Notas iniciais
Eu particularmente gostei desse capítulo, por muitas coisas que acontecem, bom vamos falar sobre ele lá embaixo ok? Claro como sempre, preciso agradecer a Viviane minha beta que não curte a saga e se sacrifica betando a fic pra mim. Valeu amiga! ^^

Capítulo 6

Algum tempo antes...

Alguns dias se passaram desde a desastrosa visita de Camus ao trabalho de Issak, o aquariano evitava tocar no assunto da visita com seu namorado para não haver novas discussões.

Neste dia, Camus estava de folga no período da tarde, havia dado aula na universidade pela manhã e estava com a tarde e noite livres já que não daria aula na escola pública também, aproveitando este tempo livre Camus, que estava corrigindo provas, resolveu dar um tempo no trabalho para tentar consertar o notebook de Milo, o escorpiano estava usando o de Camus para o seu trabalho.

Como o ruivo tinha previsto, o notebook estava repleto de vírus, Camus sorriu, com certeza seu namorado havia conseguido todos aqueles vírus entrando em sites de pornografias. O aquariano salvava alguns arquivos num disco provisório depois veria com Milo quais ele decidiria salvar, entre um arquivo e outro Camus acidentalmente abriu uma conversa do histórico do Messenger.

Não, Camus não era ciumento tampouco era adepto a invadir a privacidade alheia, mas nem ele mesmo saberia explicar o porquê aquela conversa chamou sua atenção.

Porém, o fato é que ele viu uma conversa picante entre Milo e um tal de Paul no início achou que era uma conversa isolada então procurou e achou mais e mais... eles eram “amigos” há muito tempo, quase um ano. Cada palavra, cada frase que Camus lia seu peito doía como se uma adaga estivesse sendo enfiada nele.

Claro que as conversas tinham em sua maioria um contexto sexual, mas haviam conversas, queixas que Milo fazia do seu namorado, eles eram íntimos a ponto de, em uma destas conversas, Milo dizer que estava preocupado, pois Paul havia se ausentado por um longo período, “Esta tudo bem mesmo? Sabe que me preocupo com você, me preocupo muito”.

Pode ser uma bobagem, mas essa frase feriu mais do que toda a conversa de contexto erótico, ali não era só um sexo virtual, ali havia uma... amizade, para se dizer o mínimo.

Camus salvou todas as conversas de Milo e Paul, ele não sabia o que fazer, tinha que pensar, que decisão tomar, o que fazer?

Friamente Camus ainda terminou de consertar o notebook do outro, foi para a varanda de sua casa e ficou lá observando o nada, durante o resto do dia.

Quando Milo chegou no final da tarde encontrou Camus na varanda.

— Boa noite amor, como foi seu dia de folga? – Milo perguntou dando um selinho em Camus.

O ruivo apenas olhou para Milo, levou alguns segundos para que respondesse, — Tranquilo.

A vontade de Camus era levar Milo até o notebook esfregar a cara do escorpiano no teclado, mostrar a conversa, gritar, xingar, mas Camus nada fez. Ele não saberia dizer o motivo de ter ficado sem reação.

Talvez por fazer parte de sua personalidade não fazer escândalos, talvez achasse que aquilo não tivera tanta importância, talvez tivesse, no fundo, medo de perder Milo.

A questão é que Camus não fez nada, ele guardou o que sentiu, prendeu todas as emoções dentro do peito como faria em sua época de cavaleiro.


Milo, alheio à descoberta de seu namorado, contava coisas do seu dia.

—... Aí ele teve que me dar os parabéns na frente de toda a equipe por eu ter conseguido ultrapassar a meta, foi muito gratificante, Camy. — Milo estava dizendo quando notou que Camus estava sério e apenas o observava com seus olhos gélidos. — O que foi Camus? Aconteceu alguma coisa?

—Não nada, — respondeu o aquariano se levantando, — consertei seu notebook.

