A Ultima Chance

16 Capítulo - 16


Notas iniciais
Olha capítulo novo saindo, eu queria comentar sobre ele, mas o farei lá em baixo, porque senão perde a graça. Quero agradecer ao carinho de todos que comentam, que falam comigo pelo face, nossa não tenho palavras pra descrever é muito amor! Obrigado Vivi por betar a fic, você é linda e eu sou seu karma nesta vida kkkkkk Chega de papo e vamos lá!

No fundo Milo sabia que sua história com Camus naquela época foi interrompida por aquela fatalidade, e mesmo depois nesta nova vida Issak sempre esteve entre eles.

"O garoto não tem culpa, nunca teve" — pensou Milo que sempre sentiu ciúmes da atenção que seu ruivo dava ao pupilo, mas no fundo sabia que essa atenção era uma forma de diminuir a culpa que sentia por na sua visão ter falhado com ele naquele dia.

****************

Capítulo 16

– Ei meninos, me esperem! — Dizia Camus. Os meninos corriam a sua frente, eles estavam no campo e as crianças correndo sobre a relva.

– Venha mestre, não desista! — Chamou Hyoga.

Camus os seguia, mas já estava cansando. — Voltem meninos, já chega!

Os meninos pararam à frente e continuavam a sorrir, logo Milo os alcançou e pegou um em cada braço se virando para Camus disse, — Venha meu amor, não desista... falta pouco agora!

Milo saiu à frente com os meninos deixando Camus, que tinha parado para respirar embaixo de uma árvore, para trás.

– Milo! Me espera, onde estão indo, não me deixem aqui. Droga! — Falou Camus correndo atrás deles, mas não os avistou, — Milo! Onde está? Issak, Hyoga voltem aqui!

Neste momento, Nikos e Jacob seus alunos, passaram correndo por Camus e encontraram com Zima mais à frente. — Venha professor, não desista, não desista!

Mas Camus não conseguia alcançá-los e aquilo já o estava deixando irritado.

–Voltem! Por Favor, não me deixem sozinho, não consigo, estou cansado... Voltem, por favor! — Camus dizia desanimado e cansando, estava pensando em desistir, caiu de joelhos respirando com dificuldade.

– Voltem. — Pediu fraco.

Alguém se aproximou, Camus olhou para cima e viu uma mão estendida, mas o sol cegava sua visão.

– Não desista meu amor, eu nunca vou desistir de você. — A voz de Milo se fez presente e Camus aliviado segurou sua mão e se levantou.

– Não sei se consigo Milo, eu tô cansando... tão cansado... — Camus respondeu com a voz triste e embargada.

– Venha mestre, não vamos deixar você! — Issak criança falou e pegou na mão livre de Camus.

Hyoga criança se aproximou sorrindo e segurou a mão de Camus junto com Issak, enquanto Milo segurava a outra, — Vem mestre a gente te ajuda.

Camus sorriu pra eles e respirou fundo, — Eu não vou desistir!

XxxxxxxxxxX

Camus abriu os olhos, estava no hospital... percebeu isso pelo cheiro e pela cama, ainda sentia dores em seu corpo, seus olhos encontraram os azuis celestes de Hyoga, o ruivo sorriu.

– Mestre Camus, vim ficar com você um pouco antes de me internar. — Falou Hyoga que acrescentou ao ver a confusão nos olhos de seu mestre, — tenho que fazer alguns exames e pra isso terei que me internar, o doador sou eu.

Camus sorriu e fechou os olhos, suas dores estavam o incomodando. — Eu sei Milo me contou e fiquei muito feliz, com isso teremos uma ligação para toda a vida agora. Isso é bom, não é?

– É sim pai... meu pai! — Falou Hyoga emocionado, e emocionando Camus a sua frente. Hyoga o abraçou, ambos ficaram assim um tempo até que Milo entrou fazendo com que os dois o olhassem.

Hyoga sorriu e Camus olhou com surpresa, Milo havia cortado seus cabelos curtos como os de Camus.

– Milo! Mas... por quê? — Perguntou incrédulo.

– Eles vão crescer novamente junto com os seus. — Falou Milo se aproximando e dando um beijo na testa do seu ruivo, — Como está se sentindo?

– Você descansou Milo?

