A Terceira Face

37 ...ou morra tentando!


''A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.''

Charles Chaplin


Três semanas.

Três semanas que passaram com uma lentidão terrível,onde nós três estivemos presos em um marasmo de tédio,dor,solidão e culpa.

Elena estava desolada,Damon se sentia culpado,embora não demonstrasse e eu...Bem,eu estava eu mesma.

Parecíamos presos a uma bolha particular tensa,nervosa,triste e sem saída.

Se Stefan tivesse noção do quanto fazia falta para nós...

Do quanto fazia falta para mim.

Não havia um dia que eu não apertasse o pingente de morcego do meu cordão e desejasse que ele voltasse.

O cara que me deixava calma só de abraçar não era o Damon,era ele.O cara com quem eu consegui me abrir totalmente pela primeira vez, algo que nem meu pai consgeuiu,não foi Damon,foi ele.E a pessoa que eu gostaria que estivesse aqui,conosco,de quem sentia uma saudade terrível e estranha,era ele.

E olhava para a pulseira que Damon me deu,uma corrente que era bastante entrelaçada com um enfeite de caveira risonha,que parecia rir de tudo,em um estranho humor negro.

Damon tentava espantar a tristeza da Elena,mas não conseguia.

Será que a minha outra versão estava certa?

Era ela que ele amava?Meu maior medo era verdade?Damon estava me usando como uma substituta já que não conseguiu a Elena?

E eu?O que faria se isso fosse verdade?

"Mata ela,ué.Não seria a primeira vez!"

É ,melhor calar a boca,sua peste.

"Por que?O que pode fazer contra mim?"

Eu posso te chamar de Joelson!

"Credo em cruz!Já calei!"

Ótimo,agora eu tenho uma consciência e brigo com ela!Dá para melhorar?

Marley saltou da cama improvisada dele e começou a pular.

–Marley,sossega!

Mas ele pulou ainda mais alto.

–Eu disse para ficar quieto!

Alguém bateu na porta.

–Oi Damon.

–Acharam uma pista do Stefan.

–O QUÊ?-dei um grito que a cidade interia ouviu e abri a porta.

–Alaric está no telefone e...

Segurei na mão dele e corremos para baixo.

Elena estava com o telefone e nos viu.

–Nora já chegou.Vou colocar no viva-voz,Rick.

Ficamos do lado dela e esperamos.

–Lembram-se da selenita?Eu a tinha entregado a outro caçador e ele passou para outro.Um servo de Klaus torturou esse caçador e descobriu o próximo.Klaus vai acabar encontrando a selenita.

–Mas o que isso tem a ver com o Stefan?-perguntou Elena,e eu a agradeci mentalmente,pensei a mesma coisa.

–O servo...Sinto muito Elena,mas era Stefan.

Elena arfou e parecia que iria desmaiar a qualquer momento.

–Klaus o fez beber sangue humano em excesso.Ele voltou a seus dias de assassino.

Correção:ela vai desmaiar a qualquer segundo.

–Não!

Eu a puxei para perto do sofá e ela praticamente caiu em cima dele.

–Depois a gente se fala,Alaric.-disse o Damon.

–Tchau.-Ouvimos um click.

–Ele...Ele não pode...Ele não pode ter feito isso!

–Pode sim.-disse o Damon,e eu o olhei com repreensão-Sinto muito mas é a verdade.Se na época que nos conhecemos eu era ruim,é por que você não viu o Stefan nos primeiros anos de vampiro.Pode crer quando digo que ele é capaz disso.

–Mas...Ele pode hipnotizar!Por que ele torturaria?-Ela parecia ter alguma esperança.

–Por que a graça está em arrancar a informação.-eu disse,meio que sem pensar.

Entendia essa sede de sangue muito bem.Charles Humbley meio que comprovou isso.

Mas falar isso só piorou o estado de espírito dela.

–O Stefan...Ele pode ter mudado tanto assim?

–Ele não mudou Elena.-eu disse-Ainda é o Stefan Salvatore que nós amamos.-Poxa,essa soou muito mal.

–Será que ele ainda é?

