A Ultima Chance
15 Capítulo - 15
Notas iniciais
Capitulo 15
— Bom Sr. Bartinik acho que está na hora de ir. — Falou Dr. Robert entrando no quarto de Camus. — Eu preciso examinar meu paciente. — Terminou o médico parando ao lado de Camus.
Milo sorriu e olhou para Camus, ele não queria sair do lado de seu amado, não quando teria pouco tempo com ele antes de seguir com Radamanthys, mas sabia que se brigasse com o médico poderia ser proibido de ficar ao lado do ruivo por mais tempo. Vencido olhou para Camus afim de se se despedir. — Camy meu amor eu preciso ir, tem que descansar.
Milo beijou a mão de Camus, que segurava desde que ele acordara, mas quando foi se levantar viu que o ruivo ainda o mantinha preso a ele, num aperto firme.
— Camus, eu preciso ir.
Camus estava fraco, falar era muito difícil, mas não queria soltar o namorado.
O médico vendo o gesto do ruivo compreendeu que Camus queria o loiro por perto e talvez não fosse bom contrariá-lo naquele momento.
— Tá bom! Ele fica por hora, mas deixe-me examiná-lo. — falou vencido.
Após alguns exames ali no quarto e colher sangue para análise, o médico receitou transfusão de sangue para combater a forte anemia.
O médico saiu do quarto, deixaria Milo com Camus até que o ruivo dormisse, antes receitou um leve calmamente para o ruivo para que as dores não começassem a incomodá-lo.
Depois de sair do quarto o médico encontrou com Saga no corredor. — Ele está reagindo ao que pude perceber, acho que se ele continuar assim poderemos fazer o transplante nos próximos dias.
Neste momento um grupo de homens tensos se aproximava.
— Como ele está, Saga? Aconteceu alguma coisa? — Hyoga perguntou tenso.
Dr. Robert olhou para aqueles homens estranhando a presença de todos ali, geralmente quem vinha acompanhado o ruivo eram somente Shaka ou Mu, aqueles outros só conheceu por cima no dia em que internaram o ruivo. E neste dia também conheceu Milo o tal namorado de Camus, no entanto o que achava muito estanho era o fato de que ele nunca havia acompanhado o namorado no começo do tratamento.
— Senhores, por favor, lembremos que estamos num hospital. — O ralhou o médico com os homens a sua frente. — Eu me lembro de ter ligado para a casa de um de vocês para que viesse ao hospital.
— Sim, doutor, mas acontece que ligaram para a casa do Aioros dizendo para nos virmos, não falaram o motivo e nem quem era pra vir. — Explicou Issak.
— Nos mandaram vir e... bem, todos nós deixamos o telefone do Aioros para contato, lá tem empregados o tempo todo, por isso deixamos o contato dele. — Concluiu Hyoga.
— Meu Deus, que confusão! Estou com a ficha do doador na minha mesa, — falou o médico seguindo para seu consultório sendo seguido por eles, — mas vão todos?
— Se não sabemos pra quem ligaram, temos que ir todos — Falou Aioria o lógico.
O médico bufou e seguiu para sua sala sendo seguido pelos amigos de Camus.
Saga que já sabia quem era o doador, não falou nada achou, divertido ver o outro médico com aquele batalhão de lunáticos atrás dele. Logo Milo veio ter com ele. — Milo o que houve?
— O Camus dormiu e a enfermeira me colocou pra fora do quarto. — Falou encolhendo os ombros, — mas onde estão indo todos? — Perguntou vendo os amigos seguirem o médico.
— Ele vai dizer quem é o doador do... — Saga não terminou de falar, pois Milo correu atrás dos amigos, Saga girou os olhos e foi ver seus pacientes.
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— Pois bem, pois bem! Deixe-me ver aqui. — Falava o médico olhando a ficha que estava em sua mesa, na sua sala estava o enorme grupo reunido, quando bateram na porta.
— Oi, desculpem... passei na casa do Aioros e fui informado que estariam todos aqui, então? Quem é o doador compatível? — Perguntou Kanon entrando na sala para o desagrado do médico que nunca teve sua sala tão cheia.
— Ele já ia dizer, mas você atrapalhou, — reclamou Shura.
— Senhores, por favor! — Bronqueou o médico.
— Desculpe! Pode continuar doutor. — Kanon disse ficando em pé na porta depois que passou os olhos e não achou nenhum lugar livre.
