A Teoria das Cores
13 Preto I
MEDO
A noite é uma criança. Essa era a única frase que Al conseguia pensar desde que os amigos que convidou chegaram a sua casa. Estavam presentes Adrian, Amanda, Jeff, Cris (A namorada de Jeff) e Gil. Achou que estava de bom tamanho. Sabia que se desse uma festa como manda o figurino sua mãe ficaria sabendo pelas vizinhas, que mais pareciam um sistema de vigilância medieval em sua opinião.
Quando chegaram, os meninos foram direto para o videogame. Foi inevitável para Al se lembrar da tarde na casa de Jeff. Tinha sido uma tarde estranha à beça. Aquela aposta ridícula, a maneira insistente como o outro queria que a pagasse o fizeram desconfiar das verdadeiras intenções do amigo. Mas ao que parecia tudo havia ficado no passado. Ele e Jeff contra Adrian e Gil era o presente no jogo.
— Por que não estou surpresa de termos ficado de fora? — Mandy disse irônica.
— Nem me fale. Se fosse pra te ver jogar Jeferson, fazia isso na sua casa — Cris reclamou.
— Relaxa, gata. Assim que os noobs do Adrian e do Gil perderem eles vão passar os controles pra vocês – Argumentou o namorado, sem tirar o olho da tela.
A cônjuge revirou os olhos.
— E depois EU é que fico desperdiçando tempo ao invés de cumprir as obrigações de um relacionamento né?! – Não estava nada feliz com a situação.
Como para bom entendedor meia palavra basta, Al conversou com os garotos, que concordaram que essa não seria a noite do videogame. Desligado o mesmo e foi decidido colocarem pizzas congeladas para cozinhar e tomar cerveja — vendida em garrafas de coloração azul. Demorou cerca de meia hora para a comida cozinhar. Durante esse tempo, o quinteto foi tomando às bebidas trazidas por Adrian, enquanto riam e se divertiam.
Quando, às 23:55 as pizzas ficaram prontas de fato, foi Al quem as retirou do forno. Acabou se queimando levemente, pois graças ao álcool, esqueceu-se de pegar luvas de cozinha.Começaram a devorá-las pedaço por pedaço, enquanto jogavam conversa fora e riam de várias situações inusitadas que viveram. As meninas outrora chateadas, agora já estavam envolvidas e sorridentes.
— Ai, cara — Falava Adrian — Vocês me matam.
— Nem fale! Nunca vou superar o fato de um avestruz ter roubado teu boné no zoo, Al — Mandy ria ao falar.
— Vocês riem porque não foi com vocês né?! — Exclamou o próprio.
— C*r*lho. Mal conheço vocês e já conheço até a cor das cuecas e calcinhas de todo mundo — Zoou Gil.
— Falando nisso – Cris sorriu, maliciosa — O que acham de um jogo da garrafa clichê?
— Sem mais mulher na parada? Nem vem — Al contestou — Tinha que ser algo justo pra todos.
— Como tu é infantil, Alisson. Qual é! É apenas um jogo!
— Eu não vou participar. Tô até vendo os guris se beijando e comigo isso não rola.
— Tudo bem então — Adrian se intrometeu — Maricas.
— Por quê? Por que eu não quero macho colocando a língua na minha boca?
— De onde tu tirou que tem que ser de língua?
— É certo que um de vocês vai pedir que seja de língua.
— Se o caso é esse, Al, colocamos sem beijo de língua – Mandy propôs.
— Tu vai apoiar teu namorado beijando outras bocas?!
— É um jogo, criatura!
— Pensei que tu fosse me apoiar nisso pelo menos.
Amanda revirou os olhos.
— Tá. Adrian, tu não vai participar do jogo — Falou ela, descontente.
— Vou participar sim — O garoto revidou.
— Viu? Tentei.
— Fez com uma má vontade inqualificável – Al reclamou.
— Gente, vamos fazer o que o Al quer. Ele não participa. Pronto. Mas também não vai assistir.
— Mas eu tô na minha casa!
