A Ultima Chance

10 Capítulo - 10


Notas iniciais
Olá! Tubo bem? Espero que sim. Eu iria postar este capítulo somente no carnaval, mas pensei "as pessoas não são como você Sheila, muitas tem uma vida social", então eu decidi antecipar postagem, espero que goste. Eu queria dizer que tenho recebido algumas "broncas" do tipo o Camus não é assim, o Milo não é assado, você está acabando com o meu OTP etc... Mas eu queria esclarecer que meus personagens são humanos, apaixonados e com defeitos como a maioria das pessoas, acho que este poema de Camões diz um pouco do que eu quero passar. Amor é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer. É um não querer mais que bem querer; é um andar solitário entre a gente; é nunca contentar-se de contente; é um cuidar que ganha em se perder. É querer estar preso por vontade; é servir a quem vence, o vencedor; é ter com quem nos mata, lealdade. Mas como causar pode seu favor nos corações humanos amizade, se tão contrário a si é o mesmo Amor? No mas, eu quero agradecer a Vivi que beta minha fic, mesmo tento tantas outras coisas pra fazer e mesmo quando ela não tem mais nada pra fazer, ela usa o tempo livre que tem betando, então obrigado Vivi, sua linda. Nossa chega de "falar", boa leitura, este capítulo está tenso, mas isso não é novidade, não é? Boa Leitura!

Capítulo — 10

Já passavam das duas das tarde quando Milo acordou com sua cabeça doendo muito.

— Ai! — Falou colocando a mão na cabeça, "droga de bebida" Milo lembrou que misturou as bebidas, "odeio quando o Camus tem razão" — pensou.
Milo olhou em volta, — "Camy? Onde está? " — Sabia das coisas que fizera na véspera, contudo, ainda achava que Camus lhe devia uma explicação.

Levantou foi até o chuveiro, ligou o aparelho deixando a água cair em seu rosto.

Depois de um banho demorado, Milo vestiu-se e saiu à procura do seu namorado, ele ainda lhe devia explicações, e se o encontrasse conversando com Saga ou Matteu a coisa ia ficar feia

Foi até o refeitório da pousada e pediu algo para comer, era melhor se prevenir.

Enquanto Milo estava almoçando sentiu alguém se aproximando, por um momento pensou ser o namorado, porém, quem sentou a sua frente foi Aioros.

— Está melhor? — Perguntou o sagitariano cauteloso.

— Não estava doente. — Respondeu Milo com grosseria.

— Mas estava bêbado, chato e sem razão. — Retrucou Aioros sério no mesmo tom rude que Milo usará.

Milo achou estanho Aioros falar com ele daquela forma, não tinham intimidade para conversarem sobre... Bom, não tinham intimidade para que Aioros fosse lhe dar um sermão.

— Camus queixou-se com você?

— Não Milo, eu estava lá, vi como se portou.

Sentindo as bochechas corarem, Milo olhou para o seu prato. — Não deve ter visto o que eu vi.

— E o que você viu Milo? Seu namorado conversando com outras pessoas? Num ambiente em que você estava? — Perguntava sério o sagitariano, — você estava dançando na pista! Se continuar sendo babaca assim vai perder o Camus, sabe disso.

“Perder o meu Camus, não. Isto está fora de questão”- pensar nisso fez o coração de Milo doer, — Ele falou algo com você? — Milo precisava saber, teria seu Camy pensado em lhe deixar?

—Aioros... Eu sinto... sinto ciúmes dele, não consigo evitar... É mais forte que eu... — confessou sua fraqueza o escorpiano — se eu pudesse... o trancava em um... eu o trancava pra mim em um lugar onde só eu pudesse falar com ele.

Confessou derrotado. — Sabe onde ele está? Quero conversar com ele, me desculpar, tentar nos entender.

— Pensei que ele estivesse com você no quarto. — Respondeu Aioros.

— Eu acordei há pouco, ele não estava lá. — Milo respondeu cismado, “onde estaria seu Camus?”

Milo saiu à procura de Camus acompanhado de Aioros, perguntaram aos amigos, mas ninguém sabia dizer nada e alguns ainda estavam bravos com Milo.

Milo foi até a praia e viu Saga caminhando, “se Camus tiver com ele”... — Saga, onde está o Camus? — Milo foi perguntando assim que o loiro se aproximou.