— Bom, então como eu ia dizendo, — o médico ajeitou os óculos e continuou, — senhor Hyoga Alexei o senhor tem as mesmas composições do Sr. Versau e é um doador compatível...
Houve uma explosão de vivas e risadas neste momento.
— Claro...claro o Hyoga! Tão óbvio, ele é o sucessor direto do Camus como não pensei nisso antes? — Falou Shaka colocando a mão na testa.
— Sim! Tão na nossa frente. — Completou Mu.
— Que bom Hyoga, parabéns vai conseguir salvar o mestre. — cumprimentou Issak com uma ponta de ciúmes.
— Hyoga, que bom!! Vai salvar seu mestre não vai? — Milo perguntou emocionado.
Hyoga estava emocionado, enfim ele teria como se redimir com seu mestre, se redimir por ter tirado sua vida anteriormente. — Eu... Não sei o que dizer, claro, sim vou ajudar quero meu mestre curado o quanto antes, me diga o que preciso fazer e eu farei.
O médico olhou satisfeito para o garoto. — Vá pra casa e arrume suas coisas. Você deve vir amanhã fazer os exames que dirão se está apto a doar o Sr. Versau está muito fraco ainda, mas assim que ele melhorar nós faremos o transplante, ai quem tem que estar preparado é você.
O médico ficou passando as instruções para Hyoga, Milo e Issak ficaram ao seu lado, dos amigos somente Mu ficou com eles, os outros preferiram ir para a sala de espera que era mais arejada.
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— Como está Sra. Veiga? — Perguntou Saga fazendo sua ronda no hospital para verificar como estavam seus pacientes, era uma rotina como médico Saga era um dos melhores e muito cuidadoso com seus pacientes.
— Perdão Dr. Saga, — uma enfermeira o interrompeu.
— Sim, Kiara, o que houve? — Perguntou o médico.
— O paciente Camus... Por favor, venha comigo. — Pediu a moça e foi seguida pelo médico.
Quando chegaram ao quarto do ruivo, a enfermeira falou. — Doutor a febre voltou e está alta.
Saga se aproximou e mediu a temperatura do amigo, — Merda, Camus! Quarenta graus!
Camus estava tremendo e se remexia na cama como se tivesse tendo um pesadelo.
— Já o medicamos, mas não está surtindo efeito... a febre só aumenta. — Comentou a enfermeira.
Saga examinou o amigo e decidiu pelo método mais antigo de se fazer baixar uma febre.
— Kiara traga uma bacia com água gelada e alguns panos. — Pediu.
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— Nossa! Nem acredito que enfim conseguimos o doador. — Comentava Shaka com Aioros a caminho do quarto de Camus, ou melhor, da antessala do quarto, assim que chegaram viram Saga e uma enfermeira cuidando do amigo com uma expressão carregada, os amigos ficaram apreensivos.
Assim que ficou decidido que Hyoga se internaria para os exames no dia seguinte, Milo resolveu voltar para perto de Camus e foi seguido por Issak.
Entrou na antessala e cumprimentando os amigos que lá estavam. — E ai ele voltou a acordar?
— Ele acordou? — perguntaram Shaka e Aioros juntos.
— Sim, hoje ele despertou, disse que me amava... — Milo olhou para o leito de Camus e viu Saga ao lado de seu namorado. — Mas que diabos! Será que ele não pode dar um tempo? Tem que ficar sempre em cima? — Milo começou bravo.
— Milo! — Chamou Aioros, — Vai voltar ao mesmo erro? Vai cometer novamente as mesmas injustiças? Daqui a pouco vai entrar e brigar com Camus por ele ter deixado Saga cuidar dele!
— Não... Eu...
— Achei que estava se tratando, mas parece que não mudou. — Continuou a bronquear o sagitariano.
Envergonhado, Milo se desculpou. — Não foi isso que eu quis dizer.
— Preste atenção a sua volta, ou a sua frente.
Milo olhou para dentro o quarto e reparou a movimentação e seu coração apertou.
— O que está acontecendo lá? O Camus estava melhor, ele acordou. — Falou se aproximando da divisão, a parede de vidro que separava o quarto e a antessala.
Saga que estava de costas para a parede olhou para trás avistando Milo, vez sinal para que ele entrasse, e assim Milo fez.
