A Viagem de Amy

3 Capítulo 3 – Juan, você está bem?


- Ahhh! Eu não acredito que estamos em Comodo! – eu comecei a gritar no meio da praia.

- Relaxa, nós temos tempo ate lá, é rapidinho chegar ao campo. – ele disse calmamente.

- Relaxar? Meu pai, seu tio, está morrendo e você quer que eu relaxe? – disse furiosa.

- Vamos pegar os suprimentos.

- E você vai atacar outro Crocodilo e estragar a viagem? – falei tentando não chamar muita atenção.

- Do que você está falando? – ele parecia confuso. – Ainda nem saímos daqui.

- Ahn? Você não se lembra? – perguntei desconfiada.

- Do que? Deixe isso para lá, venha, me deixe colocar essas poções na sua mochila porque na minha não cabe mais nada.

Assim que ele abriu minha mochila, ela emitiu uma luz prateada quase cegante, o clarão durou apenas alguns segundos. E estava lá, uma planta brilhante inteira, com raiz, terra e tudo, dentro da minha mochila.

- Co-como isso veio parar aqui? – Juan disse puxando a planta para fora.

- Eu não sei. – disse olhando abismada para a planta que meu primo segurava. – Eu não me lembro de ter a encontrado.

- Ah entendi! Você saiu à noite sozinha para buscar e me surpreender, não foi? – ele disse sorrindo e dando tapinhas nas minhas costas.

- Não! – eu logo gritei. – O que deu em você? NÓS ACABAMOS DE VOLTAR! Ou vai dizer que não se lembra?

- Ei! Não grite, todo mundo está olhando para gente. – ele disse baixinho chegando mais perto.

- Sério? O que você fez hoje de manhã quando acordou?

- Eu levantei ué!

- Haha, engraçadinho! Depois de levantar , o que você fez? – e completei. – Depois do café da manhã também...

- Eu fui... lá... errr... não lembro . – ele supirou preocupado.

- Venha, vou te contar. – e sentamos na beirada do cais.

Então eu contei sobre nossa aventura e sobre o descontrole evidente dele, porém ele não acreditou muito, já que seria incapaz de dar o primeiro golpe num monstro.

- Eu juro! Você até usou uns golpes que nunca tinha visto antes, um monte de chutes estranhos... Afinal, qual é a sua classe? – eu o encarei.

- É impossível! Eu não sou doido de sair batendo em monstros que não me atacam primeiro! E para sua informação, eu sou um taekwon.

-Takeon? O que é isso?

-Taekwon! Tê a e cá dablio ô enê! Taekwon! – ele me olhou de uma maneira estranha.

- Ah sim! Taekwon.

- Nós usamos chutes poderosos, e você não precisa saber de mais nada. – ele se levanta e pega a mochila no chão. – De qualquer maneira, nós temos a planta agora e precisamos levar para sua mãe.

- Você pode levar, por favor? Eu tenho outras coisas importantes para fazer...

- Mais importantes que salvar seu pai?

- Mas a planta já está ai! Eu preciso fazer algo! Leve a planta e quando você voltar, me encontre em Izlude.

-Ok, ok! Eu levo, vai fazer seu negócio importante!

- Obrigada! – e o abracei. – Tchau e boa viagem!

Eu já estava andando em direção à saída, quando eu ouvi um barulho diferente. Olhei para trás e vi que Juan estava caído no chão.

- Juan! Você está bem? O que aconteceu? – eu corri em sua direção, ele estava suando e com febre. – Nós temos que encontrar um médico!

Eu o carreguei até a hospedaria e sai correndo pela cidade em busca de um médico. Os habitantes me informaram que a única pessoa da cidade que curava era a xamã que morava perto da caverna norte. Eu cheguei à porta da casa dela, havia uma lança do lado direito da entrada e várias peles de animais penduradas do lado de fora da cabana, assim como no chão. Bati três vezes na porta, e não houve nenhuma resposta. Assim que dei as costas, a porta rangeu e abriu, um rapaz forte, bonito, alto... e err... Um rapaz apareceu.

- Boa tarde senhorita, em que posso lhe ajudar? – ele disse sorrindo.

- Boa tarde, eu gostaria de saber se é aqui que a xamã mora. – eu respondi rapidamente.

- É sim, entre.

Nós entramos, eu me sentei em uma cadeira perto da porta e ele foi chamar a xamã. Eu estava impaciente, meu pé balançava para cima e para baixo , produzindo batidas no assoalho realmente irritantes. Em pouco tempo a senhora entrou e sentou na cadeira à minha frente.

- A senhora que cura as pessoas daqui? – eu comecei apressada.

