Notas iniciais
Este mês demorei mais que o normal, mas fiquei sem ter como escrever por um tempo, o importante é que esta aqui e espero que goste. E agradeço muito a Vivi que beta minha fic mesmo não sendo fã deste fandom.

Capítulo 7

Camus estava deitado em algo macio, sentia um forte cheiro de incenso. Ele abriu os olhos, demorando a identificar onde estava, “o que aconteceu?”

Até que se lembrou, foi à casa de Issak e as palavras ríspidas do ex-pupilo vieram à sua mente.

A tontura voltou e o ruivo se deixou recostar nas almofadas.

Almofadas? Onde diabos eu estou? Pensou o ruivo.

— Vejo que enfim acordou! — Ouviu-se a voz de Shaka.

— Onde estou? — Perguntou, não sendo capaz de identificar o local ainda, sem poder, nem mesmo, se levantar.

— Na minha casa, você não quis ir ao hospital. — Falava o loiro o examinando com o olhar.

Shaka havia se tornado médico acupunturista e fazia tratamentos terapêuticos, homeopáticos e holísticos.

Era um grande defensor da medicina alternativa.

— Shaka, o que houve?

— Sou eu quem pergunta. O que houve Camus? Encontrei-o no centro, passando mal na rua, sozinho, não quis ir para o hospital... — Começou Shaka preocupado.

— Não gosto de hospitais, e não foi nada, só um mal estar, fiquei nervoso... só isso.

Shaka o analisou com seus olhos azuis brilhantes e voltou a perguntar. — O que aconteceu para te deixar tão nervoso?

O loiro estranhou, pois Camus sempre foi conhecido por seu autocontrole, e não era normal vê-lo daquela forma.

— Você não me parece bem, não mesmo! — Continuou Shaka.

— Então essa é sua casa? Bom, ao menos seu sofá é confortável. — Cortou o ruivo.

— Sim, eu a acho agradável. — Respondeu Shaka sem deixar de analisar o ruivo. — O que aconteceu para lhe deixar naquele estado? — Insistiu o virginiano.

Camus sabia que não conseguiria fugir do assunto com Shaka, o amigo era muito sagaz então decidiu contar uma meia verdade.

— Perdi o emprego ontem... — Camus contou o acontecido na universidade, inclusive o assédio que sofrera.

— Isso é um absurdo! Você deveria procurar o Aioria, ele é um excelente advogado, o melhor que conheço. — Repetiu as palavras de Mu o virginiano, contudo pensou "se isto aconteceu ontem, por que ele estava passando mal hoje?" Sim alguma coisa não estava certa.

Shaka levantou-se e foi até a cozinha preparar um chá calmante, Camus não estava bem nem ao menos fez força para levantar. Continuou deitado mesmo após ter ficado inconsciente, dormindo por algumas horas. Shaka espiou a sala e Camus ainda estava lá praticamente sem se mover.

Camus estava deitado, não tinha consciência do quanto tempo estava ali, lembrou-se de que acordou no carro de Shaka e pediu para não ser levado para o hospital, mas não se lembrava muito do que aconteceu depois disso, olhou para o relógio, quatro horas da tarde, pensou em levantar, mas uma forte tontura o impediu, lentamente ele tentou sentar, o cheiro de incenso não ajudava muito, Camus se recostou no sofá inclinando o corpo, mas com as pernas esticadas logo, Shaka voltou à sala trazendo o chá.

— Tome Camus vai te fazer bem, — ofereceu o virginiano entregando a xícara nas mãos do amigo.

— Você não me parece bem Camus, seus chacras estão todos desalinhados, consigo ver isso.

Shaka desde que voltaram à vida tinha essa mania de auras e chacras, todos haviam se acostumado com isso, Camus não podia negar que os seus deveriam estar uma bagunça mesmo.

— Muitos problemas Shaka, muitos problemas. — Respondeu o ruivo após tomar um gole do chá relaxante.

— Não pode deixar os problemas os afetarem assim, não desanime a vida tem muita coisa que vale apena... — Divagou o loiro, com uma coincidência precisa a atual situação de Camus.

— Eu sei que tem, mas às vezes os problemas não nos deixam enxergar isso, não é mesmo? — respondeu o ruivo triste.

— Por isso devemos sempre ficar perto de quem nos ama, e de quem amamos, assim fica mais fácil de aguentar as armadilhas do destino — continuou Shaka alheio aos últimos acontecimentos na vida de Camus.

