A Terceira Face
36 Siga em frente...
Notas iniciais
PDV Nora
Cada um tem três faces.
Minha primeira face é inocente,mas descolada e decidida.Sou boazinha,mas não imbecil.Detesto quando me subestimam.
Minha segunda face é sensual.É algo que só mostro entre quatro paredes.
Já a minha terceira...Essa é a minha face verdadeira,e ela assusta muito.Até eu tenho medo dela.Raramente a mostro,mas quando mostro,é a última coisa que alguém vê.Tenho medo de mim mesma.Tento escondê-la o máximo possível,mas uma hora ela vai sair!
É tão estranho eu me olhar no espelho!Sinto até que olho para outra pessoa!
Queria que o Stefan estivesse aqui,ele sempre me deixava bem calma(e o mais estranho é que nervosa ao mesmo tempo).
O choque ainda me dominava,mesmo depois de três dias.
Damon e Elena estavam muito afetados e talvez tenham sofrido com um choque tão ou mais forte que o meu.
Eu não conseguia parar de chorar.
Quando o Stefan foi embora,senti que uma parte de mim se quebra a cada vez que lembro vê-lo sair daquele jeito.
Talvez tenha se quebrado mesmo.
Marley veio até mim,choramingando,talvez tentando me consolar e fiz carinho na cabeça dele,depois que o peguei no colo e o pus na minha cama.
–Pois é,Marley.Somos só nós dois por enquanto.
–Correção.-disse uma voz infantil na minha frente,a mesma que me mandou matar Elena uma vez,e tomei um susto ao me deparar com uma versão minha de quando eu tinha uins dez anos.-Eu também estou aqui.
–Quem é você?
–Você.-disse a menina,dando de ombros.
–Jura?Nem notei.Estou na verdade querendo perguntar como você apareceu.
Ela enrolou uma mecha de cabelo no dedo e deu de ombros.
–Sei lá.Você é a doida,então você que explica.
–Vá se ferrar.Ou vá embora,tanto faz.
–Não posso.Sou parte de você,lembra?
Revirei os olhos e decidi ignorá-la,mas ela se aproximou de mim e sentou ao meu lado na cama,ficando na mesma posição que eu.
–Você pode mentir para eles,mas não pode mentir para si mesma.
Eu a ignorei e cocei atrás da orelha do Marley.
–Eu sei o que se passa nessa cabecinha pura.Sei até por que você só veste preto.
–Vá se catar.
Mas ela apenas sorriu.
–Você está de luto.
Eu me levanto e arregalo os olhos.
–Hã?
–Ainda está luto por causa da mamãe e da Margareth.E por causa de Ben também.Você usa preto por causa disso.
–Olha,dá para ir embora?
–E você usa preto como um lembrete a si mesma.Um lembrete de que é uma eterna maldita.
Nisso eu pulo da cama.
–Você está falando do que sua peste?
Ela sorri de novo e desencosta da cabeceira,mas continua sentada.
–Sua mãe morreu.Sua irmã morreu.Seu namorado circense,que foi o primeiro grande amor da sua vida,morreu.Seu pai morreu.Sua avó é uma doida varrida e seu avô sumiu.E a única pessoa para quem você conseguiu se abrir foi embora.Sem falar no seu namorado atual,que é e sempre vai ser apaixonado pela Elena,já que ele se atirou na frente dela para defendê-la e agora está consolando ela lá embaixo.E depois disso você vai me dizer que não é uma maldita?
–VÁ EMBORA!
Ela se levantou e deu outro sorriso sinistro.
–Tá bom,você quem manda.Mas eu tenho que dizer que sinto muita pena de você.Afinal,qual foi a pessoa que você amou que ainda está do seu lado?Por quanto tempo aguentará ver quem você ama morrer até que fique sozinha?
Eu atirei o travesseiro,mas ela sumiu com uma risada estridente,e eu enxuguei uma lágrima teimosa.
PDV Narrador
Damon foi até a casa de Alaric,que ficou surpreso com a sua preocupação.
–O que houve?
–É a Nora.Acho que ela...Acho que ela está enlouquecendo.
–Por que tem essa impressão?
–Eu a ouvi falando sozinha no quarto.falando para a pessoa ir embora e ficar quieta,mas não tinha ninguém lá.
–Foi bom você ter me contado.Eu posso ajudar.
Ele fechou a porta da casa e entrou na Ferrari preta.
–O que você quis dizer com poder ajudar?
–Sou formado em psicologia,não contei isso a você?
Ele apenas ergueu a sobrancelha.
–Psicologia?
–Em Harvard.Estudei história e psicologia justamente para ser um caçador.
–Mas o que isso tem a ver?
–A história me fez aprender a buscar as origens e a psicologia me fez entender a mente do que combato e por que age assim.
–Isso explica muita coisa.
–Mudando se assunto.Vamos falar sobre a Nora.Qual foi a primeira impressão que você teve da mente dela.
–Ela era divertida,irônica,interessante,violenta e parecia não ligar muito para regras.
–Um pouco parecida com você,se formos fazer uma comparação raza.
–Exato.
–E o passado dela?
–Mãe e irmã queimadas vivas na frente dela-disse Damon,o que deixou Alaric com um olhar estupefado.-Aaron,o primeiro namorado,ela gostava,mas não amava,pelo menos foi isso o que falou para mim e ele era um boxeador que sofreu um acidente com um saco de treinamento que esmagou sua coluna,sendo levado pela família para longe.Benjamin foi o segundo,morreu em um incêndio de circo e Nora sempre se culpou mas eu disse que não a culpava.Também botaria fogo no Caleb,o irmão dele para me defender e...
