NATUREZA

— Tu tem certeza que vocês botaram tudo dentro do carro? – Ian questionava, animado.

Sábado, 07h13min. Daniel estava completamente desatento. Odiava ter que acordar cedo por qualquer coisa que fossem em dias de semana, quanto mais em um sábado. Todavia, o primo fez questão de convocar ele, Vanessa e Ágata para o camping de última hora. Descobriu isso quando chegou em casa depois da tarde com a namorada. Mal chegara e já foi bombardeado com a livre e espontânea pressão de Ian para ele ir.

“- Tu não consegue ver a oportunidade que eu tô te dando, velho?! – Ian tentava convencer o primo – Tu e a gata, no meio do mato numa barraca. Dá pra vocês resolverem teu problema de uma vez.

— Pela enésima vez: NÃO C*R*LHO! – Dan respondeu irredutível.

— OLHA O PALAVRÃO, DANIEL! – Advertiu a mãe do garoto, aos berros.

— FOI MAU, MÃE!

— Pensa velho, vai! Eu sei que tu quer ir – O primo insistiu novamente.

— Ir pra um camping em grupo pra quê? Pra eu ficar ouvindo tu e a Ágata gemerem no mesmo volume que uma sirene?! – Daniel fixou seu olhar no do primo.

— Como eu disse, tu pode resolver aquele teu problema de uma vez também – Ian sorriu malicioso.

Dan revirou os olhos.

— Sabe que a probabilidade de acontecer é pouca né?- Falou.

— Porque tu é c* doce. Larga daí e aceita logo c*r*lho! Mesmo que tu esteja com medo por ela ser trans, se tu gostar dela de verdade mais hora menos hora vai rolar né?

O mais novo bufou. Odiava quando o mais velho tinha razão.

— Tá. Eu vou, E não fala comigo até amanhã – Advertiu.

— Daí sim hein?! – Sorriu – Vai ser f*da.”

E ali estava o quarteto. Com exceção de Ian, os outros três estavam desligados do mundo.

— P*rra, vocês três tão passando uma animação contagiante sabia?!– Falou sarcástico.

— Eu só quero entender o porquê desse camping – Ágata comentou pensativa.

— Digamos que é uma viagem para renovar os ares.

— Ah claro. E que foi decidida do dia pra noite né? – Dan alfinetou, colocando dois cobertores e seu travesseiro no porta malas e fechando-o.

— Não foi tão em cima da hora assim. Só que antes não tinha companhia pra ir.

— E não teria se não tivesse me OBRIGANDO a vir.

— Cala boca, seu Mané!

— Trouxa!

— Ai chega, vocês dois! – Van interveio – Acho que pode ser um passeio bem legal até. Eu já fui nesse camping, mas eu era criança.

— Viu, tua mina me apoia. Devia me apoiar também – Ian sorriu vitorioso.

— Tinha mesmo que dar corda pra ele? Se era pra fazer isso, que desse pra ele se enforcar com ela – Dan falou entrando dentro do carro.

Vanessa revirou os olhos.

— Ele tá assim só por birra. Quando chegar lá ele se anima – Ela garantiu ao primo mais velho.

— Tomara – O outro sorriu de canto.

— Bom, acho que tá tudo ai – Ágata afirmou.

— Partiu então?

— Partiu – Van comemorou.

E assim os três restantes entraram no carro. Como no dia da festa dos namorados, quem os levou foi o pai de Daniel. Naquele momento, o rapaz estava admirando a paisagem do caminho.

O sol a recém dando seu “Bom Dia”, com uma luz tímida, os campos de fazendas que tinham na região, árvores que pareciam gigantescas; Aquilo foi lhe trazendo a mesma tranquilidade que seu sonho do campo. Aliás, surpreendeu-se por não ter sonhado recentemente.

Teve sua mente resgatada de volta a terra quando sentiu Vanessa encostar a cabeça em seu ombro. A garota havia caído no sono. O gesto dela o fez sorrir. Talvez essa viagem improvisada de Ian não fosse ser de todo tão ruim.