Neste momento Camus sentiu os olhos arderem e perguntou com a voz embargada, — e quando não nos quem por perto?

Visivelmente emocionado Camus se recostou nas almofadas colocando as mãos sobre os olhos tentando impedir as lágrimas de caírem.

Shaka o observava, obviamente o amigo não estava bem, não se lembrava de alguma vez na vida ter visto o aquariano assim, tão fragilizado, o virginiano pensou que talvez o motivo disso fosse o término do relacionamento do ruivo com Milo, e o fato de o escorpiano ter ficado com Kanon na frente de todos.

— Vai encontrar — começou Shaka — vai encontrar algo que valha a pena, não se deixe abater, relaxe e pense, — Shaka aconselhou com a voz calma, — tome o chá, vai te fazer bem.

O chá era um calmante natural e o budista sabia que o amigo não estava bem, relaxar podia ser a solução.

Não demorou muito Camus adormeceu novamente.

*-*-*-*-*-*-*-*

Passado algum tempo em que Camus havia adormecido, o celular de Shaka vibrou, o virginiano não costumava deixar o toque ligado, assim que pegou o aparelho viu que era o amigo de longa data.

— Oi Mu, como vai?

Do outro lado da linha se encontrava um aflito Mu.

— Oi Shaka, estou bem, na realidade estou ligando para perguntar se você viu o Camus? Estou atrás dele desde cedo, estou preocupado com ele... — Mu parou de falar antes que acabasse falando demais.

—Acalme-se Mu ele está aqui, mas está descansando um pouco.

— Descansando? Shaka ele passou mal? Ele... ele...— Mu tentava perguntar sem comprometer o segredo do amigo — ele está bem Shaka?

O virginiano riu e respondeu calmo, alheio a real situação em que se encontrava o ex defensor da casa de aquário, — tudo bem Mu, eu estou sabendo de tudo Camus se abriu comigo.

Claro que Shaka pensava que estavam falando do fato de Camus ter perdido o emprego e ter sido assediado pelo ex. chefe.

— Ele te contou? — Perguntou Mu surpreso, mas um tanto aliviado — Ah! Shaka não sabe como fico feliz que ele tenha decidido se abrir com os amigos, leucemia é uma doença séria, ele não podia continuar escondendo isso de todos, como poderia enfrentar isso sozinho?

— Leucemia — repetiu Shaka num sussurro — me explica isso Mu!

O ariano ficou mudo do outro lado da linha por alguns segundos. — Você disse que ele havia te contado tudo. — Comentou Mu se sentido traído.

— Sim, que ele perdeu o emprego e foi assediado pelo chefe, mas isso? Leucemia? Por Buda, Mu, me conte tudo! Desde quando ele sabe? Desde quando você sabe? — Perguntou Shaka indo para os fundos da casa para ter mais privacidade e não acordar o amigo.

Mu sem saída, contou do acidente e de como descobriram a doença do amigo, Shaka ouvia tudo, consternado.

Assim que desligou o telefone, o loiro fez o que podia no momento, acendeu um incenso de cura, aplicou uma espécie de passe e pôs-se a meditar entoando um mantra que em sua crença ajudaria o amigo.

Camus alheio a tudo em sua volta, dormia profundamente...

*-*-*-*-*-*-*

Camus despertou, estava em um lugar estranho. “Não! Espera!” Conhecia aquele lugar, era a estrada onde sofreu o acidente, "mas que diabos estou fazendo aqui?" O ruivo o começou a andar, para sair daquele lugar quando ouviu uma voz conhecida que fez seu corpo ficar tenso.

— Então já chega? Chega de sofrimento Camus, venha... eu posso aliviar sua dor fazer tudo acabar, venha... — Pedia cínico esticando a mão, o general de Hades.

O ruivo virou-se para o local onde ouviu a voz, seus cabelos sacudiram e esvoaçavam em suas costas de encontro ao vento, — Radamantys — foi o que conseguiu dizer entre dentes.

— Eu sou uma boa pessoa Camus, mesmo você achando o contrário, estou te dando a chance de acabar com tudo isso hoje, sem que tenha que sofrer pelos seus ingratos pupilos que não o querem perto deles; sem que tenha que presenciar o seu Milo desfilar com outros por aí enquanto você vai definhar por causa da sua doença; sem trabalho, passando necessidades, tendo que depender da boa vontade e piedade dos outros. — Radamantys pronunciava cada frase com cinismo escancarado fingindo estar sendo caridoso.