— Melhor pra ti. Pode ir pro teu quarto se trancar lá.
Al ia contestar, mas preferiu fazer o que a amiga disse. Seria inútil ficar ali já que não estava disposto a entrar no jogo. Levantou-se e foi direto para seu quarto. Assim que chegou, começou a socar seu travesseiro.
— Burro! Burro! Burro! – Xingava-se em um tom baixo — Nem em uma reunião com os parças tu consegue não fazer uma cena né, seu demente!
Atirou-se na cama de vez e retirou a calça moletom preta e o casaco que vestia, ficando apenas de camisa, cueca e meias. Bufou e olhou em direção ao trevo que colocara na janela.
— Quando é que tu vai começar a me dar sorte hein?
Surpreendeu-se ao ouvir três batidas do lado de fora, solicitando sua atenção.
— Tá aberta. Entra.
De maneira tímida, Gil foi adentrando ao espaço.
— Fala aí – Disse o próprio.
— Deve tá achando um c* tudo isso né? — Al perguntou, entristecido.
— Não terminou em tapas nem com gente vomitada pelos cantos. Então definitivamente não terminou tão ruim quanto tu acha, se é isso que tu quer saber.
— É... Valeu eu acho.
— Ainda não tinha visto esse teu lado temperamental.
— Lá no “Wunder Bar” é trabalho. Algo sério. Não posso me deixar abater. Mas aqui é minha casa, terreno meu.
— E da tua mãe — O outro brincou, fazendo Al sorrir de canto.
— Tu entendeu.
— E tudo aquilo foi só por causa da ideia de beijar um guri mesmo?
Alisson suspirou.
— Sim. Não quero beijar homem. Parece que o mundo quer que eu beije um, mas eu não tenho vontade.
— Como assim?
Outro suspiro.
— Esquece. Outra hora eu te conto.
— Tudo bem.
— O que importa é que parece isso que eu falei, sabe? Ultimamente deu pra aparecer essas “Oportunidades” de mau gosto da vida. Mulher que é bom, nunca né?!
— Al, tu já se ouviu falando? – Gil fitou os olhos do outro – Sem frescura, tu já se ouviu falando disso e se expressando sobre?
— O que tem? É o meu jeito oras. Pode não ser o mais calmo, mas né? Faz parte de mim – Não entendia onde o mais velho queria chegar.
— Olha cara, eu sei que tu vai ficar p*to comigo por te dizer, mas na minha experiência guris que agem assim estão reprimindo desejos.
Al sentiu seu cérebro fundir. Como Gil ousava levantar uma hipótese daquelas a seu respeito, sendo que mal se conheciam fora do ambiente de trabalho?! Pensou em responder o que pensava e metralhar ele com palavras e ações estapafúrdias, mas respirou fundo e falou:
— Pois tira o teu cavalo da chuva que não, não tenho desejos oprimidos. Eu só acho estranho dois caras se beijarem. Ou vai dizer que acha lindo?
— Se eu não achar lindo, como eu vou beijar né?
Com um pouquinho de paciência, dava pra ouvir o som da ficha caindo na mente do mais novo.
— Espera... — Sua mente custava a raciocinar — Tu é...
— Gay, viado, bicha — Deu de ombros — Enfim... Usa a nomenclatura que quiser.
— M-mas Gil, não pode-
— Por que não? — Interrompeu, fitando-o.
— Tu me viu sem roupa! TU TÁ ME VENDO SEM ROUPA! — Colocou as cobertas cobrindo seu corpo.
— Ei! Calma! O que pensa que eu sou? Um ninfomaníaco? – Zombou da atitude do garoto.
— Vai dizer que não gosta de ver homem pelado agora?! Então tu é o gay mais hétero que vi na vida!
Gil não aguentou e caiu na gargalhada.
— O que é engraçado? Quero rir também – Questionou Al, já saindo do sério.
— Essas atitudes de guris héteros me matam — Gil comentava enquanto se recompunha — A masculinidade de vocês é tão frágil. P*ta m*rda! Tu pensa o quê? Que eu vou te estuprar é?
