Minha prima veio visitar me

Suas vestes floridas chamavam atenção de longe

Ao adentrar os terrenos, vinha saltitante

Alegre, nada podia detê-la, nem os mais altos montes


Singelo orvalho que presenteia esses pinheiros, sequoias e arbustos

Ao avistar a morte da flora, até levo um susto

Nesse ciclo infinito de injustiça

Pois o homem prejudica a natureza e se acha astuto


A casa de campo já não era tão aconchegante

Pois assim como a paisagem, o semblante modificou se

O inverno passou e o povo voltou

Voltaram a praticar o mal, todos ignorantes


Este chão verde, aos poucos ganha mais colorações

Pelo menos as flores são mantidas

Se as tirassem, seriam sem corações

Paixão mútua pela natureza reconstruída


Pude sobreviver para ver as belezas da vida

As riquezas do solo e a alma do dia

Apenas uma terra comum que virou realeza

Terra sem rei, sem lei. Uns ainda vivem na pobreza


Eu sigo sobrevivendo, sonhando e sendo

A mudança que há de chegar


Vira Vera, Vera virá

Em um dia ou outro há de chegar

Voltou, transformou e se acomodou

Recomeçando as estações, irei sempre te esperar


O que há de vir, virá

Até outro dia, Vera.