— Se eu fosse ele estaria bem longe de você. — Respondeu o geminiano seco.

— O quê? Olha aqui seu...- Milo não completou a frase, pois foi interrompido por Aioros que se meteu no meio dos dois.

— Saga não é hora pra isso, o Camus... Ninguém o vê desde ontem, por acaso você o viu ou esteve com ele? — Explicou o sagitariano.

Saga olhou preocupado. — Não, não o vi desde a hora em que voltamos, Mu comentou que ele foi caminhar na praia para esfriar a cabeça — contou Saga.

— Esfriar a cabeça? Como se ele precisasse disso! — Reclamou Milo ao que Saga rebateu.

— Acha que só porque o Camus não faz cenas como você, ele não tem sentimentos? Acha que ele não sofre?

Milo calou-se, no fundo sabia que Saga tinha razão.

Procuraram em mais alguns lugares antes de voltarem à pousada, lá chegando Milo perguntou novamente na recepção desta vez a um rapaz do turno da noite confirmou que viu Camus e que o ruivo havia saído com as malas e o carro quase ao amanhecer.

Milo correu para o quarto e viu que as coisas de Camus realmente tinham sumido. Estava começando a se irritar pegou seu celular e tentou ligar para Camus que obviamente não atendeu, quando desistiu de ligar viu uma mensagem de Camus.

"Cheque seu e mail"

— Mas o quê...? — Milo não teve tempo de reclamar quando abriu seu e-mail, leu a mensagem de Camus e viu os anexos... Suas conversas com Paul.

“Não me tome por você, Milo!

Não sou eu o promíscuo traidor.

Eu tentei Milo, tentei nos dar uma chance, mas não vou tolerar sua desconfiança quando quem trai aqui é você.

Ps. Mande lembranças ao Paul."

A cada frase lida Milo ia ficando pálido. — Não é possível. — Sussurrou para si o escorpiano.

Aioros bateu na porta e entrou sem esperar resposta, sabia que Milo estava só. Notou que Milo estava pálido. — O que houve Milo, aconteceu algo?

Milo afastou-se do notebook dando espaço para o amigo ler a mensagem de Camus.

— Eu não acredito! Você é o cara mais filha da puta que eu conheço! — Aioros bronqueava bravo, — Como pode ser tão ciumento, possessivo, agredir Camus com palavras quando você é um filho da puta de um safado?

Milo estava com a cabeça baixa como um filho que leva bronca da mãe.

— Como pôde agir assim? Como pôde o trair desta maneira? — Continuava com a bronca o sagitariano.

Ao ouvir tal acusação Milo se defendeu, — Ei! Calma lá, eu nunca o traí, nunca estive com outra pessoa desde que estou com Camus, eu sou fiel a ele.

— Fiel! Fiel? Tem noção do significado desta palavra? Por que esta sua conversa íntima com este tal Paul põe em check essa sua fidelidade ilibada. — Aioros ralhava sério.

— Eu nunca me encontrei com o Paul e nunca me mostrei pra ele, Paul é só um amigo virtual, conheci pela Internet e conversamos sobre tudo, ele só tem esta mania de conversar nu, mais nunca passamos disso, conversar pela Internet. — Tentava se justificar o escorpiano.

— Eu queria ver se fosse o Camus quem tivesse um "amiguinho" assim, o que você não faria. — rebateu Aioros.

— É diferente! — Respondeu o escorpiano sério.

O sagitariano riu sarcástico e questionou indignado. — O que tem de diferente?

— Eu sempre pedi pra ele fazer isso comigo, sempre quis que fosse ele a se mostrar pra mim — O loiro tentava explicar a sua lógica um tanto confusa.

Aioros olhou incrédulo, não conseguia conceber tamanha cara de pau.

— Sim, é diferente, se o Camus fizesse isso seria traição, porque eu nunca me neguei a fazer isso com ele e vamos parar de falar na possibilidade do Camus fazer isso, me irrita. — Pediu Milo já nervoso de pensar na possibilidade de seu Camus se mostrar para algum amigo virtual.

— Se eu fosse ele, eu acabaria com você assim que descobrisse isso. — Continuou a bronquear o amigo.

— Eu também, eu jamais conseguiria me calar diante de algo assim... — Milo pensou um pouco e continuou. — Claro! Por isso ele andava esquisito, pelos deuses! Ele está estranho há uns... — Milo sentou na cadeira — Ele sabe há uns seis meses!