— Vá pro inferno Radamantys, — falou Camus com seu jeito frio, — você falou um mês e só se passaram alguns dias, eu não vou desistir, nunca fui de desistir, e nunca serei!

—Hunf! Você é quem sabe, só estou querendo poupá-lo de todo este sofrimento que nós sabemos vai ser à toa. — Tornou Radamantys atuando pessimamente, se fingindo de bonzinho.

Ver o cinismo e o sorriso de vitória estampado no rosto do outro, fez Camus não querer se entregar. — Jamais! Jamais vou desistir.

Viu-se um brilho estranho nos olhos de Radamantys antes dele dizer: — você é quem sabe, a decisão é sua.

Dito isso Radamantys virou-se e começou a caminhar na direção oposta a Camus.

O ruivo observava a figura do homem se afastando com os olhos estreitos. — Por que, Radamantys, por que quer que eu desista da minha vida?

O outro não respondeu apenas levantou o braço num cumprimento e desapareceu.

*-*-*-*-*-*-*-*

Camus despertou, olhou em volta, estava na casa de Shaka, o amigo havia o coberto com algumas mantas. O ruivo se espreguiçou, sentia-se bem disposto, ouviu um barulho vindo da cozinha, sentou-se no confortável sofá de Shaka, "que horas devem ser?", perguntava-se quando Shaka apareceu na sala.

— Bom dia Camus, sente-se melhor?

— Bom dia? Como assim bom dia? Que horas são? — Perguntou o ruivo atordoado.

Com toda paciência do mundo Shaka olhou em seu relógio de pulso e respondeu — Sete e trinta e cinco da manhã, por isso falei bom dia.

— Por Atena! Shaka, eu perdi um dia, como deixou isso acontecer, por que não me acordou? — Perguntou Camus nervoso. — Eu não tenho tempo a perder!

Shaka, ciente da doença do amigo, o olhou nos olhos e falou: — Age como se não tivesse uma vida inteira para viver.

— Uma vida inteira para viver? Isso pode ser bem relativo. — Comentou Camus.

— Não quando se espera ter uma vida longa. — Rebateu Shaka deixando o amigo mudo para alguns segundos.

— Eu preciso ir embora, Shaka obrigado por... Obrigado por tudo. — O aquariano agradeceu.

— Não vai embora Camus, não antes de tomar seu desjejum e conversar comigo, — falou Shaka num tom que ficava difícil não obedecer.

Ao sentarem a mesa para o desjejum, Camus viu que o indiano ao contrário de Milo prezava pela boa alimentação, haviam chá, frutas, pães integrais e queijo branco, mesmo sem fome o ruivo serviu-se de chá, recusou a maçã, mas aceitou os morangos e duas fatias de queijo.

— Se está sem trabalho para onde pretende ir assim tão cedo? — Começou Shaka quebrando o silêncio.

— Bom eu fui dispensado da universidade, mas ainda continuo dando aulas na escola pública, — respondeu o ruivo, — vou ver se consigo, pegar mais algumas turmas.

Shaka que ouvia o que o amigo dizia enquanto se servia de uma fatia de tofu, perguntou: — Por que a pressa em começar a trabalhar logo? Por que não aproveita esta folga para descansar?

— Não gosto de ficar parado, e acredite em mim, este não é o melhor momento para eu ficar em casa sem nenhuma atividade. — Respondeu Camus, ciente do que estava fazendo.

— Entendo. — Foi o que conseguiu dizer Shaka, não podia simplesmente dizer que já sabia do estado do amigo, não era tão invasivo a este ponto, se Camus não queria se abrir ele respeitaria seu tempo, seu momento, mas ele se faria presente, não ia deixar o amigo à própria sorte.

— Vai direto daqui, ou vai passar em casa antes?

— Não, vou passar em casa, não acho que eu esteja apresentável, não para procurar emprego, — respondeu o ruivo analisando sua roupa.

Shaka sorriu, Camus estava bem vestido, mas com certeza o amigo gostaria de usar algo mais sóbrio, formal.

— Certo, eu te levo então. — anunciou.

— Não é necessário, eu posso ir de coletivo, ou pegar um táxi, não vou te incomodar mais do que já o fiz. — Camus rejeitou a oferta do amigo.

