A Variável Não Planejada Parte 2
9 Capítulo 8
Notas iniciais
A garota desconhecida começou a nos guiar pelo edifício e conforme nós íamos mais e mais adentro do local outras pessoas começaram a se juntar ao nosso grupo. Isso não estava me cheirando nada bem...
— Rápido andem! – disse ela nos apressando – O Jorge quer conhecer vocês.
Nesse momento meu coração parou. Como assim George?! Não podia ser quem eu estava pensando... podia?!
Olhei para Newt e acho que ele entendeu o que tinha passado pela minha cabeça, mas não tivemos tempo de discutir isso.
— Quem é George?
Thomas e suas perguntas fora de hora...
— Vão ver. – disse simples – Ninguém sai do deserto há muito tempo. Deixaram ele curioso... e a mim também...
Ela disse a última frase olhando sugestivamente para Thomas, mas acho que ninguém percebeu, nem mesmo ele. Tentei segurar a risada, mas acabou escapando um risinho, acho que Teresa também percebeu o comentário da outra, mas pela cara dela não tinha gostado nem um pouco daquilo.
— Alguém mais tá com um mal pressentimento desse lugar? – perguntou Newt
— Vamos ouvir o que o cara tem pra falar. – disse Thomas
— Não é como se tivéssemos muita escolha... – disse sarcástica
O Thomas que me desculpe, sabe eu adoro ele, considero como um irmão, mas pelo amor dos céus, não dá pra ele pensar um pouco antes de falar?! Na situação em que estávamos ele acha que temos outra opção a não ser escutar o tal cara?!
Finalmente chegamos até o cara, e não sei se para meu alívio ou tristeza, não era quem eu estava pensando que era.
Ela estava mexendo em um tipo de rádio pelo que parecia, estava tentando escutar alguma coisa importante. Ele finalmente se virou para nós, parecia um cara simpático...
— Já tiveram a sensação que o mundo está contra você?! – ele perguntou
Nós nos encaramos.
— Você realmente quer que a gente responda? – eu perguntei de boa, sem intenção de dar uma de engraçadinha, juro
— Três perguntas – já que ele continuou acho que não entendeu meu comentário como arrogância – De onde vocês vêm, pra onde vocês vão e quanto é que eu ganho?
Ficamos calados.
— Não respondam todos de uma vez. – disse sarcástico
— Vamos pras montanhas. – ótimo Thomas, mas não conversamos sobre falar dos nossos planos para estranhos – Procuramos o Braço Direito.
Ouvi risadas.
— Estão é caçando fantasmas. – disse Jorge – Pergunta número 2: de onde vocês vêm?
Thomas olhou de lado pra mim.
— Olha, não é por nada, mas não é da sua conta. – eu disse chamando a atenção dele pra mim – Só estamos tentando sobreviver.
Com um pequeno aceno da cabeça os capangas dele nos imobilizaram e a garota passou alguma máquina estranha na nuca de Thomas.
— Você adivinhou. – disse ela pra Jorge
Ele pegou seus óculos e mirou a máquina.
— Adivinhou o que? Do que ela tá falando? – disparou Thomas
— Desculpa Hermano... parece que foram marcados. Vieram do C.R.U.E.L., ou seja, vocês são... valiosos demais.
Mas que porr...
Acabamos todos pendurados de ponta cabeça por cordas nos nossos pés... ótimo...
— Belo plano Thomas, vamos ouvir o que o cara vai dizer. – caçoou Minho – Deu super certo pra gente...
— Cala a boca Minho! – xinguei – Não é como se tivéssemos outra escolha... já estávamos encurralados.
— Acho que eu consigo... errg, pegar a corda... – disse Thomas
Eu só podia revirar os olhos...
— Curtindo o visual?
Era o Jorge de novo...
— O que quer agora?! – disse ríspida
— Hum, eis a questão... meus homens querem vender vocês pro C.R.U.E.L. a vida ensinou eles a pensar pequeno... mas eu não sou assim. E alguma coisa me diz que você também não é. – ele disse olhando pra mim
— O sangue já zuou com a minha cabeça ou esse trolho não fala coisa com coisa? – interferiu Minho
Esses meninos não podiam ficar um segundo quietos?!
— Me contem o que sabem do Braço Direito. – Jorge exigiu
— Há minutos atrás estava zombando da nossa cara e agora quer se juntar ao time? – eu disse sarcástica
— Bom, eu sempre acreditei em fantasmas, então se estão formando um grupo para caçá-los eu quero fazer parte. Ainda mais quando escuto eles, tagarelando nas ondas de rádio.
Ele se aproximou da máquina que segurava nossas cordas no ar.
— Me contem o que sabem e talvez a gente faça um trato.
— Hãã, a g-gente não sabe nada.
Resposta errada Thomas...
Jorge soltou nossas cordas e rapidamente as prendeu de novo, só para nos assustar.
— Okay! Eu falo! Cala a boca Thomas! – já avisei antes que ele começasse a se intrometer – Tudo o que sabemos é que eles estão se escondendo nas montanhas e resgatam crianças dos experimentos loucos do C.R.U.E.L., são rebeldes... é tudo que sabemos... – disse um pouco ofegante por causa do susto
— E como ficou sabendo de informações tão valiosas?
— Eu era um deles... do C.R.U.E.L. e fui mandada de última hora para um dos labirintos deles porque estava ajudando o Braço Direito enviando crianças para seus diferentes acampamentos...