Milo sorriu seu sorriso mais lindo e respondeu, — Não se preocupe, dormi como um anjinho.

Hyoga ficou fitando os dois, o amor deles era palpável, forte e ele sempre os admirara por isso, mesmo quando brigavam nunca se podia duvidar do amor deles.

XxxxxxxxxxX

– Não precisava me dar carona de volta ao hospital Shaka, já foi muito ter me trazido pela manhã. — Disse Saga ao entrar no carro do loiro no começo da tarde, Shaka havia se oferecido para levá-lo de volta, pois sabia que o médico estaria sem carro uma vez que o tinha levado para casa em seu carro.

– Bom, nada mais justo, Saga... você deixou seu carro no hospital, mas acho que não devia voltar ao trabalho tão cedo, não disse que estava saindo de um plantão de quarenta e oito horas? — Comentou Shaka sensato.

– Estou voltando por causa do Camus, conversei com Dr. Robert e... Bom, ele me deixar cuidar do caso, sabe que me importo com aquele ruivo teimoso. — Respondeu Saga olhando pela janela do carro.

– Não deixe o Milo te escutar ou você apanha. — Comentou sarcástico o loiro budista.

Saga riu alto antes de responder. — Quero acompanhar o processo do transplante. Sabe essa fase é bem difícil e quero explicar as coisas para os quatro de uma vez, acho que um amigo nessa hora ajuda muito.

– Sim, ajuda! Me sinto um pouco culpado por ter guardado o segredo do Camus, mas ele não queria que ninguém soubesse. — Comentou o virginiano.

– Não entendo isso, esconder uma coisa dessas de mim? Poxa! Eu sou médico, o mais próximo de vocês, por que não me procuraram?

– Saga... entenda, o Camus tinha os motivos dele, eu mesmo fiquei sabendo por acidente, Mu me revelou sem querer e escondi do Camus que sabia da verdade até um dia que precisei levá-lo ao médico com urgência.

Saga não respondeu, apenas escutava o amigo.

– Eu fiz o que podia por ele, eu o levava a escola para dar aula porque ele estava sem carro desde o acidente, tentei fazer o melhor que podia. — Falou Shaka.

– Você sempre me pareceu... não... nada. — Saga se interrompeu.

– Eu sempre pareci o quê? Começou termina.

Saga sorriu de lado, — Diziam que você era arrogante, bom eu mesmo já levei algumas "broncas". Concluiu Saga rindo da cara que o amigo vez.

– Eu não sou arrogante! — Bradou Shaka sério.

– Não! Claro que não é. — Falou Saga.

Eles ficaram quietos por um tempo e quando trocaram olhares caíram na risada.

– Acho que essa fama se deve ao meu jeito de falar, mas não sou má pessoa... sou budista e como tal tenho que ajudar o próximo. E quando o próximo é alguém tão próximo como um amigo tenho o dever maior de ajudá-lo. Fiz isso por amizade mesmo, neste período, eu aprendi muito com o Camus... Saga, eu sou um péssimo budista, nunca tive o altruísmo do Camus, ele mesmo doente se dedicou àquela escola pelo puro prazer de ensinar, de fazer algo de bom. Eu aprendi a admirar muito o Camus — Revelou Shaka com sinceridade.

– Não deixe o Milo te ouvir ou você apanha. — Foi a vez de Saga falar sorrindo.

XxxxxxxxxxX

Eles chegaram ao hospital, Shaka foi para o quarto de Camus, enquanto Saga foi para seu consultório pegar alguns pertences.

No quarto Shaka encontrou Mu na antessala. Dentro estavam Milo e os meninos, que receberam uma autorização para poderem ficar juntos dentro do quarto.

Logo Saga entrou, cumprimentou os dois lá fora e foi para a higienização, para poder falar com Camus e com a família dele.

– Boa noite, senhores. — Cumprimentou o médico. — Pedi que me esperassem aqui porque quero conversar com vocês sobre o transplante, esclarecer algumas coisas e prepará-los para a batalha que teremos pela frente, a principal luta será sua, meu amigo. — Falou Saga olhando para Camus.

– Eu vou lutar, Saga, com todas as minhas forças. — Devolveu Camus confiante, o sonho que teve mais cedo o emocionou, mas lhe deu forças para lutar.

