A Unificação Greco-romana

5 Quinto Capítulo: "Percy, cuidado!"


Notas iniciais
Argo, Duda, Jubbyskréeyhra e Garruk são de minha autoria, portanto peço para que não os usem como personagens de suas histórias. =================================================================== Capítulo editado

Dormir em aviões e demasiado ruim.

Cinco minutos após a decolagem, o sono começou a abater-me e um bom sono se calhar iria cair bem. Mas ainda vagavam a esmo algumas dúvidas em minha cabeça. Resolvi então fazer com que elas parassem de me atormentar e perguntei à Garruk:

–- Garruk, por que cargas d’água... – ele não me deixou terminar a pergunta, apenas pigarreou fortemente. Entendi o recado muito bem, mas não iria desistir assim tão facilmente.

–-Mas... – interrompido novamente por um ríspido pigarreio, mas novamente não me dei por vencido.

–- Garruk, por que... – e o velho estourou.

–- POR QUE, POR QUE, POR QUE! SEMPRE POR QUE! POR QUE POR QUÊ? PORQUE VOCÊS SÃO DEMASIADO IRRITANTES.

–-Mas... – iniciei a protestar, mas fui interrompido novamente pelo bumbum-de-pano.

–- CHEGA! QUER SABER O POR QUE? QUE TAL PERGUNTAR À JUBBYSKRÉEYHRA?

–- Quer saber? – disse, tentando parecer o mais calmo o possível. Transparecia em Garruk que ele não gostava nem um pouco de leveza na voz. Peguei o walkie-talkie (descobri esse nome quando prestei atenção em uma conversa entre Duda e Garruk), e disse – Jubbyskréeyhra, por favor, poderia subir até aqui? Sim, quero um copo de expresso. Não. Não. Sim. Sim. Amo chocolate! Obrigado.

O coração de Garruk se acalmou. O velho pegou um dos travesseiros que embaixo da poltrona, apoiou sua cabeça nela e disse:

–- Vou tirar minha soneca de beleza.

–- Talvez ele acorde no século XXV – cochichou uma voz nada suave e muito menos doce.

–- Jubbyskréeyhra! – disse – Tenho tantas perguntas para fazer a você!

–- Pode mandar Argo! – respondeu Jubbyskréeyhra.

E assim ficamos, batendo papo, eu perguntando e ela respondendo com o maior prazer. Jubbyskréeyhra possuía um rosto gordo e vermelho que dava a impressão de que a menina havia bebido demasiado suco de uva, já que ela possuía apenas 17 anos. Era muito simpática e engraçada, porém demasiado materialista e individualista. Não era lá alguém para conviver durante toda a sua vida, mas era lá um ótimo começo para um bate-papo, ou talvez até um “stand-up comedy”.

O sono foi sucessivamente me derrubando mais e mais. Já não era aquela tão interessante conversa de duas ou três horas atrás. Agora, mesmo com o papo de Jubbyskréeyhra revestido em prata e pedras de diamante, a conversa estava se tornando maçante, até que resolvi por um fim nessa conversa e dormir uma boa noite de sono:

–- Jubbyskréeyhra – disse, fingindo um bocejo.

–- Sim?

–- Que horas são?

–- São duas horas da matina, Argo – respondeu-me com compaixão.

–- Há quanto tempo estamos voando? – perguntei-lhe com os olhos saltando para fora de suas órbitas – Quero dizer, há quanto tempo estamos nessa conversa?

–- Bom, saímos do aeroporto às 12:00 e agora são... Estamos no ar a maios ou menos seis horas. Se tudo vier a calhar, chegaremos ao Rio de Janeiro por volta das 00:00.

–- Ah – suspirei exausto, joguei-me no encosto do banco – Vou tirar uma soneca, pode ser?

–- Claro – disse ela, já se afastando – Tenha bons sonhos.

Bem que eu queria que meus sonhos fossem bons.

Depois de tudo que conversamos, descobri várias coisas sobre ela, e ela descobriu várias coisas sobre mim. Descobri que ela era filha de uma mulher que aqui trabalha, servindo vinhos e suco de uva. Descobri também que o pai dela participou de uma guerra e morreu em campo de batalha. Não sei o porquê de tudo isso, mas acho que eu gosto dela. Sério cara, aquelas bochechas me fazem pirar.

Eu não conseguia parar de pensar nas coisas que ela me disse, na conversa que tivemos, e também uma coisa de que não acreditava... Eu e ela. Aos poucos, com os olhos fechados, fui dormindo aos poucos, para logo acordar de vez em uma colina cheia de grama. Mas ao contrário de verde, a grama estava vermelha, dando para perceber que algo ali havia acontecido. Levantei-me da grama com uma camiseta laranja com o que parecia um unicórnio com asas e sem chifres como estampa. Estava todo arranhado e uma enorme dor lancinante veio em minha cabeça. Doía muito, assim como doeu aquela patada do minotauro em minha cabeça.

Esforcei-me demasiado para subir a colina. Cheguei lá em cima exausto, mas o que encontrei lá não foi nada animador. Montes de pó dourado jaziam em vários lugares e vários corpos de pessoas com as mesmas vestes que eu também. Achei, portanto, ao lado de um monstro, coisas que me ajudariam muito. Um mapa e uma espada feita de algum material que se familiarizava com bronze. Peguei-os e abri o mapa. Pelo visto, eu estava no Acampamento Meio-Sangue, na Colina Meio-Sangue. Sentei-me novamente, mas ouvi de repente uma voz afeminada a gritar:

–- Percy, cuidado!

Levantei-me e saí correndo (bom, não necessariamente correndo, pois eu certamente não conseguiria) até chegar até uma quadra de vôlei tradicional. Foi a única coisa de normal que lá encontrei, só que algo dentro da quadra era muito menos normal do que tudo que ele já tinha visto. Dentro da área, havia dois adultos que pareciam ser um casal. A menina tinha longos e grandes cabelos louros, encorpada. Parecia totalmente organizada e cuidadosa. Possuía também lindos olhos cinza. Sim, olhos cinza. Depois de um total massacre, aquela era a coisa mais bizarra que eu podia encontrar?

O menino combinava perfeitamente com ela, já que os opostos se atraem. Possuía olhos verdes, da cor do mar. Segurava em suas mãos uma espada de material similar à minha. Ele sangrava muito, mas muito mesmo.

De repente ouviu-se um BOOM e eu acordei desesperado. O que seria aquilo? Apenas uma parte do sonho, ou alguma coisa explodira dentro da aeronave. Olhei para os lados. O avião parecia inclinado para frente e todos estavam em pânico total.

–- Garruk – gritei – O que é todo esse tumulto?

–- Você não precisa saber! — gritou Garruk, ao mesmo tempo em que pegava o walkie-talkie.

Algum segundo de ansiosa espera depois cheguei minha orelha para perto do apararelho para escutar melhor. Depois de mais algum tempo, e Duda perguntando freneticamente quanto tempo de vida nos faltava, alguém atendeu:

–- O que foi senhor Garruk? – disse a voz de Jubbyskréeyhra.

–- Acharam-nos — disse Garruk em tom de desespero — Górgonas. Sim. Esteno também. Não, Medusa não.

Notas finais
Gostaram? Não gostaram? Comentem! Críticas são totalmente bem-vindas!