Antes que ele pudesse falar mais alguma coisa, um dos capangas chegou e ficou desconfiado.
— Ô Jorge! Que que tá pegando?
— Estava batendo um papo com meus novos amigos... já terminamos.
— Espera aí, pera aí! Não vai ajudar a gente?
Ah, puta merda Thomas!!!!!!!!!!
— Relaxa hermano, vamos colocar vocês num lugar seguro.
Jorge se foi assim como o outro homem e eu só queria soltar Thomas daquela corda e sorrir enquanto ele caia de uma boa altura.
— Na próxima vez que você fizer uma pergunta idiota, falar fora de hora ou deixar escapar um comentário imbecil eu juro, Thomas, que não importa eu ser imune ou não, você vai desejar ter se metido com uma daquelas coisas ao invés de mim!
Por incrível que pareça Teresa nos ajudou a sair daquela tortura, mesmo que ela estivesse com uma expressão estranha associei isso à nossa situação atual.
O pior que temíamos aconteceu, o C.R.U.E.L. nos achou e aqueles capangas nojentos estavam os ajudando para nos entregar, mas Jorge cumpriu sua palavra e agora ele e a garota, que eu ainda não sabia o nome, estavam nos ajudando a escapar.
De repente, no meio da confusão, uma música começou a tocar ????? e sabe o mais estranho, apesar de eu estar tão nervosa com tudo o que estava acontecendo ainda arranjei tempo pra apreciar a música kkkk
Encontramos Jorge e o plano era sair do edifício pela janela por uma tirolesa.
— Tá de brincadeira comigo... – disse Caçarola
— Plano B hermano, querem chegar ao Braço Direito? Levo vocês até eles, mas ficam me devendo.
— Fechado. – eu disse sem hesitar
Jorge foi o primeiro a ir pela tirolesa, Minho foi o próximo seguido de Caçarola e Newt, mesmo que muito relutante em ir antes de mim, mas eu me recusava a ir antes deles. Teresa também foi com um empurrãozinho meu.
Brenda (só agora prestei atenção no nome dela, graças a Thomas) saiu correndo e Thomas como o bom caçador de encrenca foi atrás dela, e eu como tenho coração mole fui atrás dos dois cabeças-ocas.
Quando a encontramos, ela procurava algo em gavetas, assim que encontrou também fomos encontrados pelos agentes do C.R.U.E.L. Brenda começou a atirar neles dando tempo para que eu e Thomas conseguíssemos escapar já que não tínhamos nada para nos defender.
Estávamos correndo alucinadamente, e não ajudava com ela dizendo que o tempo tava acabando. Eu nem sabia que tempo era esse!
Corremos por tudo quanto é canto daquela instalação, direita, esquerda, sobe escada, desce escada, diagonais, até mesmo escalamos nas partes que não estavam acabadas de serem construída, tudo para fugirmos desses mértilas.
— Brenda, aonde estamos indo?!
Dessa vez não consegui cumprir minha promessa de bater no Thomas por perguntas fora de hora.
— Rápido, a música tá quase acabando.
— O que? A música?!
E foi aí que tudo veio a baixo.
No mesmo segundo que a música acabou tudo naquele lugar começou a explodir e desabar. Brenda nos levou para uma abertura no subterrâneo e acabamos soterrados.
Sorte a nossa que estávamos com Brenda. Ela tinha tudo para nos ajuda a sair dali.
— Vocês estão bem? – perguntou ela
— Claro, tô ótimo. – disse Thomas sarcástico
— Sabe, adorei aquela música. – eu disse rindo um pouquinho
— Como vamos voltar aos outros? – disse Thomas olhando ao redor sem achar uma saída
— Relaxa, vou tirar a gente daqui.
Branda deu uma lanterninha para mim e uma para Thomas. Ela parecia saber muito bem o que fazer nesse tipo de situação e achei muito bom porque eu estava mais perdido do que o Thomas... pode imaginar quão grave é isso???
— Por que estão nos ajudando?
— Pode acreditar, não foi ideia minha. – disse ela – O Jorge acha que vocês são o bilhete dele pro Paraíso Seguro.
— Pra onde? – perguntei
— Sabe, Paraíso... é tipo, a salvo do sol, sem infecções... dizem que o Braço Direito vêm pegando adolescentes há anos. Imunes pelo menos. – ela sussurrou a última parte
— Você sabe onde fica? – perguntou Thomas
— Não, mas o Jorge conhece um cara, Marcos, ele era... ele contrabandeava crianças nas montanhas. Se o Jorge conseguir sair, é pra lá que ele vai levar seus amigos.
— Se ele sair?! – disse Thomas assustado
Eu também fiquei apreensiva, meu irmão e meus outros amigos estavam nas mãos desse maluco, mas não podia fazer nada presa aqui.
— Olha só você faz muita pergunta. – disse Brenda
— Obrigada, pensei que era a única que me incomodava com isso... – eu disse indo ajudar ela a tirar um negócio do chão
— Ei! – disse ele indignado
— Vem logo ajudar a gente Tommy.
Depois que tiramos a grade o buraco parecia mais assustador. Podia ouvir alguns gritos e mesmo que estivessem distantes me davam medo do mesmo jeito.
— Isso não parece bom... – disse Thomas
— É... aqui em baixo a transformação já tá completa...
— É melhor irmos então. – eu disse
— Vambora.
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