Saga sorriu para o amigo, e continuou. – Bom como vocês sabem o Camus foi diagnosticado com Leucemia e eu vou explicar aqui o que é de fato essa doença: Bom, a leucemia é o câncer das células brancas do sangue, que começa na medula óssea e se espalha para outras partes do corpo. O câncer faz com que estas células brancas se reproduzam de forma incontrolável, e não desenvolvem as propriedades que combatem as infecções.

As células cancerígenas podem se espalhar rapidamente através da corrente sanguínea, isto leva aos sintomas de anemia, aumento do risco de infecções graves, ou risco de sangramento. Em suma, o paciente com essa doença perde a imunidade, pois o corpo fica sem produzir as células sanguíneas.

– Sim, a gente pesquisou sobre isso. — Foi Hyoga quem falou.

– Certo Hyoga, vou explicar algumas coisas pra vocês, o que é medula óssea? — Perguntou Saga, encenando uma dúvida. — Vou tentar explicar de um jeito que entendam: A medula óssea é um tecido esponjoso, localizada na parte interna e central de alguns ossos, e contém as células tronco. As células-tronco do sangue são as responsáveis pela produção de todas as células sanguíneas no interior da medula óssea.

Saga explicava tudo detalhada e calmamente, para esclarecer quaisquer dúvidas dos presentes.

– Como sabem, o organismo do Camus não estava respondendo ao tratamento com a quimioterapia, por este motivo vamos fazer o transplante.

– Como vai funcionar isso? — Foi Issak quem perguntou agora.

– Vou explicar, meu jovem, já estou chegando lá. — Respondeu Saga tranquilo e continuou. — O transplante de medula óssea envolve a colheita de células estaminais saudáveis para reabastecer a medula óssea do paciente. As novas células estaminais assumem a produção das células sanguíneas.

Todos prestavam atenção a tudo que Saga dizia.

– O Transplante de medula óssea é diferente dos outros transplantes, este é muito mais fácil e enormemente mais complicado. A começar pelo doador que passará por alguns procedimentos antes do transplante.

– Que procedimentos? — Quis saber Camus preocupado.

– Não se preocupe Camus, são procedimentos seguros, mas que exigem a internação do doador vou explicar: Durante quatro dias, mais ou menos, antes do procedimento do transplante, o doador, no caso o Hyoga, receberá medicamentos que estimulam a produção de células-tronco no sangue. No quinto dia, é realizado um exame de sangue para verificar se já existe uma quantidade suficiente de células-tronco circulantes. Ele será ligado a uma máquina separadora de células, sem a necessidade de uma anestesia geral, para a coleta das células, vai ser como se ele estivesse doando sangue.

Saga sorriu para tranquilizar Camus.

– O sangue é removido através de uma veia do braço, passa através de uma máquina de filtragem para separar as células-tronco de outras células no sangue, e retorna ao corpo através de uma veia no outro braço.

Saga olhou para todos perguntou, — Entenderam o que eu expliquei até aqui?

Todos confirmaram com a cabeça.

– Este é o processo que o Hyoga vai passar como doador, mas Camus... você também passará por um longo processo para poder receber o transplante e vai precisar de toda a força, porque não será fácil.

– Como assim, Saga? Explique isso direito, o que o Camus terá de fazer? — Perguntou Milo preocupado.

Saga suspirou e calmamente explicou. — No caso do Camus, à medida que o paciente necessita receber vários medicamentos, como parte do processo de condicionamento, um tubo será inserido em uma veia próxima ao coração, para evitar a necessidade de ter que receber muitas injeções.

Milo cortou Saga preocupado. — Mas por que Saga, pra que tudo isso? Só vai aumentar o sofrimento do Camus.

– Milo, por favor, deixe-o continuar com as explicações. — Pediu Camus abnegado.

– Eu não quero que sofra mais do que já está sofrendo, meu amor. — Respondeu Milo acariciando o rosto de Camus.

– Vou explicar Milo, infelizmente esse é o único jeito. — Continuou Saga, — O processo de condicionamento envolve o uso de altas doses de quimioterapia e, possivelmente, radioterapia, por três razões. — Explicava Saga andando pelo quarto. — Primeira, destruir a medula óssea existente e criar espaço para o tecido transplantado. Segunda, destruir quaisquer células cancerígenas existentes. E terceira razão, interromper a função do sistema imunológico para reduzir a chance de rejeição do transplante.