— Assim como você quer se manter ocupado, eu também o quero, estou com o dia livre, não vai me custar nada, o levo para casa e de lá para a tal escola, e não venha com negativas ou vou considerar isso uma ofensa! — Falou firme o indiano, não deixando espaço para recusa.

Camus concordou um tanto a contragosto e tão logo terminaram o desjejum seguiram para o apartamento de Camus.

Shaka, que poucas vezes fora lá, se sentou no sofá enquanto o ruivo seguiu para o banho, não antes de tentar mais uma vez dizer que poderia ir sozinho até a escola e ter novamente minado essa idéia por seu amigo indiano.

Camus estava agradecendo aos deuses, enquanto se trocava, por ser cedo e Mu não estar lá quando chegaram. O que iria dizer a Shaka sobre a presença do ariano em sua casa? Contudo antes que terminasse sua prece ouviu o barulho da porta da sala sendo destrancada, deu uma última olhada no espelho e correu pra sala bem a tempo de ver seu amigo dos cabelos lilases adentrar o ambiente.

— Finalmente! Custava ter ligado, Camus? — Questionou o ariano.

— Mu, por favor, — pedia tenso Camus alheio ao fato de que Shaka já sabia de sua atual situação, —esqueci que marcamos hoje de manhã, olha... o Shaka está aqui!

Apressou-se em dizer o ruivo, fazendo sinal com os olhos para que o amigo não falasse demais.

Mu por sua fez olhou confuso para Camus e depois para Shaka que lhe fez sinal com a cabeça negando, o ariano entendeu o que o loiro indiano dizia com seu gesto, que não havia revelado a Camus sua descoberta.

Mu piscou algumas vezes para se situar e saber como começar a falar sem que colocasse tudo a perder. — Bom Camus eu... Esqueci que estava sem celular.

Shaka interveio falando como se estivesse distraído e não tivesse reparado no quão estranho era ver Mu com as chaves do apartamento de Camus como se isso fosse corriqueiro, mesmo sendo Camus o mestre em zelar por sua privacidade.

— Encontrei Camus por acaso, como ele está sem carro vou levá-lo a escola que ele dá aulas à noite, ele diz que quer pegar mais aulas lá. — Contou Shaka revelando a ideia do amigo na esperança que Mu tirasse esta maluquice da cabeça do ruivo.

— Camus! — Mu falou com o tom de quem não acredita no que está ouvindo.

Camus, por sua vez, olhou o tibetano desafiador, que deixou claro que não queria e não iria discutir sobre isto.

Shaka se meteu na conversa tentando parecer displicente, — Mu temos que ver aqueles CDs de música instrumental que você comentou comigo, vamos juntos levar Camus, o deixamos na escola compramos os Cds, pegamos o Camus, e almoçamos os três juntos, que tal?

— Shaka... muito obrigado, mas eu posso voltar de ônibus... — começou Camus a dizer, porém foi interrompido por Shaka.

— Não vamos mais discutir isso, ou vou achar que têm algo contra mim.

— Não, Shaka, só não quero incomodar, e além do mais, não tenho celular. Como vou ligar para vocês quando eu terminar? — Questionou o ruivo, mas foi cortado dessa vez por Mu.

— Aqui, vim te entregar isto — Mu tirou um celular da mochila, — este era do Kiki, como ele está com um novo, você usa este e tem um chip com número novo, use até você resgatar o seu número.

Camus não pôde negar, aceitou o celular e algum tempo depois estavam seguindo para a escola pública que ficava na periferia de Atenas.

Assim como acontecem em todas as grandes cidades do mundo em Atenas não era diferente, saindo do centro e se encaminhando para a periferia a realidade era mais dura, a escola ficava a uma hora do centro e a quase uma hora e meia de onde Camus morava, e isto indo de carro, é claro. Mu e Shaka conversavam amenidades enquanto observavam o caminho, chegando ao local, viram que a escola era bem humilde, paredes precisando de uma boa pintura, algumas partes do muro quebradas. O bairro era considerado um dos mais perigosos da capital grega, onde moram, em geral, a classe menos favorecida e que não apareciam nos pontos turísticos.

— Camus, vamos o deixar aqui me ligue quando terminar, vamos almoçar juntos, ok? — comunicou Shaka, apenas reafirmando o que já tinha conversado antes.