***

O primeiro dia de trabalho de Alisson havia sido deveras cansativo, porém fez com que o garoto se mostrasse empolgado por ser útil. Passou o dia andando de um lado para o outro, tentando atender os clientes com muita elegância e educação. Seu Antero, vez que outra, vinha fiscalizar seu novo funcionário, gostando de sua dedicação, sua atitude diante de um desafio e principalmente por ter mostrado atitude, já que a maioria dos novatos começava sempre tímidos e acanhados (Mesmo que com o tempo perdessem tal característica). Al foi o contrário e seu chefe apreciou.

Mesmo com um dia cheio, o rapaz chegou em casa feliz naquela noite e não perdeu tempo em contar para a mãe, que não podia estar mais orgulhosa. Mas a exaustão do trabalho o fez ir descansar cedo. Consequentemente, acordou cedo no sábado.

— Bom dia, filhote – Marisa entrou no quarto com uma bandeja de café da manhã.

— Bom dia – Respondeu o outro, sonolento – Que horas são?

— Dez para as oito.

— Nossa. Acordou tão cedo para fazer café para mim?

— Um pequeno agradado para meu filho trabalhador – A mulher sorriu, fazendo Al se sentir orgulhoso.

— Que isso, mãe. Ontem foi a recém meu primeiro dia.

— Mas o primeiro passo foi dado. Isso é o que importa.

— Obrigado. De verdade.

— De nada – Marisa colocou a bandeja em cima da cama – Fiz ovos fritos, torradas, um soco e um bolo de caneca que tu adora.

— Pra começar o dia bem – Al falou sorrindo.

— Agora se alimenta bem que antes de sair quero que tu me ajude a dar um jeito nessa casa.

— Tava demorando...

— Não reclama. Faça – Ordenou e saiu.

Al não pôde deixar de rir. Amava sua mãe mais que tudo no mundo. Tanto que arranjou um emprego mais por ela do que por si próprio. O que lhe deixava satisfeito era vê-la feliz e orgulhosa, e se conseguiu isso tudo já tinha valido a pena.

Terminado seu café da manhã, desceu para ajudar a mãe a arrumar a casa. Devido ao trabalho em equipe conseguiam fazer tudo com agilidade. Al se atrapalhava um pouco vez que outra, mas a mãe ria e lhe dizia o modo coreto de fazer. Foram terminar a faxina geral perto do meio dia.

— Hoje a coisa rendeu – Marisa dizia enquanto esquentava a comida.

— Eu quero ver como vou trabalhar. Parece que uma manada de búfalos passou por cima de mim! – O outro reclamou.

— Talvez se tu não fosse tão sedentário né, seu Alisson, o serviço não te sacrificasse tanto. Mas agora contigo trabalhando vai acabar a tua mordomia.

— E a senhora tá adorando isso né?

— Te ver criar vergonha na cara e responsabilidade? Nossa, tô amando!

— Muito engraçado – O garoto disse debochado.

— Aí Alisson, tu reclama demais! Por isso que não arruma uma guria decente para-

— Ei Ei! Já vai ter a segunda onda de ataque?! – Al interrompeu – Não bastou quinta feira não?!

— Eu só estou dizendo que tu precisa ter um rumo na vida. Só isso.

— Eu tenho um rumo na vida.

— Ah é? Qual?

O garoto abriu a boca para falar, mas lhe faltaram palavras. Só revirou os olhos e voltou sua atenção ao celular.

— Como eu suspeitei – Marisa disse vitoriosa.

— Eu tenho planos pra minha vida. Só não penso neles toda hora.

— Se tivesse, tu viveria em função de realizar esse sonho. Não ficaria esperando tudo cair do céu.

— É... Pelo visto hoje é o dia da segunda onda de ataque.