Todos os observavam calados e assustados, pois acham que o transplante era algo mais simples,, não tinham idéia de todo o processo que envolvia isso.

Saga mais uma vez tomou a palavra. — O processo de condicionamento normalmente leva de quatro a sete dias, com o Hyoga se internando essa noite vamos começar com os procedimentos creio que em quatro dias faremos o procedimento. Tudo bem?

Temerosos, mas não querendo passar para Camus aquele tipo de preocupação, Milo, Issak e Hyoga afirmaram que sim.

Milo e Camus tinham apenas uma coisa em mente:

O prazo passado por Radamanthys acabaria exatamente no dia do transplante, alheios ao fato de que o outro estava sendo ameaçado pelo general de Hades, ambos guardaram seus temores para si.

– Só mais uma coisa, até depois do transplante o Camus ficará no isolamento total, somente uma pessoa ficará com ele, muito provavelmente será o Milo, não é?

– Por que o Milo? — Indagou Issak.

– Porque eu suponho que você deva ficar com o Hyoga. — Respondeu Saga tranquilo.

Issak não respondeu apenas olhou para Camus.

– Vou deixar vocês a sós por um momento, logo as enfermeiras vão preparar o Camus e eu volto para fazer o procedimento com o tubo. — Ditou o médico antes de sair e deixar Camus com a família.

– Issak tem que ir ficar com o Hyoga, ele vai precisar. — Falou Camus ao pupilo.

– Mestre... Camus, quero que fique bem, eu queria pode fazer algo. — Emocionado o rapaz abraçou seu antigo mestre, Camus ficou surpreso com o gesto, mas retribuiu o abraço apertado.

– Camus, me prometa que vai ficar bem, que vamos voltar pra casa juntos. — Pediu Hyoga abraçando Camus assim que Issak o soltou.

– Não se preocupem, não vou desistir de lutar, prometo. — Respondeu Camus confiante.

– Hyoga... obrigado pelo que está fazendo não vou esquecer. — Agradeceu Camus, depositando um beijo na testa de seu pupilo.

As enfermeiras entraram no quarto pedindo que os visitantes se retirassem.

Emocionados, Issak e Hyoga deixaram o quarto temerosos pela vida de seu ex-mestre.

– Meu amor... eu já volto... — Falou Milo ao ser convidado a sair pelas enfermeiras.

As moças fecharam as cortinas, o que tampou a visão dos que estavam na antessala.

Lá fora Saga esperou os três para conversar junto com Shaka e Mu.

– Precisamos conversar. — Falou Saga chamando a atenção de todos.

– O que houve, Saga? — Perguntou Milo preocupado.

– Milo... sou eu quem vai cuidar do Camus a partir de hoje, o Dr. Robert está fora. — Saga falou com seriedade.

– Mas por quê? — Perguntaram Milo, Shaka e Mu juntos.

Saga suspirou antes de responder. — Porque ele não acredita na recuperação do Camus, para ele...- Saga se controlou para não usar as palavras erradas, — Ele é contra o transplante, e eu sou à favor.

– Ei, espera aí, tem algum risco para o Camus? Saga se tiver qualquer risco desnecessário para o Camus, não faremos esse transplante. — Falou Milo categórico.

– Milo entenda, o Dr. Robert acha que o Camus não suportaria a fase de condicionamento, mas nós, tanto eu quanto ele, sabemos que o Camus não vai resistir por muito tempo sem o transplante. — Continuou Saga.

– O que quer dizer, Saga? — Perguntou Mu com seu jeito calmo.

– Estou querendo dizer que podemos fazer o transplante, e conseguir curar o Camus, ou esperar ele morrer sem ao menos tentarmos de fato o salvá-lo.

Todos ficaram chocados e confusos com as palavras de Saga, mas o médico continuou, — Nós sabemos a força do Camus, nós temos um passado de glórias e eu me recuso a permitir que um amigo morra sem nem ao menos tentarmos fazer alguma coisa para salvá-lo.

Milo sentia o chão abrindo, seu coração batia lento e apertado em uma agonia sem fim, "não, isso não pode ser verdade" — pensava ele.

– Saga, quais são os riscos para o transplante? — Perguntou Shaka sensato e calmo.