— Ah! Que bom assim devolvo o seu, — agradeceu Milo de dentro da cozinha, — vai fazer algo para jantarmos? Eu tô com fome.

— Se está com fome vá você fazer algo para comer, aliás, você podia ir jantar na sua casa, — respondeu Camus no seu melhor tom sério, calmo e frio — estou cansado Milo.

— Nossa que mau humor, se está assim cansado é só falar eu vou sair e comprar alguma coisa pra nós. — Falou sem discutir.

Milo saiu para comprar o jantar, Camus tomou um banho, mas as palavras sensuais trocadas por Milo e Paul não saíram de sua cabeça.

Quando Milo voltou com o jantar Camus estava corrigindo provas e preparando algumas aulas.

— Trouxe comida oriental! Sushi, sashimi e um temaki, — Falou Milo carinhoso esperando que o humor do ruivo estivesse melhor.

— Ponha em cima da mesa, quando eu terminar aqui eu como. — Camus respondeu sem olhar para Milo.

Milo odiava jantar sozinho, mas o fez depois que cansou de esperar o ruivo. O relógio já passava da meia-noite quando Milo, cansado de dormir no sofá, foi para o quarto reclamando.

— Vamos dormir Camus, não saiu deste computador desde a hora que eu cheguei, venha sabe que só consigo dormir abraçado em você.

— Tenho trabalho a fazer Milo, se está com sono vá dormir e me deixe em paz. — Camus respondeu sem alterar a voz.

Milo foi.

Na primeira noite mesmo resmungando, passou a segunda, a terceira... até que Milo começou a desconfiar que algo estava estranho, Camus estava arredio, há dias, não transavam, o escorpiano começou a imaginar se Camus não tinha outra pessoa em sua vida.

"só pode ser, por isto está assim, sem sentir falta do sexo" pensava o ciumento escorpiano.

Os dias foram passando, as semanas se foram, e uma barreira foi se formando entre eles.

Milo estava em seu apartamento, ele queria ver se Camus, sentia sua falta, quando recebeu uma mensagem do ruivo por engano.

"Chego em casa em vinte minutos"

Milo sabia que Camus estava dando aula na escola pública, e Camus sabia que Milo não iria dormir em seu apartamento, pois o namorado havia dito que iria ficar em casa, então por que, Camus avisaria que estava chegando em casa?

"Camus está aprontando, só pode ser isso" pensou Milo que olhou no relógio, onze e quarenta e cinco, mesmo com o adiantado da hora Milo saiu com a roupa do corpo e foi ao apartamento de Camus cego por seu ciúme.

Camus estava na sua escrivaninha desligando o notebook quando Milo, com cara de poucos amigos, chegou.

Eles trocaram olhares até que Milo quebrou o silêncio, — quem você está esperando? Ele ainda não chegou?

Camus arqueou a sobrancelha o olhando confuso, com cara de "do que está falando?”.

— Não se faça de sonso Camus eu sei bem que iria encontrar alguém aqui, ou será que vai sair?

—Do que diabos está falando, Milo? — perguntou sério o ruivo.

— Do que eu estou falando? Eu estou falando disso aqui, ó. — O escorpiano falou tirando o celular do bolso e mostrando a mensagem para Camus.

O ruivo apenas olhou a mensagem entendendo enfim a confusão que o namorando estava fazendo.

—Nossa eu mandei a mensagem pra você? Foi um engano, — respondeu Camus achando graça.

—Eu sei que foi um engano, pra quem era a mensagem? Pra quem você está dando satisfações dos seus passos? Me Responda, Camus! E pare de rir. — exigiu saber Milo já um tanto descontrolado.

Camus não podia dizer que não estava gostando de ver seu escorpião daquela forma, tinha como... podemos dizer, um gostinho de vingança, mesmo que Milo não soubesse das suas descobertas, ainda assim, tinha um gosto de vingança. Camus estava gostando e iria provocar o namorado ainda mais.

