Notas iniciais
Uma fic surta baseada em uma frase do Tony no último show do MEST. T_______T
It\'s funny how all it takes is a quick trip back home to realize who really cares about you and what really matters.

-Tony Lovato

Tony\'s POV

De todos os lugares que eu poderia estar em uma Quarta-feira de manhã, o último que eu pensei era dentro de um avião viajando para Chicago. Não, não ia a nenhuma festa, não era enterro de ninguém da minha família também, e não estava indo visitar a família de Matt. Eu mesmo não saberia explicar o motivo de estar ali dentro, e nem porque eu me sentia tão bem só em pensar que chegaria dentro de cinco minutos em... em casa. Eu nunca imaginei que voltaria ali. Não nessas circunstâncias: sem rumo, sem banda, sem ninguém. Nem Tiffany.

As memórias da noite anterior vieram em minha mente como um turbilhão, e se pensasse muito em tudo que aconteceu provavelmente teria uma dor de cabeça homérica, e esse não era um bom jeito de terminar um vôo. Lembrava-me da gritaria, de coisas voando, Tiffany chorando sentada na cama se perguntando baixinho o que ela havia feito de errado.

Não era ela o problema.

Era eu.

Eu não podia faze-la feliz se meu coração estava em outro lugar, outras coisas, outras pessoas. Por mais clichê que parecesse, era exatamente isso que estava acontecendo. Sem sacanagem dessa vez, eu sei que já aprontei muito e que provavelmente é meio difícil acreditar no que eu digo. Eu sei, seu sei...

Fazia menos de uma semana eu havia recebido um telefonema de NYC, para minha surpresa era Benji. Já nem lembrava há quantos meses não ouvia sua voz. O começo da conversa foi meio parado, meio sem jeito de ambas as partes: havíamos brigado. Feio. A única coisa que me lembro de dizer era que ele havia mudado, que não era mais o meu melhor amigo, e ele retrucou dizendo que eu estava com inveja. Pronto. Nunca mais nos falamos, passamos a nos evitar e nos odiar.

Mas o motivo de tudo isso?

Eu nunca soube.

Nem ele.

Foi a briga mais desnecessária que eu já tive. Benji fez falta nesses meses, e chego a me arriscar a dizer que talvez se ele estivesse por perto esse tempo todo, eu não teria feito tanta besteira. A aeromoça avisou que chegamos, precisamos colocar o cinto e toda aquela baboseira de avião.

Estava esperando minha mala na esteira do aeroporto quando vi de relance alguém grudar no vidro do outro lado. Ignorei, peguei minha mala e já estava saindo quando notei a pessoa grudada no vidro e não pude deixar de rir: ele foi me esperar. Acenava feito uma criança que vê os pais chegando para busca-lo na escola, e sorria alegre. Apertei o passo, queria chegar até ele rápido, conversar, abraça-lo, rir com ele.

Benji era a única pessoa que podia me animar quando eu estava assim, incrível como fiquei sem ele por tanto tempo.

-Tony! –exclamou ele abrindo os braços para mim, e ao invés de me abraçar, indo direto para a mala. –Trouxe o que de presente?

-Presente? –perguntei o olhando com uma expressão de falso desdém.

-Você estava em Los Angeles, Califórnia, Tony! Tinha que ter trazido presentes! –disse ele também com falsa raiva. Ri.

-Na próxima eu trago uma caneca escrita: “Estive em Los Angeles, me lembrei de você!” –pisquei e ele juntou as mãos perto do rosto, fingindo gostar da idéia.

-Que romântico! –disse rindo, e me abraçou. –Senti saudades, palhaço!

-Eu de você, idiota! –respondi.

Era confortável estar perto dele outra vez, e saber que ele viajou de NYC só para me esperar em Chicago. Na verdade não havia a menor necessidade de que ele viesse, mas fazia tanto tempo desde a última vez que nos vimos sem que um tentasse arrancar a garganta do outro a mordidas –não o tipo de mordidas...uh...prazerosas – que minha ida a Chicago tornou-se nossa grande chance. Ainda tinha um pouco de receio de fazer algo que ele não fosse gostar, mas motivos em brigas bêbadas era difícil de se achar e, além de tudo, já havíamos decidido que na próxima vez iríamos conversar como pessoas normais antes de qualquer outra coisa.

