A Variável Não Planejada Parte 2
8 Capítulo 7
Notas iniciais
Depois de termos andado o dia inteiro, achamos outros escombros para nos escondermos e passarmos a noite.
Ninguém tinha falado muito, só o necessário. Eu não tinha dito nada, mas minha cabeça estava a mil. Olhava para a fogueira e abraçava meus joelhos.
— Eu pensei que a gente fosse imune. – disse Minho
— Nem todos nós... – disse Teresa – Eu acho...
— Se o Winston foi contaminado, talvez também role com a gente, né? – disse Newt
— Eu nunca pensei que diria isso... – disse Caçarola – Saudade da clareira...
Percebi que ele estava chorando, soltei meus joelhos e entrelacei meu braço no seu encostando a cabeça em seu ombro. Tanto eu quanto ele precisávamos de um abraço.
— Pode ser que tenhamos sorte, que nem a Katherine. – comentou Teresa – Afinal, descobrimos que ela é imune.
Ela só podia estar tirando uma com a minha cara, não acha? Do jeito que ela falou parecia que eu estava orgulhosa de ser imune. Muito pelo contrário... me sentia culpada. Winston tinha sido um herói, arriscou a vida para nos ajudar... e agora estava morto.
Eu deveria ter impedido aquelas criaturas, assim, se fosse mordida ninguém mais sofreria por isso e nada aconteceria comigo porque sou imune... ou...
— Winston merecia ser o imune... – disse com a voz quase inaudível
— O que? – perguntou Minho
— Winston merecia ser o imune. – disse encarando a todos — Não eu...
— Kathy que besteira...
— Não é besteira Newt! – o interrompi – Winston não merecia isso, não merecia ter sofrido aquela dor... a sensação de estar fora de si...
— Ninguém merece isso Kathy... – disse Thomas chamando nossa atenção – Você também não merece... Foi horrível perder Winston dessa forma, mas tenho certeza que seria horrível do mesmo modo se tivéssemos perdido você, ou até mesmo os dois. – ele encarava meus olhos – Não é sua culpa ser imune. Lembraremos dos melhores momentos do Winston, faremos jus à memória dele, eu te garanto.
— Obrigada Tommy.
Sorrimos um para o outro e pude perceber que Teresa não ficou muito feliz com a atenção que ele me deu. Não vou negar que isso me agradou.
O dia seguinte foi a mesma coisa. Andamos sem parar por um monte de areia e nada mais a vista. Nossa água estava acabando, assim como nossa comida. Estávamos cansados de sermos torrados pelo sol escaldante. Uma coisa boa foi que meu braço estava melhorando, as feridas estavam começando a cicatrizar e não tinha mais pus.
Naquela noite paramos no meio do nada e dormimos formando uma roda, meio malformada, mas ainda assim uma roda.
Confesso que mesmo com o calor e o cansaço do dia eu ainda não queria dormir, estava observando as estrelas brilhando no céu, estava lindo.
Aquilo me fez lembrar das vezes que fiquei deitada no meio da clareira olhando as estrelas e Gally chegava de surpresa e me fazia companhia. Agora relembrando esses momentos conseguia perceber que Gally gostava de mim mesmo naquela época, só que eu não percebia... me arrependo de não ter percebido antes. Uma lágrima solitária caiu do meu olho.
— Ei!
Me virei na direção do sussurro. Era Thomas que tinha deitado ao meu lado. Virou-se de lado e apoiou a cabeça na mão e ficou olhando pra mim.
— Nem tive tempo de perguntar como se sentiu hoje.
— Ah, considerando a nossa situação, acho que estou até que bem. Meu braço está bem melhor pelo menos, mas acho que a pele das minhas bochechas está queimada, não consigo nem tocar direito.
— É, bem que eu percebi que seu rosto estava bem vermelho, principalmente seu nariz. – disse dando uma risadinha
— Muito engraçado, não pense que vocês estão tão diferentes.
Rimos mais um pouquinho até nos encararmos e ficarmos sérios.
— E seus fantasmas? Ainda te atormentam?
— Não... só sinto saudades mesmo... queria ter tido mais tempo com todos... – desviei os olhos para o céu, agora tinham algumas nuvens, será que vinha chuva por aí?