—Foi um engano, já disse era para outra pessoa que fiquei de encontrar pelo messenger. — falou simplesmente o ruivo se levantando e indo em direção à cozinha.

Milo olhou o note recém desligado, — E você diz isso assim? Com esta cara lavada? Confessa que estava de flerte na internet, você... Você é...

Milo estava enlouquecido pelo ciúme, ele tremia de raiva.

— VOCÊ ESTÁ ME TRAINDO? RESPONDE CAMUS! — Gritou o escorpiano sentindo o peito doer com medo da resposta do outro.

O aquariano que não gostava de brigas após ver que o namorado estava muito alterado resolveu contemporizar a fim de acabar com aquela discussão.

— Fala baixo! — Ordenou sério o ruivo, — não e nada disso seu psicopata. Era um pesquisador francês que conhecemos no congresso, lembra o Claud? Então, ele precisa dos resultados da minha pesquisa sobre os lasers, pediu pra eu os enviar e respondi que o faria quando chegasse em casa, só que hoje eu ia dar aula na escola pública, por isso avisei que chegaria em casa naquele horário.

Camus se odiou por não ser impulsivo e pirracento como Milo, saiu da sala e foi para seu quarto. Precisava relaxar um pouco, tomar um banho depois daquela confusão.

Milo ficou na sala, sentou no sofá e colocou as mãos na cabeça e deitou-a sobre os joelhos, seu ciúme o deixava louco.

Mas ele sabia que precisava se controlar, Camus era um homem sério, não era de ficar dando trela pra ninguém, sabia se impor, e com seu jeito frio mantinha distância dos mais ousados, contudo, Camus havia cedido aos encantos dele, Milo. E Milo pensava "se eu consegui quebra a barreira dele o que impede que outros consigam também?" E com estes pensamentos o escorpiano se martirizava, o jeito distante que Camus o vinha tratando ultimamente não ajudava em nada a abrandar o seu ciúme.

Milo se levantou e foi até o quarto sentando-se na cama de Camus ouvindo o barulho do chuveiro.

Camus, por outro lado, tomava seu banho com um certo sentimento de contentamento, a cena que Milo fizera a pouco na sala mostrava que ainda o amava.

Camus terminou seu banho, secou-se no banheiro e enrolou a toalha na cintura, penteou os cabelos, passou desodorante nas axilas e um hidratante nas mãos, saiu do banheiro e deu de cara com Milo sentado em sua cama.

Milo vendo seu ruivo ali tão sexy, limpo, cheiroso e tão lindo levantou-se e foi até o namorado, aproximou o rosto sentindo o cheiro de banho recém tomado, um clima erótico se instalou no quarto, eles não transavam há semanas, ambos sentiam a falta do toque, Camus era quem sempre evitava, mas todo seu autocontrole estava caindo em terra com Milo assim, tão próximo.

— Sinto sua falta... falta do seu cheiro, do seu corpo, de você Camus... — sussurrou eroticamente Milo nos ouvidos de Camus.

— Você só me quer pra isso? Para o sexo? — resmungou Camus no mesmo tom rouco.

— Não, meu amor, eu te quero pra tudo, eu te quero pra tudo e em tudo na minha vida, mas agora, sim, eu quero sexo e eu exijo transar com você. — respondeu petulante o escorpiano.

Camus arqueou a sobrancelha olhou nos olhos do seu escorpião, depois os estreitou e o empurrou na cama — hoje você vai ver quem é o viadinho aqui!

— Camy! — Foi o que conseguiu dizer o surpreso escorpiano.

Milo com uma agilidade incrível tirou roupa ficando nu de joelhos na cama.

— Vem meu amor deixa eu matar a saudade que eu sinto de você, do seu gosto.