Passando por todo processo de higienização, Issak que estava próximo quis entrar também, mas foi impedido por Shaka.
— Ele é meu mestre Shaka, meu pai eu tenho que ir tenho que estar com ele. — Pediu nervoso o jovem ex-pupilo.
— Não Issak, o Camus precisa de cuidados e gente demais atrapalha. — Falou sério o budista.
Assim que Milo entrou foi perguntando. — O que houve Saga? Ele estava bem quando eu saí.
— A febre voltou e está mais forte, veja... ele está inquieto, delirando... Milo vamos usar o método antigo para tentar controlar a febre, sabe, molhando o pano na àgua gelada e colocando na sua testa, — explicava o médico, — precisamos baixar a temperatura dele antes que aconteça uma convulsão, acha que pode fazer isso?
— S-Sim claro, mas aonde vai? — Perguntou Milo preocupado.
— Tenho que ver alguns pacientes, depois volto. Milo, o Camus precisa de alguém que fique aqui, caso se canse chame um dos rapazes que estão lá fora.
Saga mostrou a Milo como ele devia proceder antes de sair.
Assim que saiu foi imediatamente abordado pelos amigos que estavam na antessala.
— O que houve, Saga? — Perguntou Shaka.
— A febre voltou e está mais forte, já o medicamos, mas ela não baixa então vou apelar para o método antigo, eu tenho que ver alguns pacientes e logo voltarei. — Respondeu Saga saindo apressado, Aioros que estava calado apenas observava o amigo e resolveu ir atrás dele.
Saga saiu do quarto e seguiu para o lavatório, abriu a torneira lavou o rosto sabia que precisava se acalmar, molhou sua nuca mantendo os olhos fechados.
— É tão grave assim?
Ouviu a voz de Aioros e se assustou.
— O quê?
— Estou perguntando se o estado de Camus é tão grave assim? — Repetiu Aioros.
Saga tornou a fechar os olhos e encostar-se à parede soltando o ar dos pulmões pesadamente.
— Sim, é grave! E não sei o que fazer, não depende de mim, o organismo dele precisa reagir! — Respondeu Saga sentindo os olhos arderem.
— Você gosta dele? — Perguntou o sagitariano.
Saga abriu os olhos e encarando o amigo respondeu: — Me preocupo com ele, assim como me preocupo com você, com o Shura e os desmiolados do Afrodite e do Matteu.
— Saga... — Aioros tentou continuar, mas Saga o impediu.
— Me sinto responsável por vocês, quero que sejam felizes... e o Camus estando doente... Porra, Aioros me tornei médico para salvar vidas, pra tentar me redimir de alguma forma do que fiz, de quem eu fui e quando um amigo, uma pessoa que me apoiou precisa de mim eu... Eu não posso fazer nada! Me sinto impotente com essa situação.
Aioros abraçou o amigo e falou calmo. — Ele vai reagir, ele vai conseguir.
Os amigos se encararam por um instante, Saga acariciou o rosto do amigo. — Eu só quero que sejam felizes.
Saga se afastou, mas não o suficiente para não ouvir a pergunta de Aioros.
— E a sua felicidade, Saga... e quanto a ela?
O médico nada disse e continuou a andar para ver seus pacientes.
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Assim que se viu a sós com seu ruivo, Milo começou a fazer o que Saga orientou, molhava o pano na água gelada e colocava na testa de Camus que estava quente, muito quente.
— Camy... precisa reagir... você estava melhor, o que houve meu amor? — Perguntou acariciando os cabelos de seu amado.
Camus estava agitado se remexia na cama, — Milo... Milo.
O escopiano ouviu seu ruivo o chamando e falou em seu ouvido. — Estou aqui meu amor, eu estou aqui.
— Por quê? Milo, por que me trai? — Camus delirava sem se dar conta do que falava.
Milo sentiu seu coração apertar, Camus nunca foi de falar o que sentia e Milo não tinha noção da mágoa que causara em seu companheiro. — Fui um tolo Camus, me perdoa, nunca mais meu amor...
— Ninguém me quer por perto, ninguém me ama. — Camus continuava com seu delírio.
— Shhhh... meu amor... não diga bobagens, todos nós te amamos muito. — Milo falava e novamente mergulhava o pano na água gelada.
