Palavras fumaçadas dentro do chalé

Um gole no chocolate quente

Suspiro devagar para não acelerar o ritmo

As meias secam no calor da lareira


O céu se fecha de uma vez só, quase automaticamente

Desperta o colosso pálido que atormenta o povo do pequeno planeta

Pesado como um cometa

Por que ser autentico num mundo onde todos mentem?


A bola de neve aumentando refletia o peso de suas próprias ações

Mesmo assim, não tão doloroso quanto os prantos

Nem tão intenso quanto suas emoções

O gelo lentamente invadia os cantos

Esperando o sol raiar enquanto repetem as mesmas canções


Antes mesmo de esfriar, já coloquei a blusa

Pois no inverno, é preciso ser pessoa madura

Ter paciência de esperar e coragem de dissipar as massas frias

Os bons corações se acalorecem com a eliminação das amarguras

Porém, a peleja segue suja


Sou aquele que escava essa realidade

Para não virar saudade o que ainda pode ser resgatado

Com o calor corporal, junto um punhado

Moldo a bola que destrói a sociedade


Num instante, contagia todos ao redor

Sem perceber, distorcem o problema em humor

Mas do que isso: O sabor

Antes dor, agora cor

Terminou seu discurso dizendo:

"Qualquer um, de sua vida, pode ser autor".


Retornou ao lar após ser dispensado de suas atividades

Trancou-se no porão, longe de amizades

Desenterrou sonhos, mágoas e soldados

Seus dedos sentem hoje o impacto da liberdade.