Camus se aproximou da cama e Milo retirou a toalha presa na cintura do aquariano deixando a mostra seu membro já teso pelo jogo erótico de alguns minutos antes, Milo segurou a base, passou a língua pela extensão sentindo o gosto do seu ruivo, e logo colocando tudo em sua boca arrancando suspiros e gemidos do namorado.

Camus segurou firme os cabelos da nuca do loiro, enquanto estocava fundo em sua garganta.

Estava bom, contudo, Camus queria aplacar sua fúria, fez o namorado "infiel" virar-se de quatro na cama, abriu o criado mudo pegando uma camisinha, no que Milo resmungou.

— Namoramos há anos... não precisamos disso.

— Não vou transar com você sem preservativo, você viaja muito e não sei com quem você anda. — Respondeu o ruivo estreitando os olhos.

Milo riu alheio ao fato de que Camus sabia de suas conversas íntimas.

— Hum... Camy... está com ciúmes de mim? — Perguntou convencido.

Camus nada respondeu, colocou a camisinha, se posicionou atrás do escorpiano, e o penetrou, sem o devido cuidado, mas sem violência, arrancando um urro do namorado.

— Uhhhng... Camus, devagar, calma.

Milo resmungou, mas estava gostando daquela pegada mais firme do aquariano.

Camus estocava de forma forte e lenta, acertando com precisão o ponto sensível de Milo, que gemia cada vez mais alto.

O aquariano apertava as nádegas macias e firmes do namorado fazendo o outro enlouquecer de prazer.

Milo sentia que não ia durar muito e com uma estocada mais forte do namorado ele explodiu num prazeroso orgasmo.

—Hnnng... Camy... como isso é... é... hunng, ahhh...

Camus que ainda estava longe do clímax parou de se movimentar, porém ainda dentro de Milo.

Assim que o escorpiano conseguiu voltar a realidade, olhou para trás com um sorriso malicioso nos lábios e pediu: — Pode continuar meu amor.

Camus sorriu de lado e continuou o movimento, de vai e vem, Milo continuou a gemer, vez ou outra Camus lambuzava os dedos no lubrificante e passava em torno de seu membro e voltava às estocadas.

Milo podia estar sendo passivo na transa, mas estava em sua essência ser o dominante então ele fez o namorado parar com as estocadas, deitar deitou-o na cama, se posicionou em cima, e começou a cavalgar.

— Vem, Camy... vem pra mim... — Pedia rouco.

Milo cavalgava, rebolava, pulava, dizendo as “indecências” que ele sempre dizia, como ninguém.

— Isso Camy... assim, me fode com gosto, acaba comigo, vai, vai... hnng!!!

A cada nova investida Milo gemia mais e mais, o escorpiano sentia que estava próximo de outro orgasmo.

Com os corpos suados batendo um contra o outro, Milo gritou.

— Amor eu... eu vou... eu vou... vem comigo, vem ohhh... hnnng...

Milo explodiu num orgasmo mais forte e intenso que o primeiro, se derramou no peito de seu amado, caindo exausto na cama. Demorou um pouco até que conseguisse falar alguma coisa.

Camus estava a o seu lado menos ofegante, contudo ainda duro e retirou a camisinha, "talvez um banho frio me ajude" pensou, enquanto olhava pra Milo.

A vontade era perguntar se o tal Paul também tinha essa disposição? Mas preferiu ficar quieto, contente consigo por ter conseguido dar prazer ao amado.

Milo olhou para o seu ruivo e falou dengoso — Você não gozou, por quê? Eu quero vê-lo gozar, não é justo você não ter chegado lá.

Camus o olhou e sorriu. — Tudo bem Milo, não se preocupe.

O escorpiano sentou na cama olhou o corpo nu de seu amor, sua fonte de desejos, sorriu torto malicioso e pediu: — Toca uma pra mim.

—Oi?

— Quero ver você se masturbar, punhetar, se tocar, eu quero que faça pra mim. — Ordenou desejoso o escorpiano.

— Ah! Milo tudo bem não precisa... eu — falou um encabulado Camus.