– Um exame físico completo é recomendado antes do transplante das células-tronco. O estado geral de saúde tem um papel importante na recuperação do paciente após o procedimento. Como parte dos exames para verificação do estado geral de saúde, pode ser realizado exames de rastreamento, para verificar a condição de órgãos, como fígado, coração e pulmões. Alguns dos medicamentos são utilizados no condicionamento e no processo de recuperação podem ocasionalmente causar problemas em outros órgãos... — Explicava Saga e todos o ouviam atentos. — Após o transplante, o Camus estará mais propenso a infecções, nesse sentido é vital garantir que ele não tenha nenhuma infecção antes de iniciar o procedimento.

– A febre! — Falou Milo.

– Sim, Milo, a febre que Camus teve não foi um bom sinal e sim seu corpo está fraco, mas não vou desistir dele. — Respondeu Saga.

– Eu não vou desistir dele nunca Saga! — Falou Milo encarando o amigo.

Saga sorriu. — Então vamos lutar juntos Milo, porque é óbvio que o Camus não vai conseguir sem você ao lado dele.

Milo assentiu.

– Então ele corre riscos agora e depois do transplante? — Perguntou Hyoga confuso.

– Hyoga, como eu disse, diferentemente dos outros, o grande risco do transplante de medula óssea está no antes e no depois. O transplante pode ser normalmente realizado em um ou dois dias após o término do condicionamento. As células-tronco doadas serão introduzidas ao corpo do Camus através de um acesso central. Esse processo leva cerca de uma hora para ser concluído. — Novamente explicou o médico.

Hyoga concordou com a cabeça.

Milo tentava absorver tudo que Saga falou quando percebeu que Hyoga chorava silenciosamente cobrindo o rosto com as mãos.

"Camus sempre disse que Hyoga era o mais sensível" — pensou ao olhar para o pupilo de Camus, olhou para Issak e viu que o rapaz estava se segurando para não chorar também, Milo se aproximou deles abraçou os dois, um em cada braço. Ao contrário do que esperava eles não o repeliram, ao contrário corresponderam ao abraço.

Mu, Shaka e Saga trocaram olhares, Camus sempre teve que se dividir entre eles, mas agora parece que finalmente, teriam uma união.

–Tudo vai ficar bem, não se preocupem, vou cuidar do Camus, ele que não invente de desistir, jamais permitirei. — Falou ainda no abraço.

Assim que findaram o abraço coletivo, Milo ainda abraçou cada um de forma paternal.

– Vamos Hyoga, eu vou com vocês, quanto antes se prepararem, mais cedo Camus sai daqui. — Falou Mu otimista.

Assim que Mu saiu com Hyoga e Issak, Kiara a enfermeira, chamou Saga. — Doutor o paciente já está sedado, podemos começar os procedimentos.

Saga olhou para Milo que assentiu com a cabeça autorizando o médico a entrar.

– Está fazendo a coisa certa, Milo. — Falou Shaka com a mão no ombro do outro.

– Eu não sei se fiz certo, não falamos sobre isso com Camus. — Milo respondeu.

– O Camus jamais iria desistir e falar com ele só faria com que ele ficasse mais tenso do que já está. — Concluiu Shaka sabiamente.

Após o procedimento Camus adormeceu sedado, todos sabiam que aqueles dias seriam decisivos.

XxxxxxxxxxX

O processo de Hyoga era simples, a ele cabia tomar a medicação e a aguardar seu corpo responder o que o deixava ainda mais frustrado por não poder ficar com seu mestre.

Issak se revezava ficando com Hyoga e descendo para ter notícias de Camus, seu mestre estava no isolamento total e Saga não permitia visitas, nem mesmo olhá-lo pela parede de vidro parecia ruim agora que ele não tinha nem isso.

Os amigos de Hyoga vieram ficar com ele, Shun, Seiya, Shiryu e para surpresa de Hyoga até mesmo Ikki viera.

– Nos não poderíamos ir embora e deixá-lo sozinho, — Comentou Shun sentando ao lado da Cama do amigo.

– Valeu Shun, eu poderia dizer que não precisava, mas eu fico contente que estejam aqui. — Falou Hyoga melancólico.