Foi a vez de Aioros sentar na cama, — Seis meses! Uau ele nunca falou nada? Nem uma indireta? Como ele conseguiu? Isso é coisa de psicopata. — Falou o sagitariano rindo.

— Foi quando meu note quebrou, claro ele me emprestou o dele e ficou com o meu pra consertar, — Milo dizia mais pra si que para o amigo. — Eu notei que ele andava mal humorado, só queria transar de camisinha, ou melhor, quase nunca queria transar, claro!

— Nossa o Camus realmente tem um alto controle incrível! — Comentou Aiorios.

Milo estava computando tudo, o medo de perder Camus, a vergonha de ter sua privacidade invadida, e a raiva de saber que Camus sabia há tanto tempo, e nem por um minuto após os longos meses ele revelou isso, "Como? Como Camus pôde ser tão controlado?"

— Como ele pôde fazer isso comigo? — Bradou Milo.

— Oi? — Falou Aiorios sem entender a raiva do escorpiano.

— Como alguém consegue ser assim tão frio? Tão calculista? Por que, Aioros, por quê? — Milo perguntava aos berros passando a mão no rosto, puxando seu cabelo.

A viagem acabou para Milo, ele não tinha cabeça para ficar ali sem Camus, isso sem contar com o fato de que Milo tinha um medo absurdo de perder seu Camus.

Chegando no dia seguinte a Grécia, Milo passou em seu apartamento para guardar suas coisas e logo seguiu para a casa de Camus, não era de deixar as coisas para depois, estava decidido a resolver tudo o quanto antes.

Milo chegou ao apartamento de Camus no início da noite, e apesar de ter a chave achou por bem tocar a campainha.

Camus estava em casa, tentava ler um livro para não ficar com seus pensamentos em Milo, mas era difícil se concentrar, quando ouviu o toque da campainha estranhou, foi abrir pensando que talvez se tratasse de Issak, não conseguiu disfarçar a surpresa de ver Milo parado na sua frente.

— Oi, acho que precisamos conversar — Falou Milo ainda da porta.

Camus se recuperou do susto rapidamente concordou com a cabeça e deu passagem a Milo fechando a porta e respirando fundo antes de virar e encontrar os olhos azuis do escorpiano.

Ficaram assim se estudando por alguns segundos, apenas se olhando, tentando decidir quem falaria primeiro.

Milo foi o primeiro a quebrar o silêncio. — Por quê? — Falou olhando Camus.

O ruivo franziu a testa sem entender a pergunta.

— Camus, por que veio embora assim? Por que mexeu nas minhas coisas? Por que não falou nada? — Foi despejando o escorpiano de uma vez, de forma atropelada. — Por que invadiu minha privacidade?

Camus o olhou surpreso esperava que no mínimo o seu namorado fosse se desculpar.

— Foi um acidente eu estava excluindo alguns arquivos quando abri este em questão. — Explicou Camus sem emoção.

— E por que guardou isso pra você? Por que não me afrontou? — Perguntou Milo já emocionado. — Eu sofri tanto com sua distância, sem saber o que estava acontecendo, achando que tinha deixado de me amar.

— Você sofreu? Não acha que eu também sofri? — Perguntou o ruivo.

— Se sofreu, por que guardou isso com você? Por que não me questionou? Não me xingou ou me bateu, por que não fez nada? — Insistiu Milo.

Camus escutava as perguntas de Milo sem saber o responder de fato. Não! Sabia por que não fez nada, tinha vontade de dizer, "porque te amo e tive medo de te perder" ou "porque eu não sabia como lidar", mas não disse nada, nada do que tinha vontade falou apenas. — Não funciono como você, Milo.

— Veio aqui pra isso? Para me questionar? Me acusar? — Perguntou Camus incrédulo.

Milo abaixou a cabeça, "não, não era isso que tinha em mente"— Camy, eu... o Paul é só um amigo, um cyber amigo... eu nunca... Eu não tenho nada com ele nunca me mostrei pra ele... Éramos... — Milo não terminou de descrever o tipo de amizade que tinha com Paul, pois foi cortado pelo namorado.

— Eram confidentes, eu vi as críticas que fazia ao seu namorado, isto sem falar no conteúdo sexual da amizade de vocês — dizia Camus no tom mais frio que conseguia apesar de por dentro estar queimando de raiva.