— Sei lá! Vai saber a quanto tempo não faz sexo...
— Não muito se quer saber. Mas não muda o foco! Quero entender o porquê dessa reação toda.
— Porque sim, ué. Não vou dar brecha pra macho vir me cantar.
— Super explicativo — Falou, em tom sarcástico — Bem, vou lá embaixo buscar mais bebida que o efeito da última já tá passando, consigo sentir. Quer uma também?
— Tanto faz — Deu de ombros.
— Vou trazer então.
— Cara...
— Diga, novato.
— Tu... Tu se excitou me vendo assim? Tipo, como eu tô?
Gil sorriu de canto.
— Sim — Confessou — Mas relaxa que não vou fazer nada contigo. A não ser que tu queira, é claro.
— Passo.
— Volto logo.
Alisson ficou naquele quarto pensativo. Por que tantos garotos (Em sua modéstia opinião) estavam tão interessados nele? Não podiam fazer um esforço para encontrar alguém disposto a encarar?
***
Domingo, 8h34min. O quarto formado por Daniel, Ian, Ágata e Vanessa já estava a postos. Todos sonolentos, e no caso de Ian e Ágata, com dores de cabeça. Dormiram pouco na noite anterior, o que resultara nessa experiência.
Ágata tentava agir o mais normal possível. Depois da confissão, Ian acabou caindo no sono e aparentemente não parecia lembrado do que ocorreu. Saber que o garoto começava a nutrir sentimentos por ela a deixava mal. Deixara bem claro quando saíram juntos da festa dos namorados, que seria algo sem qualquer compromisso e obrigação. E agora ele confessara estar se apaixonando. Ou melhor, apaixonado. O que complicava ainda mais... Ou não? Não sabia como agir daquele momento em diante. Talvez Ian estivesse só ignorando o fato e preferindo não comentar sobre, como também podia simplesmente não se lembrar. Ambos faziam sentido para a morena.
— C*r*lho, que p*rra. Acho que minha cabeça vai derreter – Reclamou o próprio.
— Dá próxima vez, não bebe como se fosse teu último dia na terra, seu alcoólatra — O primo retrucou.
— Ih, já vão começar? Nem se deram bom dia ainda! — Ágata se intrometeu.
— Bom dia — Disse Dan, atendendo ao pedido.
— Bom dia, Virgem Maria — O mais velho disse com um sorriso malicioso nos lábios.
Ia retrucar, porém preferiu ficar quieto e mudar de assunto.
— O que a gente vai fazer hoje? O que planejou, guia turístico? — Questionou.
— Tava tri a fim de ir nadar na cachoeira agora de manhã, pra falar a verdade.
— E pode isso?
— Nunca me proibiram. Mas também é uma bem afastada.
— Nossa, tudo contigo é no fim do mundo né? Não pode ser nada mais perto não?
— Não. Eu gosto daquela. E também é bom pra espantar esse teu sedentarismo.
— É gato, mas eu não ando mais um milímetro depois de ontem. Depois, pra não precisar desmontar e levar tudo e andar até Roma, alguém precisa ficar aqui pra cuidar tudo — Ágata propunha — A Van fica aqui e me faz companhia. Podem ir.
— Eu vou? – Questionou a loira, recebendo um olhar intimidador da amiga — Eu vou. Bom banho, meninos. Levem toalha e protetor solar.
— Viram? Vão na fé, lindos.
Os primos se entreolharam.
— Duvido que esse sedentário do Daniel consiga ir até a cachoeira — Provocou o mais velho.
— Bah mano, tu não fez isso — O outro riu sarcástico.
— O quê? Tô mentindo? Não vai tá na metade do caminho, já vai chorar pedindo pra eu te levar no colo.
Dan pegou uma mochila de maneira rápida, colocou uma toalha e dois protetores dentro da mesma e a colocou nas costas.
— ‘Bora lá.
Ian sorriu.
— ‘Bora— Fez o mesmo com uma mochila que trouxera e saiu correndo, deixando um Daniel furioso correndo atrás de si.