-Tá hospedado aonde? –perguntei curioso quando entramos em meu carro. Sim, eu havia pedido que Benji o usasse enquanto estivesse em Chicago, assim eu tinha meu motorista particular, não precisava pegar táxi e ele podia se locomover com maior facilidade na cidade. Coloquei os pés no painel, olhando-o em busca de uma resposta. Era tão bonitinho Benji dirigindo, concentrado, buzinando para o trânsito do aeroporto aqui e ali, tomando um cuidado quase ridículo com meu carro.

Saímos do meio da bagunça de táxis e pessoas entrando e saindo, atravessando a rua e carregando malas e caímos na avenida.

-O que você perguntou, Tony? –Benji sorriu.

-Perguntei onde você está hospedado. –ri com a falta de atenção dele.

-No seu apartamento. –respondeu ele rindo. –Eu ainda tinha as chaves, fiquei surpreso por você não ter mudado depois da briga.

Na verdade, eu sequer me lembrava que ele tinha a chave. Naquele momento, pensando melhor, é claro que ele tinha! Tanto do apartamento se Chicago quanto o de NYC, e o de Vegas. A chave da casa dos meus pais, e a senha do meu cartão de crédito.

Ok, esperava que essa última ele realmente não se lembrasse.

-Eu não lembrava que você tinha as chaves. –respondi sincero. Ele sorriu, tão criança! Inclinou-se, ligou o rádio e continuou dirigindo, perguntando algo vez ou outra, mas nunca falando de Tiffany ou da briga que tivemos.

Já era quase noite quando decidimos pedir pizza, sendo que os dons culinários de Benji eram praticamente inexistentes e os meus... bom, resolvemos pedir pizza. Desde o incidente do fim da banda, e da discussão boba que eu tive com Jere e Nick, não nos falamos muito. Matt era meu primo, então era praticamente impossível não nos telefonarmos, no entanto estávamos há algum tempo sem nos ver. Estava pensando justamente nisso quando Benji entrou na cozinha com a pizza, um refrigerante –ele não bebia mais – e uma barra de chocolate.

-A comida chegou! –anunciou feliz como se aquilo não fosse óbvio.

-Percebi! De onde saiu esse chocolate? –perguntei, mas ele apenas riu.

-Vai ficar aqui quanto tempo, Tony? –perguntou sentando-se à mesa, pegando um pedaço de pizza sem me olhar. Durante todo o dia, enquanto passeamos pela cidade, fizemos compras e conversamos sobre coisas que deveríamos ter contado um ao outro há muito tempo, percebi que ele queria perguntar algo. E agora ele perguntou, cabeça baixa.

-Uns três dias. –respondi. –Eu tenho uns assuntos para resolver ainda, o Mest quebrou um contrato quando terminou a banda.

-Entendo. E a Tiffany? –perguntou ainda sem me olhar, garfo cutucando a pizza como se ela estivesse viva e fosse gritar de dor a qualquer minuto.

-Terminamos ontem à noite. Foi horrível, ela gritou, chorou, me jogou um vaso, um porta-retratos e um sapato. Nada agradável. –ergui a cabeça, meus olhos encontrando os de Benji. Nem eu havia percebido que havia abaixado a cabeça para evitar olha-lo.

-Que chato. –disse ele. Visivelmente só o fez para ser mesmo educado, já que não nutria a menor simpatia por Tiffany, e eu bem sabia disso. –Você devia ir ver seus pais. E o Matt.

Devia? Por que? Cutuquei uma azeitona com o dedo, pensando.

-Realmente eu deveria ir ver meus pais e Matt, talvez Steve.

-E o Jeremiah. E o Nick. –acrescentou ele. O encarei um pouco confuso, e ele me olhava com um sorriso sereno, cheio de uma compreensão que eu não sabia que ele tinha.

-Por que?

-Porque você precisa disso, Tony. –disse voltando a olhar a pizza. –Droga! Ta esfriando! Você fala demais, Tony!

Ri.

Benji definitivamente me fazia bem.