseram para não vos incomodar, nem preoucupar-me, nem pensar em nada, mas não resisti. Devem vir ter comigo em pouco tempo, por isso presta atenção que isto é complicado.

O relógio estava em voz alta, daí eu também ouvir.

B- Ok.

C-Eu acho que estou a ser espiada, mas ninguém acredita em mim. Não sei bem como, mas sempre que passa um corvo à janela arrepio-me toda.

B- Mas que...?

C-Pois, pareço uma doida a dizer que estou a ser espiada por um pássaro, mas é isso...

B-Ah! Não, não... Não pode ser...

Uma dizia que estava a ser espiada por um agente aviário e a outra parecia que estava a acreditar naquilo e a fazer ligações ainda mais estranhas dentro da cabeça.

C- Alguém me está a espiar através do corvo... Acho que vem aí alguém. Tenho de ir!

B- Asas escuras, palavras escuras... Cat, espera!

Demasiado tarde... Ela olhou para mim com um olhar... indescritível e desatou a correr para o cacifo. Enganou-se no código uma vez.

B- Acreditarias nela?

J- Ela ainda está sob o efeito dos remédios, dizem que assim as pessoas costumam ser mais sinceras. E tu?

B- Infelizmente, eu também acredito nela. Acho que vou endoidecer esta semana.

Lá atinou com aquilo e começou a tirar cascatas de folhas do cacifo: mapas coloridos, a preto e branco, livros, hologramas, acetatos, fotografias, blocos de notas todos rabiscados, etc. Tudo parecia ser sobre o mesmo assunto. Ela não tinha muitas mais coisas lá dentro. Deu-me algumas para os braços e fechou-o.

B- Onde tens um computador? E canetas, réguas, esquadros, lápis e borracha?

J- Na biblioteca tem um rapaz que te empresta o portátil. Vou buscar essas coisas...

B- Rápido! Não há tempo a perder!

Fui e voltei num pulo. Quando cheguei lá estava ela com um olhar de... sei lá... Einstein? Parecia um génio doido a teclar no portátil.

B- Aleluia! Agora vai-me buscar umas bolachinhas de chocolate ou coco, que eu preciso de açúcar.

Despejei-lhe aquilo ao pé e liguei-lhe o auricular.

J-Quando for para dizer algo, usa-o, sim?

Estava ao pé da porta quando a voz dela me gritou ao ouvido.

B- FOTOCOPIADORA? Onde está?

J- Estou aqui, seu papagaio do inferno! Calma! Clicas aqui e esse coisa vai dar a uma impressora lá em baixo. Quantas cópias queres?

B- Três devem dar... As minhas bolachas?

Suspirei e desci as escadas. Agarrei nas cópias e tentei perceber. Em vão. Fui buscar as bolachas dela e claro que tirei uma... parecia que ia ser uma longa horinha.

Enquanto ela ficava a falar para o computador, eu fui buscar um livrinho de curiosidades.

B- Ok... Eles demoraram tantos dias a percorrer esta distância, devem ter demorado o mesmo até lá. Estes metros vão para aqui...

Abri numa página que dizia que "pessoas inteligentes tendem a falar sozinhas".Ergui o olhar a medo para ela.

B- ACHEI! Agora as coordenadas...

A inteligência era assustadora... Vinte minutos depois, ela levantou-se de repente atirando com a cadeira.

B-Tenho as coordenadas! Estão confirmadas e tudo!

Aproximei-me, assustado, dela. Ela apontou para um mapa.

B- Eles estão aqui. Nós devemos parar aqui para recarregar o teletransporte, sabes que faz mal percorrer muita distância.

J- Porquê logo aqui?

B- Precisava de um lugar para testar as minhas contas das coordenadas. E acho que vai ser um sítio interessante para se visitar. Mete as coordenadas que eu vou arrumar estas tralhas.

Pus as coordenadas do tal sítio de meio caminho enquanto esperava por ela.

B-Esta biblioteca tem coisas que, por exemplo, a biblioteca real não tem, certo?

Acenei, ela parecia que queria devorar aqueles volumes todos, mas resistiu. Lá nos teletransportamos.

Apesar de ter sido uma viagem mais pequena, foi grande à mesma, pois caí no chão ao chegar. Ela não... Como, se estava menos habituada do que eu? "Ah... tem o olhar de louca..."

Levantei-me e olhei para onde estávamos. Fiquei boquiaberto durante uns segundos. A Bia começou a andar devagarinho e a olhar para tudo.

J- Para onde vais?

B-Vou... vou dar umas voltinhas por aqui... não te preocupes, que eu volto num instante.

Lá foi ela castelo adentro. Estávamos num castelo em ruínas, provavelmente do tempo dos Romanos. A parte dele que estava mais inteira era uma torre. Mesmo assim, tinha marcas de incêndios e, por detrás de umas trepadeiras, tinhas uns buracos de cada lado de uma janela.

Ia para dar a volta à torre quando tropecei em algo. Tinha um montinho suspeito ali.Comecei a desenterrar e cheguei a metal. Era uma gárgula meia partida, quase desfeita. Olhei para cima. Servia naquele buraco... "Grande queda" Voltei a enterrá-la.

Sentei-me ao lado dela a olhar para um bando de corvos lá em cima a batalhar por uma ratazana. Aqueles eram normais com certeza. Começou a soprar um ventinho frio e húmido... só então notei que aquele clima era frio. Para irmos ainda mais para Norte deveria ser ainda mais...

Finalmente ela chegou. Vinha a olhar para os pés muito pálida.

J- Viste um fantasma ou quê?

B- Sim... quer dizer... mais ou menos... Vamos embora daqui...

A sua lanterna estava partida, dei-lhe a minha. Pus as coordenadas do próximo sítio. Uns segundos antes de nos teletransportarmos, vi os lábios dela mexerem-se a dizer alguma coisa que não percebi.

Aterrámos os dois de joelhos em cima de neve fofa. Eu tinha razão... Devia ter trazido um casaco.

Notas finais
Espero que tenham gostado desta minha experiência de mudar de Ponto de Vista. Escrita de Bia; Ajuda de Cat; Post de Bia.