— Shhhh... — Milo o calou com o dedo em seus lábios, e tornou com a voz rouca — faz pra mim, não vou filmar, não vou fotografar...vou apenas guardar na memória, por favor, faz pra mim!

Milo levantou e diminuiu a claridade do quarto para meia luz sentou-se na cama, pegou a mão de Camus levou até o membro do ruivo que ainda estava firme, colocou sua mão por cima e começou o movimento de sobe de desce, no início lento, tímido, mas com o tempo Camus foi ditando o ritmo do prazer. Milo tirou a mão deixando a masturbação por conta do ruivo e afastou-se para poder observar melhor aquele momento tão íntimo, apreciar mais uma barreira quebrada dentre tantas que foi vencendo no seu relacionamento com quem antes era o sempre frio, Cavaleiro de Aquário.

Camus começou os movimentos sem jeito e com certa timidez, quando Milo diminuiu as luzes o ruivo se sentiu mais a vontade, foi relaxando, fechou os olhos e por um momento esqueceu que Milo estava ali, logo depois lembrou-se da presença do namorado, abriu os olhos e sua íris cor de mel claro, que hora refletia o vermelho intenso de seus cabelos, encontrou os azuis desejosos de Milo.

Olhar nos olhos azuis e intenso do escorpiano lhe despertou um prazer novo, de se exibir... e Camus começou a, de fato, se tocar para o namorado.

Milo o olhava com desejo, como um felino que observa sua presa.

O loiro teve vontade de ajudar o amado, lamber, tocar, mas, não... isso tiraria o prazer de voyeur que tanto apreciava.

Ficaram ali, olhos nos olhos até que Camus sentindo que seu prazer alcançaria o clímax, então, fechou os olhos acelerando o movimento com a mão.

—Ah caralho! — gritou o aquariano quando explodiu num forte orgasmo fazendo sua semente se juntar a de Milo que estava em seu peito.

A sensação do orgasmo é intensa, forte, é uma sensação que por alguns segundos faz ficar fora de órbita. Foi assim que Camus se sentiu, aos poucos foi voltando para sua realidade, com a respiração entrecortada, ofegante. Quando abriu os olhos viu um Milo que o olhava com verdadeira veneração.

— Isso foi lindo, Camus! Foi lindo ver você assim se tocando pra mim, nunca vi nada tão lindo e sexy na minha vida.

— Não? Nem nas pornografias que você vê pela internet? — Perguntou o ruivo, falando pornografia, mas querendo na realidade dizer "Paul".

Milo alheio ao real motivo da indagação do namorado respondeu, — nada, nada que eu tenha visto na internet pode ser comparado com isso, com você, meu amor, nada!

Dizendo isso Milo engatinhou na cama até alcançar os lábios rubros, naturalmente vermelhos do amado e o beijou.

Após aquelas palavras espontâneas de Milo, Camus aceitou o beijo de bom grado, sentindo o peito doer, pois amava aquele homem, mas não tinha conseguido o perdoar, não por completo, a mágoa ainda estava ali como uma barreira entre eles.

Findando o beijo Camus se levantou e voltou ao banheiro para se lavar, Milo ficou na cama por um momento confuso por ter perdido seu momento romântico, "por que Camus era assim?" Ou melhor "por que Camus está assim?", pensava Milo, alguma coisa não está certa, mas o que? O que houve?

Estes pensamentos invadiram a cabeça do loiro, mas não... ele não queria pensar nisso, não naquele momento. Se levantou e foi até o banheiro entrando no chuveiro junto com o ruivo, pegando o sabonete e a esponja e passando nas costas do ruivo, cuidando, acariciando, pensando sempre em estar perto e amar a sua "pedrinha de gelo".

Alguns dias se passaram...

Milo chegou do trabalho, tinha passado em casa, tomado banho, e seguiu para a casa do namorado, o que fazer se ele não conseguia dormir sem sua pedrinha de gelo?