— Eu não tive tempo, mas queria pedir desculpas por ter entrado no chuveiro daquele jeito... eu só queria ajudar...
Ri de novo.
— Tudo bem Tommy. – olhei para ele – Agradeço pela tentativa.
Nós dois continuamos nos olhando por um tempo, não estava tão escuro então conseguia ver seus olhos. Por alguns segundos meus olhos se desviaram para o que estava atrás dele, e pelo que pude deduzir depois ele fez o mesmo, olhando atrás de mim.
Meus olhos se arregalaram. Uma enorme tempestade vinha por aí e tínhamos que sair dali, A-GO-RA!
— Temos que ir Thomas. – disse
— Sim, temos mesmo.
— O que? – perguntei sem entender
Como ele tinha visto a tempestade sem olhar pra trás?
— Tô vendo uma coisa.
— É, eu também tô e sei que temos que sair do caminho agora! – me levantei e comecei a acordar os outros.
— O que foi? – perguntavam quando acordados
— Estão vendo? – disse Thomas apontando para algo no horizonte – São luzes.
— Eu também tô vendo algo, e não é nada bom...
Eu apontei para o outro lado fazendo com que todos virassem para lá. A tempestade estava se aproximando. Raios violentos estavam atingindo fortemente o chão.
— Seja o que for aquelas luzes é melhor do que ficarmos aqui. Temos que ir e rápido. – alertei
Começamos a correr o mais rápido que podíamos. Às vezes Thomas e Teresa davam uns gritos de incentivo, mas eu não via o propósito disso, pois já sabíamos que tínhamos que correr e é o que estávamos fazendo, então... pra que gritar?!?!
Fiquei ao lado de Newt para caso ele ficasse para trás, já que uma de suas pernas não era muito boa, se ele caísse ou precisasse de ajuda eu estaria ali logo ao lado.
Quando estávamos chegando perto das luzes vi que tinha muitas carcaças de carros ali por perto, um enorme prédio em construção estava a nossa frente e os raios estavam cada vez mais próximos. E aí, Minho caiu ao chão.
Um raio tinha atingido uma das carcaças e jogou Minho ao longe, ele estava desacordado.
Aris e Newt o pegaram e voltaram a correr, estávamos quase lá. Teresa e Caçarola foram os primeiros a chegar lá. Entramos todos e ficamos o mais distante possível da porta de metal para evitar outro incidente. Lá dentro estava muito escuro, então tivemos que ascender uma lanterna para podermos socorrer Minho.
— Minho! – gritou Thomas
— Gritar não vai adiantar nada! – gritei também – Sai da frente!
Me posicionei ao lado de Minho, coloquei minhas mãos, uma sobre a outra, no osso de seu peito e comecei a pressionar e soltar.
— Vamos lá Minho.
Continuei pressionando e soltando por cerca de um minuto até que ele voltasse aos seus sentidos. Todos suspiramos aliviados enquanto Minho, ainda meio lento, tentava entender onde estava e o que tinha acontecido.
— Que que rolou?
Eu não dei tempo para que ninguém respondesse, logo me joguei em seus braços e lhe dei um forte abraço.
— Um raio te atingiu e a Kathy te salvou. – disse Thomas
Me soltei dele o encarando para ver sua reação.
— Ahã...
Rimos com sua resposta. Ele ainda não estava 100% na Terra, nem eu estaria depois daquele choque (entenderam a piada??? Choque, raio, choque susto? Tá, parei.)
Ajudamos Minho a se levantar e prestamos mais atenção ao nosso redor. Uma coisa era impossível de ignorar.
— Que cheiro é esse?
É exatamente isso que eu ia falar Teresa.
De repente um grito nos assustou, era uma daquelas coisas. Depois disso mais deles apareceram, estávamos cercados, mas eles estavam presos por correntes. Enquanto tentávamos nos manter longe das mãos daqueles monstros, ouvimos uma voz não muito longe.
— Já se apresentaram aos cães de guarda.
Uma garota se encontrava em outra entrada e ela veio andando até nós.
— Vocês tão detonados.
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