— Eu não quero morrer, Radamanthys, não quero! — Milo parou o que estava fazendo e prestou atenção no que Camus dizia. "Radamanthys? Então ele estava te ameaçando Camus? Desgraçado!”— pensou Milo.
E a noite seguiu com Camus delirando e Milo o cuidando, Saga voltou ao quarto medicou Camus novamente.
Na antessala ficaram apenas Shaka e Issak o ex pupilo apenas observava Camus de longe e via naquela divisão de vidro a barreira que sempre tentou colocar ele e seu mestre.
Lamentava muito por isso, pois agora só pensava em estar perto.
A noite foi muito atribulada, Milo não quis se afastar de Camus apesar do cansaço, passou a noite ali cuidando do seu amor.
Shaka pôs-se a meditar e entoar um mantra de cura que sua crença ensinava.
Já era quase manhã quando Saga foi verificar a temperatura de Camus e enfim respirou aliviado: A febre tinha cedido.
— Finalmente! Vamos ficar atentos para que ela não volte.
Logo duas enfermeiras entraram no quarto para dar banho em Camus, fecharam a cortina da divisão da sala e começaram a despir o aquariano, Milo tomou a frente e foi falando, — Deixa que eu faço isso!
Saga girou os olhos e riu do amigo.
Milo, contudo não estava fazendo aquilo por ciúmes, pelo menos não só por ciúmes, sabia que Camus não iria se sentir bem sendo tocado por estranhos.
— Milo não quer ir pra casa? Tomar um banho descansar, depois volta. — Sugeriu Saga.
— Não Saga. Estou bem, vá descansar você, vou ficar um pouco mais.
Saga concordou e quando estava saindo Milo o chamou. -Saga... Obrigado!
O geminiano apenas acenou com a cabeça e saiu.
Issak dormia no sofá da antessala, e Shaka estava acordado ainda entoando seu cântico, Saga ficou o observando durante um tempo, admirava a crença do amigo e sobre tudo a sua fé.
Shaka abriu os olhos e encontrou os de Saga sobre si e por algum motivo ruborizou, mas tentando disfarçar perguntou, — Como ele está? A febre baixou?
— Sim, graças ao seu mantra. — Respondeu Saga com meio sorriso.
Shaka se levantou e o encarou, — Não brinque com minhas crenças.
— Não estou brincando Shaka, o Camus precisava de algo além da medicina e você fez isso, não estou brincando toda a ajuda foi bem-vinda. — Respondeu Saga ameno e Shaka abaixou a guarda.
— Parece cansado.
— Estou saindo de um plantão de quarenta e oito horas, eu realmente estou exausto. — Tornou Saga cansado.
— Está de carro? Posso te dar uma carona. — Ofereceu Shaka.
— Shaka, vou aceitar, porque não seria inteligente da minha parte dirigir agora.
— Hã! Ok! Então vamos? — Chamou Shaka que por algum motivo estava sem jeito.
— Vou passar no meu consultório para pegar algumas coisas.
Os dois seguiram para consultório de Saga e de lá partiram.
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Milo observava Camus dormir, as enfermeiras já tinham ido embora, o ruivo estava limpo, com a roupa trocada e o melhor: Sem febre.
Milo tocou no rosto de seu amado.
Camus se remexeu na cama e abriu os olhos.
— Bom dia, meu amor! — Milo o cumprimentou com um sorriso.
— Bom dia! — Camus olhou para Milo e completou, — Você está horrível!
Milo riu e respondeu, — Tive uma noite difícil. Como se sente?
Camus pensou na pergunta antes de responder, — Melhor, bem melhor.
E de fato Milo também sentiu o namorado mais corado e mais disposto, ao menos sua voz estava mais forte que o sussurro de ontem.
— Que bom. — Completou Milo acariciando rosto de Camus.
O ruivo devolveu o carinho acariciando o rosto do loiro, logo sua mão foi para os cabelos compridos de Milo, os olhos se encontraram.
— Eu tive que cortá-los estavam caindo e... — Camus não terminou o que estava dizendo, pois foi cortado por Milo.
— Shhhh! Tudo bem meu amor, não precisa falar nada... eu entendo e eles vão crescer novamente assim que isso acabar.
Camus esboçou um meio sorriso e se recostou na cama, houve um momento de silêncio que foi quebrado alguns minutos depois por Milo.
— Por que não me contou? Por que quis passar por isso sozinho? Por que, Camus?
