A Unificação Greco-romana
6 Sexto Capítulo: Cipós, parreiras e muita água
Notas iniciais
Perto das górgonas, enfrentar minotauro parecia brincadeira de criança.
Levantei-me rapidamente e corri para a janela ao lado do assento de Duda, que ainda se encontrava lá. Acidentalmente, acabei caindo em cima dele, que produziu um agudo: “Ai!”. Cheguei a colocar a mão na janela, mas foi interrompido por um puxão de uma mão calejada de uma pessoa que dizia:
–- Não abra a janela!
–- Por quê? – respondi com firmeza.
–- São górgonas!
Meu coração parou de funcionar por uma fração de segundos. Górgonas, três mulheres horripilantes que antes muito bonitas foram. Filhas de Fórcis e Ceto, causavam inveja em Atena, que transformou seus cabelos em cobras peçonhentas que a todo o momento picavam-nas, seus dentes brancos e brilhantes em enormes presas de onça, mãos de bronze e asas de couro. Mas o pior ainda estava por vir... Seus olhos lindos foram trocados por máquinas de petrificação. Todo e qualquer ser que a olhasse nos olhos, viraria pedra em um instante.
Como eu sei disso? Piper e Jason tinham uma enorme coleção de livros sobre a mitologia Greco-romana, e eu simplesmente amava lê-los. Mas, voltando ao assunto principal, eu estava morrendo de medo. De início parecia claro que as górgonas não invadiriam o avião tão cedo. Cara, como sou idiota.
Com um enorme estrondo, todos em nossa cabine se assustaram. Lá embaixo, todos gritavam, e o barulho do cambalear da porta me fez congelar. As górgonas haviam entrado. Ouvi passos apressados pela escada, mas não me mexi. De repente, uma explosão ensurdecedora aconteceu do lado de fora do avião. Ao mesmo tempo da explosão, uma menina escancarou a porta da cabine. Garruk abriu um enorme sorriso no rosto e gritou:
–- Olive! Finalmente! Agora você pode impedir-nos de cair!
Como que se o destino quisesse contrariar Garruk, o bico do avião se inclinou totalmente para frente e começamos a cair. Tentando resistir ao ensurdecedor grito das pessoas que na cabine estavam, e o estrondo de estátuas que antes já foram seres vivos batendo contra as paredes e as risadas malignas das górgonas, olhei para essa tal de Olive: era Jubbyskréeyhra viva e inteirinha.
–- Quem é Olive? – perguntei a Jubbyskréeyhra.
–- Sou eu! – respondeu Jubbyskréeyhra, que agora se chamava Olive – Você não sabia?
–- Não! – respondi gritando.
–- Droga Garruk! – gritou Olive – Bom, pelo ou menos contou quem eles são, ou não?
Garruk correu para a parte da frente do avião de cabeça baixa. Previ que ele teria bastante dificuldade de chegar até lá, já que o corredor estava lotado de desesperados.
–- Quem somos? – berrou Duda, que acabara de aparecer do meu lado.
–- Não posso explicar, nem dizer exatamente, mas...
E lá de baixo, uma das comissárias de bordo apareceu na porta correndo e bufando.
–- Olive! Vinte segundos para a queda, faça algo!
Olive ficou branca de desespero. Depois de mais ou menos três segundos ela gritou:
–- Rápido, pensem que vocês podem salvar esse avião e todas as pessoas que aqui estão!
–- OK! – Duda e eu respondemos em uníssono.
Fechei meus olhos e me concentrei. Não sei se Olive tinha pirado de vez, mas percebi que ela também estava fazendo o mesmo. Concentrei-me ao máximo. Ouvi o sibilar das serpentes dos cabelos das duas górgonas e as fortes pancadas que seus pés feitos de bronze produziam. Elas haviam chegado ao andar superior. O som de pesadas estátuas caindo no chão ainda era muito presente. Concentrei-me mais. Supus que nós teríamos mais dez segundos antes de atingir o solo. Concentrei todas as minhas forças. Todos os meus músculos contraíram, e senti que meu coração batia cada vez mais rápido.
Aquilo estava me deixando exausto. Queria saber o que estava acontecendo e o que as górgonas estavam aprontando, mas não me atrevi a abrir os olhos. Depois de mais ou menos três segundos – o que me pareceu uma hora – Olive gritou juntamente com Duda. Mesmo com todos concentrados, o avião não parava: era o fim.
Como minha mente pessimista sempre prega peças em mim? Cinco segundos se passaram, e minhas forças quase esgotadas. Cheguei até a tentar desistir, mas continuei. Todos os meus músculos doíam, e minha cabeça latejava como se fosse explodir a qualquer momento. Duda ofegava e Olive continuava a gritar.
Com um baque surdo, deu para perceber que todos os vidros da aeronave haviam quebrados. O avião parou no ar, sem nenhum impacto. Atrevi-me a dar uma espiada. As duas górgonas estavam sendo espremidas, com seus olhos tapados, por um tipo de planta parecido com cipós e por outro tipo da qual brotavam uvas. Olhei para uma das janelas que não estava ocupada por cipós nem parreiras. O avião estava sendo sustentado por água. Depois disso, a única coisa que vi foram as górgonas se transformando em cinzas douradas, que agora voavam pelo avião adentro.
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