Chegando lá viu Camus no computador foi até ele e o beijou com um selinho e perguntou — o que está fazendo?

— Pesquisando algumas faculdades e cursos para o Hyoga, ele tem que escolher alguma coisa e ainda não o vi optar por nada, — respondeu o ruivo sem tirar os olhos da tela —quero que ele faça o meu curso na universidade, vou gostar de ensiná-lo novamente, peguei alguns cursos que eu acho que ele deve fazer, e vou sentar com ele para decidir assim que ele vier nas férias.

— Camus, você não acha que quem tem que escolher é ele? — Perguntou Milo tentando não brigar, mas querendo aconselhar o namorado a não agir daquela forma.

— Eles são muito novos para saberem ao certo o que querem, e eu só vou aconselhar.

— Certo, ele ligou dizendo que não vem passar as férias aqui, não é? Só ficará na última semana, não é isso? — Milo falou num tom que sugeria que Hyoga não viria por que não queria ficar discutindo sobre suas escolhas com o ex-mestre.

Camus levantou o olhar para Milo arqueando a sobrancelha e o encarando por alguns segundos sério, preferiu ignorar o namorado e voltou sua atenção as suas pesquisas.

Milo girou a cabeça como se dissesse "você não tem jeito" e foi para a cozinha de Camus preparar algo para comerem.

*-*-*-*-*-*-*-*-*

..

Camus chegou em casa completamente irritado, possesso. Quem aquele reitor filho de uma puta pensava que era?

Assustou-se quando viu Mu sair de sua cozinha.

— Onde esteve Camus? Pelos deuses não sabe que tem que descansar? — ralhou o ariano.

— Por Atena um! Você me assustou — reclamou o aquariano — fui trabalhar sabe que não gosto de ficar parado, não sei ficar parado.

— Trabalhar? Camus! Você precisa descansar, ainda mais hoje depois de tudo por que passou?

Falava com seu jeito calmo o amigo tentando por um pouco de juízo na cabeça de Camus.

— Tem que descansar, repor as energias, não pense em trabalho agora.

— Não se preocupe Mu, não vou mais! Fui demitido, acredita? Demitido por ter faltado dois dias.

Camus contou o acontecido com o reitor, inclusive sobre o assédio que sofrera.

— Pelos deuses, Camus! Isso não pode ficar assim! Você tem que fazer alguma coisa, tem seus diretos — aconselhava um indignado Mu — ligue para o Aioria, ele é dos melhores advogados que conhecemos e com certeza ele vai entrar com um processo contra este cara.

— Não Mu... Por favor, não! — Pediu firme o aquariano.

— Mas, Camus!

— Mu se eu ligar para o Aioria para falar sobre isso terei que falar sobre tudo e eu não quero que ninguém saiba, esqueceu?

Como alguém podia ser tão teimoso e cabeça dura? Pensava Mu. — Vai mesmo manter sua doença em segredo?

— Pensei que tinha sido claro quanto a isto.

— Sim, foi. Acho uma grande idiotice, mas vou fazer o que pede e não vou falar para ninguém — respondeu vencido Mu. — Como se sente? Está cansado? Eu passei no mercado e comprei algumas coisas, frutas, verduras entre outras coisas que vi faltando, — foi falando Mu mudando de assunto, — tem que se alimentar bem, não entendo sua dispensa estar vazia sempre me disseram que você era muito atencioso com a alimentação.

Na realidade Camus sempre foi bom em “cuidar”, em ter alguém para cuidar, desde que se viu morando sozinho, sem os meninos e sem Milo, o ruivo não se preocupava com a sua alimentação, vez ou outra comia na rua ou tomava apenas um chá quando estava em casa.

— Estive sem tempo de ir ao mercado — mentiu Camus.

— Fiz o seu jantar, não vou poder ficar muito, Camus se alimente, por favor — pedia o amigo — ainda acho que você deveria ir lá pra minha casa, cuidamos melhor de você lá.