— Certo. —Respondeu Camus já cansado de tentar tirar esta ideia da cabeça do amigo.

*-*-*-*-*-*-*-*

Camus foi direto falar com a diretora, Zima.

Zima era uma senhora de meia idade, uma ex-professora que sempre foi apaixonada pela profissão, por poder plantar as sementes que, se cuidadas e regadas no decorrer da vida, dariam como frutos pessoas dignas e conscientes, que seriam o futuro.

— Camus, você aqui a esta hora? — Perguntou surpresa a diretora. — Por favor, não me venha dizer que vai nos deixar? Camus eu preciso de você, querem fechar nossa escola e estamos quase sem professores se sair também, não vamos...

— Acalme-se Profª. Zima, estou aqui para dizer o oposto, saí da universidade e estou com tempo livre. — Começou explicar o aquariano. — Quero pegar turmas pela manhã e à tarde também, estive pensando em reformar o laboratório de química que está desativado, agora comigo aqui, vou poder utilizá-lo em aula, — dizia um empolgado Camus.

— Camus, Camus... você sabe da nossa realidade o que pagamos por aula não é nem metade do que ganha na universidade, não tenho como pagar mais e o laboratório... eu adoraria poder reformá-lo, mas nossa verba não dá pra isso. — Lamentou a diretora.

Camus pensou em alguma saída e sorriu com a ideia que teve. — Eu pago a reforma do laboratório, tenho um dinheiro para receber, posso fazer uma doação para a escola.

Emocionada, Zima respondeu: — Faria isso, por nossa escola? Ah! Camus não sabe como fico contente, tem sido muito difícil aqui, até ameaças eu ando recebendo, querem fechar a escola, querem construir uma fábrica aqui neste terreno, as pessoas do bairro estão divididas, uns acham que nada substitui a escola, outros acham que o emprego próximo à residência deles é a prioridade, e se não nos mostrarmos capazes de tocar a escola como se deve, nós a perderemos.

Camus viu nesta batalha sua oportunidade para lutar, sim agora ele teria um motivo para lutar, para viver, para querer viver, entusiasmado com essa possibilidade e com este fio de esperança respondeu firme — Profª. Zima esta luta agora é minha também, pode me esperar, eu começo amanhã.

A diretora sorriu, e começaram a acertar os detalhes das aulas e horários que o aquariano daria, ele deixou livre os dias em que tinha a quimioterapia, e obviamente não comentou nada sobre seu estado de saúde.

*-*-*-*-*-*-*-*

Num café um pouco distante de onde Camus estava Shaka e Mu conversavam sobre o amigo.

— … então foi assim, naquele dia percebi que Camus havia bebido, você sabe que ele raramente bebe quando saímos, ainda mais quando está dirigindo. Eu fiquei apreensivo e fui parar na casa dele, o encontrei ensanguentado, ele havia batido o carro e estava desnorteado, Shaka ele chorou, sabe? Camus chorou sentido, me deu pena, eu nunca o vi daquela forma. — Mu estava contando ao amigo os detalhes de como descobriu sobre a doença do ruivo.

— Bom eu diria que nosso amigo está no que chamamos de “inferno astral”, mas por que manter isso em segredo? — Questionava o virginiano.

— Suponho que por causa de Milo, acho que ele não quer a pena dele. — respondeu Mu, — mas minha vontade era de ir procurar o Milo, conta tudo e dizer como ele foi e está sendo um idiota!

— Não acho isso uma boa ideia Mu... se o Camus quer sigilo é um direito dele. — Argumentou sensato o loiro.

— Vamos ficar com ele observando como ele vai se sentir, ele ainda não sabe que eu já sei de tudo é melhor assim, Ok? — pediu o loiro e Mu concordou.

Estavam conversando quando Mu avistou Camus se aproximando. — Shhh ele está aqui!

Camus havia pego uma carona com a diretora Zima até o café no shopping que sabia que seus amigos frequentavam, o semblante de Camus era outro ele estava visivelmente mais corado.

— Ah! Eu sabia que iria encontrá-los aqui, consegui! — Comentou contente o aquariano.

— Conseguiu? — perguntou a Mu esperando o amigo concluir a frase.

— Ora o quê? O emprego! Vou trabalhar na escola pública em horário integral! — contou o ruivo radiante.

Camus estava radiante, e contava para os amigos os detalhes da sua conversa com a diretora — ... e aí eu vou reformar o laboratório de química, as crianças merecem!