Camus fechou os olhos e respirou fundo antes de responder. — Como eu poderia te contar alguma coisa, Milo? Como? Você havia terminado comigo, disse que eu te fazia mal...
Camus sentiu os olhos arderem -... Na boate, fui tentar falar com você, fui pedir para esquecermos tudo, mas você... — Camus fechou os olhos sentindo o peito doer- ... Mas você já estava com outra pessoa, já tinha me esquecido.
O ruivo tentou, mas não conseguiu segurar as lágrimas, — Eu quis morrer. — Confessou. Finalmente confessou! E se deu conta disso, "Radamanthys tinha razão" — pensou o ruivo.
Milo vendo o desequilíbrio de Camus se aproximou dele tentando acalmá-lo.
— Camus, Camus calma! Por favor, não fique assim, a culpa foi minha, te agredi, fui um babaca. — Milo falava emocionado tentando acalmar o seu ruivo.
O que assustou Milo foi o fato de em todos estes anos que estivera com Camus, nunca viu seu ruivo se emocionar assim, não quando o assunto era o relacionamento deles e naquele momento se deu conta do mal que causou a Camus, do quanto seu comportamento fez seu ruivo sofrer, — Me perdoa Camus, me perdoa pelo mal que te causei.
Um pensamento negativo começou a surgir na mente de Camus.
"Milo só está aqui por pena de mim, sim eu o ouvi falar em casamento para o Kanon" — pensava o ruivo. Que como era do seu feitio ficou sério deixando seu rosto sem expressão, essa era sua forma de se defender, esconder o que estava sentindo, esconder sua dor.
Milo, contudo conhecia essa peculiaridade do seu namorado e foi logo falando, — Não! Camus, fala o que está sentindo?
O ruivo apenas olhou para Milo e continuou quieto.
— Quero saber o que está sentindo aqui, Camus? — Milo continuou tocando no peito em cima do coração de Camus.
Camus estava calado não sabia se conseguiria ter essa conversa dignamente, não enquanto estava daquela forma fragilizado, apenas fechou os olhos.
Milo não queria ser rude, não mais, acariciou o cabelo do namorado e com a voz baixa perguntou novamente, — O que está pensando Camus? O que está sentindo? Acho que não podemos mais continuar com isso... Não se esconda mais de mim, Camy.
Sentindo o calor de Milo próximo a si,, Camus abriu os olhos... então os castanho-avermelhados encontraram os azuis vibrantes de Milo, ambos ficaram olhando um para o outro, Camus suspirou. — Você e o Kanon...
— Não existe essa história de “Eu e o Kanon”, te falei isso ontem, inventei tudo pra te fazer sentir ciúmes de mim. — Explicou Milo.
— E conseguiu. — Respondeu Camus.
Milo sorriu fraco ainda acariciando os cabelos de Camus. — Só consegui te fazer sofrer e te afastar ainda mais de mim.
— Você foi com ele para o café.
— Ele é um amigo Camus... É só, — Milo estava falando quando percebeu algo e sorriu, — Você está com ciúmes de mim?
— Você falou que queria se casar com ele, — Camus despejou aquilo que estava o incomodando.
Milo franziu o cenho, — De onde tirou isso? — Eu me casando com alguém que não você, impossível Camus, eu te amo, sou louco por você, é com você que eu quero me casar.
Milo beijou a mão de Camus que o olhou surpreso, Milo jamais tocou no assunto de casamento.
Milo queria pedir Camus em casamento naquele momento, mas não achava justo fazer isso, não sabendo que não iria concretizar este sonho de seu ruivo.
— Bom dia Sr. Versau, como se sente essa manhã? — Perguntou Dr. Robert entrando no quarto sobressaltando os dois namorados que olharam para o médico.
— Sr. Milo, — o médico o chamou assim pelo primeiro nome por ter ouvido Saga se referir a ele assim algumas vezes. — O jovem lá fora que diz ser filho do Sr. Versau, diz que é pra você sair que ele tem o direito de ficar com o pai. — O médico sorriu depois de passar o recado e olhou para Camus. — Que privilégio estão brigando para ficar com o senhor.
— Camus! Me chame de Camus. — Pediu o ruivo olhando para a parede de vidro que dividia o quarto e vendo Issak parado com ar preocupado.
