Se a boca é o reflexo da mente, porque será que meus lábios são tão impuros?

Talvez seja esse o meu atributo Mesmo com a mente sã (ou não) eu sempre acabo estragando tudo


Eu conheci um anjo

Não como Luiz, um de verdade

De olhar suave, roubou meu coração

Chamada branca; inflou me a mais forte saudade


Não consigo esquecer, mas dói lembrar do passado

Você nunca me desprezou, fui eu quem saí do teu lado

Prometi e não cumpri

Tão sólida solidão me fez cair ao chão

Pisoteado pelas consequências de meus atos

Desalmado e desolado


Sem qualquer direção que me levasse a paz

Outrora farto, num método eficaz

Para não destruir o vagão, puxou o freio da rejeição

"Você é um trouxa, mas é o meu trouxa"

Sem ninguém perceber, usou uma inteligência veraz


Se tu és a rosa e eu o cravo

Dividimos, por séculos, o mesmo espaço

Independente de quão grande for este jardim

Nossas raízes são grandes demais para coexistir lado a lado


Brincava, dando me teu ósculo adocicado

Ignóbil seria eu de recusar

Atingido por seu amplexo repentino

Nunca havia sentido falta de ar

Como na última vez em seu aposento

Andorinha minha, deixo te agora voar


Com suas próprias asas; pois não faria sentido usar as frágeis que eu construí para ti

Em outro universo, talvez menos sofri

Mas calculando, seriam cem finais ruins


Então estava na hora certa de partir


Isso mesmo, fuja!

Fuja você e seus aliados

Nenhuma estrela avisto nos altos céus

Também não habita mais nenhuma em meu quarto

Em minhas letras, verdade

Pois não há nada mais a esconder

Em suas palavras, encontro conforto

Um pedaço teu ainda habita em meu ser


Discente da vida, busquei a saída

Perceberam a ausência quando já era tarde demais

Nem adeus pude dar, me arrastaram até o "lar"

Seus machucados são menos importantes do que seu status familiar


Duro foi aceitar que tenho a vida para tocar só

Peço ao violeiro para puxar um dó

Pois, por maior que sejam as decepções

Rogo à Deus que me leve de volta ao pó.


E toda eira foi-se junto de seu ego ferido, para aventurar-se na terra do desconhecido; onde somente há ele para fazer barulhos que preencham seus abalados ouvidos.