Milo ouvia tudo de cabeça baixa.

— Como ousa me chamar de traidor? De fazer aquele papelão na frente de todos, quando é você que faz essas promiscuidades? — Acusou o ruivo.

— Eu os vi dando em cima de você, o Matteu falou na minha cara que tava afim de você, — defendeu-se Milo, — e o Saga ele...

— Cala a boca! Não fale do meu amigo que é uma pessoa séria e sempre teve muito respeito por mim. — cortou Camus.

— Como você disse Camus, "não somos iguais", eu não vou ficar vendo estes caras flertando com você e ficar quieto, eu não sou assim. — Retrucou Milo nervoso batendo no peito.

— Não é como eu? Certo o que faria se me visse conversando nu com Saga "MEU" confidente, Hein? — Provocou Camus.

— Para com isso Camus, não sabe como é difícil pra eu segurar meu ciúme, não tem idéia de como eu sofro por causa desse meu ciúme, não me provoque! Que eu não respondo por mim. — Alertou Milo tentando se controlar.

Mas Camus estava farto e continuou a provocação imitando uma suposta conversa com o amigo. — Oi Saga como vai? Milo é um babaca... Nossa que pau enorme você tem, sim eu adoraria sentir você em mim, hum, eu cavalgaria sem parar, claro que eu te chupo e deixo você gozar na minha boca.

Milo estava ensandecido só de pensar na possibilidade de uma conversa assim entre seu namorado e o amigo. — CALA A BOCA, CAMUS!

Bradou Milo já cego pelo ciúme e indo na direção de Camus. O ruivo foi pego de surpresa, não se defendeu apenas deixou escapar um sussurro. — Milo...

Quando sentiu os dedos de Milo em volta de seu pescoço e a dor de ter sido jogado contra a parede enquanto o namorado apertava sua jugular. Milo estava cego de raiva, mas aos poucos foi voltando a si, olhou Camus nos olhos que transmitiam decepção. O loiro soltou o ruivo horrorizado com o que tinha acabado de fazer.

— Camy...Camy... — Milo se ajoelhou aos pés de Camus em prantos, com desespero pelo que tinha acabado de fazer, Camus não tinha idéia de como era difícil pra ele, Milo, segurar os ciúmes, de como ele sofria, de como doía...

Camus passou a mão pelo pescoço e tossiu se afastando de Milo que só fazia chorar aos seus pés, desta vez o escorpiano havia passado de todos os limites, em todos esses anos de relacionamento, nunca tinham levantado a mão um para o outro.

Milo se levantou, ainda chorando, e andou pela sala tentando se acalmar, olhou para Camus e sentenciou.

— Acabou Camus! Não tem noção de quanto eu sofro, isto está me fazendo mal. Este nosso relacionamento está me matando, está me tirando de mim eu nunca pensei em agredi-lo, — Milo suspirou, — eu poderia ter te matado, nosso relacionamento está me fazendo mal.

Camus nunca pensou na possibilidade de perder Milo, de terminarem, não... pra ele tudo se resolveria com o tempo. Ele havia perdoado a traição, perdoaria também a agressão, teve vontade de gritar para que Milo não fosse, para que Milo não o deixasse que resolveriam tudo porque se amavam, mas nada falou e nada fez. Viu o amor da sua vida sair pela porta e não fez nada ficou imóvel como uma pedra de gelo.

E como uma pedra de gelo que aos poucos vai derretendo foi descendo até o chão.

— Milo...

Foi o que deixou escapar de sua boca, num sussurro sofrido.

*_*_*_*_*_*_*_*

Camus estava parado em frente ao quadro negro, aquelas lembranças lhe invadiram a mente, virou para frente e viu que os alunos o observavam, não se lembrava de onde tinha parado na explicação.

— O senhor está bem, professor? — Perguntou Nicolas seu aluno mais aplicado.

Contudo antes que pudesse responder tudo ficou escuro.

Shaka, que estava do lado de fora na sala assistindo a aula pela janela da porta, entrou correndo. — Camus! Camus fale comigo!

Olhou para os alunos de seu amigo e disse calmo. — Está tudo bem, fiquem aqui, — apontou para Nicolas. — Você! Vá chamar a diretora.

Pegou o amigo no colo e o levou para seu carro, de lá seguiram para o hospital.