Issak saiu do quarto deixando o loiro com os amigos e sentou em uma cadeira na sala de espera, sentia muito medo de perder aquele que sempre foi seu exemplo, e que havia o tratado mal nos últimos tempos, aliás, havia o tratado mal desde que voltara a essa nova vida. Sentiu quando alguém sentou ao seu lado.

– Não se deixe abater garoto, ele vai sair dessa, conhece esse francês, ele é duro na queda. — Falou Kanon tentando ser amável, os amigos sempre se revezavam nas visitas ao hospital, mesmo que não pudessem ver Camus, era sempre útil verificar se Milo, Issak ou Hyoga estavam precisando de algo, e em geral eles sempre precisavam de um ombro amigo.

– Perdi muito tempo Kanon, eu tive a oportunidade de uma nova vida ao lado do meu mestre que sempre foi um pai pra mim, mas o que foi que eu fiz? Eu o rejeitei e o afastei, o fiz sofrer... sei disso. — Confessou Issak.

– E por que você agia assim com ele? — Perguntou Kanon.

Issak ruborizou antes de responder. — Vergonha... eu tinha vergonha por ter sido um traidor, eu reneguei Athena na primeira dificuldade.

Kanon sorriu triste. — Você nunca foi um traidor, nunca foi um traiçoeiro, não diga bobagens. — Repreendeu o irmão de Saga.

– Sabe Issak, sempre tive muita inveja do meu irmão, sempre fiz de tudo para prejudicá-lo até as ideias erradas que ele teve, fui eu quem, de certa forma, sugeri para ele, — Confessava seus erros o geminiano. — Mas sabe... quando tivemos a chance dessa nova vida, felizmente colocamos as nossas diferenças de lado, aprendemos a nos amar como irmãos e amigos, hoje posso dizer com certeza que meu irmão é meu melhor amigo, conselheiro, ele me dá broncas, me auxilia e o principal, Issak... ele me perdoou, nós nos perdoamos.

Issak o olhou triste. — Eu não consegui Kanon, por mais que o Camus se preocupasse comigo eu só o rejeitava, perdi a oportunidade de dar amor a ele, nunca pedi perdão a ele, Kanon... conversar sobre nossos sentimentos nunca foi nosso forte, — Falou Issak rindo triste. — Nem eu, nem ele, nunca tocamos no assunto de eu ser um General Marina, era como se o Camus ignorasse que aquilo tivesse acontecido, e eu nunca tive coragem de tocar no assunto.

– Pois quando ele melhorar vocês terão que ter essa conversa, só assim poderão seguir em frente.

– Acha que ele vai conseguir? — Perguntou Issak inseguro.

– Não tenho dúvidas! — Mentiu Kanon, Saga o falara da real situação do amigo, e por mais que desejasse que tudo acabasse bem, estava se preparando para o pior.

XxxxxxxxxxX

Os dias foram passando lentamente, Camus era um ótimo paciente, não reclamava de nada, tomava todas as medicações, não reclamava dos excessos de medicamentos, só achava ruim a hora das refeições, pois como Saga previra, os enjoos eram frequentes e vez ou outra Camus vomitava devido ao cheiro dos alimentos. Mas em grande parte do tempo o ruivo ficava deitado, em silêncio e com os olhos fechados, para evitar os enjoos.

Milo não saia do lado de Camus nem por um minuto, no geral aproveitava os momentos em que seu ruivo dormia para comer ou tomar banho, mas nem mesmo nestas ocasiões ele saía do hospital. O banho era tomado no quarto em que Camus estava, e somente saia para comer quando Saga ficava com o ruivo.

Já era noite e o transplante estava marcado para o próximo dia.

– Milo, eu estava pensando aqui. — Começou Camus, com a voz fraca, fisicamente o ruivo estava muito abatido, seus cabelos estavam ralos, seu rosto magro e muito branco, nem de longe lembrava o guerreiro que havia sido um dia, mas, mesmo com todas as dificuldades algo havia mudado dentro dele, uma vontade de viver que faziam seus olhos brilharem vivos.

Milo na contramão, sofria sempre que observava seu amor definhando na sua frente, para alguns o pior castigo era sofrer com a própria saúde em risco, mas para Milo não existia nada mais sofrido do que ver seu amor sofrendo sem poder fazer nada para aliviar o sofrimento. — Pensando em que, Camus?