— Não é isso, filho – A mãe fitou os olhos castanhos do filho – Eu quero te ver progredir, melhorar. Não quero que tu veja todos crescendo e tu ficando para trás. Tá, não to dizendo para fazer as coisas por obrigação, mas fazer uma força para ser construtivo nunca matou ninguém.

Al sabia que Marisa tinha razão. Sentia-se horrível, por exemplo, vendo Amanda trabalhando e fazendo curso de moda aos sábados enquanto ele só jogava vídeo game o dia inteiro. Queria ser aquilo que sua mãe desejava, até então nunca lhe ocorreu de tomar uma atitude. Tinha que admitir que já não era mais uma criança, e sim um jovem adulto que tinha que assumir responsabilidades.

— Prometo que vou dar um jeito nisso – Disse por fim, com um sorriso de canto.

— Começar nesse emprego já é dar um jeito nisso – Marisa sorria – Agora trata de ir tomar banho e se arrumar para o trabalho.

Numa atitude inesperada, Al levantou, abraçou sua mãe e lhe deu um beijo no rosto.

— Te amo, mãe.

— Também te amo, meu gurizinho – Não podia ter ficado mais contente com o ato.

E lá foi o rapaz se arrumar para mais um dia cheio no “Wunder Bar”. Agora tinha virado questão de honra: Seria feliz naquele emprego ou morreria tentando.

***

O trajeto de Nova Petrópolis até o parque da Cachoeira, localizado em São Francisco de Paula, levou uma hora e quarenta minutos. Isso porque houvera um acidente, então o fluxo de carros prejudicou o trânsito. Daniel e Vanessa haviam dormido um encostado ao outro no carro, sendo acordados por Bruno, o pai de Daniel.

— Acordem aí, vocês dois. Chegou de namorar – Falou.

Daniel acordou e espreguiçou-se, mas continuava sonolento.

— Van – Chamou ele – Van, acorda. A gente já chegou.

Foi a vez da menina tentar espantar o sono.

— Que horas são?

— Dez para as nove.

— Que rápido pra chegarmos, não acha? Da última vez que vim aqui demorou uma eternidade.

— Na verdade, eu dormi também – Confessou ele – E como nunca fiz camping aqui não sei dizer.

Van sorriu.

— Vai ser nosso primeiro camping – Comentou ela.

— Sim – O outro retribui o sorriso – Por que nunca viemos antes?

— Ao invés de discutirem isso que tal ajudar a descarregar, hein pombinhos? – Ian falou, sarcástico.

Ambos riram. Logo desceram do carro e ajudaram a descarregar. Quando terminaram, despediram-se de Bruno e foram levando suas coisas até um local para acampar. Dan observava o local — Estava começando a lotar de pessoas. O que lhe chamou a atenção foi a incrível paisagem que tinha ali. A trilha que Ian percorria (Muito animado, aliás) lhe trazia uma paz incrível. Estar junto à natureza lhe causava essa sensação, e adorava quando acontecia. Caminharam por quase quarenta minutos quando finalmente chegaram a um ponto isolado que Ian queria.

— Sabia que não teria ninguém aqui – Comemorou.

— Aí Ian, podia ter dito que íamos andar um tempão. Poderíamos ter revisado melhor as coisas antes de carregar, daí viriam bem menos coisas.

— Ué, ao invés de virem para cá curtir a natureza e relaxar, vocês querem conforto e tecnologia. Não tenho culpa!

— Ele só fala isso porque foi pro exército – Dan comentou – Daí fica se exibindo com o treinamento de índio dele.

— Ei! É treinamento de sobrevivência na selva se tu quer saber – O primo mais velho contestou – E foi muito f*da o tempo no exército.

— Não quis seguir carreira? – Ágata questionou.

— Não. Meus pais não queriam que eu fosse filiado a coisas assim.

— Falando nisso, nunca tive queda por milicos.

— Eu também não. Acho eles muito apáticos. Sei lá – Van complementou.