Do outro lado Issak sorriu para Camus e fez uma careta para o Milo.
— Milo, precisa ir descansar. Passou a noite em claro pelo que eu soube. — Aconselhou o médico.
— Eu estou bem, prefiro ficar aqui. — Respondeu Milo de imediato.
O médico negou com a cabeça antes de responder. — O tratamento vai ser longo e precisa estar descansado para poder ajudar seu namorado, não vai ser de muita serventia se cair doente.
Camus olhou para Milo quando o médico disse namorado, e ficou feliz em ver que o escorpiano não corrigiu o médico, e quando ouviu Dr. Robert falar na possibilidade de Milo adoecer, Camus pediu preocupado. — Vá descansar Milo, por favor, não quero te ver doente.
Milo infantilmente pensou em fazer birra, mas quando olhou para Issak do outro lado teve pena, o rapaz deveria ter sua chance de ficar com o ex-Mestre.
— Tudo bem, eu vou, Camy... é o tempo de tomar um banho e comer algo. Logo eu volto.
— Precisa dormir um pouco Sr. Milo. — Falou o médico e Camus concordou.
— Ok! Eu venho mais tarde, qualquer coisa mande me avisar, qualquer coisa, por favor! — Pediu ao médico.
Segurou a mão de Camus e a beijou, sua vontade era beijar o namorado, mas sabia que não era permitido e talvez o médico proibisse sua entrada ali se ele ousasse fazer isso.
Quando Milo saiu deu de frente com um ansioso Issak.
— Tem que se higienizar para entrar, você sabe. — Avisou Milo.
— Tá, eu sei. — Respondeu Issak indo se preparar.
Milo não simpatizava com Issak e analisando friamente essa implicância vinha de muito antes de eles voltarem a vida, Milo se lembrava de um tempo que há muito foi deixado pra trás.
Milo seguiu para seu carro e sua mente foi para uma época há muito tempo esquecida...
Muitos anos atrás...
Em outra vida...
— Vamos concentração Hyoga você já fez antes, vamos sinta o cosmo. — Dizia Camus aos seus pupilos durante uma tarde de treinamento, por algum motivo os meninos não conseguiam se concentrar, um dia antes Camus havia conversado com Issak que ele provavelmente seria o Cavaleiro de Cisne visto que Hyoga não parecia querer treinar para ser um cavaleiro.
Camus percebeu que aquilo deixou Issak um tanto quanto perturbado, mas achou que talvez fosse o peso da responsabilidade.
— Issak, mostre a ele como fazer!
Em segundos Issak congelou um pequeno lago. — Muito bem Issak!
Elogiou Camus que de repente sentiu um cosmo quente e conhecido se aproximando, seu coração bateu descompensado em seu peito.
— Meninos continuem o treinamento por mais uma hora. — Ordenou Camus que seguia para encontrar a pessoa que emanava aquele cosmo.
— E depois? — Perguntou Hyoga.
— Para o alojamento, descansar. — Respondeu o mestre sumindo de vista.
Milo estava próximo a uma árvore encostando-se no tronco e sorria ao sentir seu ruivo se aproximando.
— O que houve Milo, por que está aqui? — Perguntou Camus com o tom sério e indiferente, tentando disfarçar sua ansiedade e alegria por ver seu "amigo".
— É um prazer te ver também, Camus! — Respondeu irônico o escorpiano.
Camus suspirou e voltou a falar, — Perdoe-me Milo eu... É sempre bom te ver.
Eles se encararam por alguns segundos e ao mesmo tempo se abraçaram.
"Como é bom sentir o cheiro de ele" — pensava Milo.
Camus por sua vez ainda tinha o coração acelerado.
— O que faz aqui, Milo?
— Saudade, eu sucumbi a ela! Não posso mais ficar longe Camus, quero ficar perto! Perto de você. — Respondeu Milo encarando os olhos de Camus.
— Milo... — Começou Camus, mas foi cortado por Milo.
— Será que não tenho direito nem a uma xícara de chá ou um chocolate quente? — Perguntou displicente o loiro, distraindo o ruivo e o impedindo de continuar no assunto por hora.
— Vamos, venha para o alojamento, — Camus falou seguindo com Milo ao seu lado.
O Alojamento era simples, os meninos dividiam o quarto e Camus dormia em outro no andar de cima, tinham uma cozinha, uma pequena sala onde sempre ficavam conversando no início da noite, cada quarto tinha seu banheiro.