— Mas Camus você vai usar suas economias para reformar a escola? Por mais louvável que seja sua atitude, eu não acho uma boa ideia no momento já que... — Mu não terminou o que estava dizendo, pois foi cortado por Camus que temia que o amigo falasse demais na frente de Shaka. Este, por sua vez, distraiu-se lendo uma mensagem pelo celular.

— É importante pra mim Mu — dito isso o ariano calou-se.

— Mas eu vou buscá-lo quando sair tarde da noite. — Começou novamente Mu.

Camus olhou o amigo incrédulo, Mu era um desastre no quesito ser discreto, quando não se quer que ninguém saiba de sua doença.

— Revezaremos — falou Shaka se metendo na conversa fazendo os outros prestarem atenção em si.

— Mas não é... — Camus tentou dizer quando Shaka completou.

— Camus está sem carro não me custa e assim é uma forma de ajudar as crianças também, afinal, é por isso que Mu vai ajudá-lo, não é?

— Sim é — respondeu Mu sorrindo e Camus teve que se dar por vencido.

E assim, Camus começou a lecionar na escola pública em horário integral.

O laboratório de química, que esteve inativo, passava por uma reforma, Camus estava usando suas economias, e o dinheiro do seguro do carro nesta "missão". A semana passou rápido, Camus fez mais uma sessão de quimioterapia, disse a diretora Zima que precisava dessa folga para resolver problemas particulares.

Camus evitava ao máximo ficar só em seu apartamento, as lembranças dos pupilos ou de Milo não faziam bem o deixava triste e em consequência o deixava doente. Para evitar isso Camus tentava ficar o menor tempo possível sozinho em casa até para preparar as aulas Camus preferia ir a outro lugar.

Em geral Camus gostava muito de ir a um café no centro, certo dia estava distraído preparando uma aula que daria para a turma da noite quando ouviu uma voz conhecida o chamando.

*-*-*-*-*-*

Kanon saiu do escritório de engenharia onde trabalhava ainda era cedo, quinze horas, confirmou olhando em seu relógio. Iria passar na empresa que Milo trabalhava, o amigo estava bem depressivo ultimamente e hoje era um dia de se alegrar.

Chegando lá falou com a secretária de Milo e entrou após ser anunciado.

— E aí Milo, como está? Parou de chorar? — Perguntou sacana.

— Tô bem sim Kanon, obrigado por se “preocupar” — Respondeu sarcástico o escorpiano ao tom zombeteiro que o geminiano usara.

— Falando sério, já conversou com o Camus? Se entenderam?

Milo pensou um pouco antes de responder, — Não, não falei com ele, eu até tentei... não vou mentir, mas, acho que ele bloqueou meu número, pois sempre cai na caixa postal. Milo suspirou cansado. — Mas sabe é melhor assim, eu e o Camus... Não tem volta.

Completou Milo olhando para o horizonte através da janela.

— Dois cabeças dura, é o que vocês são, isso sim, mas de qualquer forma, vim te buscar. Vamos reunir a turma, precisamos acertar as coisas para a festa do noivado do Aioros com o Shura, acredita que depois de tanto tempo eles vão ficar juntos?

— Kanon não estou num clima pra festa... — começou Milo querendo recusar o convite.

— Hoje não é a festa cabeção, hoje vamos nos encontrar para combinar a festa, vamos Saga tá esperando a gente num café no centro e Shura vai pra lá também.

— Vamos, vamos. — Kanon foi falando enquanto levantava Milo e o fazia colocar o casaco.

*-*-*-*-*-*-*

— Camus finalmente! Como está?

Camus antes de responder analisou para saber se esteva diante de Saga ou do seu gêmeo.

— Oi Saga, que bom te ver. — Respondeu o ruivo, por fim identificando o gêmeo a sua frente.

— Estou atrapalhando? Você me parecia muito entretido aí com os seus papéis. — Perguntou Saga antes de se sentar. — Posso sentar em outro lugar se preferir.

— Não, não claro que não! Sente-se, eu estava mesmo precisando de companhia.

Pediu o ruivo, recolhendo os papéis de cima da mesa e os colocando em uma pasta.

— O que está fazendo? — Perguntou Saga vendo os papéis.