As meninas se divertiam com a cena.
— Meu Deus! Que dupla! — Vanessa comentou enquanto se recompunha.
— Guris nunca amadurecem cedo, esqueceu? — Ágata disse irônica.
— Verdade. Mas esses dois extrapolam qualquer limite.
Um silêncio se manteve no local por alguns minutos, até que a loira resolveu falar.
— Me conta. O que rolou pra tu querer que eu ficasse aqui?
— Percebeu então?
— Sou tua amiga. Óbvio que iria perceber.
A morena sorriu.
— Quis que ficasse porque somos transparentes uma com a outra. Não escondo nada de ti. E ontem, aconteceu um babado.
— O Ian brochou?
— Idiota – Riu — Claro que não. Quem dera fosse. Até daria pra aceitar.
— Nossa, pra tu tá assim deve ter sido feio.
— Nem tanto, mas tu me conhece né?
— Fala logo, mulher. Tô tendo um troço aqui!
— O Ian disse que me amava e eu não respondi.
— Espera... Como assim?
— A gente transou, aí depois começamos a conversar e tal e ele disse que eu tô deixando ele apaixonado. Mas cara, por mais interessante e fofo que o Ian seja, eu quero minha liberdade! O problema é que se isso que ele disse for verdade não podemos continuar...
Vanessa suspirou.
— Ai, miga... E tu não pensou em dar uma chance?
— Claro que sim. Poxa, o Ian é um cara fantástico e, desculpe o comentário, dá de dez a zero naquele seu macho indeciso ali. Porém, não posso ignorar que começamos a sair tem menos de uma semana. Não dá pra se criar um laço desse jeito. E nem sei se quero também.
— Miga, tá na hora de superar isso. Aquilo passou. Ficou no passado — Comentou, referindo-se a algo do passado da moça.
— E-eu sei, mas-
— Tu merece ser amada — Interrompeu — Amar não é ruim, entretanto também não é fácil. Ontem foi a prova disso como e o Dan...
— Ele deu pra trás de novo é?
— Sim – Respondeu, entristecida — Queria tanto sentir tesão com ele sabe. Que ele me tocasse e me agarrasse e me fizesse de escrava dele.
— Isso é pra me fazer ter pena ou me excitar? — Brincou.
— Desculpa, me empolguei — Vanessa falou constrangida.
— Capaz. Estou aqui pra te escutar também.
A loira sorriu. Era bom ter uma amiga como Ágata para conversar e expor o que sentia. Então ficaram ali conversando para passar o tempo.
***
Os meninos estavam correndo animados. Estavam suados, exaustos, mas não paravam de correr. Num trecho do percurso, Daniel escorregou e caiu no chão atraindo olhares de alguns que passavam por ali. Isso o fez ficar mais competitivo ainda, se Ian queria esse jogo ele o teria. Levantou-se e saiu disparada na frente do primo. Não sabia de onde arranjara aquela força, mas também não iria parar para pensar sobre. Não demorou quinze minutos decorridos do fato, chegaram a tal cachoeira que o mais velho comentara. De fato, enquanto corria, percebeu que a trilha até ali era estranha e afastada. Não havia ninguém.
A cachoeira não era alta, era pequena relacionada a outras do parque. O local era como se fosse uma ilha, cercada por um rochedo em toda sua borda. As pedras escuras eram tingidas apenas pela fina camada de musgo que a cobria, todavia apesar de pouco um passo em falso causaria problemas.
— Tudo bem... Tu me venceu, priminho. Parabéns — Disse Ian, ofegante.
— Isso é pra tu aprender a não duvidar de mim, trouxa — Gabou-se.
— Tá, ô cãozinho Bolt, larga daí que eu vou descer. Presta atenção na hora de descer essas rochas.
— Me chamou do quê?!
— Só cala boca e me obedece.
Com cuidado, Ian foi descendo à parede rochosa que dava acesso a cachoeira.
— Pronto. Agora quero ver tu descer — Duvidou, sorrindo sempre.
Daniel jogou a mochila para Ian segurar e, em ritmo mais lento, desceu a parede.