— Van – Daniel se intrometeu – Quando tu fez dezoito, tu foi obrigada a servir?

A garota ficou vermelha.

— N-não... Mas depois de muita briga – Respondeu.

— Hum.

— Por que perguntou isso?

— Nada só... Fiquei curioso de saber.

— Ian, rolou muita pegação entre os garotos no exército? – Ágata questionou, maliciosa.

Este respondeu no mesmo tom.

— Não teve uma boca que eu não beijei naquele QG. Melhor época da minha vida.

— Nossa, teu apelido devia ser rodo lá então né?

O garoto riu.

— Como tu consegue? Tipo, sério mesmo, como tu consegue beijar um homem? – Dan perguntou incrédulo.

— O que tu acha que muda num beijo com um cara? – O primo indagou.

— É um homem, velho! UM HOMEM!

— SIM! E o que o c* tem haver com as calças?

— É tão nojento. Eles tem a mesma coisa que tu sabia?

— Dan, o pau só importa se tu for pagar um boquete. Fora isso, tem boca eu saio beijando.

Ágata não conteve o riso, Van tampouco. Daniel só revirou os olhos.

— Vou montar a barraca. Me ajuda, Van? – Falou por fim.

— Ajudo sim – A garota disse tentando se recompuser.

***

Quando chegou ao trabalho, Al foi direto falar com seu Antero. Tinha em mãos os documentos necessários para assinar sua carteira.

— Muito bem, Alisson – O senhor começou – Queria dizer que estou muito satisfeito com seu desempenho ontem.

— Obrigado, senhor – O rapaz agradeceu contente.

— Como eu disse, hoje já assino tua carteira. O salário é aquele ali que lhe mostrei e o horário vai ser o que fica melhor pra ti, já que tu estuda.

— Bom, para mim seria bom trabalhar da tarde a noite.

— Ótimo. Disponível para sábados e domingos?

Al pensou um pouco. Por mais que detestasse a ideia de sacrificar seu fim de semana, não iria desistir agora.

— Sim, senhor.

— Agora vejamos a tua folga. Pelo quadro de funcionários, a folga poderá ser na... Sexta. Isso! Será na sexta.

— Tudo bem – Al se animou.

O garoto entregou sua carteira de trabalho para o homem, que a preencheu. Seu Antero desejou-lhe boa sorte e entregou ao rapaz uma chave de seu armário no vestiário. O garoto sorriu ao chegar no local seu armário, cuja porta estavam coladas felicitações de seus colegas. Estava feliz em começar com o pé direito. Abriu-o, notando que dentro havia três tipos de uniforme, com diferentes tamanhos. Pegou o que julgou lhe vestir adequadamente, olhou em volta para ver se havia alguém vindo e resolveu se trocar ali mesmo.

Estava só de cueca quando ouviu uma voz familiar falar:

— Se tu não for usar os outros, coloca naquele baú lá no canto – Era Gil.

— P*rra cara, que susto! – Exclamou.

— Relaxa. Não tava te espionando. Só vim te apressar porque hoje tá punk a coisa.

— Ah tá. Valeu. Da próxima vez entra falando pra não me matar.

Gil riu do rapaz.

— Pode deixar, donzela – Debochou – E outra coisa: Não recomendo se trocar aqui. Lembre-se que aqui é um vestiário universal e tem uma guria trabalhando aqui. Só um toque.

— Ué, duvido que a Gina não fosse gostar de ver os caras sem roupa aqui.

— Talvez, mas duvido que tu queira que os caras fiquem te observando sem roupa, né?

Um ponto para Gil.

— Tá bom. Já entendi.

— Quando sair e for se trocar, tem um banheiro lá nos fundos – Gil disse sorrindo de canto.

— Ok.