*-*-*-*-*-*-*

— Ele vai ficar aqui esta noite, vai ficar no soro, está fraco e amanhã tem uma sessão de quimioterapia precisa estar forte até lá. — Falava o Dr. Robert para Camus que estava deitado e para Shaka que estava em pé ao seu lado.

Camus não queria que o amigo soubesse de sua doença, mas não pôde fazer nada estava desacordado quando foi levado para o hospital e quando acordou o amigo já conversava com o médico.

— Eu estou bem, posso ir pra casa, — falou o ruivo com teimosia.

— Não, não está fique quieto e descanse. — Ordenou o médico que fez sinal para que Shaka o acompanhasse para fora do quarto.

Assim que se viram fora do quarto o médico começou a falar, — ele está fraco e doença está avançando, não conseguiremos tratá-lo somente com a quimioterapia, ele vai precisar de um transplante, sabe se ele tem algum parente? A probabilidade de encontrarmos um doador compatível fora da família e uma em um milhão.

Shaka ouvia tudo sério, não imaginava que a situação do amigo fosse assim tão grave. — Não, ele não tem família, pelo menos não de sangue, mas vou tentar falar com alguns amigos temos que tomar alguma providência. Doutor ele está trabalhando normalmente isto pode prejudicar sua saúde? — Questionou o loiro indiano.

— Sempre recomendo que meus pacientes mantenham a mente ocupada, que tenham atividades até onde aguentarem, sabe, seu amigo deve sentir muitas dores, mas se trabalhar o distrai e ele aguenta, não vejo problemas, ele não só não pode se sacrificar, assim como o trabalho é importante, o descanso também é primordial. — Alertou o médico.

Assim que o virginiano voltou para o quarto, Camus que estava imóvel olhando para o teto falou. — Shaka eu...

— Não se preocupe Camus, não quer que saibam e eu não vou contar a ninguém, isto é um direito seu, mas acho que está errado tentando manter as pessoas que o amam fora de sua vida neste momento. — Shaka respondeu firme.

— As pessoas que me amam? — Camus repetiu a frase sentindo o coração sangrar em seu peito, tamanha era a dor de imaginar que no fim, não era amado por ninguém.

Shaka percebeu que o amigo não estava bem e pediu ao médico que lhe aplicasse algum remédio para a dor, mal sabendo que a pior dor de Camus era a dor da alma.

Após tomar a medicação o ruivo enfim dormiu.

*_*_*_*_*_*_*

Milo saiu do encontro com os amigos e parou em frente ao prédio de Camus, viu que o namorado não estava em casa, pois a luz de seu apartamento estava apagada, Milo olhou no relógio imaginou que logo Camus chegaria, não era dia de dar aula na escola, me talvez ele tivesse trocado o dia.

Resolveu esperar.

*_*_*_*_*_*_*

Hyoga estava deitado abraçado a Issak na sala do apartamento do bar tender, se bem que o apartamento na verdade era uma quitinete composta de uma sala que se separava da cozinha por um balcão estilo americano e um banheiro.

Issak não tinha muitos móveis em casa, aliás, os poucos que tinha foram doados por Camus: fogão, geladeira e um sofá cama. Issak não queria nada, mas essa foi uma das condições do ex-mestre para deixa-lo morar só.

— Issak, eu tô pensando e acho que fomos muito injustos com Camus, você pegou muito pesado com ele, tô me sentindo culpado. — Lamentou Hyoga com a cabeça no peito de Issak que se mexeu.

— É, eu sei, não gosto de tratar ele assim, mas de outro jeito ele não escuta, sabe como ele é, sempre tenta nos colocar em uma redoma de vidro. — Respondeu Issak.

— Ou numa esquife de gelo. — Emendou Hyoga sorrindo ao lembra do jeito super protetor de seu mestre.

— Mas talvez tenhamos errado em não contar sobre nós. – Disse triste Hyoga.

— Hyoga, fala sério! O que diríamos a ele? Que nós nos pegamos há tempos? Sim, porque a gente se pega há anos, nos beijamos a primeira vez na Sibéria. — Lembrou Issak.

Hyoga sorriu lembrando.

— Não programamos nada, as coisas simplesmente aconteceram. — Justificava Issak.