— Eu estava corrigindo provas, passei alguns testes para as crianças. — Camus notou que o amigo o olhou confuso e esclareceu: — Estou trabalhando na escola pública em horário integral agora, quer dizer... só trabalho lá agora, não dou mais aulas na universidade, eu me dedico agora ao que me faz feliz.

Falou Camus com os olhos brilhantes por estar fazendo algo que gosta.

— Pensei que gostasse de dar aula na universidade? — Questionou o geminiano.

Camus pensou um pouco antes de responder. — Eu gosto, ou melhor, gostava... sempre gostei de ensinar, mas, tem algo que só as crianças oferecem. — O ruivo pensou mais um pouco. — O brilho no olhar, sabe? Quando eles aprendem algo novo, a carinha que eles fazem é gratificante, quando vamos ao laboratório e vemos como a química funciona eles me olham como... é incrível!

Terminou Camus sorrindo ao falar de sua paixão.

— Você fica muito lindo sorrindo devia fazer isso mais vezes. — Elogiou Saga.

Camus corou um pouco com o elogio do amigo.

— Que bom que está se dedicando ao que gosta de verdade, mas estou achando você um pouco abatido, tem se alimentado direito?

— Acabou de falar que estou lindo e já diz que estou abatido? — ralhou Camus brincando, tentando mudar o foco da conversa.

— Eu disse que fica lindo sorrindo, e realmente fica, "mas", — Saga frisou bem o mas, — está abatido e mais magro. Tem cuidado da sua saúde? — Questionou o médico.

— Estou bem, não se preocupe! E você, o que faz aqui? Num dia de semana, uma hora dessa? — Perguntou Camus mudando de assunto.

Saga ficou observando o amigo antes de responder.

— Achei que estivéssemos aqui pelo mesmo motivo. — comentou Saga vendo a confusão no rosto do amigo. — Não me admira que não saiba, ninguém consegue falar com você há dias. — Resmungou Saga antes de responder. — Shura e Aioros finalmente se acertaram, depois de toda a confusão com o Afrodite e o Matteu...

"Afrodite e Matteu estão sempre no epicentro da confusões" — Pensou lamentando Camus e voltou a prestar atenção no que Saga dizia.

... Aí vamos nos reunir aqui hoje, para que eles acertem os detalhes do noivado, e para comemorarmos, você sabe que tudo é motivo para comemorar. — O Mu ficou de te avisar eu acho.

Camus lembrou que Mu mencionara algo sobre uma reunião dos amigos, e que falou que não vinha por saber que Milo provavelmente estaria presente, Camus sabia que por mais que estivesse se sentindo bem, um reencontro com o seu ex poderia o afetar muito.

— Quem vem? — Perguntou tenso o ruivo.

— Oras, acho que quase todo mundo! Mu e Debas não confirmaram, mas o Aioria, o Shaka, o Kanon, o Milo, acho que Afrodite e Matteu vem sabe como eles são e...

Saga não terminou de dizer como eram Afrodite e Matteu, pois Camus se levantou e começou a guardar as coisas em uma bolsa universitária.

O ruivo sabia que Milo poderia chegar a qualquer momento, Camus olhou para o estacionamento e viu Milo saindo de seu carro acompanhado de Kanon, eles estavam rindo de alguma coisa.

"Eles estão realmente juntos!" Pensou o ruivo.

— Saga eu tenho que ir... eu... eu...

Camus sentiu tudo ficar escuro e se Saga não estivesse sido ágil na sua frente teria ido ao chão.

— Camus... Camus está bem? Me fala o que está sentindo? — Perguntou Saga segurando Camus com um braço, enquanto usava o outro para checar a os sinais de Camus.

O ruivo abriu os olhos e olhou para Saga, tentando se recuperar.

— Foi uma queda de pressão, já estou bem. — Falou fraco.

Ele estava de pé, com o corpo se apoiando em Saga, e o germiniano o segurava pela cintura com uma mão e colocava a outra em seu rosto, quem visse de fora acharia a cena romântica, uma vez que os dois estavam bem próximos.

— Tem certeza? Acho melhor se sentar e deixar que eu o examine. — Insistiu Saga sem sair da posição em que estavam.

— Boa tarde!

Ouviram a voz irônica e cheia de raiva de Milo .

Notas finais
E ai curtiu? Se sim pode deixar aqui o que achou, pra mim vai ser muito importante. No próximo capítulo vamos ficar focados no passado deles descobriremos como e por que estes cabeças duras terminaram. Grande Beijo!!!