- Sim, calma, se for algo que eu possa fazer, eu ajudarei. – ela disse tranquilamente.

- Meu primo, ele desmaiou e está com febre.

- Nós podemos ir até ele?

- Claro, se a senhora puder me seguir...

Assim que chegamos a hospedaria, entramos do quarto do Juan e ele estava de pé, organizando suas coisas.

- Pensei que ele estava doente. – ela me olhou com desdém.

- Mas ele estava... – eu respondi confusa.

-Eu estou ótimo, não foi nada de mais. – ele disse se virando assim que percebeu nossa presença.

- Sendo assim, eu não tenho o que fazer aqui. – a senhora se virou para sair.

- Desculpe o incomodo, eu acompanho a senhora. – Juan disse colocando a mão sobre o ombro da xamã.

- Volte para essa cama imediatamente! — ela exclamou após tremer toda.

— O que ? – meu primo parou.

- Eu deveria desconfiar...

- Do quê? – eu a interrompi.

- É bem pior que uma doença comum... Rapaz, você foi infectado com veneno de Argos.

-Argos? Não existe Argos por aqui. – eu novamente a interrompi.

- Mas de alguma maneira, ele foi contaminado. Ande logo! Deite-se! – ela o empurrou para a cama.- E você! Traga toalhas úmidas e vá buscar uma erva verde, creio que você tem uma.

- Erva verde... Tenho no armazém! – respondi confiante. – Volto já.

Peguei algumas toalhas que estavam em cima da cômoda, fui ao banheiro, molhei-as e levei para a velha senhora. Sai em direção ao armazém e voltei com 10 unidades da erva.

-É o suficiente? – eu perguntei mostrando as ervas.

- Só precisava de uma, mas levarei as outras como pagamento. – ela pegou as ervas na minha mão.

Após misturar a erva com água, ela deu para Juan tomar um pouco, o restante jogou numa toalha e colocou sobre a testa dele.

- Agora ele ficará bem. – ela sorriu.- Mas tomem cuidado, esse veneno produz ilusões, irritação, raiva e descontrole, não é seguro ficar perto de alguém nesse estado. Agora devo ir, adeus.

Ela saiu pela porta normalmente, sem mesmo olhar para trás. Eu corri imediatamente para a cama onde Juan estava, ele me olhou, sorriu e continuou parado.

- Você já se sente melhor? – eu perguntei segurando a sua mão.

- Eu não me sinto mal desde que acordei. – ele respondeu soltando a minha mão.

- Nem um pouquinho? – eu perguntei desconfiada.

- Nem um pouquinho. – ele se levantou.

- Ei! Você tem ficar deitado!

- Já cansei de ficar deitado, meu tio, seu pai, está doente, e você quer que eu fique deitado?

- Sim! Porque se você também ficar muito doente, ninguém poderá me ajudar, ou ajudar meu pai!

- Deixa de frescura!

- Tudo bem, mas deixa eu cuidar de você, venha aqui.

Então eu peguei a toalha úmida com a erva e passei pelo seu rosto, descendo pelo pescoço, costas e peito, como vi a senhora fazendo antes.

- Você não... Realmente, você não precisa fazer isso. – ele corou.

- Não! Você tem que melhorar, assim que terminar nós podemos ir levar a planta para minha mãe. – eu respondi enquanto passava a toalha em seu abdômen.

A sua temperatura abaixou, mas eu ainda sentia o calor, uma sensação gostosa e terna, por um momento, não senti saudades de Kaymo. Assim que percebi que estava passando a toalha no mesmo lugar há algum tempo, eu me levantei e fui lavar a toalha.

- Pensando no seu namoradinho? – ele disse com um sorriso inocente, provavelmente nem imaginando o que se passava pela minha mente.

- O quê você quer dizer com isso? – eu respondi sem jeito.

- É óbvio que você estava pensando nele, aposto que esse é o “assunto importante” que você estava falando.

- É sim! Estou preocupada com ele, porque ele está fazendo uma viagem perigosa, só isso. — eu respondi nervosa.

- Tudo bem, não precisa ficar brava. Já que está tudo pronto, podemos ir. – ele pegou sua camisa e a mochila.

- Não vista a camisa.

- Por quê?

- A erva tem que secar, se você se vestir vai limpar toda a mistura.

- Tudo bem, tudo bem... – e jogou a blusa por cima do ombro.

-Vamos então. – eu peguei minhas coisas, e saímos da hospedaria.

Assim que chegamos ao centro da cidade, Juan me perguntou para aonde eu iria agora, e eu respondi que era claro que eu iria com ele, para ter certeza que ele não desmaiaria novamente. Ele não contestou, e nós seguimos todo o caminho de volta para Juno.