— Se falássemos a ele que nos beijamos aos onze anos na Sibéria, acho que ele teria um piripaque e congelaria nós dois. — Falou Issak e Hyoga riu.

— Dai tudo aconteceu e eu fui morar com ele, e você ficou no Japão e vinha nas férias, lembra que transamos a primeira vez aos quinze anos, numa das suas férias, enquanto Camus estava no trabalho nós mandávamos ver em casa? — Falou debochado o ex-marina, — se tivéssemos falado com ele que a gente se pegava, acha que ele nos deixaria sozinhos? Claro que não! Ele nos levaria junto para a faculdade e daria um jeito de nos fazer dormir bem longe um do outro, com certeza ele colocaria um colchão no meio da gente e dormiria lá.

Os meninos riam imaginando as situações que passariam se tivessem contado a Camus sobre o romance deles.

— Daí a gente sempre aproveitava pra ficar escondido quando o Camus não estava, mas acho que o Milo já tinha sacado a gente, e até ele achou melhor não contar nada, nós íamos falar com ele neste verão, eu já moro sozinho e tal.

Issak pensou um pouco antes de continuar. — Se bem que se falássemos com ele aposto que ele iria querer nos ver casados o quanto antes, ele não ia imaginar que já transamos há tempos e bom... você conhece ele. — Finalizou Issak.

Hyoga suspirou.

— O Camus é careta, não é? Ele nem é tão mais velho que nós, mas age como se fosse nosso pai, e eu o amo muito por isso. — Declarou o loiro.

Issak sentou e olhou para o seu namorado. — Acaso acha que eu não sinto o mesmo? Acha que não o amo? Eu quero o manter longe por outros motivos, motivos meus, e pedir apenas não adianta, ele não se afasta! Está sempre preocupado, sempre sendo racional, dando conselhos querendo que fiquemos com os pés no chão e bla bla bla! E tem outra: pra você é fácil, você escolheu morar longe, já eu não tive escolha. — Queixou-se o ex-marina.

Eles ficaram em silêncio por um tempo, e Issak quebrou o silêncio querendo evitar que o clima ficasse pesado.

— Lembra quando o Milo dormiu lá em casa pela primeira vez?

Os dois riram.

— Eles namoravam há anos acho que só transavam na casa de Milo, Camus não permitia nenhum tipo de aproximação do Milo na nossa frente. — Lembrou Hyoga.

— E naquela noite estávamos vendo um filme na sala, e o Milo levantou na maior cara de pau e falou "vou dormir, boa noite pra vocês" e seguiu para o quarto do Camus. — Completou Issak e os dois riram novamente.

— Coitado do Camus, ele ficou tão vermelho e sem graça, acho que ele usou todo seu autocontrole para conseguir nos dar boa noite e ir para o quarto sem gaguejar. — Continuou Issak.

— Milo deve ter tido muito trabalho pra consegui chegar nos finalmentes com o Camus — Hyoga concluiu.

— Sim, mestre recatado e pupilos safados! — Falou Issak beijando Hyoga que sorriu.

— Mas vou visitar ele, tentei ligar, mas só caía na caixa vou visitá-lo no domingo — concluiu Hyoga.

— Você quem sabe! Eu não vou, tô fora de ouvir sermão! — Respondeu Issak voltando ao seu jeito rebelde.

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Já passavam das duas da madrugada quando Milo cansou de esperar, saiu do carro e foi até o apartamento de Camus, não teve dificuldade para entrar uma vez que tinha a chave.

Seu ruivo não estava lá, "onde está você Camus?"— perguntava-se o loiro, "será que ele está com o Saga?" mil pensamentos rondavam sua mente quando viu o copo de whisky em cima da estante, Milo foi até o copo cheirou seu conteúdo e num momento de fúria o jogou contra a parede, fazendo objeto quebrar em vários pedaços.

— Ele está com alguém, ele me esqueceu, deve estar nos braços de outro agora! — Falava Milo sozinho e inconformado.

Milo achou melhor sair dali, sabia que não poderia controlar suas ações caso visse Camus chegando com outra pessoa.

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O dia amanheceu, Shaka passou a noite ao lado do amigo, pela manhã o médico iniciou o procedimento para dar seguimento à quimioterapia, Shaka ligou para Mu contando o que aconteceu, mas avisou que passaria o dia com Camus, apenas passaria em casa para tomar um banho, trocar de roupas e pegar alguns pertences, aproveitou o momento da quimioterapia para fazer isso.