— Não se preocupe comigo Mu, estou bem, ainda consigo me virar sozinho — respondeu Camus — não vou deixar isso me vencer.

— Que bom ouvir isso, meu amigo, que bom.

Após algumas orientações e recomendações Mu foi embora, afinal ele tinha um marido e filho para cuidar.

Assim que se viu sozinho Camus seguiu para o banho, foi para a cozinha, a comida de Mu parecia estar boa, mas ele se sentia tão enjoado... Havia desistido de comer quando foi para a sala, lá viu no canto o copo que Radamantys havia deixado e que Camus não tirou do lugar para que não esquecesse sua missão, o ruivo voltou para a cozinha e fez seu prato forçando para se alimentar.

Na manhã seguinte ele iria procurar Issak ter os meninos por perto poderia ajudá-lo, com certeza.

Na manhã seguinte, Camus seguiu de coletivo para a casa do seu ex–pupilo, que ficava no centro da cidade, visto que seu carro havia sido destruído no acidente, ligar para a seguradora era uma das coisas que Camus precisava providenciar, aliás, Camus sabia que pedia a boa educação que ele ligasse avisando de sua visita, mas achou melhor ir assim, sem avisar.

O ex-cavaleiro de aquário sabia que Issak acordaria um pouco mais tarde devido ao trabalho no bar.

O plano de Camus era tentar se entender com Issak, depois ligaria para Hyoga tentaria ver se ele poderia vir antes do fim mês, não, não estava nos planos de Camus contar sobre seu estado de saúde, queria apenas ficar um tempo com os rapazes que tinha como filhos.

Estava claro para Camus, que o contato com os rapazes o faria feliz, cuidar deles sempre o fizera, como agora estava sem Milo poderia se dedicar aos “meninos”.

O simples fato de pensar na realidade de estar sem Milo, fez Camus sentir-se tonto e fraco.

Camus respirou fundo tentando voltar ao normal, conseguiu fazer a tontura passar, contudo estava ainda um pouco pálido quando desceu no ponto que o levaria a casa de seu ex-pupilo.

Issak morava num desses prédios antigos sem portaria que quem chega vai direto ao apartamento que deseja, o prédio tinha três andares, sendo cerca de dez apartamentos por andar, Issak morava no primeiro andar, apartamento cento e um.

Camus subiu as escadas e parou de fronte à porta do bartender, olhou no relógio que marcava dez e meia, não era muito cedo para se fazer uma visita, era?

Sem pensar muito nisso o aquariano tocou a campainha, uma, duas vezes. Ele já pensava em sair quando a porta se abriu Camus olha para a pessoa a sua frente totalmente surpreso e sem palavras por ter sido pego desprevenido, a sua frente estava Hyoga.

O ex-cavaleiro de cisne ficou estático ao ver seu ex-mestre ali na sua frente, não foi constrangedor somente pelo fatode ter sido pego numa mentira, mas por estar em trajes nada apropriados, vestia apenas um short de dormir sem a roupa de baixo, seu cabelo estava bagunçado revelando que estava deitado e pedia a Deus que não desse para perceber mais nada.

Contudo antes que qualquer um dos dois falasse alguma coisa ouviram a voz de Issak vindo de dentro.

— É o nosso café, meu amor?

Hyoga fechou os olhos e os abriu novamente com a esperança de que a presença de Camus fosse uma miragem.

— Camus! Eu...— Tentou falar Hyoga.

— Por que está demorando tanto? — perguntou Issak abraçando Hyoga por trás antes de olhar quem era, quando se virou levou o esperado susto e soltou Hyoga, porém Issak era mais rebelde e mais impulsivo que Hyoga e Camus.

— O que está fazendo aqui? — Questionou nervoso e irritado. — Será que não ouviu falar em telefone, celular, por que não avisou?