–Espera aí!Ela botou fogo no rapaz?
–Sim.
–E parte da família dela morreu queimada?
–Sim.
–Pois bem,continue.
–Pelo jeito,ela amava muito esse Ben-Alaric riu da cara de ciúme que ele fez-e depois dele namorou um tal de Max,que a traiu com uma garota do colégio que ela detestava,chamada Vicky e ela terminou com ele.E foi nesse dia que eu a conheci.
–Você sabe algo sobre algum outro parente dela?
–O avô dela desapareceu quando a mãe dela era criança e a avó, Mary,foi internada em um hospício depois.
–Então ela já tem um histórico de problemas mentais na família?
Damon começou a ficar irritado.
–O que está insinuando.
–Nada.Vou conversar com ela.E ao menos finja que não vai tentar ouvir.
Damon revirou os olhos e freou o carro.
–Chegamos.
–Nossa,chegamos rápido.
Eles saíram do carro e fecharam a porta,mas Alaric acabou fazendo um movimento brusco e bateu a porta,recebendo um olhar homicida do Salvatore.
–Desculpe.
–Se isso tiver feito um arranhãozinho na minha Ferrari,mato você.
–Tinha que se preocupar com o carro.-e então,mudou de assunto ficando um pouco preocupado.-Como a Elena está?
–Depressiva.Está na casa dos Bennett com Jeremy e Bonnie agora.
Eles abriram a porta da casa e entraram.
–Damon,antes de eu falar com ela,você me daria mais algumas informações?
–Claro.
–Quando Nora descobriu sobre o mundo sobrenatural,como reagiu?
–Tranquila.
–Tranquila?Não ficou assustada ou ao menos receosa?
–Não.Aceitou tudo com a maior normalidade.
–Ela já matou alguém?-perguntou ele,já desconfiado.
–Já.Cortou a cabeça.
–Hum...requintes de crueldade.Acho que tenho uma breve idéia do que ela tem,mas eu preciso confirmar.Fique aqui.
Ele subiu até o quarto dela e ela abriu a porta,enxugando as lágrimas.
–Oi,Nora.Posso falar com você?
–Pode.Entra,Alaric.
Ela apontou a cadeira da escrivaninha e sentou na cama.
–Nora,seu namorado está preocupado com sua reação ao modo como Stefan saiu daqui.
–Tão preocupado que ficou consolando a Elena esse tempo todo não é?-disse ela,com sarcasmo.
–Você sabe que ele se preocupa com você.E sabe que não precisa usar a ironia como auto-defesa de seus sentimentos quando falar comigo.
Ela bufou e cruzou os braços.
–Nora,eu não te conheço bem,mas gosto de você e me preocupa que esteja desabando mentalmente.
–Do que está falando?
–Sua mente vem sofrendo várias pressões seguidas,da infância até agora e isso de certa forma afeta a personalidade.
–Olha Alaric eu sei que você quer me ajudar mas...
Ele levantou a mão em um pedido de silêncio.
–Tudo o que espero é que você responda minhas perguntas com sinceridade.
–Isso é um desafio?
–Sim.Eu logo notei sua enorme vontade de testar os próprios limites e quebrar as regras.O que indica que não se incomoda muito em se machucar.Que por sua vez revela um pouquinho de prazer nisso,o que indica um certo masoquismo.
Ela deu de ombros.
–Nora,quando sua família morreu,o que mais te marcou?
Ela ficou com os olhos fixos nele,mas parecendo ver através de Alaric.
–O cheiro de queimado.A textura do fogo.O calor.O fogo era tão assustador,mas tão...
–Belo?
–Exato.
Ele olhou para cima um pouco.Uma suspeita estava comprovada.
–Nora...Alguma vez você se mutilou achando-se culpada de alguma coisa?
Ela engasgou.
–Como sabe?
–Suspeitei.Você pode me dizer como foi?
Ela abaixou a cabeça e deixou cair algumas lágrimas.
–Foi minha culpa.O fogo no circo.Ben morto.Eu merecia.
–Merecia o que?
Ela esfregou o pulso.
–Eu me queimei.
–A queimadura já sumiu?
–Sim.
–Você disse que se queimou.Acha que isso foi justo?
–Não.Eu devia me queimar inteira.Benjamin morreu assim por culpa minha.
–Então você é obcecada por idéia de justiça equivalente.Outra suspeita minha.Nora,o que você acha de criminosos.
–Todos eles deviam morrer.-disse ela,com frieza.
Alaric se levantou.
–Obrigada por se abrir comigo,Nora.Até mais.
Eles apertaram as mãos e Alaric a deixou,descendo as escadas correndo.
–E então?
–Ligue para o sanatório mais próximo e peça para trazer uma viatura aqui!
Damon ficou boquiaberto.
–Ficou louco?
–Sabe o meu diagnóstico?
–Fale.
–Ela é quase psicopata,maníaco-depressiva,sádico-masoquista,e para completar o pacote,com fortes tendências piromaníacas.Sem falar da esquizofrenia que ela está desenvolvendo agora.Eu já vi várias criaturas na minha vida,rapaz,mas nunca vi nenhuma com uma mente tão estranha e perigosa quanto a dela.
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