– Eu não aproveitei bem minha vida, não fosse você a me tirar de casa, eu não teria uma vida social.

– Você é um cabeça dura, sempre te disse que sei o que é melhor para você. — Falou Milo brincando.

– Quando isso acabar, a gente vai se divertir mais, vamos sair pra dançar, prometo! — Garantiu o ruivo abrindo os olhos olhando para Milo.

Milo sabia que não estaria ali para ver seu Camus curado, mas desejava isso de todo o seu ser. — Vai ficar lindo dançando.

O escorpiano não conseguiu segurar uma lágrima que rolou em seu rosto. Camus viu e esticou a mão para secá-la. — Não chore, Milo, não vou morrer, não vou! Vamos ficar juntos quando isso terminar, eu te amo, Milo.

Soltando outro soluço, Milo respondeu beijando a mão de seu namorado, — Eu te amo, Camus!

Logo as enfermeiras entraram e aplicaram os remédios em Camus, que não demorou muito a adormecer, Milo naquela noite não dormiu, sentou-se numa cadeira próxima a Camus e ficou olhando seu ruivo, acariciando seu rosto que mesmo naquela situação era bonito.

– Você vai ficar bom meu amor... eu sei que vai. — Dizia enquanto velava o sono de seu amor.

XxxxxxxxxxX

Na manha seguinte Saga entrou no quarto animado. — Bom dia!

– Saga, eu estava ansioso, você demorou. — Reclamou Camus.

– Camus, são oito horas da manhã, como está se sentindo? Sabia que todo o pessoal queria estar aqui para lhe dar boa sorte, mas como não poderiam ficar todos eles se reuniram no café ali da frente e só vão sair quando souberem da sua saúde. — Falou Saga displicente para tentar relaxar seu paciente e amigo.

– Ele está assim excitado desde que acordou. — Entregou Milo.

– Eu estou ansioso e muito feliz isso acaba hoje de um jeito ou de outro, mas do jeito que estou feliz e confiante, não tenho dúvidas de como vai acabar! — Rebateu Camus confiante.

Saga sorriu e falou, — Acalme-se, meu amigo... o Hyoga já está fazendo o procedimento, como eu expliquei, já existe uma quantidade suficiente de células-tronco circulantes. Quando acabarmos com o processo de separar as células virei te buscar.

– Que horas vai ser isso, Saga? — Perguntou Milo tenso.

– Em duas ou três horas, portanto, relaxe senhor Camus. — Respondeu Saga que acrescentou, — As enfermeiras virão retirar o tubo que o liga as máquinas, mas não vou tirá-lo de você por enquanto.

– Que bom, vou poder ficar em pé. — Respondeu Camus, mesmo com a voz fraca se sentia muito bem disposto para o alívio dos dois.

XxxxxxxxxxX

Logo as enfermeiras vieram e para fazer o procedimento, desconectaram os dois pequenos tubos que ligavam Camus a máquina que ministrava a quimioterapia e os medicamentos.

– Me ajudem, quero sentar, — Pediu Camus.

As enfermeiras o ajudaram, no início uma forte tontura se fez presente, mas aos poucos foi se dissipando.

Milo tomou o lugar das enfermeiras, ajudando seu namorado. O escorpiano sabia que aquele era o dia final dado por Radamanthys, ele não poderia permitir que alguma coisa desse errado, não... ele se entregaria em sacrifício antes do processo do transplante.

– Camus, você vai me prometer que vai ser muito feliz, haja o que houver, vai sempre lutar por sua felicidade.

– Claro, eu prometo que vou ser feliz, com você comigo, não tem como não ser. — Falou Camus sorrindo. — Me ajude a ficar em pé, venha.

Milo o ajudou e Camus, se segurando no loiro conseguiu ficar em pé, quando Camus finalmente olhou nos olhos de Milo viu a tristeza de seu escopiano. Então se sentou novamente.

– Você vai me prometer que vai sair, vai dançar, vai curtir a vida, vai pensar em você, sempre. — Continuou Milo.

Camus sentiu seu coração apertar, — Vai me deixar, Milo? É isso? Esse tempo todo você só estava esperando o transplante para me deixar? Você não me ama mais, é isso, não é?