Quando se vestiu, não tardou a começar seu segundo dia como funcionário do “Wunder Bar”. Como Gil havia falado, o local realmente estava cheio. Não ficou surpreso já que quando vinha ali como cliente nos fins de semana, poucas vezes não teve de esperar por mais de uma hora por uma mesa. Era um lugar muito recomendado. E o dia inteiro foi assim. Casa cheia. A equipe não parou por nada. Na cozinha, todos corriam de um lado para o outro para fazer todos os elementos que compõem um café colonial que se preze. Al e Gil, assim como os outros garçons, tentavam ao máximo serem educados e fazer um serviço de qualidade e tentando não deixar transparecer a pressa. Naturalmente, às 22h estavam exaustos.

— Cara, não aguento mais ficar em pé – Al reclamou.

— Vai se acostumando. Aqui é sempre assim – Gil comentou.

— Tu trabalha aqui há muito tempo?

— Não. Comecei tem uns seis meses eu acho.

— E demorou para pegar o ritmo?

— Um pouco – Gil confessou – Principalmente porque é um c* conciliar trabalho e faculdade.

— Espera, tu não trabalha de noite. O que tu tá fazendo aqui?

— Nos sábados eu trabalho. Sabe né, qualquer grana extra ajuda.

— Entendi.

— Mas só até mês que vem. Em agosto, já vou começar a estudar no sábado também.

— Não consigo me imaginar estudando num sábado – Al disse pensativo.

— Faculdade faz isso com a gente.

Ambos sorriram.

— Escuta, e o lance com tua ex ontem? Como ficou?

— Ah — Gil ficou com uma cara desgostosa – Bem, ela foi até lá, me enrolou e me deu um beijo.

— C*r*lho. E tu?

— Não fiz nada. Não tô a fim de reatar.

— Mas se ela for gata... Não dá pra pensar?

— Não. Eu fiz m*rda quando estávamos juntos e também não sinto mais nada.

— Tomara que eu já não tenha pego ela – Al mexeu.

— Fica tranquilo. Tenho certeza que não – Gil disse, malicioso.

— Ué, por quê? Ela não é bonita?

— É, mas digamos que ela não faz o teu tipo.

— E como sabe disso?

— Eu sinto isso. Sei lá.

Al não estava entendendo onde Gil queria chegar.

— Tudo bem então – Al desconversou – Bem, eu vou indo lá me trocar. Depois nos falamos.

— Ok.

Alisson ficou refletindo. Será que Gil evitou falar da ex-namorada por medo dele se interessar? Estava dentro das possibilidades.

“Ela não faz o meu tipo...” Pensava “Que tipo de guria não faz o meu tipo sendo bonita? Ele deve ter enrolado pra eu não botar olho comprido mesmo. Deve ser bem inseguro. Coitado”.

Ficou cerca de três minutos se trocando. Assim que foi colocar seu uniforme dentro de seu armário, notou Gil indo ao banheiro se trocar.

— Como é bom ter uniforme né? Bem mais prático – Gina comentou tirando Al de seus pensamentos.

— C*r*lho, vocês tiraram o dia pra me assustar é?! – Disse ele.

— Se tu não andasse no mundo da lua – A garota riu.

— Tinha até me esquecido que aqui não é vestiário só dos homens.

— Pois é. Então procura não ficar de cueca aqui tá?

O garoto a olhou pasmo. Como ela sabia daquilo?

— Antes que pergunte, Gil comentou – Ela parecia ter lido seus pensamentos.

— Parece uma tia velha e fofoqueira – O garoto revirou os olhos e sorriu de canto.

— Ele é o nosso jornal, digamos assim. Através dele sabemos de tudo que rola aqui.

— Já vi que estão falando de mim. Pô Al, mal começou e já me ama? – Gil brincou.

— Sonha – Respondeu o outro.

De repente, sentiu seu celular vibrar. Verificou e viu que era uma mensagem de sua mãe.

“Filhote, estou mandando mensagem para avisar que vou dormir fora hoje. Me acertei com meu namorado e ele me convidou para passar a noite lá. Pode levar uns amigos seus para passar a noite e tem pizzas pré prontas no congelador. Bjs, mamãe te ama! ♥”

O rapaz sorriu. Teria a casa só para ele. Era bom enfim ter um sossego.