Milo reparou em tudo assim que entrou na cabana de inverno, podia ser simples, mas era muito bem arrumada. Dava para ver o toque de Camus em tudo, Milo observou a sala, não havia tv ou qualquer outro equipamento eletrônico e estava impecavelmente organizada.
— Tem certeza que você tem duas crianças morando aqui com você? — Perguntou Milo achando graça.
— Crianças disciplinadas, Milo, aqui tem crianças disciplinadas. — Respondeu Camus com seu olhar blasé.
Milo rio.
— Me fale como eles são? — Pediu Milo. — Tem chocolate quente?
— Milo, estou treinando os garotos para serem cavaleiros de Athena, não estamos numa colônia de férias. — Emendou Camus. — Eles são ótimos, o Issak é o mais disciplinado, ele faz tudo com um ideal, já Hyoga é mais amoroso, inteligente e forte, mas não tem a "vontade" necessária para ser cavaleiro, ele ainda não superou a morte da mãe, não vejo isso com bons olhos.
— Coitado, Camus! Tenho pena... é só um garoto.
— Ele é um aspirante a cavaleiro, não pode se deixar levar por estes sentimentos desta maneira. Falou Camus sério, colocando uma xícara de chocolate quente na frente de Milo que o olhou surpreso.
— Mas eu pensei?
— Bom não fazemos isso todos os dias, mas depois de um dia duro de treinamento acho que eles merecem um agrado.
Milo olhou o para Camus e sorriu, aquele era o seu Camus, engana-se quem acha que o Cavaleiro de Aquário é aquele homem frio que fingi ser com tanta maestria. Milo sabia que por trás daquela aparente frieza se escondia um cosmo quente, se escondia o dono do seu coração e dos seus desejos.
— Não é ruim ter sentimentos Camus, se devia entregar a eles. — Falou Milo com a voz calma.
— Milo. Sabe que temos responsabilidades, tenho os meninos, temos uma missão na terra e vivemos pra ela.
Milo se levantou e foi até Camus como um felino que estuda sua presa.
— Onde está escrito que não podemos ter uma vida? Onde está escrito que não podemos nos apaixonar? Por que não podemos viver este amor? — Milo falava, e a cada nova frase se aproximava mais e mais.
Camus, como uma presa que via seu predador se aproximando, dava alguns passos para trás até que sentiu a parede atrás de si.
— Milo... não podemos, nós temos... — Os argumentos de Camus foram esquecidos quando Milo tomou sua boca num beijo apaixonado.
Camus ainda tentou afastar o escorpiano, mas, talvez fosse por causa da saudade, da carência, ou penas seu amor falando mais alto, o fato é que ele não conseguiu afastar Milo.
O escorpiano por sua vez, entre beijos e abraços, guiou Camus até o quarto e quando lá dentro trancou a porta.
— Milo... Não, nós não devemos... — Camus tentou argumentar, mas novamente não conseguiu terminar a frase, pois Milo com a mão ágil adentrou a calça do aquariano e conseguiu chegar ao membro de Camus que gemeu alto.
Milo sorriu malicioso ao escutar o gemido de Camus, ágil tirou a camisa que usava e a de Camus junto, foram aos beijos até que caíram na cama, Camus nunca havia feito nada parecido, todas aquelas sensações eram novas sentir as mãos de Milo o tocando era divino.
Completamente entregue, Camus era só sensação, ele não saberia dizer quando ou como aconteceu, mas quando deu por si estava nu em sua cama, Milo massageava seu membro, quando Camus achou que não poderia sentir mais prazer, sentiu a cavidade quente e úmida que era a boca Milo envolvendo seu membro.
Novamente Camus gemeu, contorcendo seu corpo, "como podia existir algo tão bom?"— pensou o ruivo.
Milo ainda trabalhando na felação lambuzou um dedo na sua saliva e usou o tato para alcançar o botão rosado de seu ruivo e assim forçar o dedo.
Camus gemeu ainda mais.
— Milo...- sussurrou Camus sem forças para afastar o escorpiano e sem conseguir raciocinar entre o certo e o errado.
Se algum dia alguém ousasse dizer que o sempre sisudo e frio cavaleiro de Aquário teria um momento em que se transformasse em pura sensação, Camus mandaria internar essa pessoa num sanatório, pois acreditaria que esse momento jamais chegaria em sua vida.
