Notas iniciais
Hello, seres humanos, estamos no antepenúltimo capítulo. Sakuraso significa Prímula em português e simboliza o desespero. Espero que gostem!

Neji-kun, o que eu faço?

Naruto está sentado conosco na sala de jantar, uma cena que não víamos há algum tempo. Ele me olha de relance diversas vezes e manda um sorriso triste sempre que é pego fazendo isso. Boruto acaba de jantar e se despede, dizendo que vai encontrar Sarada e Mitsuki. Estou nervosa, Neji. Eu e Naruto estamos sentados aqui, nesse silêncio desconfortável, ambos sabemos o que está por vir e eu não sei como agir ou o que falar.

Quando ele acaba de jantar, eu levanto, inclinando-me para pegar os pratos, mas ele me impede, recolhendo tudo e levando até a cozinha.

—Naruto, você não precisa… –Tento falar, mas ele me corta, mandando um sorriso.

—Eu posso fazer isso sim. Não é nada de mais, eu faço isso aqui voando. –Suspiro voltando-me para a sala, sento no sofá menor e espero ele sentar ao meu lado.

Naruto segura a minha mão e olha nos meus olhos. Eu fico tonta por causa da forma intensa que aqueles olhos estão fixados nos meus, minha boca seca, eu não quero estar aqui, eu não quero estar assim.

—Precisamos conversar…

—Você já disse isso, Naruto-kun. –Engulo em seco. –Do que exatamente você quer falar?

—Você. ‘Tá tudo bem, Hina?

—Cla-claro, Naruto. Por que não estaria? –pergunto, receosa. –Quer saber? Acho que vou fazer um café, você quer? –falo, levantando para seguir até a cozinha, mas ele segura a minha mão com mais força, fazendo-me parar.

—Boruto me falou que você anda saindo da cama bem tarde.

—Eu só estou um pouco cansada.

—Todos os dias? –Suspiro. –Hinata, você não sai de casa e…

—Eu estou bem, estou muito bem.

—Hina, o que você acha de procurar ajuda?

—Como assim?

—Sei lá, analista, psicólogo, qualquer coisa. Fala comigo, fala com alguém.

—Naruto, não estou louca, não preciso de psicólogo.

—Você sabe bem que ir ao psicólogo não te faz uma pessoa louca.

—É, mas eu tenho certeza de que não preciso ir.

—Hina…

—Não, Naruto, eu estou bem, me escuta.

—Himawari morreu há meses, Hinata –ele exclama, num tom de voz um tanto inquisidor. –Ela não ia querer te ver assim. Ele ia querer te ver feliz.

Meus olhos ardem, a cabeça está rodando como se estivesse numa roda gigante, a boca está seca e tenho vontade de vomitar. Meu corpo quer se mover, mas não o faz, eu fico imóvel por diversos segundos e, quando ele me abraça, eu despenco.

—Eu sinto tanto a falta dela, Naruto-kun. Está doendo tanto…

—Eu sei, Hina, eu sei.

—Por que ela foi agora? Por que ela foi assim?

—Shiii. Está tudo bem, está tudo bem –ele sussurra e eu fico ali, abraçando-o com força, minhas pernas tremem e nós caímos no chão, ajoelhados, compartilhando a mesma dor.

Notas finais
Até a próxima!