–Ninguém é só o que parece e ninguém é tão bom quanto parece. Se você começou um relacionamento com ele,devia saber que nem sempre ele seria um homem perfeito,devia saber que parte dele ainda é um monstro e...-acabei me lembrando da cena na floresta sem querer em que nós dois...arf,deixa para lá.-Devia saber que todo mundo tem o seu cadáver no armário,a parte que não presta-o cadáver escondido no meu armário é quase literal-E devia saber que tem que aceitá-lo como é, inclusive o lado que não gosta.

Foi isso o que eu fiz o que Damon.

Eu olhei para ele e percebi que estava verificando minha mente esse tempo todo desde que Alaric veio aqui e...Acho que ele viu o que aconteceu!

Me fuzilava com um misto de ódio e mágoa que resolvi ignorar antes de falar o que estava entalado na minha garganta.

–É fácil ter um amor incondicional na teoria,já na prática é bem mais complicado.Aceitar alguém com todos os seus defeitos é menos fácil do que imagina,principalmente quando a pessoa tem defeitos demais.

Saí do lado dela,já pressentindo mais uma tragédia chegando.

Me virei para Damon.

–Pode contar,ela vai me odiar mais cedo ou mais tarde.

Saí da casa e peguei a Ferrari na garagem,meio que sem saber para onde ir.

***

Fui até a cidade e acabei encontrando Alaric e Tyler saindo da casa do primeiro.

Buzinei.

–Oi.Estão indo aonde?

Tyler me olhou de soslaio.

–Tem um lobisomem atacando na floresta.Estamos indo para lá.

–Carona?-estava meio suicida hoje,só pode.

Eles se entreolharam.

–Desde que você não fique no caminho assim que formos atacados.

–Qual é!Lutei com um bando inteiro de lobisomens!-estremeci com a lembrança por dentro,mas ignorei-Eu sei me cuidar!

Alaric pareceu pensar um pouco,abriu a porta do carro e me passou uma faca.

Tyler entrou do outro lado e dirigi até lá.

***

–Chegamos.

Ouvimos um barulho rondando pela floresta.

–Eu vou primeiro.Talvez consiga acalmá-lo,já que somos da mesma espécie.

–Cão sarnento reconhece cão sarnento.-eu disse.

–Não é hora para isso!-disse Alaric,irritado.

Tyler correu entre as árvores,e eu fiquei com Alaric.

–Como estão as coisas?

–Se piorar,estraga.

Outro barulho.

O bicho feio apareceu e eu me preparei.

Antes que Alaric pudesse fazer qualquer coisa,o lobisomem estava em cima dele e eu me lembrei de quando aquele lobisomem mordeu Damon.

A raiva foi tanta que enfiei a faca nas costas dele em fundo e mesmo com um grasnar horrível de dor,levei a faca até o crânio.

Acho até que cortei um osso com a força que empreguei.

Alaric saiu de baixo dele meio arfante-não que eu o culpe.

–Obrigada.

–De nada.

–Você não mentiu quando disse que sabia se cuidar.

–Não mesmo.

Ouvimos um bater de palmas e alguém que andava entre as tais árvores apareceu.

Um sujeito loiro,de olhos azúis,em um terno que devia valer mais que a Ferrari do Damon e com certeza era de um preto mais escuro do que ela.

–Devo dizer que estou impressionado.Você é tudo o que dizem e até mais.-disse a voz mais sarcástica que já ouvi na vida.

Eu o reconheceria em qualquer lugar.

–Klaus.-disse Alaric.

–O lobinho não deu muito trabalho.Será que você vai dar?

Ele foi muito rápido e muito letal,como um relâmpago.Quando vi, já tinha jogado Alaric contra uma árvore de cabeça,o que o fez desmaiar.

Por mais que eu quisesse enfrentar aquela criatura,eu meio que paralisei.

"Corra,sua idiota!"

Ele se aproximou de mim com um sorriso assustador e eu dei um passo para trás,mas quando estava prestes a correr,me virei e outro vulto negro apareceu atrás de mim.

–Stefan?

Olhei de um para outro.

Não tinha para onde fugir,não tinha para onde correr,eu estava cercada.