— Minha mãe vai sair com o namorado. Tô de folga dela hoje – Falou brincando.

— Opa! Então já vai convidar uma gata é? – O outro perguntou saliente.

— Eu até convidaria uma que saí recentemente – Falava pensando em Amora – Mas deu altos rolos com ela, então...

— P*rra, cara. Tá desperdiçando uma chance.

— Eu sei. Mas, ela falou que podia convidar os amigos.

— Social na casa do Al? Que bela recepção aos seus colegas, novato! – Brincou Gil.

— Ué, podem ir se quiserem.

— Eu adoraria, mas hoje vou para a casa do boy – Gina colocou.

— Fica pra próxima então – Alisson foi compreensivo.

— Eu posso ir mesmo? – Gil questionou.

— Se quiser, não vejo problema.

— Corajoso tu levar uma pessoa que mal conhece na tua casa – Gina falou – Não encarem isso como afronta.

— Me senti ofendido com as tuas palavras, Gina – Gil fez uma pose de chocado.

— Engraçadinho.

— Gina, já levei muita mina que não sabia nem o nome lá pra casa. Levar um colega de trabalho vai ser até dentro do normal – Al colocou.

— Isso ficou estranho – A garota disse, maliciosa.

— Ihh, sai pra lá! Meu negócio é mulher mesmo. E também não vai só o Gil, tô falando aqui no grupo de uns amigos que confirmaram também.

— Viu, sua pervertida? – Gil mexeu com Gina.

A garota só se fez rir.

— Eu vou indo nessa que meu boy já tá me esperando. Até amanhã e quero saber tudo hein?

— Até – Alisson e Gil falaram juntos.

— E ai, ‘bora lá? – O mais velho perguntou.

— ‘Bora – Respondeu.

***

O dia passou de maneira proveitosa para o quarteto formado por Daniel, Ágata, Ian e Vanessa. Tiraram fotos, exploraram tudo, riram, se divertiram... O passeio em si estava agradável. Cada vez mais pareciam se conhecer há anos. No almoço, haviam comido frutos do mar, que Dan detestava com toda sua força. Então, quando a noite veio, comeu praticamente todos os lanches sozinho.

Estavam todos reunidos em torno de uma lareira. O relógio de pulso de Ian marcava 22h00min.

— Graças ao avestruz do meu primo não sei se vamos ter comida sem gastar – Ian disse enquanto comia um dos sanduíches que sobraram.

— Na próxima vez, pesquisa antes que comidas eles oferecem nos lugares. P*rra, aqueles frutos do mar eram horríveis! – O garoto justificou-se.

— Tu que é muito fresco. Confessa.

— Com comida sim. Se bem que frutos do mar não é comida né.

—Eu comi e tô de boa aqui.

— E depois eu que sou o avestruz.

— Ai, como gostam de discutir. Parecem minha mãe e minhas tias quando se juntam – Ágata comentou, rindo.

— Se o Daniel fosse mais macho e menos filhinho mimado – Ian provocou recebendo um olhar fuzilador do outro.

— Se o Ian não fosse mais normal e menos babaca.

— Idiota.

— Gay.

— C*zão.

— Ei, ei! Dá pra pararem?! – Vanessa se intrometeu – Eu e a Ágata estamos aqui lembram?!

— Por mim, vocês dois pode se pegar já. Até arranjo uma pipoquinha – Ágata riu.

— Deus me livre! – Dan exclamou.

— Todos os primos que eu conheço se pegam ou já se pegaram. Qual o problema?

— O problema é que ele não aguenta tanta areia no caminhão dele, gata – Ian respondeu.

— Jura né?! – O primo mais novo rebateu.

— Imagina se ele ia aguentar um corpo delícia desses. Nunca.

— Entrou pro circo e não me avisou, primo?