— O que houve? O ponto fraco do Bolt é a parede de rochas? — Provocou o garoto de olhos claros.
— Fica quieto, seu mané — Retrucou.
O outro apenas riu.
— Bem... ‘Bora mergulhar então?
— Depois. Só deixa eu descansar um pouco.
— Tu que sabe.
Sem cerimônia, o mais velho tirou sua camisa vermelha, seu tênis e meia e foi direto em direção à lagoa formada ali. Por conhecer bem o local não se intimidou e mergulhar de cabeça. Sabia que o lago era relativamente fundo o suficiente e sem pedras para acontecerem acidentes.
Dan observava o primo. Sempre o viu como seu herói, seu ídolo, seu irmão. Tudo que ele mais queria na vida é levar a vida como Ian levava. Sem neuras, sem complicações... Apenas vivendo cada dia como se fosse o último. Lembrava-se de quando o ensinou a nadar (Já que o pai não sabe e a mãe nunca se ofereceu para isso), ou de quando um garoto mais velho lhe acertou um soco no estômago e foi lhe proteger... Tantos momentos... Sentia-se grato por todos eles. Por um momento pensou que a revelação da sexualidade do garoto fosse estremecer essa base, mas vendo agora tudo parecia tão natural que quase não tinha relevância. Ambos eram primos e sempre seriam. A aceitação de Dan o fazia ter certeza disso.
Não demorou muito para que ele resolvesse entrar também. Fez exatamente como o primo e entrou só de calção na lagoa. Mal o fez, jogou água no rosto do mais velho, que revidou, iniciando assim uma pequena guerra entre ambos. Ficaram assim por cerca de dez minutos, quando por fim surgiu um tédio momentâneo.
— Ei — Ian chamou a atenção — Sabe o que é bom nessa parte aqui do parque?
— O quê? — Perguntou inocente.
— É que dá pra fazer isso.
O garoto de pele negra clara foi rápido até a beira da lagoa e começou a despir as únicas peças de roupas que ainda lhe cobriam: O calção e a cueca. Ficou nítido o contraste entre as regiões que elas cobriam. As coxas e a região pélvica eram levemente mais claras que o resto do corpo do rapaz. Ao passo que seu membro era um pouco mais escuro. Pelos pubianos teimavam em cresce escurecendo a região.
— Tu se depilou é? – Daniel perguntou.
— Claro ué. Não é de meu feitio, mas a Ágata disse que não é ovelha pra comer grama, se é que me entende.
Riu, enquanto Ian escalava o rochedo novamente.
— Aonde vai? — Perguntou.
— Vou pular ali de cima. Fica frio.
E assim o fez. Foi até a borda de onde vinha à água e pulou na lagoa.
— Ah... A doce sensação de liberdade — Dizia ele — Tu devia experimentar, Dan.
— Ficar nú contigo aqui, sozinho? Eu me sinto mais seguro sendo levado pela Al Qaeda — Foi irônico.
— Deixa de viadagem.
— Desculpa, tu ta me confundindo contigo mesmo.
— Do jeito que tu fala até parece que nunca me deu uma olhada. Agora pouco reparou que eu me depilei.
—Óbvio. Mas isso qualquer um notaria.
— O que me importa é que tu notou— Aproximou-se, causando um frio na espinha do primo.
— I-ian, não começa cara. Eu não tõ a fim de nada e além do mais-
— Somos primos. Eu sei... – Mais perto até que chegou bem perto do ouvido do rapaz e sussurrou – Mas sabia que tu é o único dos meus primos que eu não peguei?
— C-como é que é? — Afastou-se, encarando o mais velho, incrédulo – Q-quer dizer que todos eles...
— Ou me beijaram ou fizeram coisas a mais — O outro sorriu mostrando seus dentes brancos — Sabe Dan, tudo é uma questão de interesses em comum. Tu quer prazer, eu quero prazer. Não precisa querer se rotular disso ou daquilo. A partir do momento que tu gozar, pronto. Fim da história.