Camus estava imóvel e mudo, apenas os olhava para os dois com seu rosto impassível.

Issak entrou para colocar um short, visto que, estava vestido somente com uma boxer preta, e voltou ainda mais nervoso.

— Quantas vezes eu falei para não vir aqui? Você não sabe escutar não é? Você nunca escuta, sempre se metendo na nossa vida, sempre fazendo da nossa vida o que quer. — Esbravejou Issak contra o seu antigo mestre.

— Issak, por favor, calma, — pediu Hyoga tenso com a situação, — não fale assim.

— Falo sim, Hyoga, você não sabe como ele é, você não mora aqui, não tem ideia de como ele se mete se a gente não cortar — falava Issak quase aos berros — eu quero ter minha vida, me deixa em paz já falei! Vai se meter na vida do Milo, que é o único que te aguenta, aliás você deveria agradecer aos deuses por ter o Milo te aturando, a gente tá bem aqui, a gente tava muito bem aqui antes de você chegar!

Ao ouvir aquelas palavras duras de Issak e a referência sobre seu ex-namorado Camus deu um passo para trás.

— Camus espere! — pediu Hyoga.

— Não, Hyoga deixe-o ir — cortou Issak.

Camus olhou para Issak e falou magoado, contudo com sua voz fria, — eu devo ter feito algum mal a você em outra vida, por que nesta eu sei que fiz tudo que estava ao meu alcance por você, aliás, por vocês.

E dizendo isso Camus se virou para ir embora, ele precisava sair dali, sua cabeça doía, seu peito doía, precisava ir embora, não queria passar mal na frente dos dois.

Hyoga foi atrás de Camus até as escadas, — Camus espere, eu... eu não concordo com as coisas que Issak disse e eu duvido que ele pense assim de verdade.

Camus estava de costa para Hyoga e nesta posição perguntou — não concorda? Por que não me disseram? Por que esconderam isso de mim?

— Achamos que não entenderia, que não conseguiria nos aceitar, — respondeu baixo e envergonhado Hyoga.

— Que eu não entenderia o fato de dois amigos de infância se apaixonarem ou que eu não entenderia o fato de serem gays? — perguntou incrédulo ainda de costas.

— Mestre... — chamou baixo o loiro.

—Há quanto tempo está aqui Hyoga? Há quanto tempo está na Grécia? — perguntou Camus.

Hyoga sentiu os olhos arderem antes de responder. — Um mês.

— Entendo. E você não pensa como ele? — Falou Camus triste. — Não se preocupe, não vou mais atrapalhar vocês.

E dito isso Camus desceu as escadas, sentia o corpo fraco, respirar estava difícil, mas queria sair dali, ter a pena e a piedade dos meninos seria mais humilhante para ele, virou a esquina a luz do sol o cegava, sentia que não conseguia respirar, encostou em uma parede, tentando se manter em pé, seu coração doía como se tivesse sido dilacerado, ofegante, tentava respirar.

—Moço você está bem? – Perguntou uma mulher que passava.

— Ei, o que ele tem? – Um homem perguntou se aproximando

—Acho que está passando mal. – Respondeu outra pessoa que passava.

— Moço consegue me ouvir, quer que eu chame alguém? – Perguntou a mulher novamente.

Camus ouvia as vozes, as pessoas que estavam em volta dele, contudo, não conseguia responder até que ouviu uma voz conhecida e olhou na direção dela.

— Camus, por Buda você está bem?

—Shaka... — Conseguiu dizer, aliviado antes de perder os sentidos.

Notas finais
Então gostou do capítulo assim como eu? Tadinho do Camus não é? Sabe eu estou seguindo a linha da musica Mantra do Nando Reis, "Quando não tiver mais nada Nem chão, nem escada Escudo ou espada O seu coração... Acordará" Isso e mais um pouco, me diga o que achou, seria bom! Comente! Beijos até a próxima ou melhor o próximo.