— E tu já se formou na escola dos trouxas?

— Gente, o papo tá ótimo, mas eu vou me recolher. Boa noite – Van anunciou.

— Boa noite – O trio que ficou disse junto.

Mal a garota saiu e entrou na barraca, Ian chegou perto do primo e sussurrou:

— Vai lá, cara. É agora.

Dan estremeceu.

— Ian, e-eu não sei se-

— Confia no teu taco! Lembra que eu te disse que esse camping era pra renovar os ares? Então...

O garoto ficou pensativo. Olhou para a barraca onde a namorada estava, respirou fundo e foi lentamente em direção a ela. Ian e Ágata observaram contentes, mas resolveram que também seria hora deles. Apagaram a fogueira e foram para sua barraca curtir a noite.

Dan abriu o zíper da barraca, entrou e o fechou. De modo delicado, deitou ao lado oposto da garota. Ficou de olhos abertos, esperando alguma reação da parceira. Não demorou muito a acontecer. Vanessa virou e abraçou o garoto, que mal respirou com o gesto. Resolveu que iria agir por impulso para disfarçar um pouco de seu nervosismo. Foi até o zíper de sua calça, tirou-a e ficando apenas com a camisa e roupa intima. A garota, percebendo tal ato, foi passando a mão por dentro de sua camiseta, massageando seu peito, e depois descendo a mão até sua cueca. Ficou acariciando seu membro por cima do tecido por alguns segundos. Dan virou-se bruscamente e iniciou um beijo quente com sua garota. Suas mãos deslizavam no corpo dela e vice versa. Ficaram alguns minutos assim até que Van retirou a cueca do garoto, chegou perto de seu ouvido e sussurrou:

— Me f*de, Dan. Mostra pra mim do que tu é capaz.

O garoto ficou nervoso e começou a tremer, atraindo olhares preocupados da garota. Ele se afastou, colocou sua cueca e deitou-se novamente.

— D-desculpa, Van – Disse ele, com voz chorosa – E-eu quero muito, mas-

—Shiuu- A loira passou a mão em seu rosto e depois o abraçou — Eu entendo. Só prossegui porque pensei que tu estava preparado. Mas se não está, tudo bem.

Ele virou, com os olhos inundados e a beijou.

— O-obrigado por me entender. De verdade.

A menina sorriu e continuou abraçada a ele. Estava triste, mas não queria forçar Daniel a nada. Será que ele um dia iria superar aquilo?

***

Ian e Ágata conseguiram se divertir. Estavam numa barraca um pouco mais afastada da do casal que os acompanhava, para evitar a desagradável situação de ouvir gemidos alheios caso rolasse algo. Ficaram até as 3h10min falando bobagens e jogando conversa fora. Falaram das viagens, das loucuras, dos amores... Todo tipo de assunto que uma pessoa é capaz de conversar (Além de trocar beijos, é claro). Assim que acabaram, Ian saiu (Sem roupa) até a caixa térmica, tirou de lá algumas cervejas que trouxe “escondido” e levou até a barraca. Ágata, depois de alguns minutos, notou que o rapaz estava levemente alterado, indicando que estava bêbado.

— Quatro cervejas e tu desmorona meu. Como assim?! – Zoou ela.

— Eu tô ótimo, se tu quer saber. Até podemos brincar mais um pouco sabia? – Ele disse perto do ouvido da garota.

— Sabe que até seria legal? Mas não estou a fim de tu acabar tendo um blackout e caindo em cima de mim.

Ian riu.

— Meu, tu é muito louca velho.

— Olha quem falando.

— É sério. Tipo, tu é muito doida mesmo.

— Vai mandar me internar então?

— Olha o que tu fez comigo... – O rapaz disse começando a cair no sono.

— Te deixei viciado, né? – A garota brincou. Aquela altura já tinha pegou seu celular e estava gravando.

— Pior do que isso... – Sussurrou – Tu me deixou apaixonado...

CONTINUA