Algumas lágrimas rolaram pelo rosto do ruivo, Milo vendo aquilo segurou seu rosto com as mãos e fazendo Camus o olhar nos olhos falou também emocionando. — Nunca mais diga uma coisa dessas Camus, nunca mais duvide do meu amor, eu te amo! Ouviu bem? Eu te amo tanto que eu seria capaz de morrer no seu lugar, não repita mais isso.

E fugindo das recomendações médicas Milo beijou Camus como há muito não fazia, findando o beijo colou a testa com a de Camus. — Eu te amo, e sempre vou amar Camus du Versau.

Camus o abraçou forte sentindo seu coração apertar com um mau presságio, como se alguma coisa ruim estivesse para acontecer, mas antes que pudesse dizer alguma coisa uma enfermeira entrou no quarto.

– Sr. Camus está na hora, venha sente-se aqui. — Falou a moça ajudando Camus a sentar na cadeira de rodas.

– Camus, boa sorte, — Falou Milo beijando a testa do ruivo e saindo.

"Não! Alguma coisa não está certa, tem algo errado" — pensava Camus.

– Sr. Camus vou buscar sua máscara, não é bom que ande pelos corredores do hospital sem máscara está com a imunidade baixa, muito baixa. — Falou a moça antes de sair.

"Eu seria capaz de morrer no seu lugar" as palavras que Milo disse a pouco martelaram na cabeça de Camus "não, Milo, eu não permito" — pensou Camus levantando da cadeira e tirando força Deus sabe de onde saiu do quarto iria procurar Milo.

XxxxxxxxxxX

Milo chegou a capela do hospital onde encontrou Radamanthys pela primeira vez andou até a imagem do "Deus Morto."*

– Por favor, senhor! Proteja meu Camus. — Pediu aflito.

– Se fizer sua parte no nosso acordo ele vai ficar bem, — Ouviu-se a voz de Radamanthys.

Milo se virou e olhou Radamanthys nos olhos, o escorpiano manteve no rosto a expressão resignada.

– Eu estou aqui Radamanthys, me leve.

– Tem certeza Milo? Vai deixar o seu ruivinho livre? Tudo bem que ele tá meio caidinho agora, mas assim que ele melhorar vai voltar a ser aquele ruivo deslumbrante, acho que eu mesmo vou me candidatar a consolar o seu ruivo. — Provocou Radamanthys.

– Fica longe dele! Esse é o acordo eu vou com você e você o deixa em paz! — Falou Milo entredentes.

Radamanthys sorriu e provocou mais uma vez. — Mas se não for comigo, vai ser com outro, não acha que o ruivo vai ficar só muito tempo, acha?

– Se ele for feliz é o que me importa, não importa se não vai ser comigo, tudo que eu quero é que o Camus seja feliz, porque se tem alguém que merece ser feliz, é o Camus. — Concluiu Milo ainda resignado.

Os olhos de Radamanthys brilharam e ele elevou seu cosmo se preparando para o ataque, quando um grito o fez olhar para a porta, Milo sentiu o sangue gelar, Camus estava parado na entrada da capela.

– NÃÃÃÃÃO RADAMANTHYS, O MILO NÃO!

Notas finais
Ufa! Pelos Desuses é agora???? Agora teremos o último capítulo, sim o próximo capítulo será o último, mas teremos um epilogo, pois existem coisas do cotidiano que eu quero escrever pra eles, mas estas coisas deve ser nesta vivencia, com estas experiencias. Vamos ao capítulo! *Deus Morto" eu terei essa referencia a Jesus da saga "As Brumas de Avalon". Eu me emocionei e verdade com esse capítulo, pode parecer besteira, mas eu chorei quando escrevi o sonho no inicio do capítulo, não sei o por quê? só sei que ele mexeu muito comigo. Outro ponto, espero que não tenha ficado chato, mas eu senti a necessidade de detalhar o processo delicado que é um transplante de medula, porque eu sempre vejo as abordagens a este tema um tanto superficiais. Se ficou massante me perdoem. Fonte da pesquisa sobre a leucemia http://www.oncoguia.org.br/mobile/conteudo/transplante-de-medula-ossea/1461/318/ Por Favor! Comente, me diga o que achou, me dê sua opinião... fantasminha finja que estamos numa sessão espirita e psicografem seus comentários. =)