Acabando o procedimento, Camus ficou em observação, diferente das outras vezes, nesta o ruivo sentiu muito enjoo e chegou a vomitar duas vezes.

Passavam das três da tarde quando o médico liberou Camus para ir pra casa.

Chegando no apartamento do ruivo Shaka falou. — Vá tomar um banho e descansar um pouco eu vou preparar algo para o jantar.

— Shaka, eu estou bem, não precisa ficar aqui. Deve ter suas coisas para resolver, não é justo... — Camus começou a falar, mas foi cortado pelo amigo.

— Não, você não está bem! E eu estou com um amigo, nada pode ser mais importante que isso, agora cale-se e vá tomar banho para poder descansar. — Ordenou Shaka impaciente.

Vencido, Camus foi.

Na privacidade de seu banheiro, Camus se despiu e pôde ver como estava magro e abatido, passou a mão em seu cabelo e percebeu que alguns fios caíram, mesmo que a quimio usada em seu tratamento não fizesse os cabelos caírem como era comum, Camus sabia que seus cabelos compridos não resistiriam por muito tempo, eles estavam fracos, opacos tão diferentes do vermelho de outrora.

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Algum temo atrás...


Camus estava sentado o vento agitava seus cabelos, Milo estava sentado a sua frente.

— Adoro o seu cabelo, sabia? — Declarou o namorado apaixonado, eles ainda cursavam a universidade e tinham um "esconderijo" no campus, onde ficavam à vontade.

— As pessoas não costumam ter cabelos compridos aqui , pelo menos não os homens.- Comentou o ruivo.

— Azar o delas, esta é nossa marca, nossa lembrança da época de cavaleiros e eu adoro os seus, tão lisos, tão brilhantes e vermelhos, não os corte, deixe-os assim pra mim, — pediu Milo antes de beijar seu ruivo.

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Foi com muito pesar que Camus pegou uma tesoura em sua gaveta, respirou fundo antes de começar a cortar seus longos fios.

Camus tentava esconder seu sofrimento em sua tão conhecida máscara de frieza impassível, mas ele não era mais o mesmo sentiu os olhos arderem e soluçou triste algumas vezes.

Findado seu corte, ele olhou no espelho e viu a imagem de um homem muito frágil, nunca visto antes, entrou no banho e lá, com a água morna caindo em seu corpo, sentiu os olhos arderem, mas não se permitiu chorar.

Shaka estava na cozinha havia preparado o jantar, salmão grelhado com vegetais cozidos no vapor temperado com azeite de ervas.

Escutou o barulho do amigo se aproximando. — Camus estou terminando o jantar, já pode ir colocando a mesa por favor? — Pedia o virginiano sem olhar para o amigo, quando virou para pegar uma tigela viu Camus com os cabelos curtos, seus olhos se cruzaram, Camus mantinha seu olhar altivo e Shaka, passado o choque inicial, deu um meio sorriso ao amigo que transmitia força e não pena.

— Vamos jantar hoje eu fiz o meu melhor! — falou Shaka colocando os legumes em uma tigela.

— Shaka hoje eu tenho uma turma no horário da noite, e ontem não consegui terminar a aula... — começou Camus, mas foi cortado rapidamente por Shaka.

— Está fora de cogitação Camus, entendo que tenha sua paixão pela escola, entendo que queira fazer desta paixão sua missão na terra, mas, para isso precisa estar bem de saúde, precisa estar forte se for lá hoje não vai conseguir ficar até o final e vai piorar sua saúde. — ralhou Shaka sério, firme e sensato.

Shaka tinha razão, Camus foi até a sala colocar a mesa, quando olhou na direção do copo que Radamanthys havia deixado, sentiu a falta do mesmo. Aquele copo era o que o fazia lembra de sua “missão”, olhar pra ele lhe dava forças para continuar e não se entregar.

Então ele empalideceu.

Notas finais
Então, foi o Milo quem terminou, sim ele sabe que exagerou que seu ciúme ficou fora de controle, quem sabe ele não tenta procurar uma ajuda pra se livrar desse mal que tanto os faz sofrer. E o Camus? Confesso que chorei quando ele cortou os cabelos, mas me conte o que achou? deixe sua opinião do capitulo aqui / é muito importante pra mim. Grande beijo, até o próximo.