A Turma de Preto
3 Capítulo III
Notas iniciais
─ Tentem fazer pelo menos a tradução do refrão, pois vai valer um ponto. — disse o professor de inglês.
O dia de estudo passou muito rápido, enquanto, por horas e horas, ele tentava entender a matéria sem muito sucesso. Simplesmente, está sem paciência para se concentrar nas explicações da matéria, porque a mente tem estado distante da sala, da aula, da turma ...
Hoje, nem as piadas inquietantes prenderam-no entre as quatro paredes da sala de aula. As últimos horas desta sexta feira, no geral, foram entediantes e custaram muito a passar no relógio. O que, neste último recreio da semana, moldou o clima no pátio.
─ Não vai mesmo me revelar quem te entregou esse bilhete? — perguntou pela décima vez.
O silêncio também perdurou durante o retorno pra casa. Diferente dos demais alunos — agitados porque hoje é sexta-feira. O que levantou um clima de suspense no ônibus, quando fizeram o retorno. Todos desceram em silêncio no ponto da Praça da Igr. Matriz.
Não moram muito distante da escola, um internato semiaberto do governo, sob o Estado de Democrático de Direito. Na verdade, moram a algumas quadras do prédio que abrigou a lendária casa de um japonês que... rs sacanagem, falta de criatividade.
A rua, onde a maioria mora, precisa de reparos pra chegar no modelo urbano norueguês com suas ruas arborizadas. Aqui, o mais próximo deste modelo ideal é a presença da turma de preto — a mais pura verdade.
Os integrantes da turma vêm de diversas tribos do universo underground, dispersos pelas ruas do vilarejo. A galera da escola, por exemplo, mora a algumas ruas daqui — rua abaixo ou acima da praça da Igreja Matriz.
Assim, quando todos desceram do ônibus, parados no ponto da Praça, ele, enfim, diz:
─ Já que vocês não querem falar nada. Então, mais tarde, nos falamos pela internet. — dizendo isso, aos poucos, foi se distanciando da turma.
Passou a tarde dormindo. Não resistiu saber que a luz tinha faltado na rua, perdendo o jogo não salvo — estava pausado numa fase. Então, se jogou na cama, tentando relaxar ante a perda, mas, na verdade, acabou dormindo durante toda a tarde.
Uma noite fria, sem sinais de chuva, assim previu a garota do tempo, no portal online da Vila. Uma ótima noite pra goticar, pensou ele, enquanto se levanta pra arrumar um pouco a bagunça do quarto depois de uma semana de estudo e trabalhos da escola.
Entre uma folha e outra, repassando as matérias da semana, o bilhete, preso na página da aula de hoje, cai no chão. Hesita em pegar o pedaço de papel pra evitar se lembrar das gracinhas, no entanto, a curiosidade foi maior. Também Gostei de Você! Me Liga, tá! — estava escrito.
Passou alguns minutos, sentado na escrivaninha do quarto, sem muita reação. A cada segundo, este anjo o surpreendia mais e mais. Muito melhor do que a outra durante este jogo da conquista, embora seja muito complicada, tenta entender a cada dia.
Não tinha reparado nesta última linha: 'Me liga, tá'! Ao ler a pequena frase no final do bilhete, o pensamento dele foi bem distante do quarto, da rua... E após alguns minutos de meditação, resolve telefonar pro anjo — no melhor sentido fraterno da palavra.
─ Alô? — atendeu alguém afinando a voz. Percebendo isso, ele disfarça, pois não é bom contrariar.
─ Tá – se adiantou, já esperando a próxima ─ Qual é a graça dessa vez? Não tem nada pra fazer, não!?
─ Tem que parecer verdade – disse, pigarreou e voltou a afinar a voz ─ Finalmente, hein.
─ Não acredito! – rindo, olhando pela janela do quarto, diz: ─ Vamos na praça hoje à noite?
─ Não sei. Você vai sair hoje? – continua sem conseguir conter a vontade de rir ─ Isso é um convite!?
─ O tempo tá legal pra goticar pela vila. E se tudo der certo: beber e fazer alguma coisa legal.
─ Por mim... vamos nos ver mais tarde, na Praça da Igreja Matriz. Não vai me deixar sozinha, tá!?
─ Combinado! Quando passar pela rua, eu invoco vocês pelo caminho.
O encanto da noite, desde cedo, já paira sob as ruas e casas da vila. Em breve, depois de mais uma semana de estudo, a turma da rua, agora nórdica, se encontrará pra apreciar essa noite sombria sob gélido luar. Tudo indica que ela também vai estar no meio da galera.
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