O ruivo nunca imaginou que conseguiria em sua vida ter um momento só seu, em que sua mente ficaria assim livre de todos os pensamentos.
Milo parou a felação, e fez um caminho com a língua pelo corpo do ruivo como se este fosse um delicioso sorvete, parou nos mamilos onde arrancou mais alguns gemidos do ruivo, continuando seu caminho até chegar a boca de Camus e o calar com um beijo intenso. Milo segurou os membros com a mão e iniciou a masturbação dupla arrancando mais gemidos do ruivo.
Milo perdeu-se na visão de seu ruivo, corado, gemendo e entregue a ele, sim... Milo jamais esqueceria aquela expressão de prazer na face de seu ruivo e iria querer ter aquilo para sempre.
Camus por sua vez estava perdido naquelas sensações, "como é possível sentir tanto prazer assim?" — era a única coisa que conseguia pensar.
De repente Camus sentiu algo novo brotando dentro de si, algo tão forte que o assustou o fazendo arregalar os olhos.
— Milo! — Camus tentou chamar o loiro, queria que Milo parasse ao mesmo tempo em que necessitava que ele continuasse com os toques, ainda envolto naquelas sensações Camus sentiu-se explodir! Uma força que veio de seu interior o fez flutuar, seu coração acelerou, seu corpo teve espasmos, pequenas convulsões o sacudiram e a sensação de prazer se tornou plena.
Os espasmos duraram alguns segundos, quando Camus abriu os olhos encontrou orbes azuis como o dia da ensolarada Grécia, Milo o encarava, Camus pensou em desviar o olhar, mas neste momento ouviu Milo gemer e ter os mesmos espasmos que ele tivera há segundos atrás e, uma verdade seja dita, foi a coisa mais linda que Camus já vira.
Quando Milo conseguiu abrir os olhos, encarou Camus. Sorriu e tomou seus lábios novamente.
Milo deitou ao lado de Camus e o abraçou possessivo, cheirando seu pescoço.
— Eu te amo, Camus!
Camus nada respondeu, estava confuso com tudo que acabara de sentir, sempre achou errado se deixar dominar pelos sentimentos, estaria errado todo este tempo? Poderia amar e ser um cavaleiro? Poderia amar e ter suas responsabilidades?
Virou-se para Milo e o beijou, sim estava decidido ir tentar ao menos ser feliz ao lado de Milo, mas neste momento algo horrível aconteceu.
Camus e Milo levantaram num salto.
— Issak! — Falou Camus colocando suas roupas rapidamente. — O cosmo de Issak desapareceu Milo!
Milo também sentiu, ambos correram após terem se vestido.
— ISSAK! ISSAK — Gritava Camus, — HYOGA!
O cosmo do loiro estava fraco, mas Camus conseguia sentir e se guiou naquela direção.
Chegaram ao local, Hyoga estava caído próximo a um grande buraco feito no gelo. — Milo cuide dele. — Pediu Camus antes de mergulhar nas águas geladas em busca do seu pupilo mais velho.
Milo pegou Hyoga no colo e o aqueceu com seu cosmo, o levou para o alojamento, trocou suas roupas molhadas e o colocou na cama e ficou a espera de Camus sentido seu coração apertar.
Passado algum tempo foi atrás do seu ruivo que estava de joelhos no local onde haviam encontrado o Hyoga.
Camus chorava quando os olhos dele encontraram os de Milo, o escorpiano pode ver todo o sofrimento e a culpa que Camus carregava em seu peito.
— Camus, não foi sua culpa. Não faça isso. — Disse Milo sofrido.
— Eu falhei com ele Milo, ele era minha responsabilidade e eu falhei com ele e com o Hyoga.
Milo tentou se aproximar de Camus, mas o ruivo sentenciou sério.
— Acabou Milo.
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No fundo Milo sabia que sua história com Camus naquela época foi interrompida por aquela fatalidade, e mesmo depois nesta nova vida Issak sempre esteve entre eles.
"O garoto não tem culpa, nunca teve" — pensou Milo que sempre sentiu ciúmes da atenção que seu ruivo dava ao pupilo, mas no fundo sabia que essa atenção era uma forma de diminuir a culpa que sentia por na sua visão ter falhado com ele naquele dia.
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