— Eu quer ter prazer com gurias, isso sim! E chega que esse papo tá muito estranho.
— Espera!
Segurou de leve o braço do primo e devagar o puxou para si. O abraçou, como no dia da festa dos namorados. Dan estava estático e tremendo. Seu corpo não sabia o que fazer. Sentiu as mãos dele percorrerem seu corpo de forma calma, quase fraternal, deslizando-as entre as costas do menor, alternando-as para o peitoral.
— Tu é o mais gostoso deles, Dan – Sussurrou – Tu é o que eu mais quero...
Quando seus lábios estavam bem próximos ao pescoço do rapaz, Daniel saiu correndo para fora da água. Colocou sua camiseta, jogou seus tênis na mochila, escalou o rochedo e saiu correndo sem olhar para trás. O que diabos havia sido aquilo?
***
A pior parte de se beber são as consequências da manhã seguinte. Aquela sensação de desgaste físico toma conta do corpo. Sempre as mesmas juras de nunca mais. Sempre voltamos e fazemos o dobro da vez anterior. Al lutava com todas as suas forças não abrir os olhos, mas o sol parecia querer lhe acordar já que mandava um feixe de luz bem em seu rosto pálido. Abriu devagar os olhos e viu que era cedo: 07h15min. Condenava-se por ter acordado. Viu também uma quantidade considerável de garrafas vazias de cerveja. Não se recordava de ter bebido tanto. Na verdade, não se lembrava de quase nada da noite anterior. Tentou mexer o braço direito e viu que o mesmo estava sendo impedido por algo... Ou alguém. Com temor, virou-se devagar em direção ao seu braço e veio o espanto: Gil estava ali, completamente nu, enquanto seu braço estava por baixo de sua cabeça. Deus sabe o esforço que fez para não gritar o mais alto que seus pulmões podiam suportar. Tirou sem nem se preocupar com o outro seu braço dele. Estava apavorado. Olhou para si debaixo das cobertas e percebeu que estava nu também.
— Não... Não... Não! Ai p*rra! Minha cabeça! — Passava as mãos por seu rosto, desesperado.
Não perdeu tempo: Vestiu uma cueca e um calção e foi em busca de Amanda. Ela saberia o que fazer. Mesmo que a dor estivesse insuportável, foi firme até o andar de baixo e seguiu até sala. Viu Adrian e Jeff dormindo no chão com algumas cobertas (Pegas no quarto de Alisson provavelmente), e as meninas nos sofás (Com exceção de Cri, que dormiu abraçada ao namorado). Quando finalmente localizou a amiga, chacoalhou-a para que acordasse.
— Ai, Al! Isso é jeito de me acordar? Ai, que dor de cabeça! — Reclamou.
— Vem aqui que o assunto é grave!
Al pegou-a pelo braço e levou até a cozinha. Pegaram um remédio para dor de cabeça e o tomaram. Em seguida partiram de volta ao quarto de do garoto.
— O QUE O GIL FAZ DORMINDO PELADO NA TUA CAMA?! AI! – A garota gritou, tendo sua voz abafada pelas mãos do mais velho.
— Cala boca! Quer que o Japão escute é?
— Cara, o que é isso?!
— Eu não sei, Amanda! Por isso preciso que tu me diga que não é o que parece! Me diz que eu não... Aí, velho, não consigo nem falar!
— Tu me acordou pra isso, Alisson? Sério?
— Isso é grave p*rra! Eu posso ter comido o Gil!
—Ah é? E como tu sabe que não foi ele quem te comeu?
Ficou tão vermelho que parecia um tomate.
— N-não muda de assunto! Fala logo que isso é uma pegadinha de vocês. Anda!
— Eu não lembro, Alisson! Que coisa! Só sei que quando tu veio pra cá ele veio atrás, ai desceu e voltou com mais bebida.
— Ai c*r*lho! Que p*rra eu fiz?!
— Tá, agora me escuta – Amanda pegou o rosto do outro e fitou seus olhos? – O que tu sente sabendo que pode ter transado com um cara?
CONTINUA
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